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Greve Geral foi um sucesso e para vencer a luta não pode ir de férias

Greve Geral foi um sucesso e para vencer a luta não pode ir de férias

Ao fim da tarde do dia da Greve Geral o Ministro da Presidência, Marques Guedes, afirmou “o país não está parado”. Tem razão: pelo menos desde quando a troika aterrou na Portela e este governo tomou posse, que o país não só não está parado como anda para trás a cada dia que passa. A fome, a miséria e a emigração fazem lembrar os tempos antes do 25 de Abril. E como nos tempos da revolução, quando os trabalhadores param o país, andamos para a frente. A Greve Geral de hoje foi disso exemplo.

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Todo o apoio à greve dos CTT!

Todo o apoio à greve dos CTT!• Abaixo o fecho de estações de Correios e Centros de Distribuição!

• Contra a ameaça de despedimentos e a degradação das condições de trabalho!

• Não à privatização dos CTT que só prejudica a população e os trabalhadores!

Os Correios de Portugal foram fundados em 1520 por D. Manuel I com o estatuto de serviço de correio público, tendo hoje um efetivo de cerca de 13.000 trabalhadores, o que faz dos CTT uma das maiores e mais emblemática s empresas públicas de serviços, que hoje não escapa aos ataques da troika.

Primeiro foi a ruinosa delapidação do património com custos elevados quer para a empresa, Estado e trabalhadores. Sabemos que em Lisboa se paga uma renda fantástica por um prédio no Parque das Nações, mal-amado pela maioria dos trabalhadores e que dia a dia torna insuportáveis as condições de trabalho, enquanto existem prédios devolutos, vendidos pelos CTT, dos quais se continuam a pagar rendas.

Agora é a privatização dos CTT que arrasta consigo o fecho de cerca de 200 estações de Correios e do Centro de Distribuição de Taveiro-Coimbra, a que se soma a ameaça de vários despedimentos.

É preciso não baixar os braços perante a destruição dos CTT, as ameaças constantes e a degradação das condições trabalho. Os Correios de Portugal são uma empresa dotada de profissionais de elevada qualidade tal como o atestam os Relatórios de Sustentabilidade que lhe conferem a classificação de A+, bem como os dividendos entregues ao acionista Estado relativos a 2012 que ascendem a cerca de36 milhões de euros. A privatização só serve a grandes interesses económicos e prejudica a população e os trabalhadores.

O MAS, ciente da enorme irresponsabilidade do governo ao querer privatizar os CTT em nome do seguidismo às medidas da troika, está solidário com as populações privadas de verdadeiras estações de Correio e manifesta todo o seu apoio à greve dos trabalhadores dos CTT! Para que esta luta se fortaleça e seja vitoriosa é fundamental que as estruturas sindicais organizem a luta consultando, envolvendo e unindo, desde a base, todos os trabalhadores dos CTT .

Foto: Protesto contra o encerramento da estação dos CTT da Buraca, organizada em maio pela Comissão Cívica Amigos da Buraca, liderada por Adão Tavares.

Estivadores em luta contra desemprego e precariedade nos portos

Estivadores em luta contra desemprego e precariedade nos portos

No dia 14 de agosto último, os trabalhadores portuários portugueses iniciaram uma firme e corajosa luta contra a proposta de lei de alteração do Regime Jurídico do Trabalho Portuário apresentada pelo governo de Passos Coelho. Se esta lei entrar em vigor, serão destruídas conquistas históricas da classe, como o acordo que, no Porto de Lisboa, impede desde 1995 que o número de trabalhadores eventuais não possa ultrapassar 25% do total de trabalhadores efetivos. “É esse acordo que, com a nova lei, os patrões estão a querer rasgar, as empresas querem o trabalho precário”, explica António Mariano, estivador desde 1979.

Atualmente, há cerca de 800 estivadores a trabalhar nos portos portugueses como profissionais da atividade e algumas centenas de trabalhadores precários. A existência desses últimos é admitida pelos sindicatos porque a necessidade de mão de obra no porto flutua de acordo com a quantidade de navios atracados. “Como a nossa fábrica vai-se embora todos os dias, achamos que deva haver alguma flexibilidade”, refere. Conforme o também previsto no acordo de 1995, quando é preciso substituir trabalhadores efetivos, por razão de reforma ou qualquer outra, são os precários que irão ocupar o lugar.

O que se passa agora é que o governo quer que uma parte dos postos de trabalho efetivos deixe de ser considerada de estiva e passe a ser feita por trabalhadores precários. Para isso, a legislação consideraria trabalho de estiva apenas aquele feito a bordo dos navios fundeados no porto, e não, como até agora, toda a atividade desenvolvida na área portuária O trabalho executado em terra passaria a ser feito por qualquer trabalhador, por um salário muito mais baixo, sem direitos e sem vínculo laboral estável, subordinado a empresas subcontratadas.

Este modelo já está a ser implementado no Porto de Leixões, onde, segundo Mariano, não é admitido um único trabalhador efetivo há 20 anos. O sindicato de Leixões pertence a uma federação filiada à UGT. “Isso se deu em violação da lei, porque a lei que existe hoje em Portugal diz que todo o trabalho de movimentação e controlo de carga na zona portuária tem de ser feito por estivadores com carteira profissional.”

Os patrões dos estivadores são as empresas de estiva. As duas grandes nacionais são a Mota Engil e a Empresa de Tráfico e Estiva. Há uma empresa de Singapura, a PSA, implantada no Porto de Sines (responsável pela maior atividade portuária no país), que, de acordo com Mariano, também está por trás das pressões para alterar a legislação.

Guerra permanente

Apesar do acordo de 1995, as empresas fazem de tudo para desrespeitá-lo. O processo de passagem a permanente dos trabalhadores precários para preenchimento das vagas abertas nas últimas duas décadas quase sempre passaram por formas de luta. “Embora os patrões tenham feito o acordo, quando a mão de obra está nos limites e não consegue responder às necessidades do porto, nós exigimos que sejam feitas admissões, e o patrão não quer, e nós fazemos greve; e, depois de as greves estarem anunciadas ou em execução, as admissões acontecem.”

Nos últimos meses os estivadores estavam a ser obrigados a trabalhar entre dois a três turnos porque os patrões não praticavam o acordo de admissão de trabalhadores para substituir os que se afastavam. “E o que é que acontece? Os trabalhadores que cá estavam, obrigados a trabalhar 2 a 3 turnos por dia, às vezes atingiam valores salariais superiores. Estamos a falar de salários brutos. Mas nós fazíamos esse volume de trabalho para os navios não fugirem. Os patrões é que não nos podem acusar de, por um lado, trabalharmos para os navios não fugirem, e por outro lado ganharmos muito dinheiro. Provavelmente querem que os estivadores façam o trabalho de borla”, diz Mariano. Ele defende que os empregadores nos portos deviam contratar mais trabalhadores do que contratam hoje. “No mínimo poderiam ser contratados mais 50 trabalhadores no Porto de Lisboa.”

Receber altos salários, de até 5 mil euros, é uma das mentiras contadas pelos patrões e o governo para jogar a população contra os estivadores. “O nosso salário em Lisboa, mesmo em topo de carreira, não ultrapassa os 2 mil euros por mês brutos”, garante Mariano. Para os trabalhadores mais novos, os valores giram em torno de 900 euros. “Os trabalhadores começam por ganhar 4 euros a hora para desenvolver uma atividade extremamente perigosa, para andar debaixo de contentores que pesam 20, 30 toneladas. E quando há um acidente não é só a unha que se parte, são acidentes muito violentos e muito complicados.” Eventualmente, ao fim de 17 anos de carreira, poderão estar a ganhar 8 ou 9 euros a hora. “O que acontece, e essa é uma das razões da nossa luta, é que temos de fazer sempre greves para os empregadores admitirem trabalhadores, e mais uma vez nós estamos a chegar a um ponto de rutura.”

“Nós não vamos desistir de lutar”

Depoimento do estivador António Mariano, um dos trabalhadores presentes nas concentrações e manifs contra as medidas de austeridade do governo.

“O primeiro dia de paragem total foi no dia 14 de agosto, em que estiveram muitos de nós reunidos em Sines, e daí para cá diria que já estive mais de 70 dias de greve no Porto de Lisboa. De onde vem esta forma de estar? Os sindicatos dos estivadores existem desde 1896, tem uma história, tem uma memória, coisas que passam de pais para filhos, netos... Hoje talvez seja mais fino ser estivador, mas não é menos violento.

Trabalhamos ao sol, à chuva e ao frio 362 dias por ano, só paramos três dias por ano. 24 horas por dia. Normalmente os trabalhadores efetivos trabalham 16 horas. O que acontece é que ultimamente até 24 horas por dia os estivadores têm trabalhado. Porque das duas uma: ou nos vamos embora e o navio fica mais tempo em porto com prejuízo para o porto e a economia ou, para impedir que isso aconteça, trabalhamos horas brutais.

Os estivadores têm algo que gostariam de explicar aos outros setores de atividade: é que a melhor forma de lutar pelos seus direitos é estar sindicalizado. Os estivadores são sindicalizados a 100%. Esta sindicalização a 100% conduz a greves que são respeitadas a 100%. À comunicação social não interessa mostrar o nosso exemplo. Não fala de nós, porque não interessa falar de um setor de atividade que, quando para, para a 100%.

Estamos em todas [as mobilizações] porque está em curso uma campanha para destruir a nossa atividade e, não sendo possível, através dos órgãos de comunicação normais, chegar aos portugueses para contar a nossa história, tivemos que criar canais alternativos. Um dos canais alternativos é estar em contacto direto com as pessoas onde quer que seja. Sejam manifestações da CGTP, sejam manifestações de movimentos não alinhados, movimento sociais, estamos em todas. Distribuímos folhetos junto de locais de grande circulação de pessoas, para além de utilizarmos um dos meios mais eficazes hoje em dia que é a Internet.

No dia 25 de setembro, um grande número de portos europeus estiveram parados em solidariedade com os estivadores portugueses por uma razão muito simples: porque os estivadores em Portugal vão ser um balão de ensaio para os europeus. Se Portugal desregulamentar-se totalmente, se forem criados aqui portos de conveniência, abre-se um precedente perigoso para a Europa.

A Comissão Europeia está também a delinear uma nova diretiva à semelhança de duas anteriores que foram rejeitadas no Parlamento Europeu. Isso porque os estivadores foram a Estrasburgo e manifestaram-se violentamente contra aquilo [em janeiro de 2006, para protestar contra a liberalização dos serviços portuários]. A abrangência do ataque é mesmo para destruir tudo. Para não ficar um estivador de pé.

Claro que vamos estar na greve geral. Não somos diferentes, o que acontece é que, além de toda a bateria de ataques que os portugueses estão a sofrer, os estivadores sofrem um ataque dirigido que é despedi-los e substituí-los nos mesmos postos de trabalho por trabalhadores precários. É isto que torna a nossa reação mais violenta e nos dá toda a razão para estar nessa luta.

Nós não vamos desistir de lutar contra isso. E a nossa greve vai continuar até quando for necessário.”

Entrevista dada a Cristina Portella e Tiago Castelhano

 

A luta dos jornalistas da Lusa e do Público também é nossa

A luta dos jornalistas da Lusa e do Público também é nossaUma imprensa de qualidade é uma condição necessária à democracia. Mas para que esta imprensa exista são necessários jornalistas que tenham condições de trabalho que lhes permitam exercer com dignidade a sua profissão. É exatamente isso que o governo de Passos Coelho, no caso da agência de notícias Lusa, e a proprietária do jornal Público, a Sonaecom, não querem. Na Lusa, os jornalistas decidiram fazer quatro dias de greve, a partir de ontem (dia 18/10), contra o corte de 30% no orçamento da agência para 2013, o que provocará redução de pessoal, seja através de incentivos a rescisões amigáveis, seja através de despedimentos. No Público, os trabalhadores resolveram fazer hoje um dia de greve contra o despedimento de 48 funcionários, em sua maioria jornalistas.

A adesão à greve nos dois órgãos de imprensa tem sido muito grande: na Lusa, tanto no dia 18, quanto hoje, só trabalharam a Direção de Informação, a Chefia de Redação e 1 jornalista; no Público, menos de 1/3 dos trabalhadores furaram a greve. Jornalistas da Lusa e do Público realizaram um protesto à porta deste último, no qual participaram cerca de 150 pessoas, inclusive leitores com o intuito de solidarizar-se com os grevistas.

O corte orçamental na Lusa e os despedimentos no Público respondem à mesma lógica imposta ao país pela troika e os seus lacaios no governo de cortar na qualidade dos serviços prestados à população. Como agência de notícias nacional, o papel cumprido pela Lusa é fundamental e insubstituível para que a população esteja informada do que se passa no país, sem que esse direito seja limitado pelas restrições económicas existentes nos jornais privados. No caso do Público, é mais uma vez a imprensa a rebaixar a sua qualidade em prol do lucro imediato. Sem jornalistas não há boa imprensa, seja ela de papel ou digital.     

A luta dos jornalistas da Lusa e do Público é também a nossa luta.

Manifestação pelo Emprego - 30 de Junho

Manifestação pelo Emprego - 30 de Junho

É já este sábado, dia 30 de Junho, que se realiza a manifestação convocada pelo Movimento Sem Emprego. Com o desemprego em níveis nunca vistos fruto da política dos últimos governos e, agora, da troika, os trabalhadores veem-se invadidos pela pobreza e desespero. Perante uma crise e de uma dívida das quais não somos responsáveis, os poderosos não têm contemplações e passam a factura, que deveria ser sua, para aqueles que apenas têm o trabalho como fonte de rendimento. O MAS vai lá estar, apelamos a que todos se juntem connosco neste protesto, que estará nas ruas a partir das 15h nas seguintes cidades:

LISBOA - Largo Camões    BRAGA - Av. Central (junto à Av.Liberdade)

PORTO - Praça da Batallha   COIMBRA - Praça da República

 

Aqui reproduzimos o manifesto de convocação do Movimento Sem Emprego:


Unidos pelo Direito ao Trabalho e à Dignidade!

Portugal segue um caminho autodestrutivo: mais de um milhão de homens e mulheres estão sem emprego. Há cada vez menos emprego com direitos. Ao mesmo tempo reduzem-se as prestações sociais, dificulta-se o seu acesso e facilita-se a sua retirada.
O trabalhador desempregado é criminalizado e desumanizado. Perde direitos, não usufruindo de Igualdade nem Liberdade. O trabalhador desempregado, como os que dele dependem, perde acesso a serviços essenciais, à educação, à cultura, à saúde, à mobilidade e por estas razões o trabalhador desempregado dificilmente cumpre com as obrigações da sua vida pessoal, familiar e social.

Ao mesmo tempo que cresce o desemprego, crescem o trabalho precário, o trabalho a falsos recibos verdes e as empresas de trabalho temporário.

Ao mesmo tempo que cresce o desemprego e o trabalho sem direitos, os trabalhadores desempregados são utilizados como moeda de troca para a redução de direitos e salários e aumento dos deveres, responsabilidade e horas de trabalho dos concidadãos empregados. Estes, assim chantageados, acabam por ceder passivamente a situações ilegais ou indignas, entretanto tornadas legais.

O trabalhador desempregado está apto a trabalhar e quer trabalhar.

O trabalhador desempregado não quer esmola, quer emprego com direitos para si e para os seus concidadãos.

O trabalhador desempregado precisa de apoio social na procura de emprego, mas acima de tudo precisa de um emprego digno, estável, que cumpra os seus direitos constitucionais, para poder viver uma vida independente e contribuir, como os seus concidadãos, para o bem comum.

Assim exigimos:

  • O cumprimento efectivo do Artigo 23° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ao qual Portugal se obriga por tratados internacionais:
    1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
    2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
    3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
    4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.
  • O cumprimento efectivo da Constituição Portuguesa, nomeadamente do Artigo 58.º Direito ao trabalho:
    1. Todos têm direito ao trabalho.
    2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:
      1. A execução de políticas de pleno emprego;
      2. A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais;
      3. A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.
O Movimento Sem Emprego considera que um trabalhador desempregado não é um criminoso. Assim exige ainda, para além do presente nestes artigos:
  1. O fim do tratamento discriminatório e punitivo do trabalhador desempregado:
    • Fim do “termo de residência” enquanto tem direito às prestações sociais para as quais contribuiu;
    • Fim da obrigação de aceitar situações incompatíveis com a procura de emprego ou melhoria de qualificações, como por exemplo o voluntariado, que não representa um verdadeiro emprego com os respectivos descontos para a segurança social;
    • O trabalhador desempregado, enquanto cidadão digno, apto e empenhado em encontrar emprego exige o fim da discriminação e difamação a que é sujeito pela imprensa, comunicação social e comunicados governamentais.
  2. Exigimos ainda a criminalização do trabalho precário, temporário, sub-emprego e trabalho sem direitos que exijam ao trabalhador desempregado, precário ou sub-empregado as responsabilidades e deveres de um trabalhador empregado.
O Movimento Sem Emprego é constituído por trabalhadores que alternam a sua condição entre o desemprego, o sub-emprego ou a precariedade. Estamos empenhados na união dos trabalhadores desempregados e no combate político de defesa dos seus direitos. O Movimento Sem Emprego pretende ainda dar apoio jurídico e denunciar situações de incumprimento, de injustiça, de criminalização e opressão dos trabalhadores desempregados.


Unidos pelo Direito ao Trabalho e à Dignidade!


www.movimentosememprego.info

Bancários repudiam violência policial na greve geral

Bancários repudiam violência policial na greve geralO MUDAR (Movimento de Unidade, Democracia e Acção Reivindicativa) apresentou ontem na reunião do Conselho Geral do SBSI (Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas) uma moção de repúdio pelos atos de violência policial verificados em Lisboa e no Porto a 22 de Março, dia da greve geral. A moção, uma adaptação da moção apresentada ao encontro comemorativo dos 50 anos da crise estudantil de 1962, foi aprovada.

No dia da greve, a polícia agrediu violentamente manifestantes, jornalistas e transeuntes, num claro desrespeito pelo direito constitucional de manifestação e expressão. A moção aprovada no Conselho Geral do SBSI foi a seguinte:

MOÇÃO

Há 50 anos, a indignação perante uma carga policial sobre estudantes que pretendiam comemorar o Dia do Estudante deu origem a um novo capitulo na luta pela liberdade e democracia. Há dias, vimos nas televisões as imagens de polícias carregando de novo sobre jovens, com uma violência desmedida e desproporcionada. Mais vimos o espancamento de jornalistas, pondo em risco a isenta cobertura da carga policial.

 A defesa da liberdade de expressão e manifestação não pode tolerar em democracia o que repudiava em ditadura.

 Assim, o Conselho Geral do SBSI reunido em 28 de Março de 2012, decide:

 - Manifestar o seu repúdio pelos atos de violência policial verificados em Lisboa e no Porto a 22 de Março de 2012;

 - Dar conhecimento desse repúdio a Suas Excelências o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro; o Ministro da Administração Interna, o Inspetor-geral da Administração Interna e o Sr. Provedor de Justiça, assim como aos órgãos de Comunicação Social.

 28 de Março de 2012

 

 

Eleições bancárias: Lista B reforça oposição...

... Mas o mau funcionamento do sistema de voto electrónico impede milhares de bancários de exercerem o seu direito de voto.

Os resultados das eleições, divulgados a 15 de Abril, pelos dirigentes do Sindicato dos Bancãários do Sul e Ilhas (SBSI) (MECODEC), apresentam 37% para a lista B (apoiada pelo MUDAR) com 4.500 votos, e 59% para a lista A (PS/PSD) com 7.000 votos. Estes resultados não reflectem a contestação existente nos bancos em relação à actual direcção sindical do PS/PSD, e estão a ser contestados pela Lista B, pois milhares de bancários foram impedidos de votar devido ao mau funcionamento do voto electrónico, a principal via de votação nestas eleições.

Assim, o número de votantes diminuiu face às eleições de 2007, onde tinham votado 15.300 sócios. Agora esperava-se um número bem maior, mas o total de votantes foi 11.900, menos 3.400 do que em 2007, em vez de se subir para os mais 3 ou 4 mil que eram esperados. O SBSI tem 47.269 sócios e só 25% participaram nestas eleições, uma percentagem inferior ao habitual.

 

Lista B vence no voto presencial

A Lista B venceu nas mesas de voto presencial de 11 das 17 secções sindicais de empresa do SBSI. No Santander Totta, BPN, BBVA, Banco Popular, Banco Portugal, BES, BPI, Barclays, CCAM, Montepio e Interempresas venceu a lista B no conjunto das mesas de voto colocados nos edifícios centrais dos respectivos bancos.

A lista B é a lista alternativa que se opõe à coligação PS/PSD que já dirige o SBSI há 12 anos. A lista B defende a democratização do sindicato, opõe-se às políticas dos PEC’s e de subserviência a banqueiros e governos, e apresenta um programa de mobilização dos bancários contra as ameaças de despedimentos, em defesa do emprego com direitos para acabar a precariedade, pelo reforço da banca pública e em defesa dos salários e dos SAMS nas mãos dos bancários.

Reflectindo uma intervenção combativa, as listas do MUDAR alcançaram a maioria absoluta nos Secretariados Sindicais, órgãos de representação proporcional entre todas as listas concorrentes,  no Banco Santander Totta e no BPN. Nas Regiões, o MUDAR obteve maiorias absolutas em Tomar e Castelo Branco. Outras listas apoiantes da lista B também alcançaram maiorias absolutas nos secretariados do BBVA, Banco Popular, Barclays, BPI e Interempresas. No SBSI, em alguns Secretariados concorreram 5 listas reflectindo uma intensa disputa entre todas as tendências sindicais.

 

Voto electrónico distorce resultados

A proposta de votação electrónica foi o argumento dos dirigentes do SBSI para acabar com 700 mesas de mesas de voto espalhadas pelos balcões dos bancos. Os sócios confiaram na possibilidade de votarem com facilidade via Internet; por isso nestas eleições em todas as regiões do SBSI houve apenas 1.400 votos por correspondência (em vez dos habituais 4 a 5.000 na totalidade do SBSI). A direcção sindical do PS/PSD reduziu as mesas de voto presenciais ao mínimo e houve distritos inteiros com apenas 1 Mesa de voto (caso de Évora e região da Madeira), e a maioria dos distritos tinha menos de 5 mesas de voto. Em Lisboa, as Mesas de Voto nem sequer abrangiam todos os grandes Edifícios dos Bancos, e tinham o horário de funcionamento reduzido em relação aos anos anteriores.

Neste quadro, o mau funcionamento da votação electrónica foi catastrófico para uma participação dos bancários que queriam participar na mudança do sindicato. Os sistemas informáticos do BCP, CGD e BPN não permitirem a votação electrónica. Em muitos subsistemas de outros bancos também não foi possível votar (Edifícios Centrais do Montepio, algumas Caixas Agrícolas), em muitas redes de balcões dos outros bancos e a opção por “votar em casa” também estava condicionada  por vários problemas técnicos.

Todos estes factores levaram ao impedimento prático de milhares de bancários de exercerem o seu direito de voto pelos canais que tinham sido noticiados, e esse impedimento afectou claramente a votação na lista B. Ao contrário, a lista A apoiada pelos dirigentes do SBSI, conhecedora destes problemas “técnicos” que a votação iria ter nos sistemas dos bancos, utilizou computadores portáteis e um aparelho de profissionais da estrutura sindical para fazer recolha de votos durante o primeiro dia de votação, violando as regras do acto eleitoral.

Todas estas irregularidades verificadas afectam claramente a democraticidade da votação e por isso a Lista B já apresentou recurso para impugnação do acto eleitoral e exigência da sua repetição em condições que garantam o seu funcionamento democrático e universal para todos os sócios.

 

João Pascoal (candidato pela lista B)

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