{"id":2198,"date":"2016-10-12T02:00:00","date_gmt":"2016-10-12T01:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2016\/10\/12\/cgd-mais-banca-publica-nenhum-dinheiro-para-o-capital-privado\/"},"modified":"2016-10-12T02:00:00","modified_gmt":"2016-10-12T01:00:00","slug":"cgd-mais-banca-publica-nenhum-dinheiro-para-o-capital-privado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2016\/10\/12\/cgd-mais-banca-publica-nenhum-dinheiro-para-o-capital-privado\/","title":{"rendered":"CGD: mais banca p\u00fablica, nenhum dinheiro para o capital privado!"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/p>\n<p><strong><em>Editorial do jornal Ruptura n\u00ba147, Setembro\/Outubro 2016<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O tema da banca e da CGD continuam centrais na situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e na resposta \u00e0 crise econ\u00f3mica. O actual Governo PS, apoiado pela esquerda parlamentar do BE e do PCP, est\u00e1 a dar uma resposta a esta quest\u00e3o muito semelhante \u00e0 que foi dada pelos partidos da direita e pelo seu Governo conjunto com a famigerada troika.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>A CGD apresenta hoje uma situa\u00e7\u00e3o que coloca a necessidade de um refor\u00e7o de capitaliza\u00e7\u00e3o de 5,16 mil milh\u00f5es de euros, o que significa uma quase duplica\u00e7\u00e3o do seu actual capital social (5,9 mil milh\u00f5es de euros). Como se chegou a esta situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Apesar dos oito anos de crise econ\u00f3mica e desemprego que t\u00eam afectado o povo e a juventude, e que tamb\u00e9m levou \u00e0 fal\u00eancia muitas pequenas empresas, a generalidade dos bancos portugueses sempre apresentou lucros da sua actividade corrente (os chamados lucros de explora\u00e7\u00e3o) e isto \u00e9 verdadeiro mesmo para os bancos tecnicamente falidos (caso do Novo Banco, ex-Banif, BCP, etc).<\/p>\n<p>O grande problema dos bancos foi a utiliza\u00e7\u00e3o indevida que os banqueiros e as suas administra\u00e7\u00f5es fizeram do dinheiro dos depositantes e que, em muitas situa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o casos de puro roubo. O dinheiro dos depositantes, que, na banca comercial (banca a retalho), \u00e9 maioritariamente o dinheiro dos sal\u00e1rios e poupan\u00e7as da classe trabalhadora, foi (e \u00e9) utilizado para financiar neg\u00f3cios de grupos capitalistas pr\u00f3ximos dos donos dos bancos.<\/p>\n<p>Estes financiamentos, sem garantias reais, foram utilizados para grupos capitalistas se apropriarem de milhares de milh\u00f5es de euros (dinheiro real) e, em \u201ctroca\u201d, entregaram as garantias fict\u00edcias que serviriam de cau\u00e7\u00e3o aos \u201cempr\u00e9stimos\u201d concedidos pelos seus amigos\/familiares banqueiros. Neste roubo, quem ficou a \u201carder\u201d foram as contas dos bancos que passaram a ter milhares de milh\u00f5es de euros naquilo que, na linguagem banc\u00e1ria, \u00e9 denominado por \u201ccr\u00e9dito malparado\u201d, que, mais tarde, vai passar a ser contabilizado como as chamadas \u201cimparidades\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o estas \u201cimparidades\u201d o problema actual dos bancos e que obrigam aos tais aumentos de capital para evitar que as institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias tenham de encerrar por fal\u00eancia. O grande roubo ao povo \u00e9 que o pagamento das imparidades n\u00e3o \u00e9 feito pelos grupos capitalistas que ficaram com o dinheiro, mas sim pelo dinheiro p\u00fablico que \u00e9 tirado dos sal\u00e1rios pela via dos impostos.<\/p>\n<p>No caso da CGD, o processo \u00e9 id\u00eantico e s\u00f3 variam os \u201cdonos\u201d, que t\u00eam sido as administra\u00e7\u00f5es nomeadas pelos sucessivos governos PSD, CDS-PP e PS. Os benefici\u00e1rios t\u00eam sido a mesma lista de capitalistas amigos dos governantes (alguns deles depois recebem uns chorudos presentes). Os esc\u00e2ndalos que foram noticiados ao longo dos \u00faltimos anos trouxeram ao de cima alguns desses \u201cfinanciamentos\u201d inescrupulosos.<\/p>\n<p>O tipo de \u201cresolu\u00e7\u00f5es\u201d para a banca que tem sido adoptado pelos governos e pela UE  apresenta sempre a mesma receita: injec\u00e7\u00e3o de milhares de milh\u00f5es de euros de verbas p\u00fablicas (que s\u00e3o desviadas dos investimentos p\u00fablicos e dos Or\u00e7amentos do Estado) e destrui\u00e7\u00e3o de milhares de postos de trabalho, diminuindo a capacidade de emprego nos bancos (onde os trabalhadores j\u00e1 trabalham muito para al\u00e9m do seu hor\u00e1rio legal e, por isso, haveria a necessidade de aumentar o n\u00famero de trabalhadores e n\u00e3o de reduzi-los). Este roubo tem sido condenado por toda a esquerda no caso dos bancos anteriores (BPN, BPP e BES), mas parece que, agora, no caso da CGD, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 uma condena\u00e7\u00e3o pelo BE e pelo PCP.<\/p>\n<p>O que \u00e9 preciso fazer na CGD \u00e9 investigar as grandes contas de cr\u00e9dito malparado e as condi\u00e7\u00f5es irregulares ou criminosas que est\u00e3o na base da concess\u00e3o desses empr\u00e9stimos, para se poder proceder ao confisco dos bens dos respons\u00e1veis (que continuam a possuir fortunas) e recuperar uma parte significativa do que s\u00e3o as actuais \u201cimparidades\u201d. O que \u00e9 preciso tamb\u00e9m \u00e9 que a CGD passe a funcionar, de facto, como uma banca p\u00fablica, para apoiar investimentos p\u00fablicos produtivos que criem emprego e que tamb\u00e9m apoie as fam\u00edlias e as pequenas empresas nas suas necessidades.<\/p>\n<p>Para colocar a CGD ao servi\u00e7o do povo, n\u00e3o deve haver nem o proposto encerramento de 300 balc\u00f5es, nem a destrui\u00e7\u00e3o de cerca de 3 000 postos de trabalho. Por isso \u00e9 preciso que toda a esquerda se mobilize para recusar o plano proposto pelo Governo para reestruturar a CGD.<\/p>\n<p>O que a UE pretende \u00e9 apoderar-se de toda a banca portuguesa e dos seus lucros. O actual plano do Governo para a CGD abre as portas a este objectivo de privatiza\u00e7\u00e3o e maior explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores banc\u00e1rios, tamb\u00e9m por isso temos de recus\u00e1-lo.<\/p>\n<p> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial do jornal Ruptura n\u00ba147, Setembro\/Outubro 2016 O tema da banca e da CGD continuam centrais na situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e na resposta \u00e0 crise econ\u00f3mica. 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