Editorial do Ruptura de Abril/Maio de 2012
O governo Passos Coelho/ Paulo Portas, a aliança PSD/CDS, não param os ataques e as provocações aos trabalhadores e ao povo. Escudados pela troika da União Europeia, e por um PS sempre comprometido com essa política, as medidas anti-sociais e os atentados à vida dos trabalhadores não param. Ainda há pouco facilitaram os despedimentos e os tornaram baratos e já voltam a falar em baixar ainda mais as indemnizações aos despedidos. O 13º e 14º mês que tinham prometido devolver dentro de 2 anos já falam em nunca mais o devolver, afinal não era uma ‘ajuda extraordinária’ era mesmo um roubo feito à descarada e com a cumplicidade de todos os poderes desta ‘democracia’, desde o governo aos tribunais, passando pelo Cavaco.
Com este governo e política da troika, com esta União Europeia e com o Tratado recentemente imposto pelo governo alemão, Portugal caminha rapidamente para um país com milhões de desempregados e pobres que vão mendigar por um trabalho a troco de sopa, um trabalho pago miseravelmente que todos terão de aceitar para evitar que as suas famílias passem mais fome.
Razões para o nosso descontentamento e revolta não faltam. Mas as respostas de luta não podem ser decididas sem a participação da maioria dos envolvidos, as lutas e greves para serem participadas têm de ser discutidas e decididas pelos trabalhadores e não por cúpulas sindicais, têm de respeitar os reais momentos de maior contestação e não seguir outros calendários e interesses partidários. A recente Greve Geral de dia 22 de Março , convocada pela nova direcção da CGTP, teve as limitações de uma greve feita a partir de cima, e não construída no terreno.
Independentemente do balanço que se faça da Greve Geral uma certeza temos: existem razões de sobra para o descontentamento que continua e que se expressa numa cada vez maior critica às políticas do governo/troika. E, por isso, a todos os activistas sindicais, aos membros das Comissões de Trabalhadores, aos activistas dos movimentos sociais, a todos os militantes da esquerda contra a troika, uma prioridade está colocada, a de organizar o descontentamento para que se passe à acção. Uma necessária acção contra esta política de austeridade do governo e da UE, uma acção contra o continuar o pagamento das ‘prestações’ da divida que não é do povo e dos trabalhadores, exigindo a suspensão do seu pagamento.
Neste contexto de organizar a acção de luta assume particular importância o fortalecimento dos novos movimentos sociais de contestação, como têm sido a Plataforma 15 de Outubro, desenvolver a sua ligação à classe trabalhadora e continuar uma acção unitária com todos os outros movimentos que se enquadrem na vaga internacional de resposta à crise e às políticas do capitalismo.
A resposta à crise e ao governo é uma necessidade popular e só uma resposta unida de toda e esquerda que está contra a troika pode ter possibilidades de vitória. Unir numa frente os partidos que no parlamento têm combatido a troika (casos do PCP e BE) junto a todos os restantes partidos e sectores de esquerda que nas empresas e na rua têm igualmente participado nas lutas e manifestações contra as políticas governamentais é o desafio que está colocado.
O Movimento de Alternativa Socialista (MAS) recentemente fundado como partido, quer contribuir para construir essa unidade. Discordamos do rumo que tem sido seguido pelos principais partidos de esquerda, pelo PCP e pelo BE, de ‘cada um seguir na sua bicicleta’ como disse Jerónimo de Sousa no que foi secundado pela direcção do BE, para que não existisse uma plataforma de unidade contra a troika.
O MAS irá batalhar pela unidade da esquerda, como já faziam muitos dos seus actuais militantes quando ainda pertenciam ao BE. É também em nome dessa política de juntar forças contra a troika que o MAS está neste momento a realizar a sua legalização como partido político e por isso apelamos a todos os leitores do jornal Ruptura que ajudem e participem nesta campanha assinando pela legalização do MAS.