Todos na Greve Geral!

Editorial do Ruptura de Março de 2012

A direção da CGTP convocou uma Greve Geral para dia 22 de Março. As medidas e a política de austeridade do governo PSD/CDS, as decisões das confederações patronais aprovadas no Conselho de Concertação Social, os mais de 1 milhão de desempregados e o rápido empobrecimento de centenas de milhares de trabalhadores, que elevam para 25% a percentagem de população portuguesa que já se encontra abaixo do limiar de pobreza, são razões de sobra para a revolta e para uma Greve Geral.

Contudo não basta convocar uma greve geral, é preciso concretizá-la com êxito e, para isso, precisamos de percorrer o caminho que transforma a indignação em ação. Esse caminho ainda não está feito e não chega a realização de grandes manifestações que se desmobilizam rapidamente sem concretizar nenhuma ação (seja a ocupação de uma praça, de um ministério ou um bloqueio) para tornar eficaz o protesto e obrigar a um recuo governamental ou patronal.

Para conseguir uma forte mobilização é preciso apoiar e aumentar os focos de revolta que vão surgindo em alguns sectores e empresas, veja-se o caso da TAP onde uma ação espontânea de centenas de operários da manutenção e outros trabalhadores em protesto contra os cortes salariais bloquearam os acessos às instalações, obrigando a administração a fugir a pé por saída secundária. O resultado desse protesto combativo viu-se agora com o recuo do governo que vai devolver o dinheiro dos salários que tinha sido retirado e desistir de cortes salariais na empresa.

É uma clara vitória dos trabalhadores da TAP e que deve ser um exemplo das ações a realizar noutras empresas e sectores. É com essas vitórias parciais que se constrói o caminho para transformar a indignação em ação geral a nível nacional. É este sentido de combatividade que tem de ser dado às manifestações que têm de deixar de ser meros desfiles de protesto.

Para mudar precisamos de um novo rumo para o movimento sindical. Um novo rumo que permita a participação da base trabalhadora nas decisões sobre quando e como lutar e/ou convocar greves, é preciso incentivar a democracia na organização dos trabalhadores nas empresas e nos sindicatos, é preciso ter formas de luta mais combativas que consigam algum resultado imediato. A participação dos novos movimentos que agrupam a juventude precária e indignada já está a ser um começo de mudança necessária na luta sindical. Na greve geral de dia 22 de Março, a manifestação convocada para o Rossio (Lisboa) pela Plataforma 15 Outubro marca a luta por essa mudança.

Também para responder à crise social e económica é preciso um novo rumo, uma nova política de oposição à troika, à UE e ao governo deste regime de exploradores corruptos que roubaram e endividaram o país. Um governo que cobra pensos dos doentes nos centros de saúde para poupar tostões, enquanto oferece 4,4 milhões de euros ao dono da Lusoponte, dirigente do PSD e antigo ministro das Obras Públicas. Ou cede os dividendos da EDP e REN referentes a 2011 aos seus novos proprietários, quando deveriam ser do Estado, porque no ano passado estas empresas ainda não estavam privatizadas.

É preciso parar o roubo e suspender o pagamento da dívida e lutarmos por um novo 25 de Abril que possibilite o emprego para todos (recordemos que entre 1975 e 1977 criaram-se um milhão e meio de empregos que absorveram os que regressaram das ex-colónias e da emigração), o investimento nos serviços públicos (saúde, educação) e uma distribuição da riqueza com salários e pensões dignas numa economia em que os bens de todos sejam de todos Água/Energia/EDP/Galp, transportes/telecomunicações/estradas, banca e seguros, devem ser sectores nacionalizados).

É para participar na organização desta luta que se constitui o Movimento Alternativa Socialista (MAS). Todos na Greve Geral, todos na luta contra a troika e o governo.

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