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Ministro faz de conta

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Parece inacreditável, mas até quase meados de setembro estivemos em Portugal com todos os professores contratados fora das Escolas Públicas! Apesar do Ministério da Educação afirmar que milhares destes professores têm horário completo garantido durante este ano letivo 2013/14, todos os contratados pela primeira vez tiveram que se apresentar no centro de emprego no início deste mês.

Naturalmente em todo este processo, além do desgaste destes docentes, dos maiores prejudicados serão os alunos da Escola Pública, por todas as reuniões e preparações já realizadas nas escolas desde o início de setembro, mas que foram perdidas por estes milhares de professores contratados (o que contrasta com o que se passa nas escolas privadas). No entanto o Ministro faz de conta que mesmo assim o ano letivo começará normalmente e em tranquilidade...

Para quem diz defender sempre os interesses dos pais e alunos este Ministro também manifesta uma particular insensibilidade para os muitos filhos (que também são alunos) desses milhares de professores contratados. Essas crianças e respetivas famílias ainda não sabem hoje, onde vão viver este ano, que escolas irão frequentar, que livros terão que comprar, etc... Este Ministro parece “esquecer” que muitos desses professores contratados já têm família, filhos e que toda esta instabilidade não ajuda nem à sua melhor prestação no início deste ano letivo como professores, nem à prestação dos seus respetivos filhos como alunos.

 

A guerra contra a Escola Pública continua...

Como em todas as guerras, há propaganda de guerra. Crato propagandeia sempre que o interesse dos alunos está garantido e que o início do ano letivo na Escola Pública mais uma vez irá decorrer com normalidade...

Mas será verdade quando sabemos que por exemplo:

1) temos cada vez mais turmas com 4 níveis de ensino no 1º ciclo e com 30 alunos na mesma sala (antes eram no máximo 24 alunos)?

2) se poderá reduzir o número de psicólogos escolares, podendo ficar um psicólogo com mais de 4000 ou 5000 alunos (quando as orientações internacionais recomendam um para apenas cerca de 600 alunos!)?

3) se reduz (ainda mais) o número de auxiliares da ação educativa quando na realidade há falta destes importantíssimos profissionais?

4) insiste em avançar para o cheque ensino que irá aumentar o lucro do ensino privado em detrimento significativo da Escola pública?

Isto sem referir as anteriores reformas curriculares e mega agrupamentos que degradaram significativamente a qualidade da Escola Pública.

 

Ministro da Educação ou de negócios privados?

Muitos interrogam-se se Nuno Crato não teria capacidade para fazer um bom trabalho na Educação; e se sim, porque não faz e se sujeita a toda estas críticas/protestos por parte dos professores e não só.

Certamente que este Ministro tem capacidades e também certamente para certos “grupos” este Ministro está a fazer um excelente trabalho na área da Educação. Ou seja, este ministro está de facto a fazer um excelente trabalho mas para aumentar os negócios privados associados à Educação... e foi essa uma das principais tarefas ao integrar um governo PSD/CDS, um dos mais neoliberais de sempre.

E este governo naturalmente não é de todo independente dos grupos económicos que existem e intervêm na realidade (Educação, Saúde, etc). Por exemplo como se demonstrou no documentário em 2012 (que se encontra disponível em baixo), é reconhecido que o grupo de colégios privado GPS tem relações bem próximas com ex e atuais governantes e gerem um negócio de muitos milhões de euros. Até posso acreditar que este Ministro, se fosse possível, conciliaria os interesses privados e públicos, mas objetivamente para aumentar o lucro destes grupos privados, a qualidade da Escola Pública é um entrave. Por outras palavras, quanto mais degradada estiver a escola pública, naturalmente mais “clientes” terão estas escolas privadas (quem tiver capacidade financeira não hesitará em pagar uma escola privada para tirar o seu filho duma Escola Pública cada vez mais degradada e insegura).

E assim, essencialmente este ministro é um mau ministro em defesa da Escola Pública mas um excelente ministro dos negócios das escolas privadas. A relação promíscua entre políticos e grupos privados na saúde (e já agora com o PS no poder) não é diferente e o antigo ministro Sócrates, após saída do governo, entrou para um alto cargo da farmacêutica privada Octapharma... e isso é o que se sabe, a chamada “ponta do iceberg”, imagine-se as outras contrapartidas secretas. Enquanto os grupos privados de ensino continuam a ser beneficiados em milhões à custa da Educação Pública, este Ministro faz de conta que defende os interesses dos pais e dos alunos. E pouco irá mudar enquanto não varrermos estas gentes e agentes do Poder.

 

André Pestana (pai e professor contratado)

*A reportagem sobre o grupo GPS: http://www.youtube.com/watch?v=em1VaJKzaCk

 
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