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Solidariedade com a greve dos trabalhadores da Teleperformance

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greveNo próximo dia 6 de Fevereiro, os trabalhadores da Teleperformance de Setúbal e da campanha Barclaycard, do edifício da Av. Infante Santo, farão greve por (i) um salário base de 750€, (ii) contratação de todos os trabalhadores pela Telepeformance, sem que haja recurso a empresas de trabalho temporário, e (iii) um justo plano de incentivos.

O sector dos call-centers e o seu crescente peso surge da tendência à especialização do trabalho. No caso concreto deste sector, trata-se de uma especialização na comercialização e manutenção de serviços e na gestão de clientes para uma segunda empresa, de um outro sector qualquer.

Ou seja, até há umas décadas atrás os serviços de venda, apoio ao cliente, manutenção de serviços e retenção de clientes estavam integrados nas empresas que hoje contratam empresas de call-centers para o fazer.

Até aqui, nada indica que fosse um trabalho temporário, muito pelo contrário, que fosse um trabalho humilhante ou desprestigiante, muito pelo contrário, que não fosse reconhecido como uma profissão com as devidas especificidades e direitos, muito pelo contrário, que fosse um trabalho mal pago, muito pelo contrário.

No entanto, os trabalhadores de call-centers são hoje dos mais precários, dos mais humilhados no trabalho, sujeitos a condições de trabalho deploráveis, sem quaisquer requisitos de saúde e segurança, dos mais mal pagos...

A verdade é que os patrões viram na especialização do trabalho uma forma de aumentar os seus lucros à custa das condições de trabalho e de vida dos seus trabalhadores. Hoje, um banco contrata serviços externos de call-centers para vender os seus produtos financeiros. Uma empresa de electricidade contrata uma empresa de call-centers para prestar o apoio ao cliente. Uma empresa de serviços de televisão e internet contrata uma empresa de call-centers para fazer a retenção dos seus clientes insatisfeitos.

Cada uma destas empresas contrata uma empresa de call-centers para prestar os serviços que antes eram por si prestados, acabando assim com os seus antigos custos com salários, instalações e equipamentos para prestar tais serviços.

Aqui, junta-se o útil ao agradável (para os patrões, claro!). Aquela transferência de custos, com salários, instalações e equipamentos para as empresas de call-centers, junta-se ao facto de este ser um sector muito especifico, que se mantém com pouca ou nenhuma legislação ou fiscalização laboral próprias.

O dono de uma empresa de call-centers, não sendo submetido a qualquer obrigação, também não vai suportar aqueles custos. Aqueles custos que bancos, seguradoras ou empresas de serviços de televisão e internet decidiram transferir para empresas de call-centers, são directamente transferidos, por estas últimas, para as costas dos trabalhadores (literalmente!). Daí as deploráveis condições de trabalho, as injustas formas de contratação, os miseráveis salários, etc.

A Teleperformance, apenas um exemplo no sector dos call-centers, regista uma facturação de mais de €100 milhões, dos quais €10 milhões são lucro, recorre a todo o tipo de trabalho temporário, em condições de trabalho vergonhosas, estabelece progressões de carreira inatingíveis, define incentivos humilhantes, pressiona os seus trabalhadores até à exaustão, paga salários miseráveis e por aí em diante.

Se alguém pensava que as condições de trabalho do séc. XIX estavam em extinção que se desengane, pois a tendência é exactamente contrária, não só nos call-centers.

Perante esta depredação humana, o actual Governo PS, com o apoio do BE e PCP, pouco ou nada tem feito. Muito se fala em “combater a precariedade” mas nada vai além da retórica. Afinal, para se cumprir o plano de Merkel tem de se destruir condições de trabalho e é com este plano que o Governo PS está comprometido. A verdade é que o governo, nem no sector estatal se empenha em combater a precaridade. Vejam-se os professores ou os trabalhadores da saúde.

A mobilização dos trabalhadores e o recurso à greve é o último recurso que deve ser amplamente potenciado para pressionar as empresas do sector a proporcionar melhores condições de trabalho e melhores salários mas também para pressionar os governos a deixar as palavras e passar aos actos.

O MAS está totalmente solidário com esta greve e politicamente comprometido com a conquista das suas reivindicações. Que esta seja a primeira de muitas.

 
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