{"id":993,"date":"2012-11-24T14:37:50","date_gmt":"2012-11-24T13:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/11\/24\/25-de-novembro-basta-de-violencia-contra-a-mulher-basta-de-austeridade\/"},"modified":"2012-11-24T14:37:50","modified_gmt":"2012-11-24T13:37:50","slug":"25-de-novembro-basta-de-violencia-contra-a-mulher-basta-de-austeridade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/11\/24\/25-de-novembro-basta-de-violencia-contra-a-mulher-basta-de-austeridade\/","title":{"rendered":"25 de Novembro: Basta de viol\u00eancia contra a mulher! Basta de austeridade!"},"content":{"rendered":"<p>O ano ainda n\u00e3o terminou e j\u00e1 35 mulheres foram mortas em Portugal pelos seus companheiros, mais oito do que no ano passado. \u201cO per\u00edodo de austeridade que vivemos, a crise que vivemos, \u00e9 prop\u00edcio ao aumento desta forma de criminalidade e \u00e9 preciso que isso seja previsto para poder ser provido, porque casa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o, mais cedo ou mais tarde h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para haver viol\u00eancia\u201d, analisou  o baston\u00e1rio da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA press\u00e3o econ\u00f3mica e a falta de trabalho s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que podem proporcionar mais um fator que leva \u00e0 agress\u00e3o e aos atritos\u201d, admitiu Jo\u00e3o L\u00e1zaro, diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Apoio \u00e0 V\u00edtima (APAV).<\/p>\n<p>Apesar disso, as casas-abrigo, criadas para abrigar as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, continuam a ser insuficientes. Atualmente existem 37 casas-abrigo no pa\u00eds, com 632 mulheres. Sem recursos para criar novas casas, o que a Seguran\u00e7a Social tem vindo a fazer h\u00e1 alguns anos \u00e9 enviar as mulheres para pens\u00f5es sem qualidade. A consequ\u00eancia \u00e9 que muitas delas acabam por abandon\u00e1-las e voltar para casa, pondo em risco a sua vida.<\/p>\n<p><strong>Perfil da v\u00edtima<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a APAV, a maior parte das mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica tem entre 35 e 40 anos, possui nacionalidade portuguesa, \u00e9 casada, tem filhos, \u00e9 trabalhadora e reside nas grandes cidades. Trata-se, portanto, de uma mulher trabalhadora normal e corrente, o que acentua o facto de que a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 algo excecional, mas corriqueiro e arraigado na sociedade machista e capitalista em que vivemos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio anual da institui\u00e7\u00e3o revelou que, no ano passado, 19 mulheres por dia foram v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica em Portugal, num total de 15.724 crimes. O autor do crime \u00e9, na grande maioria dos casos, o marido ou namorado. A viol\u00eancia contra a mulher vai de insultos a agress\u00f5es f\u00edsicas que podem provocar a sua morte.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia que se d\u00e1 no espa\u00e7o dom\u00e9stico \u2013 justamente aquele apontado como o ref\u00fagio de paz para os seres humanos \u2013 \u00e9 a mais comum, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. As mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia no trabalho e nos espa\u00e7os p\u00fablicos. O ass\u00e9dio e a viola\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos crimes praticados contra elas.<\/p>\n<p><strong>Por que se d\u00e3o estes crimes?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 claro que a viol\u00eancia contra as mulheres n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno apenas portugu\u00eas, mas universal. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em Portugal que as mulheres n\u00e3o t\u00eam igualdade em rela\u00e7\u00e3o aos homens. As mulheres s\u00e3o tratadas como seres inferiores, recebendo sal\u00e1rio mais baixos, sendo direcionadas para fun\u00e7\u00f5es menos prestigiadas e pior remuneradas e tratadas, em geral, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o como um objeto sexual e apresentadas como um ser infantilizado e superficial cujo \u00fanico objetivo \u00e9 obter luxo e prazer atrav\u00e9s dos seus \u201chomens\u201d, isto \u00e9, os seus \u201cdonos\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo o discurso \u201cpoliticamente correto\u201d das autoridades da Uni\u00e3o Europeia e de Portugal, a pregar a igualdade, n\u00e3o passa de hipocrisia. Atualmente, as medidas de austeridade impostas aos trabalhadores europeus, em particular dos pa\u00edses mais pobres, penalizam principalmente os mais vulner\u00e1veis, as mulheres trabalhadoras.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o obrigadas a aceitar os empregos mais duros e prec\u00e1rios por um sal\u00e1rio de fome para n\u00e3o serem obrigadas a voltar para casa. Em Portugal, s\u00e3o 600 mil as desempregadas. No ano passado, a  taxa de desemprego feminino foi de 13,1%, superior \u00e0 da popula\u00e7\u00e3o total, calculada em 12,7% pelo Instituto Nacional de Estat\u00edstica.<\/p>\n<p>Com a crise econ\u00f3mica, \u00e9 ampliada a sua tarefa de cuidar das crian\u00e7as e dos idosos, relegados ao desamparo devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do Estado Social, nomeadamente da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e presta\u00e7\u00f5es sociais. Em Portugal, os recursos do Estado destinados ao abono de fam\u00edlia, rendimento social de inser\u00e7\u00e3o e subs\u00eddio social de desemprego baixaram 17% desde 2010. Com o Or\u00e7amento de 2013 e o corte adicional de 4 mil milh\u00f5es de euros pretendido pelo governo, a  pobreza no pa\u00eds vai aumentar ainda mais, e as mulheres e as crian\u00e7as ser\u00e3o, como sempre, as principais v\u00edtimas.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia do governo e dos patr\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A responsabilidade pela viol\u00eancia contra as mulheres portuguesas \u00e9 dos patr\u00f5es e do governo PSD-CDS-PP que os representa. S\u00e3o eles que se beneficiam da condi\u00e7\u00e3o de inferioridade social vivida pela mulher, auferindo maiores lucros com o pagamento de menores sal\u00e1rios e com a gratuidade do trabalho executados pelas mulheres em casa e nos cuidados com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 perpetuada pela viol\u00eancia social do Estado capitalista contra as mulheres trabalhadoras. Com a crise capitalista, \u00e9 nos seus ombros que pesa a maior parte da fatura que a Uni\u00e3o Europeia e o FMI nos querem impor.<\/p>\n<p>Neste dia 25 de Novembro, Dia Internacional de Combate \u00e0 Viol\u00eancia contra as Mulheres, n\u00f3s do Movimento Alternativa Socialista (MAS) unimos a nossa voz \u00e0 de todas as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres pela luta contra qualquer tipo de viol\u00eancia contra a mulher e contra este governo e os seus planos de austeridade, contra o Or\u00e7amento de Estado de 2013, que aumentar\u00e1 a pobreza de todos os trabalhadores e trabalhadoras e trar\u00e1, caso n\u00e3o seja derrotado pela luta do povo, mais viol\u00eancia f\u00edsica e social para as mulheres.<\/p>\n<p>Pelo fim de toda a viol\u00eancia contra a mulher!<\/p>\n<p>Pris\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o dos agressores das mulheres!<\/p>\n<p>Por uma rede de casas-abrigo suficientes e em boas condi\u00e7\u00f5es e uma pol\u00edtica de inser\u00e7\u00e3o das mulheres agredidas no mercado de trabalho e na sociedade para que conquistem a sua independ\u00eancia econ\u00f3mica e psicol\u00f3gica!<\/p>\n<p>Pela revoga\u00e7\u00e3o de todas as medidas de austeridade decretadas pelos governo PSD-CDS-PP e PS!<\/p>\n<p>Pela igualdade entre homens e mulheres e por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida para todos os trabalhadores!<\/p>\n<p>Abaixo a viol\u00eancia da austeridade contra a mulher!<\/p>\n<p><strong>Comiss\u00e3o de Mulheres do MAS<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano ainda n\u00e3o terminou e j\u00e1 35 mulheres foram mortas em Portugal pelos seus companheiros, mais oito do que no ano passado. \u201cO per\u00edodo de austeridade que vivemos, a crise que vivemos, \u00e9 prop\u00edcio ao aumento desta forma de criminalidade e \u00e9 preciso que isso seja previsto para poder ser provido, porque casa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o, mais cedo ou mais tarde h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para haver viol\u00eancia\u201d, analisou o baston\u00e1rio da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":992,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulher"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/violenciamulher_25nov12.jpg?fit=350%2C262","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=993"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/992"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}