O povo haitiano começou a enfrentar a Minustah, a tropa de ocupação estrangeira liderada pelo Brasil. Depois do desastre causado pelo terramoto de Janeiro e do fracasso da operação de ajuda internacional, os haitianos continuam vivendo em acampamentos em Porto Príncipe. A epidemia de cólera tornou a situação intolerável. Mais ainda ao se saber que foram soldados nepaleses da Minustah que trouxeram o cólera para o país. O povo começou a se rebelar.
A tentativa do governo e das tropas de ocupação de controlar a situação com uma forte repressão não está dando certo. Tampouco as eleições presidenciais, que ocorrem neste domingo, dia 28 de Novembro, atraem a atenção da população. Pode haver uma abstenção gigantesca.
Até hoje, os trabalhadores brasileiros acreditam que as tropas brasileiras estão no Haiti em missão humanitária. Na verdade estão lá para garantir a ordem, a aceitação do plano económico das multinacionais têxteis que produzem t-shirts no Haiti pagando salários miseráveis. Os soldados não fizeram nenhuma rede de esgotos ou de água em seis anos de ocupação. Em compensação reprimiram muitas greves e manifestações de protestos.
Uma gigantesca operação de media passou uma ideia de um grande papel das tropas no salvamento dos feridos depois do terramoto. Tudo mentira: as tropas se dedicaram a proteger os seus quartéis, sem nenhum papel real no resgate dos feridos. Por isso foram salvas apenas 150 pessoas quando morreram 250 mil haitianos.
O fracasso da operação de ajuda internacional pode ser comprovado nos dias de hoje: um milhão e meio de pessoas seguem vivendo em acampamentos em Porto Príncipe. Na realidade, estes transformaram-se em favelas permanentes sem água ou esgoto.
Agora, a epidemia de cólera pode devastar esses acampamentos. Essa doença alastra-se pelas fezes dos pacientes contaminados. Toda a capital do país transformou-se num gigantesco multiplicador da doença… e também num barril de pólvora.
Dor e revolta sacodem o povo haitiano. As tropas trouxeram a cólera. As tropas reprimem as suas mobilizações. As tropas não reconstruíram o país. As tropas…
Pode ser que as imagens dos soldados atirando contra o povo acorde os brasileiros. Trata-se de uma vergonhosa repressão contra um povo sofrido e explorado. O Haiti precisa de médicos e não de soldados. Exigimos do governo o imediato retorno das tropas brasileiras.
Chamamos a uma campanha classista de solidariedade aos trabalhadores haitianos. Não confiamos no governo Préval, nem nas tropas de ocupação. Por isso, propomos o envio de médicos, enfermeiros e remédios, junto com Batay Ouvriye e outras organizações de luta do povo haitiano.
Editorial do Opinião Socialista, nº 415, jornal do PSTU, Brasil