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Ruptura 118 - Setembro 2011
Romper com a troika, suspender o pagamento da dívida, aumentar os salários e reativar a economia! PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 09 Maio 2012

Editorial do Ruptura de Setembro 2011

Os planos de austeridade impostos pela União Europeia e FMI aos países europeus não são a solução para a crise económica. As bolsas continuam a cair, a dívida e os juros a subir e o desemprego a aumentar. O que está a acontecer na Grécia é bem um exemplo disso: o povo ficou na miséria e o país na bancarrota. Com Portugal deverá acontecer o mesmo caso o acordo com a troika continue a ser aplicado.
Basta ver o que já está a acontecer: menos 6000 professores nas escolas em comparação com 2010; salários congelados e parcialmente confiscados; aumento nos preços dos transportes, luz e gás muito acima da inflação; cortes na saúde, com redução das comparticipações de medicamentos e aumento das taxas moderadoras; aumento do IVA e novos impostos apenas para os assalariados; privatização de bens e serviços essenciais, como a água, os transportes e correios.
Só estão a salvo da fúria devastadora do governo da direita e da troika os lucros dos grandes capitalistas. Estes senhores não vão ter que pagar pelo imposto de Natal que nos vai roubar metade do subsídio ou qualquer imposto sobre as suas fortunas. Pelo contrário, vão passar a contar com mão-de-obra mais barata devido ao congelamento dos salários e ao desemprego, pagar menos de Taxa Social Única (TSU) e ainda poderão compra empresas públicas a preço de saldo.
Diante do impacto das medidas de austeridade na vida das pessoas – que recém começam a ser sentidas -, o discurso da inevitabilidade vai perdendo a sua eficácia. Se até agora a resistência à austeridade esteve praticamente limitada à corajosa luta dos trabalhadores do Estaleiro Naval de Viana do Castelo e da Transportadora Nacional de Camionagem (TNC) em defesa dos seus postos de trabalho, ela deve começar a aumentar de intensidade.
Todos devemos apoiar e participar das manifestações convocadas para o dia 1 de Outubro, pela CGTP, e 15 de Outubro, pelo M12M e Acampada do Rossio, entre outros movimentos. O 15 de Outubro tem uma importância especial porque está a ser convocado pelo movimento dos indignados do estado espanhol, o 15M, para ser um dia de luta internacional. Mas todos sabemos que a mobilização contra o governo e a austeridade não pode parar aí. Derrotar a política de austeridade é uma tarefa difícil, como o comprova a luta do povo grego, mas não impossível, como o também o demonstram as vitórias da classe trabalhadora e da juventude no passado.
Para sermos vitoriosos devemos obedecer a dois princípios. Em primeiro lugar, devemos buscar a unidade, em vez da divisão. A próxima manifestação deveria ser unitária, CGTP e movimentos sociais juntos a convocar a população – nos bairros, nos locais de trabalho, nas escolas e universidades – para lutar pela recuperação dos nossos direitos confiscados. Foi um erro a divisão imposta pela CGTP e pelo PCP das manifestações de 1 e 15 Outubro. Nós iremos às duas e apelamos a todos os trabalhadores para que façam o mesmo, mas é lamentável esta divisão artificial de manifestações.
Em segundo lugar, defendemos a democracia no interior da nossa luta, para que todos tenham o direito de se manifestar e expor as suas ideias e propostas. No interior desse amplo movimento popular, defendemos um programa de saída da crise que passa pela rutura com a troika e as medidas de austeridade; pela suspensão do pagamento da dívida pública, seguida de uma rigorosa auditoria; pela aplicação dos recursos assim poupados no aumento dos salários e do investimento público em saúde, habitação, educação e cultura, para gerar emprego e riqueza ao país; pela nacionalização da banca e das empresas estratégicas, como a Galp e a EDP; e pela democratização da política, com a transferência do poder de decisão dos gabinetes dos políticos e empresários para as ruas, locais de trabalho e escolas.
Todos à luta contra a troika e a austeridade! Pela organização de uma manifestação unitária! Preparemos desde já uma nova greve geral. Há razões mais do que suficientes e já tarda. O governo de Passos Coelho e Paulo Portas não ouvirão nem mudarão nada de outra maneira.

 
Comissão Política divide o Bloco de Esquerda PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 09 Maio 2012

DE OLHOS BEM ABERTOS, Gil Garcia

Já foi em Julho que reuniu uma auto-denominada tendência maioritária do Bloco de Esquerda. Quatro dirigentes do BE, entre eles Fernando Rosas, que se auto-apresentam como independentes (não se sabe do quê nem de quem), convocaram um plenário da Moção A (segundo nome da tendência maioritária) e que contou com a presença (vindos de todo o país) de cerca de 250 militantes do Bloco.
1. O Bloco de Esquerda sofreu em Junho deste ano uma pesada derrota nas eleições legislativas. Perdeu perto de 300.000 votos e metade do seu grupo parlamentar e, acima de tudo, a pequena vantagem, histórica diga-se, face ao PCP, voltando a ficar atrás deste partido em votos e deputados. Causas do ‘tsunami’ eleitoral bloquista? Segundo Francisco Louçã e a maioria da Comissão Política, essencialmente, porque o país vinha girando à direita desde as eleições presidenciais. Ah, e já agora, este catastrófico resultado eleitoral nada tem a ver com o apoio dele próprio e do BE ao candidato de Sócrates às presidenciais em Janeiro, de seu nome Manuel Alegre. Segundo a direção do BE também houve um “outro erro”: não terem acudido à reunião com a troika. Tirando estas razões, aqui e acolá também se reconhece que sobrestimaram a resistência da população ao memorando com a troika. Resumindo e concluindo: o BE tinha estado muito à “esquerda” da situação política e, por isso, foi penalizado.
2. Pois nós temos opinião contrária. O BE não esteve à “esquerda” da conjuntura política, mas sim aquém das necessidades das largas camadas da população que estavam fartas do governo de José Sócrates. As pessoas, algumas centenas de milhares de trabalhadores, queriam ver Sócrates fora do poder. E penalizaram os dois partidos que estiveram mais perto do governo ou que estiveram juntos numa mesma campanha presidencial, em torno de um mesmo candidato (Alegre): o PS e, natural (e lamentavelmente), o Bloco de Esquerda. Mas a Comissão Política do BE não quer reconhecer este fator crucial e recusou-se a convocar uma convenção extraordinária para analisar a hecatombe eleitoral. Mesmo perante a insistência de centenas de bloquistas, de vários quadrantes internos, para que se convocasse essa convenção extraordinária e para que se renovasse a direção do Bloco, a todos a Comissão Política respondeu com a transformação (inédita) de uma direção eleita recentemente numa convenção de novo em Lista A (e numa tendência) de modo a convocar a sua mini-convenção, obstruir e travar a verdadeira convenção que estava a ser reclamada internamente e, pior ainda, dividindo abertamente o Bloco, condenando todos os que não comungam da Moção A a ficar de fora da vida prática do Bloco. Mais, a reunião já referida, da igualmente chamada tendência maioritária, votou, como se fosse a Mesa Nacional do BE, o calendário de discussão de todos os problemas e debates internos do Bloco. Em conclusão, a vida interna do BE, que já era fraca, acabou de vez. A Mesa Nacional reunir-se-á somente em fins de Setembro, mas tudo já está decidido desde o plenário de Julho.
3. Por fim, poder-se-á perguntar, a serviço de que política estão todas estas manobras antidemocráticas? É simples e resume-se a três vetores: (a) renegociação da dívida pública; (b) manutenção do Bloco como um partido essencialmente eleitoral, demitindo-se de construir uma verdadeira alternativa anticapitalista no terreno concreto das lutas sociais, onde tudo se decidirá sobre este capitalismo selvagem e em declínio acelerado; e, por fim, (c) total ausência de uma verdadeira democracia interna. Não haverá convenção extraordinária, não haverá alteração de políticas e, muito menos, haverá uma alteração na liderança e de rostos, salvo algumas – poucas – operações de cosmética.
4. O Bloco está a deixar de ser um partido anti-sistémico, está a continuar a ser um partido cada vez mais institucional e pouco irreverente, tudo o que faz mais falta a atual situação política em que temos uma direita agressiva no poder. Pelo nosso lado, continuaremos a dar a batalha por alterar este rumo do Bloco, mas estaremos mais concentrados nas lutas sociais, na construção de uma alternativa anticapitalista e atuante. Que tenha a coragem de dizer que a dívida não é pagável nunca, que, mesmo para uma eventual renegociação da dívida, teria de haver de imediato a suspensão do pagamento da mesma e dos juros exorbitantes que estão a penalizar toda a economia e a transformar o país num monstro de desemprego e sem futuro. Falta uma esquerda como foi o Bloco nas origens, vamosmanter-nos fiel a esse projeto.

 


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