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Ruptura 116 - Abril 2011
Esta dívida não é nossa. FMI fora daqui! PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 09 Maio 2012

Editorial do Ruptura de Abril 2011

Muita tinta correu sobre a novela da “vinda” do FMI para Portugal. A primeira a chegar foi a orientação política do FMI pela mão dos governos Sócrates e dos PEC’s iniciais. De seguida foi a sua instalação física em salas do Banco de Portugal para prepararem a “receita” que aí virá, e quando os banqueiros portugueses assim o decidiram o mensageiro Sócrates lá foi fazer-lhes o recado e comunicar o “pedido de ajuda”.
Da crise, dizem os “analistas” que é “por causa dos portugueses gastarem mais do que produzem e ganham”, mas como é isso possível se a esmagadora maioria dos trabalhadores recebe salários inferiores a 650 € e centenas de milhares de reformados e pensionistas recebem menos do que o salário mínimo nacional?
A dívida que agora nos querem fazer pagar a todos não foi devida a milhões de trabalhadores gastarem a mais, foi sim uma dívida acumulada pelas centenas de milhões de euros que os governos do PS e PSD entregaram a capitalistas e grupos privados através das chamadas PPP (Parcerias Público Privadas), através das “derrapagens” nas obras públicas que sempre foram encher os cofres das empresas construtoras dos amigos dos governos e antigos governantes, ou dos muitos milhares de milhões de euros que o sector público perdeu com dezenas de privatizações dos sectores mais rendíveis como o sector bancário (ao qual foram dados muitos benefícios e isenções de impostos), o sector energético (Galp e EDP), as telecomunicações ou o sector rodoviário e a exploração das auto-estradas, em que o dinheiro público serviu para construir e os lucros da exploração ficaram para as concessionárias.
Perante uma dívida em crescimento permanente e alimentada por juros que fazem dela um negócio, os capitalistas e banqueiros (nacionais e estrangeiros) querem um governo que lhes garanta a continuidade dos pagamentos e mais uma vez querem aplicar a receita de esmifrar o povo e os trabalhadores com planos de austeridade, agora a serem aplicados ou apoiados conjuntamente por um “arco de governo” alargado com PSD, PS e CDS/PP.
No campo dos trabalhadores e do povo é preciso contrapor soluções alternativas. Perante a divida há que conhecer a sua composição e suspender o seu pagamento, e para resgatar a economia roubada pela governação capitalista é necessário um governo de esquerda com políticas alternativas aos PEC’s e à austeridade sobre os trabalhadores.
Um governo de unidade de esquerda em oposição às políticas dos PS e PSD, um governo que tome as medidas necessárias para pôr a economia a funcionar em benefício das populações, que nacionalize o sector bancário, o sector energético (Galp e EDP), as telecomunicações.
Um governo que faça as PPP e as construtoras devolverem os muitos milhões que tiraram ao sector público, que faça os accionistas do BPN/Sociedade Lusa de Negócios devolverem os milhares de milhões que colocaram nos off-shores. É de um governo para aplicar este programa que o país precisa, um governo apoiado por uma unidade do Bloco de Esquerda e do PCP, uma unidade alargada aos sectores dos movimentos sociais e do movimento sindical que lutam contra as políticas dos PEC’s e desta União Europeia subordinada aos grandes bancos e grupos capitalistas.
Dizemos não aos empréstimos para pagar uma divida que não é nossa. Dizemos não ao FMI e às políticas de austeridade. Dizemos não à política da direita e do capital, seja ela aplicada pelo PS ou pelo PSD. Queremos uma verdadeira política de esquerda, a favor dos trabalhadores e do povo, que vá buscar o dinheiro onde ele está, que faça os que tiveram super lucros devolverem o que roubaram aos trabalhadores e ao país, para desta vez serem os de cima a pagar a crise.

 


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