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Greve na OGMA: Governo deve intervir!

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2016-04-13-2Hoje, 8 de Julho, é dia de greve nas oficinas de aeronáutica das OGMA em Alverca, empresa que esta semana recebeu, na apresentação de um novo avião, a visita do Primeiro-Ministro e outras importantes figuras do empresariado, da política e das forças armadas Portuguesas e Brasileiras.

A OGMA não se cansa de publicitar que só em 2015 os trabalhadores geraram 11.6 milhões de Euros de lucros, mais 300 mil euros do que aquilo que a empresa Brasileira Embraer pagou pela OGMA na sua ruinosa privatização há 11 anos atrás. No entanto, há 4 anos que a tabela salarial não é actualizada, e quando foi, foi apenas 0,5%!

Tanto na manutenção como na produção de aviões, trabalho altamente qualificado, duro e, claro, muito rentável, os baixos salários são regra na OGMA. A precariedade só tem vindo a aumentar, e há centenas de trabalhadores e trabalhadoras que durante anos ganham pouco mais de 600€ para fazer e reparar aviões! A luta na OGMA não é de agora, e este é mais um passo importante na única coisa que pode mudara a vida de todos os trabalhadores: a luta. Desde o a manifestação dos trabalhadores da OGMA em Alverca, em Abril, que a empresa já foi obrigada a reagir, e tem vindo a distribuir alguns aumentos individuais, mas continua intransigente na sua recusa em actualizar a tabela salarial. A administração age assim primeiro, porque pode: a OGMA tem margem de lucro para isso e muito mais! E segundo, porque quer evitar a todo o custo ter de actualizar a tabela salarial e assim impedir que os trabalhadores tirem a conclusão que das greves advêm resultados. Que os salários aumentem por causa da luta e não por baixar a cabeça, e continuar a produzir mais à custa da nossa saúde, juventude, vida familiar, da nossa vida!

O Sindicato que convoca a greve e maioritário na OGMA, o STEFFA's (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos Fabris das Forças Amadas), irá amanhã entregar uma declaração no Ministério da Defesa, através do qual o Estado Português ainda detém 35% das OGMA, denunciando as injustiças e os vários casos graves de atropelos à própria lei laboral. Mas é preciso ir mais longe na exigência ao actual governo dos partidos da esquerda (BE e PCP) e do PS para que tomem o lado dos trabalhadores nesta luta e em todas as empresas com participação do Estado. Devemos exigir a divulgação dos salários de toda a OGMA, para pôr a nu as revoltantes desigualdades entre os ganhos da administração e dos capatazes (“supervisores”), e os dos trabalhadores que só são bons na boca dos primeiros quando trabalham centenas de horas extra por ano e sacrificam tudo pela empresa – quando estão “alinhados”, na sua linguagem moderna. 

Seria bom saber quanto ganham os vários vice-presidentes e responsáveis de área e, por exemplo, quanto ganham e que tipo de contracto têm os trabalhadores cujas mãos fizeram o tão elogiado novo avião militar da Embraer, o KC-390. António Costa apresentou com alta pompa e circunstância esta “parceria entre Portugal e o Brasil”, e não teve a mesma recepção dos trabalhadores da OGMA que Paulo Portas na sua “visita” há um ano atrás, mas nada disse sobre a situação dos trabalhadores. Para quando uma revisão do código do trabalho? Para quando acabar com os infernos de imposição de horas extra mal pagas, com as míseras indemnizações, com a falta de controlo da segurança e saúde, com a precariedade e com os descontos no salário que nos tratam como ricos? Para quando as 35 horas de trabalho semanal também para nós? Até quando vamos ser os bobos desta festa da Embraer, com o aval do governo português?

Esta luta vai continuar, sem dar descanso à administração e ao governo no qual, infelizmente, não podemos ter nenhuma confiança. A precariedade a perseguição a quem luta da OGMA (importadas pela Embraer) tornaram “normal” uma situação estranha na nossa empresa: quem menos ganha é mais precário, tem menos estabilidade no emprego, e é mais “sacrificado”, e mais intimidado, é quem menos luta. Nesta greve, como em todos os plenários sindicais, participarão quase exclusivamente os trabalhadores efectivos. Há uma aceitação dos Sindicatos e de muitos trabalhadores de que o sindicalismo só vem depois da efectividade, quando devia ser justamente o contrário. Só vai haver melhores salários para novos e velhos quando conseguirmos esta nova geração de trabalhadores entre em cena e dê voz aos seus problemas e anseios. O facto de haver pessoas a fazer o mesmo trabalho que um operário com vários anos de casa, por pouco mais que o salário mínimo, é o que objectivamente pressiona salário deste para baixo. 

 

Pela actualização da tabela salarial!

Abram as contas! Quem ganha com o nosso trabalho?

Fim da precariedade e do assédio laboral! Abaixo a repressão!


Operário da OGMA,
7 de Julho de 2016

 
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