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Rui Tavares: mais um partido para quê?

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Quem o diz é Daniel Oliveira, cronista do Expresso, ex- BE e amigo de Rui Tavares (RT): “Essa ameaça dificilmente poderá surgir, por si só, apenas de um novo partido político. Isso poderia balcanizar ainda mais o que já está dividido, bloqueando qualquer solução…”. E tem razão, ou RT pensa em construir um partido para se reeleger pessoalmente, dado que abandonou o grupo europeu do Bloco de Esquerda? Isso não passaria de uma atitude meramente oportunista.

Ou tem divergências substantivas, programáticas e até estratégicas com a restante esquerda e aí já se entendia a construção de mais um partido.

Todavia, se olharmos para a “Declaração de Princípios” que RT distribuiu na reunião de Lisboa, de lançamento do ‘seu’ partido, o que se pode ler? “Afirmamos como nossos princípios: Universalismo (…); Liberdade. Como autonomia pessoal (…); Igualdade (…); Solidariedade, ou fraternidade (…); Socialismo (…) Embora a acção governativa ou estatal seja crucial na criação da economia mista (…); Europeísmo (…) desenvolvimento do direito internacional e defesa dos direitos humanos.” O que estas palavras de ‘princípios’ (e para fundamentar a formação de mais um partido, note-se!) diferem do que defende o BE ou mesmo o PS? Nada. O que tem para oferecer de diferenças programáticas para justificar um novo partido? Nada.

E na reunião que já fizemos referência, instado pela ‘assistência’ (militantes?) o que respondeu sobre eventuais políticas de alianças? Que estaria aberto (o seu partido de nome Livre –do quê não se sabe…) a alianças com a ‘esquerda da sua área’. Quem? O BE, o PCP e …o PS. Talvez aqui se perceba a que jogo vem RT ou o que quer com um “novo” partido. Criar uma suposta “alternativa” que venha a ser a muleta de um futuro governo PS e talvez aí se entenda porque estavam na sala um Sá Fernandes (braço direito de António Costa na CML) e de Ana Benavente, dirigente do PS. Em suma, o actual deputado europeu não tem, de facto, divergência alguma quer com o BE ou o PS sobre magnas questões: o que fazer com a dívida pública? Pagar sem sequer qualquer moratória. Enfrentar a troika? Com a mesma resposta de um BE ou um PCP: a da renegociação da dívida sem suspender pagamentos. E sobre política europeia...nada tudo inócuo.

Lamentavelmente, Rui Tavares, consciente ou inconscientemente, vem dar razão aqueles que diante do surgimento de um partido sempre respondem: mais um para dividir a esquerda. Se tivesse alternativas programáticas e estratégicas com o PS, o BE ou o PCP sempre se compreendia. É o caso do MAS que também é um partido recente na actual conjuntura política do país. Mas do MAS sabe-se o que defende.

Sobre o Euro, que a manutenção de Portugal na moeda única leva ao ‘afundamento’ do país e que todos devemos ter o direito de nos pronunciar sobre a saída (referendo), de modo a evitar a total destruição do tecido económico português, que até há bem pouco tempo garantia mais de um milhão de empregos, hoje totalmente destruídos. Sobre alianças à esquerda o MAS tem também algo de diferente a defender quer do PS, do PC e do BE.

Nós queremos acabar com a alternância crónica no poder de governos de direita (PSD/CDS) com governos do PS que governam sempre … à direita. E esta ruptura implica nenhuma aliança com o PS, aliança que RT na verdade pretende. Implica sim alianças com os que recusam (mesmo que mais retórica que realmente) as políticas de austeridade e essa esquerda anti-troika e anti-austeridade é com o BE e o PCP ainda que estes partidos estejam sistematicamente divididos, o que só tem favorecido o … PS e a direita. RT vem romper com esta situação? Nem por perto. É mais do mesmo.

Conversaremos com ele e com a restante esquerda. Colocaremos na agenda do debate a necessidade de ir mais além (o que justificaria um partido): exigir uma aliança à esquerda dos que queremos parar a sangria do país, parar com o pagamento contínuo de juros da dívida que coloca o país a pão e água. Nunca haverá qualquer ‘renegociação da dívida’ ou ‘perdões’ substanciais da dívida, para retirar o país do pântano em que se encontra, sem uma esquerda de coragem que suspenda o pagamento do serviço da dívida.

O MAS veio para acrescentar esquerda à esquerda, o que já se viu, por exemplo, nas última eleições autárquicas, mesmo que ainda muito parcialmente. Mas em cidades importantes do país como Amadora, Coimbra e Braga já se viu o papel positivo do MAS à esquerda. E de Rui Tavares e do seu partido? Parece-nos, muito sinceramente, que ainda nem sequer se ‘Livrou’ do … PS.

Gil Garcia

 
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