TAP

Greve dos Pilotos: Por uma TAP 100% Pública

A greve dos pilotos da TAP é hoje um dos principais factos políticos que polariza o país. Nesta, como em muitas outras alturas, não podemos deixar de ver que o discurso dominante tem dois pesos e duas medidas.

Por um lado, os pilotos em greve, como os funcionários do Metro, da Carris ou da CP são considerados pelo governo e pela imprensa, os destruidores das empresas para as quais trabalham e insensíveis aos danos causados aos utilizadores destes meios de transporte.

Este tipo de discurso não faz mais no entanto que atentar contra o direito à greve (e sim, as greves se forem fortes é suposto terem consequências) e, acima de tudo, esconder onde está a verdadeira destruição das empresas das quais o nosso governo parece querer aparecer como defensor.

Vejamos o caso da TAP. O governo, que agora se mostra tão preocupado com os prejuízos causados pela greve, é o mesmo que tem apoiado a gestão de uma administração que tem ela mesma causado vários problemas à empresa, em que o Verão passado, foi apenas o exemplo mais recente, ou a privatização da Grounforce, um mais antigo.

Este é ainda o governo que se propõe a privatizar a TAP a poucos meses do fim do seu mandato, alienando um património nacional de 70 anos, pondo em risco milhares de postos de trabalho, e dando de mão beijada a privados uma localização estratégica na aviação devido à posição geográfica do país e à quota de mercado hoje alcançada pela TAP (a TAP é líder nas ligações para o Brasil e para África).

O governo que agora quer aparecer como o defensor da TAP e do seu futuro é na verdade o seu coveiro.

Perante esta situação, não é possível estar em cima do muro. Por isso, estamos do lado dos pilotos contra o governo, quando questionam o governo sobre as verdadeiras razões do colapso da TAP e quando defendem o seu direito às diuturnidades e condições de trabalho e descanso fundamentais para continuar a prestar um serviço seguro e de qualidade.

Só uma TAP 100% pública pode verdadeiramente garantir direitos e futuro para os pilotos e todos os trabalhadores do grupo. É preciso que a TAP se mantenha nas mãos do Estado e que tenha uma gestão sustentável, orientada para os interesses da economia e do povo português, com o controlo daqueles que melhor conhecem as necessidades da empresa e que garantem a sua viabilidade todos os dias: os trabalhadores.

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