O Conselho de Estado reuniu mais uma vez para tentar reordenar as hostes do regime. Após o repúdio popular de 15 de Setembro de 2012 o governo Passos/Portas ficou ferido de morte e até hoje tem sido o apoio do regime que o tem aguentado. Apoiado pela UE, por Cavaco e tolerado pela oposição parlamentar o governo sobrevive a sucessivas crises internas, apesar da cada vez maior oposição que tem da maioria da população. Uma oposição popular que se consolida e que hoje não só questiona a política de austeridade de Passos/Portas/Gaspar como já recusa o memorando subscrito com a troika.
Nas muitas manifestações de rua, algumas delas mobilizando por todo o país centenas de milhares de trabalhadores e jovens, a palavra de ordem de demissão deste governo aparece espontaneamente, mostrando ser essa a vontade profunda dos manifestantes que, pela sua quantidade, composição social e etária, representam milhões de portugueses. A acrescentar e reforçando esta realidade todos os indicadores e sondagens mostram a coligação do governo em minoria social e eleitoral no país.
Contudo, a oposição parlamentar permite que estas marionetas da troika continuem os seus desmandos e não se revolta nem toma as atitudes necessárias para impedir que um Parlamento que já não representa a grande maioria da vontade popular continue a legislar contra o povo. Os deputados da esquerda parlamentar, do PC e do BE, tinham obrigação de exercer o direito de indignação e boicotar as sessões parlamentares que decidem a asfixia da vida de milhares de trabalhadores e pensionistas, condenando-os à miséria e, a muitos idosos e doentes, directamente à morte. Porque é esta a dramática realidade que já se vive em Portugal.
Mas o governo não para, e eis novamente que decidem continuar a carregar sobre o povo, agora com mais um “pacote” contra os trabalhadores da função pública e os pensionistas. Com mais cortes nos salários e nas reformas, muitas delas que já só dão para um mínimo de sobrevivência de uma família. E a receita continua, com mais desemprego para funcionários e professores, para ainda engrossarem mais o milhão de desempregados e obrigá-los a aceitar futuros trabalhos a 300 e 400 euros, porque são estes os valores, já hoje indicados, nas estatísticas dos organismos oficiais.
A resposta popular, que já se expressou a 15 de Setembro, voltará a sair à rua. E novamente estará colocado se essa resposta terá a força necessária para não se deixar desmobilizar por dirigentes que são incapazes de dar continuidade à revolta para que ela alcance os objectivos.
Cada vez mais, o povo percebe que esta política de austeridade para pagar os juros da divida e o euro, afunda o país. É uma necessidade popular acabar com este governo, com a austeridade, com a política da troika e da UE.
A esquerda contra a troika tinha a obrigação de dar resposta a esta necessidade e, com a força do apoio popular que já tem (e se expressa nas sondagens, com o PC e BE a somarem mais de 20%, e o apoio à denúncia do memorando ser mais de 40%), unir-se para se apresentar ao povo como uma alternativa à governação de todos os que têm lá estado, os PSD/CDS e o PS. Lamentavelmente, a esquerda parlamentar, o PC e o BE, recusam-se a esse desafio.
Um plano alternativo assume urgência, e o Movimento Alternativa Socialista (MAS) propõe desde já algumas medidas: a suspensão imediata do pagamento da dívida, acompanhada da exigência de uma auditoria independente; e a realização de um referendo sobre o euro, porque o povo tem de poder decidir se quer continuar com o euro que afunda o pais ou se quer outro caminho alternativo, fora do euro e das leis draconianas da União Europeia.
Estes passos imediatos abririam caminho a outra saída política, utilizando os recursos do não pagamento da dívida para reconstruir o país e criar empregos, para acabar com a austeridade e dinamizar a economia. É também para reforçar esta alternativa que todos devemos mobilizar para a grande manifestação internacional convocada para dia 1 de Junho.
Editorial Jornal Ruptura nº130, Maio/Junho 2013