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WikiLeaks, mais uma dor de cabeça para o imperialismo

WikiLeaks, mais uma dor de cabeça para o imperialismo Vazamento de documentos secretos mostra os detalhes da política externa norte-americana e revela ingerência nos países.

A secretária de Departamento dos EUA, Hillary Clinton, antecipou-se ao que viria e passou a disparar telefonemas a embaixadores de todo o mundo. O temor não era infundado. Dias depois, a partir de 27 de Novembro, o site WikiLeaks passou a divulgar documentos secretos da diplomacia norte-americana, revelando segredos de Estado do Império.

São mais de 251 mil telegramas de 274 embaixadas norte-americanas em todo o planeta, grande parte deles confidenciais, que datam de 1966 a Fevereiro último. São revelações como as caracterizações de governos e políticos pelos EUA, assim como a descrição detalhada das actividades dos diplomatas norte-americanos, que transcendem em muito as tarefas quotidianas das embaixadas.

Se é verdade que até agora não apareceu nenhum documento realmente revelador contra os EUA, é também verdade que o vazamento teve efeito devastador sobre a diplomacia norte-americana. As relações dos EUA com uma série de países, que já estavam estremecidas com a crise financeira, tendem a ficar ainda mais complicadas diante do escândalo gerado pelo WikiLeaks.

Entre fofocas e lobbies em favor dos interesses americanos, ficamos sabendo, por exemplo, que a Inglaterra não acredita mais numa eventual vitória militar no Afeganistão, e que se ainda mantém soldados por lá é unicamente em "deferência" aos EUA. Aliás, grande parte das revelações se refere aos países e as suas relações mais que incestuosas com o Império. Inclusive o Brasil.

Relações perigosas

De todos os arquivos abertos, 2.855 são da embaixada dos EUA no Brasil. As primeiras divulgações já foram feitas, e muito mais está por vir. Segundo a coordenadora do WikiLeaks no Brasil, Natália Viana, os arquivos "vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo".

Os telegramas da embaixada no Brasil mostram uma relação bastante estreita entre o Império e sectores da Polícia Federal e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Mostram, por exemplo, como os órgãos no Brasil agem a mando do Departamento de Estado norte-americano, vigiando e prendendo suspeitos de terrorismo. A fim de não prejudicar o turismo e a imagem do país, tais prisões são feitas sempre de forma disfarçada.

Os documentos expõem ainda as relações mais que amistosas entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o ex-embaixador Clifford Sobel. Tal relação chegava a ser de delação, já que Jobim, de acordo com os documentos dos EUA, confidenciava segredos ao embaixador e criticava colegas de governo, como o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, chamado de "antinorteamericano".

Outro telegrama deixa explícita a condição do Brasil de bombeiro dos EUA na América Latina. Nele, o assessor de relações exteriores de Lula, Marco Aurélio Garcia, se dispõe a ajudar os EUA na "moderação" do governo com a Bolívia de Evo Morales, quando do conflito entre o governo e a burguesia da região da Meia-Lua, em 2008.

Terrorismo

Um dos telegramas divulgados pelo site revela a pressão dos EUA para que o Brasil adopte uma legislação específica para o crime de "terrorismo". O informe, de Novembro de 2008, relembra que o governo, a partir do Gabinete de Segurança Institucional, havia iniciado um movimento nesse sentido em 2004, mas que foi abandonado para evitar desgaste político.

O documento descreve uma conversa entre o embaixador Sobel e o analista da Escola Superior de Guerra André Luis Woloszyn, que teria lhe dito ser impossível detalhar o crime de terrorismo sem que se exclua o MST (Movimento dos Sem Terra). "Não existe maneira de redigir uma legislação antiterrorismo que exclua as acções do MST", teria dito Woloszyn, segundo o telegrama.

O estabelecimento de critérios para a tipificação do crime de "terrorismo" poderia ser utilizado para criminalizar os movimentos sociais, a exemplo do que já vem ocorrendo no Equador, onde o governo de Rafael Correa processa pelo menos 286 pessoas por terrorismo, grande parte delas dirigentes sindicais e de movimentos indígenas e sociais de oposição ao governo.

Perseguição

O WikiLeaks e o seu fundador, o jornalista australiano Julian Assange (na foto, manif em solidariedade a Assange na Austrália, uma das centenas realizadas em todo o mundo), vêm enfrentando uma dura perseguição liderada pelos EUA. Acusado de agressão sexual na Suécia, Assange tem contra si um mandado de prisão expedido pela Interpol. Além disso, os EUA pressionam os países para que não dêem asilo ao jornalista. Mais recentemente, Assange vem recebendo até ameaças de morte a ele e a sua família.

Ainda sob pressão norte-americana, o site foi obrigado a sair dos EUA para procurar hospedagem na Europa. O WikiLeaks é obrigado a pular de provedor em provedor para escapar da perseguição dos governos e de hackers de todo o mundo. Perseguição, porém, tão brutal quanto inútil, pois é praticamente impossível censurar completamente o conteúdo da rede. Milhares de voluntários já se dispuseram a arquivar e disponibilizar os arquivos secretos.

Por enquanto, os EUA vão se queimando a cada dia. A tentativa de censura e perseguição aberta, com políticos de direita pedindo até a execução de Assange, mostra o verdadeiro carácter da "maior democracia do mundo". E muita coisa ainda vem por aí.

Os bolcheviques e a diplomacia secreta

O vazamento de informações secretas das embaixadas dos EUA lembra uma antiga reivindicação dos bolcheviques. Logo após a Revolução Russa de 1917 e a tomada do Palácio de Inverno, os bolcheviques revelaram os tratados secretos firmados pela Rússia czarista com as potências durante a Primeira Guerra Mundial.

Com a burocratização do Estado soviético, foi retomada a prática dos tratados confidenciais. Trotsky citou no Programa de Transição o fim da diplomacia secreta como uma das tarefas do internacionalismo proletário. "A política internacional conservadora da burocracia deve ceder lugar à política do internacionalismo proletário. (...) Abaixo a diplomacia secreta!".

Diego Cruz, do Opinião Socialista (PSTU/Brasil)

Governo espanhol tenta criminalizar a luta contra os planos de austeridade

Governo espanhol tenta criminalizar a luta contra os planos de austeridade

A greve dos controladores de voo espanhóis, nos dias 3 e 4 de Dezembro, contra medidas do governo Zapatero que atacam as suas condições de trabalho deve ter a solidariedade de todos os trabalhadores portugueses e europeus. O governo espanhol quer aumentar o horário de trabalho desses profissionais, assim como cortar-lhes o pagamento de horas extraordinárias e o abono de faltas em caso de morte de familiares, entre outras medidas. Esses ataques têm como pano de fundo a privatização da AENA, a empresa que gere os aeroportos do Estado Espanhol.

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A violência contra a mulher trabalhadora não pára

A violência contra a mulher trabalhadora não páraEm 1981, celebrou-se em Bogotá, Colômbia, o Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe. Neste, escolheu-se o 25 de Novembro como o Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres, em homenagem às três irmãs Mirabal, activistas políticas da República Dominicana que foram brutalmente assassinadas em 1960, durante a ditadura de Rafael Leónidas Trujillo. Em 1999, a ONU ratificou esta data para assinalar o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher.

Desde então, em vez de diminuir, a violência contra a mulher tem alcançado níveis de pandemia, conforme análise da própria ONU. Segundo dados de Outubro de 2010, 59% das mulheres "sofrem diferentes tipos de violência física, sexual, psicológica e económica dentro das suas casas". No Brasil, a cada quatro minutos, uma mulher é agredida e golpeada na sua própria casa e, por dia, dez são assassinadas. Quase sempre, o cadáver desaparece, sendo por vezes lançado a um rio, outras vezes escondido ou mesmo atirado aos cães. Em todos os casos, as vítimas já tinham denunciado à polícia a violência de que estavam a ser vítimas e recorreram à lei, mas não obtiveram salvaguardas.

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O Haiti precisa de médicos, não de soldados

O Haiti precisa de médicos, não de soldados

O povo haitiano começou a enfrentar a Minustah, a tropa de ocupação estrangeira liderada pelo Brasil. Depois do desastre causado pelo terramoto de Janeiro e do fracasso da operação de ajuda internacional, os haitianos continuam vivendo em acampamentos em Porto Príncipe. A epidemia de cólera tornou a situação intolerável. Mais ainda ao se saber que foram soldados nepaleses da Minustah que trouxeram o cólera para o país. O povo começou a se rebelar.

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A farsa da pacificação do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

A farsa da pacificação do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

O Estado do Rio de Janeiro vive uma verdadeira guerra civil, um estado de sítio, que desmascara a demagogia e a incompetência do governador reeleito Sérgio Cabral (PMDB) e seus subordinados. Para ganhar a eleição divulgaram amplamente que a cidade e o estado estavam pacificados, que tinham, através das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), acabado com o tráfico e, consequentemente, com a violência.

 

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Solidariedade à greve geral portuguesa em Madrid, Sevilha e Barcelona

Solidariedade à greve geral portuguesa em Madrid, Sevilha e Barcelona

A Coordenadora Sindical de Madrid, da qual fazem parte várias entidades sindicais, populares e políticas dos trabalhadores da capital do Estado Espanhol, reuniu no dia 24 de Novembro pela manhã 120 trabalhadores numa concentração em frente à Embaixada de Portugal para demonstrar a sua solidariedade à greve geral portuguesa.

 

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Derrota eleitoral de Obama: “É a economia, estúpido”

Derrota eleitoral de Obama: “É a economia, estúpido”O resultado das recentes eleições, nos Estados Unidos (chamadas de "meio turno" porque realizam-se ao meio de um mandato presidencial), confirmou os prognósticos sobre uma possível derrota de Obama e do Partido Democrata.

Efectivamente, perderam 50 membros de sua bancada de deputados (agora ficaram em minoria na Câmara dos Deputados), o governo de 10 dos estados que dominavam (ainda que tenham ganho o da Califórnia) e apenas conseguiram manter uma exígua maioria no Senado. A causa principal desta derrota foi reconhecida pelo próprio Obama: a debilidade da trajectória económica do país e, especialmente, o persistente desemprego.

 

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Dilma ganhou... e agora?

Dilma ganhou... e agora?

Dilma Roussef foi eleita presidente do Brasil. Confirma-se assim o peso da vitória do governo Lula e da frente por ele dirigida. O governo ampliou sua maioria na Câmara, passando a ter 402 deputados de um total de 513 parlamentares. Conseguiu ainda a maioria no Senado, que foi palco de derrotas importantes do governo passado, passando para 59, em um total de 81 senadores. Com isso, o governo passa a ter uma maioria confortável no Congresso, algo que Lula não teve no primeiro nem no segundo mandato.

 

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A França mostrou o caminho: “Povos da Europa, levantem-se”

A França mostrou o caminho: “Povos da Europa, levantem-se”

A União Europeia declarou guerra à classe trabalhadora e aos povos da Europa. "Sarkozy declarou-nos guerra", disseram os trabalhadores franceses, referindo-se às medidas do governo e, em particular, ao aumento da idade da reforma, que provocou a actual onda de mobilização, a maior desde 1995.

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O maior desafio em mais de 60 anos na Inglaterra

O maior desafio em mais de 60 anos na InglaterraO Sindicato dos Transportes (RMT) convocou uma manifestação para 23 de Outubro, em Londres, contra os cortes de "austeridade" e marchou até a sede do TUC (Federação Sindical Nacional) exigindo uma acção imediata contra os cortes. A marcha foi apoiada pelo FBU (sindicato de bombeiros), o NUT (sindicato de professores) e outros sindicatos. Cerca de 1500 pessoas participaram da manifestação.

No comício, Matt Wrack, o líder do FBU, falou sobre a greve iminente dos bombeiros em Londres. "Os patrões estão dizendo – andem na linha ou vamos despedi-los. Bem, nós estamos andando... em greve".

Em 20 de Outubro, dia em que o governo anunciou os cortes mais profundos desde a 2ª Guerra Mundial, 2,5 mil marcharam em Londres em oposição, e em todo o país muitas outras manifestações foram realizadas. Existem outras manifestações previstas, no entanto, a liderança do TUC recusou-se a convocar uma manifestação nacional.

Na Escócia, o TUC escocês mobilizou e 20 mil marcharam em Edimburgo.

Durante a passeata, estudantes realizaram um protesto gritando "Somos todos franceses". A população da Escócia é de cerca de 5 milhões, e uma mobilização equivalente na Inglaterra e no País de Gales teria visto 200 mil ou mais nas ruas de Londres.

A paralisia do TUC é para tentar impedir qualquer manifestação nacional das massas até Março de 2011. Entretanto, a acção está sendo tomada agora pelos sindicatos que estão sob ameaça imediata, como no caso dos cortes para o serviço de combate a incêndio em Londres e os ataques aos empregos no sector ferroviário.

Uma vez iniciados os cortes, não existirá um único sector onde os trabalhadores não serão ameaçados. George Osborne, o ministro da Fazenda, anunciou cortes de 490 mil empregos no sector público, e é amplamente reconhecido que isto significa mais 500 mil no sector privado. Haverá um corte total combinado de £18 mil milhões nos benefícios sociais (desemprego, habitação, criança, invalidez e benefícios relacionados com o trabalho) e, em 2020, a idade da reforma será aumentada para 66 anos (hoje é de 60 para as mulheres, mas em crescimento, e 65 para os homens). Ocorreram cortes de pelo menos 20% em muitos Ministérios.

Há um corte de pelo menos 40% para o financiamento das Universidades e de 20% nas instituições de ensino superior. Isso vai significar o fechamento de algumas universidades e faculdades, e isso significa que os pobres serão impedidos de fazer cursos caros, pois as taxas escolares irão dobrar.

Quando George Osborne anunciou o corte de empregos no sector público, os parlamentares conservadores esqueceram a sua interpretação pública de "assistência, uma nação" [1] e aplaudiram, revelando um desprezo indisfarçável à classe trabalhadora.

Estes cortes dizem respeito à privatização da previdência social. Os serviços públicos serão contratados no sector privado, e os serviços públicos estatais serão cortados. O RMT e outros estão chamando os dirigentes sindicais a preparar uma manifestação nacional este ano, e muitos sindicatos farão greves quando os cortes atingirem as suas bases de servidores públicos e os seus empregos. Alguns sindicatos são obrigados a mostrar que estão respondendo, tomando medidas sob seu controle, tais como a criação de novos comités de base, mas proporcionando-lhes poucos recursos e também realizando actos de protesto com convocação apenas na véspera.

Os ataques aos trabalhadores só podem ter sucesso para a burguesia e o governo se gerarem novas divisões e ataques mais profundos sobre os pobres, mulheres, jovens e imigrantes. Já nesta semana, o cardápio de um hospital público não continha alimentação muçulmana. Os pacientes que a necessitem têm de arrumar a sua própria refeição. Este é mais um ataque a muçulmanos e comunidades de imigrantes.

Alguns distritos de Londres já começaram a preparar um êxodo em massa de 200 mil pobres das áreas mais ricas da cidade. Esta é uma consequência do ataque contra os subsídios à habitação, que ajudam a reduzir o valor das rendas e hipotecas para os trabalhadores com baixos salários e os desempregados. O subsídio à habitação deverá ser limitado a valores abaixo das taxas de mercado e deverá chegar a 30% da taxa de mercado até Outubro de 2011. Isso significa que uma limpeza social e económica em massa está sendo preparada nas cidades.

Os trabalhadores deste país estão a entrar num período que vai mudar as relações de classe e de luta, mas as burocracias sindicais estão tentando controlar e suprimir a reacção da classe. Os sindicatos que estão se movendo para a luta precisam ajudar a coordenar uma acção mais ampla, reunindo estudantes, trabalhadores, comunidades e imigrantes num movimento que exija o fim dos cortes e com uma mensagem clara de que não vamos pagar pela crise dos especuladores e banqueiros. Esse é o entendimento das comissões contra os cortes que começam a desenvolver-se em toda a Grã-Bretanha.

[1] Uma nação (one nation): termo usado para referir-se a uma ala do Partido Conservador que prega a "união entre ricos e pobres" na Inglaterra, em oposição à polarização social existente entre as classes.

Ralph Martin
Membro do Sindicato de Professores Universitários (UCU), do Conselho Sindical de Liverpool e do movimento contra os cortes.

A esquerda socialista e o segundo turno no Brasil

A esquerda socialista e o segundo turno no Brasil

A polarização entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) esquentou o debate sobre a melhor forma de combater a direita nas eleições presidenciais deste domingo no Brasil. Há uma grande pressão do governo e dos seus apoiantes no sentido de votar Dilma "para evitar a volta da direita". Temos completo acordo com a luta contra a oposição de direita. Somos radicalmente contra a volta da turma do FHC [Fernando Henrique Cardoso, presidente que governou o Brasil antes de Lula].

 

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Defendamos os trabalhadores cubanos contra o ajuste capitalista

Defendamos os trabalhadores cubanos contra o ajuste capitalista

Recentemente, tornou-se público que o Estado cubano vai demitir 500.000 trabalhadores (10% da força trabalhista do país), como parte de um plano de ajuste bem mais profundo. Gerou-se um grande debate na esquerda mundial sobre o significado desta medida, que se soma à polémica já existente, há vários anos, sobre qual é a verdadeira realidade em Cuba.

 

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Como vencer Sarkozy?

Como vencer Sarkozy?

É esta a pergunta que estão a fazer milhões de trabalhadores franceses, que já foram às ruas em gigantescas manifestações e paralisaram sectores essenciais da economia, como as refinarias, os portos e os comboios, tudo para derrotar o projecto do governo de aumento da idade da reforma. Mas, até agora, apesar do apoio dado aos manifestantes por 70% da população, o enfraquecido e impopular governo de Nicolas Sarkozy não retirou o seu projecto de reforma e, inclusive, pretende aprová-lo no Senado nesta quarta-feira, dia 20 de Outubro. O que faz falta para dar o xeque-mate ao governo?

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PSTU apela ao voto nulo na segunda volta no Brasil

PSTU apela ao voto nulo na segunda volta no Brasil

Como lutar contra a direita nas eleições? Votando nulo. Temos dois representantes da grande burguesia e da direita nessa segunda volta. Dilma é apoiada pelo PT, pela CUT e por uma parte da esquerda, por expressar a colaboração de classes entre a grande burguesia e os trabalhadores. Essa é a grande confusão política existente hoje entre os trabalhadores. Não ajudaremos a ampliar essa confusão.

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Declaração da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT) sobre os acontecimentos do dia 30 de Setembro no Equador

Declaração da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT) sobre os acontecimentos do dia 30 de Setembro no EquadorNo dia 30 de Setembro, no Equador, várias centenas de policiais tomaram os principais quartéis em Quito, contra a nova Lei do Serviço Público que lhes retirava direitos de bonificações e condecorações. Esta acção espalhou-se a outros quartéis em várias cidades.

Um sector minoritário das Forças Armadas aderiu à revolta e, ainda que por pouco tempo, um grupo de militares da Força Aérea tomou o aeroporto de Quito que esteve várias horas fechado durante esse dia.

Diante desses protestos, o presidente Rafael Correa foi directamente ao quartel da polícia de Quito e, numa atitude desafiante, acusou os policiais de conspiradores e traidores, tendo sido atingido com gás lacrimogéneo pelos policiais insubordinados. Em seguida, o presidente foi levado para o hospital da polícia, no interior do quartel, onde permaneceu longas horas.

O presidente afirmou que estava sendo vítima de um golpe de estado. A sua permanência no hospital foi anunciada como um sequestro. Dentro do hospital, o presidente manteve negociações com os policiais e já havia acertado a sua saída do quartel. Ao mesmo tempo, foi montado um operativo pelo exército e pelas forças especiais da polícia para retirá-lo do hospital, o que ocasionou confrontos com os policiais. O presidente Correa saiu do hospital, alertou contra os golpistas e anunciou firmeza e castigo aos policiais revoltosos. A calma voltou a reinar no Equador.

Uma revolta policial, não um golpe

Está na memória dos trabalhadores da América Latina as décadas passadas nas quais o imperialismo utilizou o método dos golpes de estado para garantir os seus interesses na região. Milhares de trabalhadores, activistas e militantes perderam as suas vidas por golpes de estado, que impuseram ditaduras sangrentas. Contra um golpe militar seríamos os primeiros a chamar à mobilização democrática nas ruas. No entanto, não acreditamos que seja isto que ocorreu no Equador em 30 de Setembro passado. Dois aspectos centrais levam-nos a afirmar que não existiu um golpe no Equador.

Em primeiro lugar, nem a cúpula militar nem a cúpula da polícia apoiaram as mobilizações dos revoltosos, estando desde o princípio fiéis ao governo. Pelo contrário, os protestos dos policiais que incendiaram o país foram dirigidos pelos baixos e médios comandos da polícia, contra a vontade de seus dirigentes hierárquicos.

Em segundo lugar, não existia nenhuma direcção - nem sequer a dos policiais revoltosos - que exigisse a destituição do presidente. Os policiais reivindicavam a revogação da lei de serviço público, mas não a sua destituição pela força. Por outro lado, todos os representantes do estado burguês e da burguesia pronunciaram-se contra o suposto golpe e pela defesa da "democracia". Tanto as instituições políticas como militares do estado burguês mostraram o seu apoio a Correa.

A maior expressão disso é que o estado de excepção é uma medida que dá poderes excepcionais ao Presidente para legislar por decreto e dá mais força ao exército para intervir. No entanto, o estado de excepção foi imposto pelo governo (e não pelos policiais), apoiado nos militares que estavam a seu lado desde o começo. Além disso, durante todas as operações (inclusive dentro do hospital), Correa manteve o comando do governo e do país, comunicando-se livremente com o exterior. Foram os próprios militares que retiraram Correa do hospital onde estava internado (para ser tratado por médicos) e foram as forças especiais da polícia que libertaram o presidente de seu suposto sequestro, numa acção desnecessária, pois a sua saída do hospital já estava negociada.

Por último, é necessário ressaltar que Correa teve, desde o início, o respaldo não só dos governos "progressistas" com quem se relaciona mais proximamente, como Chávez ou Evo Morales, mas também dos governos mais de direita da América Latina, como os do Chile, Colômbia ou Peru, ao ponto de os países fronteiriços terem fechado as suas fronteiras.

Por fim, tanto a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) quanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a ONU saíram em defesa do presidente Correa e da legalidade democrática. A embaixadora dos EUA fez declarações no mesmo sentido, da mesma forma que outros países imperialistas como a Espanha. Por isso, o suposto golpe contra Correa seria extremamente raro, pois teria contra si desde o principal país imperialista até os governos "progressistas".

Um protesto contra os ataques de Correa aos trabalhadores públicos

Este protesto policial não pode ser entendido como um ato isolado. Ao contrário, é uma expressão distorcida do descontentamento popular, que se dá pela imposição de leis que cortam direitos dos trabalhadores e, também, da polícia.

Por isso, o que faz explodir a actual situação é a aprovação da nova Lei do Serviço Público (LOSEP), que reduz direitos dos trabalhadores públicos. No caso da polícia, corta directamente as bonificações e condecorações, levando-os à reivindicação de exigir a revogação da lei.

Esse protesto se deu no contexto de um desgaste mais geral de vários sectores com as políticas e leis aprovadas pelo governo de Correa, como os estudantes com a Leis de Ensino Superior, os indígenas e camponeses com a Lei da Mineração e os trabalhadores públicos com a Lei do Serviço Público. Esta sublevação dos policiais foi, como não poderia deixar de ser, utilizada por um sector da oposição, dirigido por Lucio Gutiérrez, para ganhar espaço contra Correa.

O descontentamento diante da Lei do Serviço Público teve, além disso, reflexos no processo de votação na Assembleia. O presidente Correa não conseguiu, por exemplo, que os membros da Assembleia participantes da Alianza País (movimento dirigido pelo próprio Correa) aceitassem a lei tal como foi apresentada pelo presidente e acabassem por votar contra a proposta de que os trabalhadores se aposentem aos 70 anos.

Correa usa a ameaça de golpe para continuar a atacar os trabalhadores

Todos esses elementos conformam um crescente desgaste do regime e do governo de Correa ante a recente aprovação das Leis de Ensino Superior ou a do petróleo. No caso de outras leis, o presidente não conseguiu que fossem aprovadas, como foi o caso da Lei da Comunicação ou a Lei da Água, que tiveram que ser arquivadas pela resistência indígena.

Todo este panorama tem provocado uma insatisfação de importantes sectores de trabalhadores, camponeses, indígenas, estudantes, servidores públicos que começavam a se mobilizar. Além disso, alguns dos próprios membros do bloco governista começaram a questionar alguns aspectos das leis assinaladas. As mais importantes instituições do estado, como a Assembleia, o sector judicial (recordemos o escândalo em que esteve envolvido o promotor Pesántez, milhares de delitos que ficam na impunidade) e o próprio executivo por suas atitudes claramente autoritárias, experimentam uma queda de sua popularidade e configuram uma crise do regime.

Diante desta situação, inclusive antes dos acontecimentos do dia 30 de Setembro, o governo já tinha lançado a possibilidade de decretar o mecanismo constitucional de "morte cruzada", que lhe permite dissolver a Assembleia e convocar novas eleições. Isto é, a utilização de medidas autoritárias para conseguir levar a cabo a sua política antioperária, garantindo assim melhores condições para os interesses imperialistas na região.

A associação das mobilizações da polícia a uma tentativa de golpe serve, plenamente, às necessidades do governo Correa, isto é, de usar mão de ferro para atacar os trabalhadores. O discurso do golpe e a sua resolução permitem-lhe, assim, sair mais fortalecido - após diversas manifestações nacionais em seu apoio - e desprestigiar a oposição de direita e de esquerda. Permitem-lhe, ademais, justificar várias medidas autoritárias que tinham ajudado a disciplinar diversos sectores à sua política. Neutraliza os mais críticos de seu próprio movimento e submete-os à disciplina partidária.

O governo assumirá a reestruturação da Polícia com plena legitimidade, uma vez que esta instituição não goza de boa reputação frente a amplos sectores da cidadania por sua corrupção e os seus abusos contra os direitos humanos. Na realidade, o governo busca reverter a crise do regime e avançar em seu projecto de reestruturação jurídica do Estado através da imposição das controvertidas leis consideradas prioritárias. Possivelmente, já não precisará da "morte cruzada", que implicava um alto risco político.

A maioria da esquerda capitula a Correa

A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), principal organização indígena do Equador, e outros sectores políticos de esquerda, como o Movimento Popular Democrático (MPD), tinham denunciado a manobra do governo Correa. No entanto, apesar dos diversos dados apontando para a não existência de um golpe, a ampla maioria da esquerda a nível internacional apoiou Correa contra a "suposta" tentativa de golpe. Desta forma, não fez mais do que apoiar directamente o governo burguês de Correa, que ataca os trabalhadores para melhor garantir os interesses do imperialismo na região.

As manifestações contra o suposto golpe não foram mais que manobras de distracção para o que está realmente acontecendo no Equador e em muitos outros países dirigidos por supostos governos "progressistas", que governam para as burguesias contra os trabalhadores.

Para conseguir a aplicação de suas leis a serviço dos interesses do imperialismo, Correa já tinha recentemente reprimido as mobilizações indígenas e camponesas antimineradoras e contra a Lei do Petróleo, que entrega este recurso natural à exploração das multinacionais. Esta política da maioria da esquerda de apoio qualquer chamado de mobilização contra o suposto golpe desarma a classe trabalhadora contra as medidas antidemocráticas e a repressão que o governo de Correa leva a cabo para implementar as suas políticas. Por isso, estamos contra qualquer castigo aos policiais que se mobilizaram, uma vez que somente seria uma medida a mais do governo para cercear a liberdade de protesto e contestação.

A capitulação a esses governos desarma também os trabalhadores e os povos para lutar contra a verdadeira política do imperialismo, de rapina dos recursos naturais e exploração cada vez maior dos povos da América Latina, levada a cabo por governos como os de Correa, Evo Morales, Lula, etc. Quando Chávez e Evo Morales acusam os EUA pelo suposto golpe, estão na verdade escondendo a submissão de Correa e de seus governos aos interesses do imperialismo.

A grande ameaça para os trabalhadores e o povo do Equador hoje é o governo Correa

Nós estamos contra os golpes militares, pois defendemos as mais amplas liberdades democráticas para que a classe trabalhadora e a população pobre possam levar adiante as mais amplas lutas para derrubar o capitalismo.

No entanto, a grande ameaça hoje às liberdades democráticas dos trabalhadores é o governo Correa pela repressão contra os trabalhadores e as medidas autoritárias de governar por decreto e por veto quando não consegue o que lhe interessa na Assembleia. As medidas autoritárias do governo são uma necessidade de sua política de submissão ao imperialismo e de ataque aos trabalhadores.

Por isso estamos contra qualquer apoio a Correa e nos recusamos a participar de qualquer frente para defender este governo de uma ameaça de golpe que não existe. Defendemos também a total independência de classe das organizações dos trabalhadores frente ao governo como a única forma de impulsionar uma ampla mobilização que possa derrotar estas leis antioperárias e autoritárias.

Secretariado Internacional
Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional)

São Paulo, 4 de Outubro de 2010

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