Da derrota do candidato do Governo, perante a extrema-direita, à concentração de votos em Seguro, candidato do PS.

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Perante o falhanço da esquerda parlamentar, é preciso uma alternativa combativa, democrática e revolucionária.

  1. A situação nacional e internacional da conjuntura em que se desenrolaram as eleições presidenciais tem alguns aspectos contraditórios, enquanto a nível nacional o período eleitoral foi antecedido por uma significativa mobilização dos trabalhadores para a greve geral de 11 de Dezembro que deu início a um desgaste do governo Montenegro/AD, a nível internacional o que marcou este início de ano foi a agressão do imperialismo de EUA/Trump contra a Venezuela, a ameaça a toda a América Latina e, na provocação sobre a Gronelândia, a exigência de capitulação total do decadente imperialismo europeu perante o ‘amo’ norte-americano.

  2. Foi neste contexto de agressividade do comando mundial da extrema direita neo-fascista, o atual governo dos EUA/Trump, que em Portugal se desenrolou a campanha eleitoral, e que da parte da candidatura que apoiámos afirmámos a nosso combate ao imperialismo de Trump e ao seu principal apoiante em Portugal, o neo-fascista André Ventura.

  3. As eleições presidenciais, de 18 de Janeiro de 2026, mostraram uma consolidação eleitoral na direita e extrema direita que somam, em conjunto, 63,15% dos votos (com uma abstenção de 38,5% no território nacional e de abstenção global de 47,74%). Destes, os candidatos de extrema-direita obtêm uma maioria de votos à direita. O Candidato do Chega, o André Ventura obtém 23,5%, e o candidato da extrema-direita económica, o ‘liberal’ Cotrim obtém 16%. A radicalização anti-democrática, racista e beligerante pró trumpista dos novos fascistas portugueses, origina importantes divisões na base da direita, muita dela ainda com referencia positiva ao ‘regime democrático’ e por isso com aversão a Ventura.

  4. Nesta situação de crescimento da extrema direita, as sondagens deram a ideia que podería existir uma 2.ª volta das eleições presidenciais com dois candidatos da extrema direita, o que condicionou o voto mais à esquerda levando a candidatura de Seguro (PS) a conseguir obter o chamado ‘voto útil’ de uma parte da esquerda (à esquerda do PS) e ser o candidato mais votado com 31% dos votos. Mais uma vez, se demonstrou que as sondagens erraram estrondosamente (e não havia risco de Seguro ficar atrás de Cotrim) e simultaneamente condicionaram de forma muito significativa o voto à esquerda de Seguro (a candidatura de Seguro conseguiu praticamente o dobro dos votos da candidatura de Cotrim que ficou em 3.º lugar).

  5. Assim, haverá uma segunda volta para a eleição do presidente, no dia 8 de Fevereiro, na qual se defrontarão o candidato ‘socialista’ ( o António Seguro) com o candidato fascista Ventura (do Chega). Nesta segunda volta, a candidato da extrema direita é um real perigo para os direitos democráticos, os trabalhadores e do povo. O seu projeto de retorno a um regime autoritário ao serviço do capitalismo mais ‘selvagem’, o seu apoio a tudo o que é repressão, o seu projeto de destruição dos serviços públicos, de destruição de sindicatos, de perseguição de populações imigrantes e de minorias étnicas, o seu anterior apoio cego a Trump e os seus atuais ‘idolos’ como Melloni, mostram bem o seu posicionamento pró-fascista. É por tudo isso essencial votar para que Ventura seja derrotado no dia 8 de Fevereiro.

  6. No que consideramos a esquerda parlamentar reformista, o PCP, o BE e o Livre verificamos que a tática eleitoral que tiveram de se apresentarem individualmente para assegurarem o seu ‘eleitorado’ não resultou, nem no PCP nem no Livre. O PCP perde metade dos votos que obteve em Maio de 2025, baixa de 183 mil para 92 mil (uma perda de 49,7%). O Livre é totalmente comido pelo voto em Seguro e dos 257 mil votos que obteve em Maio passado, o seu candidato apenas conseguiu 38 mil(uma perda de 85,2%). Quanto à candidata do BE, Catarina Martins quase consegue manter o resultado eleitoral de Maio passado (desce de 125 mil para 116 mil, uma perda de “apenas” 7,2%) beneficiando de ser a única mulher candidata e fazendo campanha a   colar-se à ‘herança’ ‘católico-socialista’ de Lurdes Pintassilgo e de Jorge Sampaio. Em resumo, destas eleições, a esquerda reformista saí debilitada, com especial destaque para o estalinismo e a ‘consciência crítica do PS’ que é o Livre. Quanto ao BE mantêm-se num compasso de espera. E, ao continuarem as suas políticas de meros ‘influenciadores de esquerda’ de governações do PS (como já o fizeram no passado recente), como tudo indica , não será por eles que passará a necessária construção de uma alternativa anti-capitalista em prol da defesa dos trabalhadores e das maioria da população.

  7. A candidatura de André Pestana, só pelo facto de existir, foi uma vitória. A candidatura, expressou temas diferenciadores de resposta à situação política, temas que as candidaturas comprometidas com o sistema não fazem: luta contra os privilegiados, os banqueiros e as grandes fortunas, contra privilégios dos políticos, pela reforma mínima imediata de 1.000€ , pelo baixar a idade da reforma para 62 anos, contra o pacote laboral, defesa dos serviços públicos, luta contra alterações climáticas, contra o imperialismo, recusando a guerra e afirmando nem mais um euro para a NATO. Foi além disso a candidatura que mais denunciou (e irritou) a extrema direita como se viu no (único) debate a 11, o único debate em que o sistema permitiu André Pestana de participar. E também se viu no ataque que o Chega lhe fez posteriormente, e que teve um episódio inédito em campanhas eleitorais de adulteração e censura de transmissão de tempo de antena televisivo (o que aconteceu através do operador MEO, e que já foi reconhecido).

  8. Os quase 11.000 votos obtidos (0,19%) refletiram limitações pelos fatores já assinalados (pressão do ‘voto útil’ e enorme discriminação mediática), mas pela positiva expressam um espaço inicial de construção junto a vários dos apoios que a candidatura obteve junto de trabalhadores e jovens de vários sectores que têm estado presentes nas lutas, nomeadamente na luta contra o pacote laboral. Ativistas que já não se revêem nas direções sindicais maioritárias na CGTP e UGT, nem nos partidos da atual esquerda parlamentar.
  9. Perante uma dinâmica de viragem geral à direita, e perante o falhanço da esquerda reformista continua em aberto a necessidade de erguer uma alternativa revolucionária para travar a exploração, a opressão e a guerra cuja intensidade aumenta.  A candidatura presidencial de André Pestana, e o conjunto dos ativistas que a ergueram, podem ser um impulso para essa (re)organização.

Lisboa, 27 de Janeiro de 2026

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