O MAS apela ao voto na candidatura presidencial de André Pestana

///

As candidaturas da direita para as presidenciais de 18 de Janeiro, vão do pior ao péssimo.

O governo de Montenegro tem o seu candidato: Marques Mendes. De Marcelo a Cavaco,  todos torcem pela continuidade das políticas que nos trouxeram até aqui: pacotes laborais que pretendem que os trabalhadores possam ser obrigados a trabalhar 50h semanais sem pagamento de horas extraordinárias, continuidade em hospitais com urgências encerradas e bebés a nascerem em todo o lado menos em hospitais, ambulâncias anunciadas à pressa, depois de a imprensa adiantar números que indicam que Portugal regista um dos maiores números de óbitos da Europa, enfim, tudo o que o PS fez de ruim nos seus governos, foram e são ampliados ao máximo com o PSD/CDS no governo.

Temos depois o regresso de Almirantes à contenda eleitoral, não nos bastou o Américo Tomás de má memória. De seguida, um Cotrim vaidoso mas que é mais semelhante nas políticas com o partido neofascista Chega, que não se chega a perceber porque são dois partidos. Talvez para ‘abocanhar’ dois tipos de eleitorado no campo das extremas-direitas. No concreto Cotrim vota Ventura. 

Tudo isto se compreende, ainda que seja triste e se possa revelar trágico, no mundo actual, no plano internacional e que tem a sua refração no plano nacional. A triste discussão hoje é saber quem é mais favorável ao Trump e à NATO, mesmo que ele tome os países que entender como sua coutada particular. Sempre com a desculpa de que vêm aí os russos ou os chineses. Estes, óbvio, não são governos benéficos para as suas populações, mas quem está permanentemente a incendiar o planeta e no sentido de ditaduras, autoritarismo e guerras é Trump e os EUA.

O PS apresentou um candidato no espectro político mais à direita do interior do seu partido, em sintonia, com o actual secretário-geral do PS que  é considerado uma das figuras mais à direita deste partido. Daí ter viabilizado o actual governo de direita em funções, deixando o Chega a fingir que é oposição.

O candidato do PCP, António Filipe surge, tal como o João Ferreira para as eleições para a Câmara de Lisboa em outubro passado: com o único objectivo de segurar o eleitorado básico do seu partido e, eventualmente,  tentar de novo ficar à frente do BE, como se isso fosse uma vitória estonteante. Em Lisboa em outubro, e pela lógica do PCP aplicada no passado a nível autárquico em Lisboa, esta política permitiu a eleição de Carlos Moedas da AD. 

Ainda à esquerda, o BE apresentou mais do mesmo. Nenhum sinal, nem ténue, de que pretende mudar de políticas, sempre disposto para futuros “governos Costa”.

Por fim a dura realidade, o Livre e o Jorge Pinto são um logro, pois já se sabia que pretendiam desistir para o Seguro e estava na corrida para somente ter tempo de antena. Algo que em outras presidenciais o próprio PCP já utilizou como táctica política. Por essa lógica, porque é que a nenhum deles, nem ao PS, ocorreu apresentarem um candidato comum que derrotasse os candidatos da direita e, em particular, os Cotrins e Venturas deste mundo?

Faltava ainda um candidato tipo ‘bobo da corte’. Alguns gostarão das piadas (vinho e Ferraris para todos, uma prostituta em cada esquina, felicidade mesmo que com salário mínimo miserável e salário médio insuficiente no país, ao mesmo tempo que as 50 famílias mais ricas estão cada vez mais ricas em Portugal, com a extrema direita a crescer muito, etc) mas a culpa não é do Vieira mas sim de quem equaciona que votar nele carimba um protesto. Mesmo que em parte o seja, será inócuo e convenhamos inútil. 

Útil será votar no candidato André Pestana. E será útil, mesmo que com espaço censurado na comunicação social e marginalizado todo o tempo, pois estamos diante uma candidatura de um trabalhador e sindicalista, coisa rara, para não dizer raríssima, em eleições presidenciais. Um sindicalista que conduziu lutas e protestos, de forma diferente (com as principais formas de lutas decididas democraticamente por quem trabalha nas escolas), de milhares e milhares de trabalhadores há muito tempo arredadas da vida sindical deste país. Um lutador da sua classe: a classe trabalhadora.

Ninguém defendeu melhor os serviços públicos em Portugal como André Pestana. Primeiro, na educação, sector crucial para uma nação que se quer com futuro, agora é só darem-lhe força para o replicar na saúde, na justiça, na defesa de habitação pública a preços acessíveis, na defesa do ambiente, enfim, na defesa dos ‘de baixo’. 

Serão os jovens e trabalhadores que estão fartos do “vira o disco e toca o mesmo” e com o seu voto no candidato André Pestana, a dar força a quem não se rende ao capitalismo selvagem imperante no mundo e a quem em Portugal não se rende a que a única esquerda possível é governos PS (incluindo a “geringonça”) ou regimes opressivos de partido único. Por isso é importante apoiar as reivindicações:

  • contra privilégios inauditos dos partidos que vivem de subvenções milionárias e permanentes do Estado (incluindo partidos à esquerda do PS que nas últimas décadas receberam muitos milhões de euros de subsídios do Estado e, também, por isso se “amansaram” face ao sistema);
  • contra políticas que privilegiam dar milhões e milhões para armas e guerras da NATO e para a indústria de armamento dos EUA,  que depois são utilizadas para apoiar genocídios (em Gaza, por exemplo), para assaltar países (Venezuela) e lhes roubarem as suas matérias primas (petróleo e outras) e para submeter países europeus aos ditames do imperialista e anti-democrático Donald Trump.

André Pestana conseguiu, sem máquina partidária, levar as posições revolucionárias dos trabalhadores, vinte anos depois de Garcia Pereira, a esta eleição para a presidência da república, num contexto político muito mais difícil para a esquerda e com a existência de peso de massas da extrema-direita.

Se a esquerda revolucionária conseguir sair do seu torpor sectarista e ultra-esquerdismo endémico e André Pestana quiser, esta candidatura pode abrir portas a um reagrupamento político que se constitua como uma alternativa e uma nova referência para os trabalhadores no nosso país.

A selvajaria do mundo capitalista atual exige votar em André Pestana para dar força a novas alternativas políticas que lutem no imediato e de modo urgente por:

– reforma e aposentação aos 62 anos;
– salário mínimo de 1.200 euros e pensão mínima igual ao salário mínimo;
– pela retirada da reforma laboral do governo da AD;
– pelo fim das propinas no ensino superior.

Domingo, dia 18 de janeiro, ABRE A PESTANA, VOTA ANDRÉ PESTANA!

Anterior

Nas eleições autárquicas: VOTA À ESQUERDA para derrotar a direita e a extrema-direita, contra o pacote laboral, dinheiro para armas e por mais urgências e mais salário

Próximo

Da derrota do candidato do Governo, perante a extrema-direita, à concentração de votos em Seguro, candidato do PS.