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Emília, um rosto entre quantos?

Portugal acordou chocado com a notícia de uma mulher de 60 anos que, após esperar inadmissíveis dois anos por uma colonoscopia, descobriu que tinha um cancro inoperável. Tornou-se real, para um país inteiro, como um atraso num diagnóstico custará uma vida e será incrivelmente devastador e traumático para uma família.

 

Os cortes na saúde, com o consequente atraso nos meios complementares de diagnóstico, ganharam um rosto e tornaram-se palpáveis as criminosas consequências da política do governo.

O diagnóstico de Emília, a senhora de 60 anos, será um dos casos mais visíveis de uma política que terá milhares e milhares de rostos ainda escondidos. Os rostos dos portugueses mais pobres, que não vão ao serviço de urgência por não poderem pagar uma taxa moderadora cada vez mais alta. Os rostos dos emigrantes, dos reformados, dos jovens, que cada vez esperam mais por uma consulta, cada vez têm menos acesso à saúde.

Quantas Emílias existirão escondidas? As estatísticas serão, certamente, subvalorizadas. Mas é importante lembrar que quanto mais tempo demorarem as políticas de CDS/PSD/troika, mais Emílias existirão.

Médicos do Centro Hospitalar do Algarve denunciam

Terão sido casos como este que preocuparam os médicos do Centro Hospitalar do Algarve, onde 183 (num universo de 220) especialistas denunciaram não só o autoritarismo da direção (chefiada pelo Dr. Pedro Nunes, ex-Bastonário da Ordem dos Médicos, que ficou conhecido por ser contra a legalização do aborto em Portugal em 2007, numa posição contrária, por exemplo, à da Organização Mundial de Saúde), mas também as graves falhas que assolam o Centro Hospitalar. Desde cirurgias adiadas por falta de material cirúrgico a atrasos inaceitáveis em meios complementares de diagnóstico, passando pela falta de medicamentos em doentes oncológicos, são apontados erros gravíssimos na gestão do Centro Hospitalar.

No fundo, ou nem tão no fundo, a gestão do Centro Hospitalar do Algarve é o exemplo perfeito para o governo e para a troika. Cortar em seringas, agulhas, exames complementares de diagnóstico não é grave e faz parte do processo. Desde que se pague a dívida externa, vale tudo. Não importa quantos doentes sofram com isso.

A luta dos trabalhadores da Linha Saúde 24 deve ser um ponto de partida

Paralelamente às cenas chocantes que ocorrem nos hospitais do país, com a bênção do governo e o carimbo pessoal de paus-mandados, os trabalhadores da Linha Saúde 24 estão em greve, após o despedimento de trabalhadores que rejeitaram reduções salariais. Os trabalhadores da Linha Saúde 24 encontravam-se numa situação de falsos recibos verdes, precariedade essa que permitiu ao operador da linha chantagear e despedir trabalhadores. Os enfermeiros que trabalham na Linha de Saúde 24, os únicos pertencentes ao sistema nacional de saúde que trabalham a recibos verdes, devem ter não só direito à readmissão dos trabalhadores despedidos, assim como o direito a vínculo contratual digno e que impeça que este tipo de situações volte a acontecer.

Emília, médicos, enfermeiros, até quando separados?

Não é difícil perceber que os ataques do governo são brutais e com consequências igualmente brutais. O que é fundamental é que a resposta esteja à altura. Saudamos a denúncia de Emília. Saudamos a denúncia dos médicos do Centro Hospitalar do Algarve. Saudamos a luta dos enfermeiros da Linha Saúde 24. Mas apelamos a que os trabalhadores do SNS e a população se unam. É fundamental que todas estas vozes se levantem, que todos os doentes, enfermeiros, técnicos, auxiliares e médicos se insurjam e denunciem todas as situações em que os seus direitos como trabalhadores do SNS e como doentes estejam em causa. Apelamos a que haja um movimento unido de doentes e trabalhadores do SNS que lute unificada e democraticamente para por cobro às políticas do governo.

Já todos diagnosticámos que não há pior doença para a saúde dos portugueses do que este governo de direita. Resta-nos retirá-lo cirurgicamente, pela luta.

M.N.

 
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