{"id":1780,"date":"2015-01-25T16:53:34","date_gmt":"2015-01-25T15:53:34","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/01\/25\/as-eleicoes-gregas-e-a-possibilidade-de-um-governo-syriza\/"},"modified":"2015-01-25T16:53:34","modified_gmt":"2015-01-25T15:53:34","slug":"as-eleicoes-gregas-e-a-possibilidade-de-um-governo-syriza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/01\/25\/as-eleicoes-gregas-e-a-possibilidade-de-um-governo-syriza\/","title":{"rendered":"As elei\u00e7\u00f5es gregas e a possibilidade de um governo Syriza"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois da frustrada tentativa do primeiro-ministro, Antonis Samar\u00e1s, de aprovar o seu candidato, Stavros Dimas, para a presid\u00eancia do pa\u00eds, em tr\u00eas vota\u00e7\u00f5es sucessivas no Parlamento, o governo foi obrigado a antecipar as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>A perda da maioria no Parlamento do governo na elei\u00e7\u00e3o presidencial foi somente a express\u00e3o da divis\u00e3o e crise da coliga\u00e7\u00e3o ND-PASOK diante do novo pacote de medidas exigido pela Troika. Este facto \u00e9 o que na verdade explica a antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em dezembro passado, os ministros de economia da Zona do Euro acordaram uma prorroga\u00e7\u00e3o do \u201cresgate a Gr\u00e9cia\u201d at\u00e9 final de fevereiro. Entretanto, a liberta\u00e7\u00e3o da \u00faltima parcela do \u201cresgate\u201d, 1,8 mil milh\u00f5es de euros, estaria subordinada \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o pelo Parlamento de novos cortes nos sal\u00e1rios e pens\u00f5es, acr\u00e9scimo do IVA e taxas que incidem nos medicamentos, alimentos, facturas da \u00e1gua, energia, demiss\u00f5es de funcionarios p\u00fablicos&#8230; O governo de Samar\u00e1s\/Vernizelos j\u00e1 estava com a caneta na m\u00e3o para assin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O an\u00fancio do memorando foi recusado amplamente pela popula\u00e7\u00e3o. A greve geral de novembro contra as novas medidas anunciadas foi o indicativo de que os trabalhadores estavam dispostos a resistir. A este facto agrega-se a ruptura do PASOK, o grupo parlamentar liderado pelo ex-primeiro ministro George Papandreou, que retirou seu apoio \u00e0 coliga\u00e7\u00e3o, e seu novo partido (Movimento dos Socialistas Democratas) &nbsp;que rompeu com a dupla Andonis Samar\u00e1s (ND)\/ Evangelos Vernizelos (PASOK) questionando a maioria parlamentar do governo confirmada nas presidenciais.<\/p>\n<p>Assim, a explos\u00e3o do governo decorre da sua incapacidade de impor uma nova rodada de ataques aos trabalhadores, o que reflete uma divis\u00e3o na classe dominante. A Gr\u00e9cia volta a ocupar o centro da conjuntura europeia, no entanto, numa situa\u00e7\u00e3o diferente. As lutas agora n\u00e3o se concentram nos pa\u00edses do \u201csul\u201d: a greve geral dos trabalhadores belgas e italianos e a manifesta\u00e7\u00e3o contra o pacote de reformas na Fran\u00e7a e as mobiliza\u00e7\u00f5es contra os cortes na Holanda combinam-se com a abertura de uma nova \u201cfrente\u201d para o imperialismo europeu.<\/p>\n<p>Dito isto, o que se decidir hoje na Gr\u00e9cia transcende em muito os limites da pen\u00ednsula hel\u00e9nica. A derrota dos partidos do memorando, a vit\u00f3ria da esquerda grega e a conforma\u00e7\u00e3o de um governo que se oponha \u00e0 Troika, seria uma vit\u00f3ria para todos os trabalhadores europeus, indicaria para todos eles que \u00e9 poss\u00edvel derrotar a Troika e abriria um espa\u00e7o bem mais favor\u00e1vel para a resist\u00eancia ao ajuste.<\/p>\n<p>Esta possibilidade est\u00e1 colocada. Mas h\u00e1 dois grandes obst\u00e1culos a superar antes que o dito acima se converta em realidade: o Syriza ainda deve consolidar a sua maioria nas elei\u00e7\u00f5es e n\u00e3o menos importante, no caso de uma vit\u00f3ria eleitoral, em que medida o Syriza estar\u00e1 disposto a resistir \u00e0s press\u00f5es do imperialismo europeu e norte-americano para estancar a cat\u00e1strofe social na Gr\u00e9cia?<\/p>\n<p><strong>A polariza\u00e7\u00e3o eleitoral: a press\u00e3o imperialista antes das elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>As \u00faltimas sondagens publicadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o (at\u00e9 05\/01) colocam o Syriza como a primeira for\u00e7a eleitoral, entre 28 e 30% dos votos. Pelo sistema eleitoral grego o Syriza estaria a 3% de conseguir o \u201cb\u00f3nus\u201d de 50 deputados, o que lhe daria maioria absoluta. A Nova Democracia (ND) oscila entre 25,1% e 28%, seguidos pelos neonazis do Aurora Dourada entre 6% e 8%. Os estalinistas do KKE e ToPotami (O Rio, um partido populista liderado pelo apresentador de televis\u00e3o Stavros Theodorakis), obteriam 5%. No \u00faltimo lugar aparece o PASOK com 4%, (algumas sondagens d\u00e3o-lhe 2,2%), enquanto o Movimento dos Socialistas Democratas est\u00e1 pr\u00f3ximo dos 4.8%.<\/p>\n<p>O partido de Papandreou (MSD) tenta evitar a queda dos social-democratas que hoje podem ficar fora do Parlamento. Na mesma situa\u00e7\u00e3o encontram-se os nacionalistas Gregos Independentes e o Dimar (Esquerda Democr\u00e1tica), uma cis\u00e3o de Synaspismos, que \u00e9 o grupo maiorit\u00e1rio do Syriza.<\/p>\n<p>Mas uma vez mais, como em 2012, a interfer\u00eancia dos pa\u00edses imperialistas europeus d\u00e1 o tom das elei\u00e7\u00f5es: Jean-Claude Juncker, presidente da Comiss\u00e3o Europeia, afirmou que \u201c<em>os gregos, que t\u00eam uma vida muito dif\u00edcil, sabem muito bem o que significariam resultados eleitorais equivocados para a Gr\u00e9cia e a Zona do Euro<\/em>\u201d. E disse mais: que prefere ver caras conhecidas na presid\u00eancia e que n\u00e3o gostaria de \u201cfor\u00e7as extremas\u201d no poder. E Samar\u00e1s fazendo eco da UE grita: ou seu partido ganha ou o caos&#8230;, como se a maioria dos gregos vivesse no para\u00edso.<\/p>\n<p>A representante do imperialismo alem\u00e3o, Angela Merkel, optou por discutir noutros termos a hip\u00f3tese da derrota eleitoral de Samar\u00e1s. Segundo um artigo publicado pela revista Der Spiegel, assegura que o governo alem\u00e3o \u201c<em>aceitar\u00e1 a sa\u00edda da Gr\u00e9cia, no caso de que o futuro Governo grego assim o decida, uma possibilidade que j\u00e1 foi batizada em Berlim como Grexit<\/em>\u201d. Para Merkel, a decis\u00e3o de sair do euro \u00e9 n\u00e3o cumprir com o memorando.<\/p>\n<p>Segundo alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o, como The Economist, embora a pol\u00edtica do imperialismo, particularmente o alem\u00e3o, continue apostando numa maioria absoluta de Samar\u00e1s, n\u00e3o descarta negociar com um governo de AlexisTsipras j\u00e1 que, segundo o colunista, no que toca \u00e0 crise europeia, j\u00e1 n\u00e3o estamos diante de amea\u00e7as da explos\u00e3o do euro como em 2012, por isso o crit\u00e9rio \u00e9: ou cumpre estritamente os acordos dos governos anteriores ou a hip\u00f3tese de uma sa\u00edda da Gr\u00e9cia da Zona do Euro poderia ser absorvida sem mais sobressaltos.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica dupla de Merkel tem um sentido claro: pressionar o Syriza contra qualquer medida unilateral sobre a d\u00edvida. Assim disse WolfgangSch\u00e4uble, o todo poderoso ministro das finan\u00e7as da Alemanha: \u201c<em>Se a Gr\u00e9cia empreende outro caminho ser\u00e1 dif\u00edcil. As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o modificam os acordos alcan\u00e7ados com o governo grego e a cada governo novo dever\u00e1 cumprir com os acordos a que chegou o anterior<\/em>\u201d.Mas como est\u00e1 o Syriza a contestar a esta press\u00e3o do imperialismo?<\/p>\n<p><strong>\u201cNossas propostas foram calibradas de forma que n\u00e3o violem nenhum dos Tratados\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A frase citada acima \u00e9 de Yannis Varoufakis, economista da Universidade de Atenas e prov\u00e1vel membro da equipa de governo de Tsipras, a frase coloca o sentido mais geral da mudan\u00e7a no programa do Syriza realizado na sua \u00faltima confer\u00eancia em Sal\u00f3nica. J\u00e1 que a morat\u00f3ria, defendida nas elei\u00e7\u00f5es de 2012 n\u00e3o encaixa nos tratados da UE, Tsipras anuncia que agora se trata do seguinte:<\/p>\n<p>\u201c<em>Negociaremos, no \u00e2mbito da UE e das institui\u00e7\u00f5es europeias, o quadro de um novo acordo do servi\u00e7o da d\u00edvida, realista e de desenvolvimento da economia real para benef\u00edcio m\u00fatuo, com tal fim dever\u00edamos alcan\u00e7ar os seguintes objetivos: supress\u00e3o da maior parte do valor nominal da d\u00edvida para que esta se torne sustent\u00e1vel, atrav\u00e9s de mecanismos que n\u00e3o prejudiquem os povos da Europa<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O argumento para mudar o programa \u00e9 mais chamativo que a mudan\u00e7a mesma: \u00e9 que deixar de pagar aos parasitas banqueiros alem\u00e3es e franceses significa prejudicar os povos da Europa? Ao mudar os nomes reais por fict\u00edcios: banqueiros por \u201cpovos da Europa\u201d, Tsipras aceita o enquadramento proposto por Sch\u00e4uble.<\/p>\n<p>\u00c9 que o or\u00e7amento assumido pelo programa \u00e9 n\u00e3o avan\u00e7ar em nenhuma medida que questione \u201co \u00e2mbito da UE e das institui\u00e7\u00f5es europeias\u201d feitas sob medida para saquear e submeter os pa\u00edses \u201cperif\u00e9ricos\u201d aos ditames do capital financeiro.<\/p>\n<p>Ao propor: \u201csuprimir parte do valor nominal da d\u00edvida\u201d o programa \u00e9 suficientemente amb\u00edguo para n\u00e3o dizer o tamanho da \u201cparte\u201d que Tsipras espera reduzir, mas Varoufakis adianta que:<\/p>\n<p>\u201c<em>Naturalmente, o resultado desse debate ser\u00e1 um compromisso. Alexis Tsipras, o l\u00edder do Syriza, sabe isso: quando se entra numa negocia\u00e7\u00e3o, buscamos um compromisso que seja aceit\u00e1vel para todas as partes<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 que Tsipras abre m\u00e3o da morat\u00f3ria, a pergunta \u00e9: at\u00e9 onde pode ceder o imperialismo alem\u00e3o numa negocia\u00e7\u00e3o com o futuro governo do Syriza?<\/p>\n<p>Toda a pol\u00edtica do imperialismo alem\u00e3o ao afirmar que a sa\u00edda da Gr\u00e9cia do euro n\u00e3o implica um risco \u201csist\u00e9mico\u201d, baseia-se no fato de que o mecanismo de \u201cresgate da Gr\u00e9cia\u201d foi uma opera\u00e7\u00e3o para salvar os bancos franceses e alem\u00e3es, que concentravam respectivamente, 26,3 mil milh\u00f5es e 19,6 mil milh\u00f5es da d\u00edvida grega. Segundo o Citibank, o objetivo do resgate era para que a banca internacional concentrasse em 2015, somente 8% da d\u00edvida grega. Segundo os \u00faltimos dados publicados: a exposi\u00e7\u00e3o total dos bancos \u00e0 d\u00edvida grega reduziu-se 55% desde 2010. No caso da banca europeia, a diminui\u00e7\u00e3o \u00e9 de 60%. Mas \u00e9 que em casos concretos, como os da banca francesa, austr\u00edaca, belga, irlandesa ou portuguesa, os cortes superam 90%, com a italiana como principal expoente. Segundo o BIS, as entidades transalpinas cancelaram totalmente sua exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>Isto \u00e9: o dinheiro do resgate, na verdade, foi utilizado para comprar a d\u00edvida aos bancos e pass\u00e1-la para o BCE, FMI e UE que det\u00e9m hoje a maior parte da d\u00edvida grega, \u00e0 custa da mis\u00e9ria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso na linguagem de Merkel, o euro, leia-se os bancos alem\u00e3es e franceses, j\u00e1 n\u00e3o correm perigo. Agora trata-se de um problema pol\u00edtico para o imperialismo alem\u00e3o: enquanto Fran\u00e7a, It\u00e1lia, B\u00e9lgica inicia as medidas mais profundas de ajuste, com cortes no or\u00e7amento e reformas laborais, \u00e9 improv\u00e1vel que tenha concess\u00f5es reais para al\u00e9m das que imponha a luta dos trabalhadores gregos.<\/p>\n<p>\u00c9 que n\u00e3o h\u00e1 forma de romper com a espiral de cortes, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e reformas trabalhistas e das pens\u00f5es, de acabar com o desemprego, sem questionar as necessidades mais profundas do capital imperialista representado na UE. Esta \u00e9 a \u00fanica perspectiva realista e pragm\u00e1tica, j\u00e1 que n\u00e3o existem medidas que possam aplicar um futuro governo do Syriza, que possa sequer diminuir a cat\u00e1strofe social na Gr\u00e9cia mantendo a subordina\u00e7\u00e3o do pa\u00eds aos tratados que est\u00e3o saqueando o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Tsipras: \u201cN\u00e3o pode pagar a d\u00edvida se n\u00e3o te deixam trabalhar\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O lucrativo neg\u00f3cio da d\u00edvida p\u00fablica depois da interven\u00e7\u00e3o da Troika sobe como espuma: a d\u00edvida grega em 2008 estava na casa dos 233 mil milh\u00f5es (112,9% do PIB), enquanto no terceiro trimestre de 2014 foi de 321,7 mil milh\u00f5es (177,7%). Significaria que o pa\u00eds deveria entregar tudo o que se produziria em dois anos aos credores externos para pag\u00e1-la.<\/p>\n<p>Mas, todos n\u00f3s sabemos que isso \u00e9 imposs\u00edvel, assim a d\u00edvida converte-se numa ferramenta de saque do pa\u00eds e de superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para o capital financeiro internacional e seus sat\u00e9lites na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da d\u00edvida p\u00fablica, as empresas e os bancos gregos ostentam igualmente uma d\u00edvida que \u00e9 paga com a redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios dos trabalhadores e a precariedade. No entanto, Tsipras afirma que n\u00e3o se trata de acabar com este espiral macabro sen\u00e3o que:<\/p>\n<p>\u201c&#8230;<em> fomos claros sobre nossas inten\u00e7\u00f5es de renegociar os termos da d\u00edvida. Esperamos ter uma grande parte da d\u00edvida perdoada, e o reembolso do restante submetido a uma cl\u00e1usula de crescimento. N\u00e3o podes pagar a d\u00edvida se n\u00e3o te deixam trabalhar<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: trabalhar para quem? E a resposta \u00e9 simples, para pagar a d\u00edvida com as institui\u00e7\u00f5es da UE destinadas a salvar da quebra o Banco Nacional, o Piraeus e o Banco Alpha e das empresas dos mesmos bancos falidos. Para pagar a d\u00edvida, os trabalhadores gregos viram os seus rendimentos cairem em 40% no per\u00edodo do \u201cresgate\u201d, isto \u00e9, os trabalhadores gregos, ao contr\u00e1rio do que diz Tsipras, continuaram a trabalhar para pagar a d\u00edvida dos banqueiros e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas Yannis Varoufakis, prov\u00e1vel membro da equipa de governo de Tsipras, vai al\u00e9m, j\u00e1 que se prop\u00f5e a continuar pagar a d\u00edvida, afirma que manter\u00e1 a \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d do mercado trabalhista e um super\u00e1vit prim\u00e1rio conforme a negocia\u00e7\u00e3o. Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 coerente com o fato de que o programa aprovado na confer\u00eancia de Sal\u00f3nica n\u00e3o propor a revoga\u00e7\u00e3o das reformas trabalhistas dos governos do Memorando.<\/p>\n<p>E sobre a redu\u00e7\u00e3o da jornada para diminuir o desemprego, nem uma palavra, \u00e9 coerente com a afirma\u00e7\u00e3o de Tsipras: n\u00e3o se pode pagar a d\u00edvida sem trabalhar.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos importante \u00e9 a mudan\u00e7a sobre a renacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas privatizadas defendido por Syriza em 2012, nos explica Varoufakis que:<\/p>\n<p><em>&#8230;a renacionaliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 imposs\u00edvel dada \u00e0 falta de liquidez do Estado<\/em> (sic)<\/p>\n<p>No que diz respeito aos servi\u00e7os p\u00fablicos, o problema n\u00e3o \u00e9 tanto que sejam privatizados. O problema \u00e9 que foram desmantelados ou estrangulados pela austeridade e os horr\u00edveis cortes&#8230;<\/p>\n<p>Sem coment\u00e1rios&#8230;<\/p>\n<p><strong>Uma cat\u00e1strofe social que se aprofunda<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> A Gr\u00e9cia est\u00e1 devastada por seis anos por uma recess\u00e3o que tornou os trabalhadores 40% mais pobres que em 2008. Ap\u00f3s os planos de resgate, de reformas e ajustes cont\u00ednuos e de uma estrita supervis\u00e3o pela Troika, a cat\u00e1strofe social assemelha-se a um pa\u00eds devastado por uma guerra. <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em 2014, o \u00edndice de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos chegou aos 49,5% (56,6% nas mulheres). Os 66% dos desempregados s\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o (mais de dois anos), e cerca de 2.500.000 pessoas n\u00e3o t\u00eam Seguran\u00e7a Social (para uma popula\u00e7\u00e3o de 10 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>O pa\u00eds experimentou nos \u00faltimos sete anos uma redu\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica em mais de 25%. O PIB per capita de 2013, por sua vez, chegou a 12.500 euros, retrocedendo aos n\u00edveis de 2001, ou seja, 5.020 euros a menos que em 2008 (17.374 euros), quando come\u00e7ou a crise.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia o dilema colocado \u00e9 simples, n\u00e3o h\u00e1 a mais m\u00ednima possibilidade de realizar reformas sem rupturas.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do Syriza de se opor ao memorando, mas defender a todo custo a perman\u00eancia no Euro, n\u00e3o encontra reciprocidade entre o imperialismo alem\u00e3o e franc\u00eas, n\u00e3o h\u00e1 como evitar o problema que est\u00e1 colocado pela realidade. O pagamento parcial da d\u00edvida n\u00e3o vai deter a cat\u00e1strofe social, pois n\u00e3o romper\u00e1 com a subordina\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia \u00e0s correntes impostas pelo imperialismo.<\/p>\n<p>Ou seja, o Syriza encontra-se numa encruzilhada: a expuls\u00e3o da Gr\u00e9cia da Zona do Euro, se o Syriza n\u00e3o ceder com tudo ao memorando (ou faz\u00ea-lo de forma insuficiente para as exig\u00eancias alem\u00e3s), ou o \u201cfechamento banc\u00e1rio\u201d pelo BCE, sem uma \u201cexpuls\u00e3o formal\u201d da Zona do Euro. Isso implicaria a completa paralisia do com\u00e9rcio e da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este quadro colocaria a necessidade de apoiar-se na mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora para a nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca e do com\u00e9rcio exterior e medidas contra os interesses dos capitalistas imperialistas e gregos. Igualmente a expropria\u00e7\u00e3o das grandes ind\u00fastrias e empresas, com controle oper\u00e1rio faria parte de um plano de emerg\u00eancia cujo objetivo central seria garantir a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades mais urgentes de todo o povo grego: alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, transporte, energia, etc. E antes de qualquer coisa, apelar \u00e0 solidariedade internacional, particularmente dos trabalhadores europeus, que retomam o caminho das greves gerais na It\u00e1lia e B\u00e9lgica. Se assim n\u00e3o procede, o custo da sa\u00edda do euro pag\u00e1-lo-\u00e1 a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Mas estas medidas est\u00e3o completamente fora do horizonte da dire\u00e7\u00e3o do Syriza e n\u00e3o vir\u00e1 por suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Da mesma maneira est\u00e1 \u00e0 possibilidade de ceder \u201cpara n\u00e3o ser expulsos do euro\u201d e manter a agonia do povo grego. Aceitar a segunda op\u00e7\u00e3o \u00e9 apostar na condena\u00e7\u00e3o do povo grego \u00e0 mis\u00e9ria. Este quadro colocaria como uma das hip\u00f3teses o fortalecimento do Aurora Dourada, em cujas m\u00e3os ficaria a bandeira da ruptura com a UE e o Euro, que segundo algumas sondagens aparece com 8% das inten\u00e7\u00f5es de voto.<\/p>\n<p>Nestas elei\u00e7\u00f5es, o Syriza converte-se na principal ferramenta dos trabalhadores gregos para derrubar aos partidos do memorando e do saque. Por isso, chamamos a votar no Syriza. E propomos aos trabalhadores gregos e \u00e0s bases do Syriza que lhe exijam a ruptura com o modelo econ\u00f3mico, baseado no endividamento e no saque do pa\u00eds, pois todo e qualquer pagamento parcial da d\u00edvida, manter\u00e1 o espiral de degrada\u00e7\u00e3o e a condena\u00e7\u00e3o do povo grego \u00e0 mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Reafirmamos que o \u00fanico caminho real para satisfazer as enormes expectativas de suas bases deve ser: a suspens\u00e3o imediata do pagamento da d\u00edvida e a rejei\u00e7\u00e3o a qualquer compromisso com o grande capital grego e as institui\u00e7\u00f5es da UE. E ainda que a ruptura com o euro n\u00e3o fa\u00e7a parte de seu programa, deve assumi-la como uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel para romper com o saque do pa\u00eds suspendendo o pagamento da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Igualmente alertamos aos trabalhadores que derrubar aos partidos do memorando \u00e9 s\u00f3 um primeiro passo e que n\u00e3o bastar\u00e1 com o voto: \u00e9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar na luta direta e preparar a resist\u00eancia aos ataques do imperialismo e da patronal grega.<\/p>\n<p>Por fim, qualquer das hip\u00f3teses de desenvolvimento de um poss\u00edvel governo Syriza estar\u00e1 determinada se os trabalhadores ser\u00e3o capazes de ocupar o centro da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de forjar uma dire\u00e7\u00e3o \u00e0 altura dos acontecimentos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Ricardo Ayala e Gabriel Huland, do Estado espanhol<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da frustrada tentativa do primeiro-ministro, Antonis Samar\u00e1s, de aprovar o seu candidato, Stavros Dimas, para a presid\u00eancia do pa\u00eds, em tr\u00eas vota\u00e7\u00f5es sucessivas no Parlamento, o governo foi obrigado a antecipar as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1779,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[427,424,116,403,139,422,114,426,115,162,239,117,423,425,319],"class_list":["post-1780","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-alemanha","tag-alexis","tag-alternativa","tag-eleicoes","tag-euro","tag-grecia","tag-mas","tag-memorando","tag-movimento","tag-revolucionario","tag-ruptura","tag-socialista","tag-syriza","tag-tsipras","tag-ue"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/syriza_tsipras.jpg?fit=450%2C299&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1780\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1779"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}