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Ruptura 108 - Abril 2010
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Sexta, 07 Maio 2010

Alegre não desiste de ser o candidato do PS

Nas últimas semanas, o candidato Manuel Alegre tem feito várias críticas ao governo Sócrates e ao seu Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Essas críticas – assim como as manifestadas por outros militantes do PS, como Mário Soares, Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso ou Ana Gomes – reflectem o grau de dureza das medidas contidas nesse plano e a sua impopularidade.

Mas não faz qualquer sentido criticar o governo e o PEC e, ao mesmo tempo, como o faz o candidato Manuel Alegre, pedir o apoio do PS para as eleições presidenciais de 2011. “Candidato-me como alternativa ao actual Presidente da República. Por mim, não me engano de combate. O meu adversário não é o PS e conto com o apoio dos socialistas, da esquerda e de cidadãos de todos os quadrantes para chegar à vitória”, declarou à imprensa. “A minha família política é o PS. A minha candidatura [presidencial] é supra-partidária, mas, como já disse, a minha casa política é o PS”, declarou à agência Lusa.

 

PS é governo

Não faz sentido porque o PS, e é preciso não esquecê-lo, é o partido que governa Portugal, é o partido cujo primeiro-ministro quer aplicar o plano determinado pela União Europeia para baixar o défice público às custas do empobrecimento da população. Para ser coerente com as críticas que faz, o candidato deveria recusar-se a ser o candidato do PS enquanto este for o partido do governo, o partido que vem aplicando uma política neoliberal e que planeia torná-la ainda mais dura através do PEC.

Para ser coerente com as suas críticas contra o PEC, Manuel Alegre deveria romper com o PS/Sócrates e não pedir o seu apoio, apresentando-se como uma tábua de salvação para uma governação falhada, cada vez mais frágil, e que poderia ser derrubada caso a esquerda (Bloco de Esquerda, PCP e o próprio sector representado por Manuel Alegre) ou a direita (PSD e CDS) parlamentares assim o quisessem. Que estes últimos queiram, pelo menos por enquanto, manter o governo Sócrates, é compreensível. Afinal, enquanto este faz o trabalho sujo da direita, aplicando um plano que é o seu, o recém-eleito Passos Coelho pode posar de oposição, consolidar-se na liderança do PSD e fazer discursos populistas para fortalecer-se até as sondagens darem sinal verde.

 

Precipitação

Mas à esquerda deveria interessar a queda deste governo. A Manuel Alegre, também.

Derrotar o governo, nas ruas, apoiando as lutas em curso, e nas eleições presidenciais de 2011, deve ser o objectivo do candidato que a esquerda deve apoiar. Não é este – pelo menos enquanto pretender o apoio do PS/governo Sócrates – o objectivo de Manuel Alegre. Quando critica o PEC, parece de oposição ao governo. Parece mas não é.

Ao Bloco de Esquerda caberia não se ter precipitado no apoio rápido e acrítico (e à revelia da sua própria base) a Manuel Alegre. Em 2006, o BE demorou alguns meses para definir uma candidatura – a de Francisco Louçã – quando tinha mandato expresso para a apresentar prontamente. Inversamente nestas eleições, em que tudo aconselhava à prudência, dado que Alegre tinha girado de novo para o apoio a Sócrates, foi quando a direcção do BE veio para a imprensa declarar o seu apoio total a este candidato.

Assim, em nossa opinião, face às eleições que se aproximam, a direcção do BE, erroneamente, não só não se definiu por uma candidatura própria como se tem recusado até agora a convocar uma nova Convenção do Bloco para que toda a militância decida democraticamente. Apelamos a todos os bloquistas que assinem a petição (disponível on-line) a favor da convocação de uma nova Convenção do BE onde se possa discutir e aprovar uma orientação face às diversas possibilidades políticas de resposta às presidenciais de 2011.

 
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Sexta, 07 Maio 2010

Lutas exigem acção unificada. Contra o PEC, preparar greve geral.

A contestação popular, neste início do ano, voltou a sentir-se nas ruas. Enquanto no ano de 2009 prevaleceram as “tréguas”, e o descontentamento popular foi canalizado para a via eleitoral, para o voto contra o governo, já nestes três meses de 2010 houve uma mudança, e foram muitos trabalhadores de vários sectores e empresas que entraram em greve e realizaram manifestações contra a política do governo Sócrates II, pondo rapidamente um fim ao habitual período de “benefício de dúvida” que favorece os “novos” governos e intensificando ainda mais o desgaste de Sócrates.

O anúncio das medidas do PEC, e os previsíveis efeitos na destruição de emprego, dos salários dos trabalhadores e na maior destruição dos bens e serviços públicos, levou a que muitos trabalhadores do sector público, e também do sector privado, mostrassem a sua oposição às medidas de congelamento e restrições salariais e dissessem um basta às desigualdades sociais, um basta à corrupção e aos rendimentos milionários das administrações, um basta a todas estas políticas governamentais que têm beneficiado o poder político e económico capitalista.

Como novidade, este ciclo está a mostrar uma maior combatividade e adesão às lutas, e a greve dos enfermeiros foi um bom exemplo, participada em mais de 90% dos trabalhadores, tendo estes levado a sua luta à rua, na grande manifestação em Lisboa.

Apesar de muitas lutas serem parciais e/ou limitadas a partes de empresas, as greves fizeram-se sentir (como foi o caso da greve dos revisores da CP ou dos mineiros de Neves Corvo), e perspectivam-se mais lutas e greves em grandes empresas como a

GALP, as empresas de transportes, a administração pública e em diversas fábricas.

A situação europeia mostra que os governos, nos diversos países, têm o projecto comum de aplicarem PEC’s semelhantes, para que sejam os povos a pagarem a crise que o capital provocou. Em Portugal, a contestação ainda está longe dos níveis de luta dos trabalhadores e do povo grego que já começam e enfrentar, com sucesso, o seu PEC. Mas, o caminho da luta, por cá, também terá de ser de grande combatividade, se queremos que tenha êxito. Uma ofensiva europeia concertada pelo capitalismo requer uma resposta dos trabalhadores também à escala europeia, e os ventos das greves gerais gregas também terão de chegar a esta região mais ocidental.

É pois o momento dos militantes de esquerda, em particular do BE, e do movimento sindical começarem a preparar uma forte resposta ao PEC, uma resposta que o possa derrotar e abrir espaço a uma nova política de defesa do emprego, do salário e dos serviços públicos. Só a participação e mobilização dos trabalhadores para um plano de luta, debatido e decidido em Plenários de Empresa e Assembleias Sindicais, pode preparar com sucesso uma necessária greve geral. Neste campo, os trabalhadores gregos começaram a dar um exemplo de combatividade, há que segui-lo.

 


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