{"id":2413,"date":"2017-07-07T18:15:09","date_gmt":"2017-07-07T17:15:09","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2017\/07\/07\/a-saida-da-crise-exige-caminho-alternativo-a-esquerda\/"},"modified":"2017-07-07T18:15:09","modified_gmt":"2017-07-07T17:15:09","slug":"a-saida-da-crise-exige-caminho-alternativo-a-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2017\/07\/07\/a-saida-da-crise-exige-caminho-alternativo-a-esquerda\/","title":{"rendered":"A sa\u00edda da crise exige caminho alternativo \u00e0 esquerda"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Editorial do jornal Ruptura n\u00ba150, Maio\/Junho 2017<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>A  recente atitude do governo perante a visita do Papa a F\u00e1tima \u00e9 simbolicamente ilustrativa da postura governamental de submiss\u00e3o perante os poderes estabelecidos.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>E longe v\u00e3o os tempos em que a esquerda parlamentar (BE e PC) se indignavam com os atropelos ao respeito pela laicidade (re)assumida por Portugal , como pa\u00eds, desde a revolu\u00e7\u00e3o de 1974.<\/p>\n<p>Sinais dos tempos onde o estrangulamento que a d\u00edvida p\u00fablica (e o respectivo pagamento dos Juros) faz ao pa\u00eds e \u00e0 vida dos trabalhadores deixou tamb\u00e9m de ser um tema de imediata resolu\u00e7\u00e3o para a esquerda parlamentar que  antes a queria ver \u2018reestruturada\u2019 no sentido de n\u00e3o pagar aquilo a que chamavam a \u2018divida ileg\u00edtima\u2019.  Agora o plano passa a ser pagar tudo&#8230; a outro ritmo. Efetivamente o relat\u00f3rio comum do PS\/BE assume querer \u2018cumprir as regras europeias\u2019 (leia-se reduzir o d\u00e9fice p\u00fablico e pagar juros e amortiza\u00e7\u00f5es de toda a d\u00edvida). E at\u00e9 apresenta um plano conjunto para 30 anos (at\u00e9 2048) cujas medidas (paliativas) se sintetizam na redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das taxas de juro, recompras antecipadas e novas dividas a curto prazo. Um plano para manter o doente vivo, mas doente por mais 30 anos. Uma estrat\u00e9gia de mudar alguma coisa para manter o essencial como est\u00e1.<\/p>\n<p>Enquanto o or\u00e7amento de Estado continuar a pagar  a divida que os grandes grupos da constru\u00e7\u00e3o civil, os grandes patr\u00f5es e os banqueiros fizeram (e que \u00e9 deles e n\u00e3o nossa) e que os enriqueceu em milhares de milh\u00f5es de euros (ao ponto de trocarem \u2018prendas\u2019 de 14 milh\u00f5es de euros como deram a Ricardo Salgado), enquanto esta escandalosa situa\u00e7\u00e3o continuar e s\u00f3 em juros desta divida forem pagos 8,3 mil milh\u00f5es de euros por ano; os jovens, os trabalhadores e o povo portugu\u00eas n\u00e3o ir\u00e3o ter empregos com sal\u00e1rios dignos, direitos e sem precariedades; n\u00e3o ir\u00e3o ter servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade, nem os reformados ir\u00e3o ter pens\u00f5es dignas que lhes permitam uma vida economicamente independente.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a esquerda precisa de assumir outro programa e outra pol\u00edtica:<\/p>\n<p><strong>&#8211; Retomar a luta pela suspens\u00e3o imediata do pagamento da d\u00edvida.<\/strong><\/p>\n<p> <strong> <\/strong> <\/p>\n<p><strong>&#8211; Lutar pela nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca.<\/strong><\/p>\n<p> <strong> <\/strong> <\/p>\n<p><strong>&#8211; Agir pela sa\u00edda do euro e acabar com a subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica da UE.<\/strong><\/p>\n<p>Esta ser\u00e1 a forma de tomar um caminho econ\u00f3mico capaz de melhorar qualitativamente a vida dos jovens e trabalhadores portugueses. \u00c9 sob este programa que BE e PC se deviam unir em vez de se unirem no apoio ao governo PS\/Costa fiel servidor dos acordos com a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>No sentido da luta por uma nova pol\u00edtica, desde j\u00e1 h\u00e1 que retomar a luta nos sectores p\u00fablico e privado, e na rua, pela reposi\u00e7\u00e3o de direitos roubados e por sal\u00e1rios dignos.<\/p>\n<p>Um bom exemplo desta luta necess\u00e1ria foi dado neste in\u00edcio de Maio pelos trabalhadores dos SMTUC (transportes urbanos de Coimbra) que querem ver na pr\u00e1tica a recupera\u00e7\u00e3o da anterior carreira profissional de motorista agente \u00fanico. Perante a recusa dos sindicatos  (STAL) em cumprirem a decis\u00e3o do plen\u00e1rio dos trabalhadores para uma greve a 11 de Maio, os trabalhadores organizados pela sua CT decidiram em plen\u00e1rio a manuten\u00e7\u00e3o da data da greve e elegeram uma comiss\u00e3o de greve para aplicar as decis\u00f5es do plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Assim, e apesar das amea\u00e7as a administra\u00e7\u00e3o em marcar faltas injustificadas a todos os que fizessem greve (dado esta n\u00e3o ter sido convocada pelos sindicatos), com um colectivo unido pelo debate e decis\u00e3o democr\u00e1tica do plen\u00e1rio, os cerca de 250 motoristas concretizaram a maior greve de sempre nos SMTUC (apenas circulou 1 autocarro na parte da tarde) e 120 motoristas vieram a Lisboa para entregar uma peti\u00e7\u00e3o na Assembleia da Rep\u00fablica, onde reafirmaram a disposi\u00e7\u00e3o de levar a sua luta \u201cat\u00e9 onde for preciso\u201d para alcan\u00e7ar o direito \u00e0 reposi\u00e7\u00e3o da carreira e dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>O MAS esteve presente e solid\u00e1rio com esta luta que constitui um bom exemplo a seguir para recuperarmos os direitos que nos foram roubados e exigirmos uma outra pol\u00edtica a esta governa\u00e7\u00e3o apoiada na esquerda parlamentar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial do jornal Ruptura n\u00ba150, Maio\/Junho 2017 A recente atitude do governo perante a visita do Papa a F\u00e1tima \u00e9 simbolicamente ilustrativa da postura governamental de submiss\u00e3o perante os poderes estabelecidos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2412,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[116,237,476,276,182,114,1142,115,162,239,1104,117],"class_list":["post-2413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-alternativa","tag-editorial","tag-esquerda","tag-governo","tag-greve","tag-mas","tag-mobilizacao","tag-movimento","tag-revolucionario","tag-ruptura","tag-smtuc","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/smtuc_ar_mai17.jpg?fit=450%2C300&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2413\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2412"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}