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Triumph e Ricon: a luta pode ir além do “desemprego com direitos”!

No início deste ano o país assistiu ao encerramento de duas empresas do ramo têxtil, a Ricon, em Vila Nova de Famalicão, e a Triumph, em Sacavém. Ambas declararam insolvência e tiveram as funcionárias organizadas, em piquetes, à porta das fábricas, para impedir a retirada da maquinaria por parte dos patrões. Falamos de cerca de 600 na Ricon e 463 na Triumph, quase na totalidade mulheres, que agora vão para o desemprego e se deparam com um futuro muito difícil.

A realidade para a maioria das mulheres, seja em Portugal ou no mundo, é que temos trabalhos (cada vez) mais precários, recebemos menos, temos sobre os nossos ombros uma dupla jornada de trabalho com tarefas domésticas, normalmente temos a cargo mais dependentes e temos mais dificuldades em encontrar emprego.

O Governo gaba-se dos sucessivos pagamentos antecipados da dívida, de um controlo do défice nunca antes visto e de uma recuperação do emprego. Só em 2017, Portugal transferiu 10 mil milhões € para o FMI, para além dos 7 mil milhões pagos em juros da dívida, o que não tem evitado que a dívida pública portuguesa continue a aumentar. Exerce o controlo do défice à custa do aumento dos impostos indirectos mas deixando sempre folga para salvar bancos. Parece estar novamente na calha o salvamento do Montepio e uma nova injecção de capitais públicos no Novo Banco. Quanto ao emprego, o que se vê é a manutenção da precariedade e dos baixos salários herdados da Troika e do Governo PSD/CDS-PP.

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Para um Governo que se diz de esquerda, parece-nos que as prioridades estão invertidas e isso é bastante evidente em sectores/empresas compostas, predominantemente, por trabalhadoras mulheres, como o caso da Triumph e Ricon. A resposta à questão da mulher, no trabalho, não pode passar exclusivamente por “garantir os direitos de quem é despedida”. Deve, sim, passar a ter uma política activa para reconverter as empresas que fecham, tornando-as fornecedoras públicas do Estado e até de eventuais clientes privados. Só assim será possível uma política activa de reintegração daquelas mulheres no mundo do trabalho, com a preocupação constante de redução das assimetrias salariais e combate ao assédio moral e sexual.

Governo, BE e PCP fazem coro com os sindicatos ao apresentar como uma vitória a atribuição do subsídio de desemprego quando as trabalhadoras, muitas a trabalhar há mais de 20 anos para a mesma fábrica, estavam dispostas a lutar até ao fim pelos seus postos de trabalho. Congratular-se com a atribuição do subsídio de desemprego a quem dedicou uma vida a uma empresa que agora fecha e que ainda podia prestar um trabalho útil até para o próprio Estado não resolve o problema destas trabalhadoras. Todos sabemos como acaba esta história, a maior parte destas mulheres irá para casa tornar-se dona de casa ou irá para outro emprego onde será ainda mais mal paga. Nestes dois casos, fecham indústrias necessárias e com encomendas, abrem-se crises nas regiões onde estão localizadas e perde-se a mão de obra especializada que tanta falta faz, quando o Estado podia simplesmente nacionalizar as empresas e colocar essas indústrias a trabalhar para suprir necessidades do Estado.

Se os Governos podem salvar bancos e banqueiros, porque não salvam fábricas e empregos?

 

Ângela Lima

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