{"id":944,"date":"2012-10-27T19:28:17","date_gmt":"2012-10-27T18:28:17","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/10\/27\/crise-mundial-ameaca-estabilidade-chinesa\/"},"modified":"2012-10-27T19:28:17","modified_gmt":"2012-10-27T18:28:17","slug":"crise-mundial-ameaca-estabilidade-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/10\/27\/crise-mundial-ameaca-estabilidade-chinesa\/","title":{"rendered":"Crise mundial amea\u00e7a estabilidade chinesa"},"content":{"rendered":"<p>Embora o mundo esteja com os olhos voltados, principalmente, para a&nbsp; Europa, o cen\u00e1rio chin\u00eas, seja pela situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, seja pelo elemento pol\u00edtico, coloca motivos suficientes para preocupar o governo, a burguesia mundial e o imperialismo.<\/p>\n<p>Iniciemos por acontecimentos espec\u00edficos: nas \u00faltimas semanas, a taiwanesa Foxconn Technology Group, instalada na China e montadora de produtos para grandes multinacionais do ramo da tecnologia (O IPhone da Apple, por exemplo), voltou a fazer parte dos notici\u00e1rios. A empresa, que ficou conhecida por casos de suic\u00eddio de trabalhadores nos \u00faltimos tr\u00eas anos, tem sido palco de conflitos e protestos de oper\u00e1rios desde o final de setembro.<\/p>\n<p>No dia 24, domingo \u00e0 noite, foram registados confrontos nos dormit\u00f3rios da unidade na cidade de Taiyuan (que emprega 79 mil oper\u00e1rios), prov\u00edncia de Shenzhen, ao norte do pa\u00eds, o que causou o encerramento da f\u00e1brica na segunda-feira seguinte. Enquanto a dire\u00e7\u00e3o da empresa alegou serem os confrontos resultado de disputas entre os pr\u00f3prios oper\u00e1rios, provenientes de diferentes prov\u00edncias, o verdadeiro motivo, denunciado por funcion\u00e1rios, foi o tratamento brutal dos guardas da montadora aos trabalhadores. Em resposta ao abuso contra uma trabalhadora, os trabalhadores, revoltados, incendiaram bicicletas e camas, atirando-as pelas janelas dos dormit\u00f3rios, tombaram carros da pol\u00edcia, destru\u00edram cercas e muitos afirmam que v\u00e1rias lojas do complexo foram destru\u00eddas. Cerca de 5 mil pol\u00edcias teriam sido accionados para reprimi-los e 40 pessoas, segundo a Foxconn, foram levadas a hospitais para atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Segundo um trabalhador desta unidade, \u201calguns supervisores e seguran\u00e7as nunca nos respeitam. Todos n\u00f3s temos raiva e a forma de libertar esta raiva foi destruindo as instala\u00e7\u00f5es\u201d. Este sentimento \u00e9 generalizado. Trabalhadores das unidades de Henan, Shandong e Shenzhen publicaram cartas na internet dando os parab\u00e9ns aos de Taiyuan pela sua coragem de rebelarem-se.<\/p>\n<p>J\u00e1 no dia 5 de outubro, entre 3 e 4 mil oper\u00e1rios paralisaram a produ\u00e7\u00e3o na planta de Zhengzhou, capital da prov\u00edncia central de Henan, embora j\u00e1 tenham retornado ao trabalho.Desta vez o motivo foi a exig\u00eancia da Apple para endurecer o controle de qualidade do seu \u00faltimo lan\u00e7amento, o iPhone 5, o que gerou uma tremenda press\u00e3o sobre os trabalhadores da produ\u00e7\u00e3o, obrigados a trabalhar num ritmo alucinante, e sobre os trabalhadores do Controlo de Qualidade (CQ), que n\u00e3o conseguiam aprovar a quantidade exigida devido aos novos requisitos. Para \u201cresolver\u201d o problema, a empresa obrigou-os a trabalhar num feriado nacional a fim de recuperar a produ\u00e7\u00e3o. A combina\u00e7\u00e3o destes factores levou \u00e0 greve do setor de CQ.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s destes epis\u00f3dios est\u00e3o as realidades j\u00e1 rotineiras na China, das quais a Foxconn \u00e9 uma forte express\u00e3o: superexplora\u00e7\u00e3o, jornadas extenuantes de at\u00e9 12 horas di\u00e1rias, horas extras mal remuneradas, metas absurdas de produtividade, controle de qualidade desumano, regime interno militar, maus tratos, p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, falta de direitos trabalhistas e um longo etec\u00e9tera.<a href=\"#1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Foxconn e os factos mencionados, longe de estarem isolados, trazem a possibilidade de refletirmos e analisarmos qual a rela\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com a economia mundial e com a turbulenta conjuntura internacional, no marco das mudan\u00e7as ocorridas, durante as \u00faltimas d\u00e9cadas, neste ex-estado oper\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo, depend\u00eancia e superexplora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><\/strong> O exemplo da Foxconn e as suas f\u00e1bricas de aluguer \u00e0s multinacionais (Apple, Microsoft, Dell, Amazon, Sony, Nokia, etc) que empregam em torno de 1 milh\u00e3o de pessoas, d\u00e1 uma boa pista do car\u00e1ter atual da economia chinesa: capitalista e subordinada ao imperialismo.<\/p>\n<p>E isso s\u00f3 se aprofundou nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas. A revolu\u00e7\u00e3o de 1949, ao expropriar a burguesia e enfrentar o imperialismo, proporcionou, como no restante dos Estados Oper\u00e1rios surgidos na primeira metade do s\u00e9culo XX ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de Outubro, grandes avan\u00e7os sociais e econ\u00f4micos a uma popula\u00e7\u00e3o prioritariamente agr\u00e1ria, apesar das pol\u00edticas desastrosas da burocracia dirigente, em conson\u00e2ncia com os ditames pol\u00edticos e \u201cte\u00f3ricos\u201d do stalinismo (isolamento da revolu\u00e7\u00e3o nas fronteiras nacionais, teoria do \u201csocialismo e um s\u00f3 pa\u00eds\u201d).<\/p>\n<p>Esta condu\u00e7\u00e3o desastrosa de um Estado oper\u00e1rio, combinada com a ofensiva neoliberal do imperialismo nas d\u00e9cadas de 70\/80 levaram o pa\u00eds \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e \u00e0 recoloniza\u00e7\u00e3o de sua economia.<\/p>\n<p>Isso quer dizer: abertura ao capital estrangeiro, incorpora\u00e7\u00e3o ao circuito do desigual com\u00e9rcio internacional e enorme diminui\u00e7\u00e3o do peso econ\u00f3mico das estatais, com o encerramento e privatiza\u00e7\u00e3o de muitas delas. Ou seja, as chamadas \u201cquatro moderniza\u00e7\u00f5es\u201d de Deng Shiao Ping solaparam os pilares de um Estado Oper\u00e1rio: monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior, propriedade Estatal dos meios de produ\u00e7\u00e3o e planeamento central da economia (planifica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Todo esse processo ocorreu contando com um elemento particular (que tem paralelo com o caso de Cuba): a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo levada a cabo pela pr\u00f3pria burocracia sem que esta fosse derrubada pela mobiliza\u00e7\u00e3o de massas como no leste europeu. Na China, o massacre da Pra\u00e7a de Tiananmen simbolizou a consolida\u00e7\u00e3o da restaura\u00e7\u00e3o capitalista e a transforma\u00e7\u00e3o da burocracia dirigente numa nova burguesia. Assim, a transforma\u00e7\u00e3o da economia foi facilitada e garantida por um regime fechado e de partido \u00fanico (o Partido Comunista Chin\u00eas), fazendo com que o antigo Estado Oper\u00e1rio se tornasse uma ditadura burguesa.<\/p>\n<p>Essa ditadura cumpre um papel de peso a favor do imperialismo, da burguesia mundial e nacional: domesticar a classe oper\u00e1ria chinesa, for\u00e7ando-a a aceitar baixos sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de superexplora\u00e7\u00e3o (sem esquecermos da sua numerosa popula\u00e7\u00e3o e de uma grande disponibilidade de for\u00e7a de trabalho). Cen\u00e1rio \u00f3timo para o afluxo de capitais (os investimentos estrangeiros Diretos \u2013 IED \u2013 alcan\u00e7aram a cifra de 1,05 bili\u00e3o de d\u00f3lares entre 1982 e 2009)<a href=\"#2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>,&nbsp; e instala\u00e7\u00e3o de multinacionais, cujo resultado \u00e9 conhecido: a China tornou-se a \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d tendo um papel central na economia mundial globalizada ao inundar o mercado internacional de produtos baratos e importar um alto volume de mat\u00e9rias primas.<\/p>\n<p>Obviamente, nesse contexto, a China foi \u201cpresenteada\u201d com um importante crescimento econ\u00f4mico (crescimento m\u00e9dio do PIB de 10% nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas)<a href=\"#3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, acompanhado pelo mito de que o pa\u00eds caminhava a passos largos em dire\u00e7\u00e3o a uma na\u00e7\u00e3o pr\u00f3spera e&nbsp; moderna, uma nova pot\u00eancia capaz de fazer frente ao poderio estadunidense e de seus aliados.<\/p>\n<p><strong>Comparemos com a realidade:<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 mencionamos as condi\u00e7\u00f5es de superexplora\u00e7\u00e3o e maus tratos as quais \u00e9 submetida a classe oper\u00e1ria chinesa. Quanto ao n\u00edvel de vida de sua popula\u00e7\u00e3o de conjunto, este diminuiu em propor\u00e7\u00e3o inversa \u00e0s altas taxas de lucros conseguidas pela burguesia. Enquanto o capitalismo crescia na China na d\u00e9cada de 90 e nos anos 2000, o consumo familiar baixava a 36% do PIB<a href=\"#4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Entre 1983 e 2003, por exemplo, a participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB desceu de 57% para 36,7%.<a href=\"#5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Em contrapartida, al\u00e9m da burguesia, setores da burocracia de Estado, do ex\u00e9rcito e de uma \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d enriqueceram-se, inclusive com membros do PCCh \u201cpassando para o lado l\u00e1\u201d, tornando-se burgueses ao apropriarem-se de empresas estatais. Ou seja, a \u201cprosperidade econ\u00f3mica\u201d passa ao lado da maioria da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora.<\/p>\n<p>Mas do ponto de vista dos ganhos da burguesia, seria a China uma pot\u00eancia capitalista tal e qual os EUA, Jap\u00e3o e os pa\u00edses centrais da Europa? Afirmamos que n\u00e3o. Enquanto a burguesia chinesa participa maioritariamente da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias de baixa tecnologia (em 2002 as empresas estrangeiras ocupavam 32,9% do total de ind\u00fastrias t\u00eaxteis), a produ\u00e7\u00e3o de produtos de alto valor agregado, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o carro chefe da economia chinesa (67% do total de exporta\u00e7\u00f5es em 2005) como tamb\u00e9m \u00e9 dominada pelas multinacionais (99,4% na ind\u00fastria de computadores, por exemplo)<sup><a href=\"#6\">[6]<\/a><\/sup>. Isto \u00e9, a burguesia chinesa, formada a partir da restaura\u00e7\u00e3o capitalista dentro do pr\u00f3prio PCCh, \u00e9 s\u00f3cia menor da burguesia imperialista, assim como nos demais pa\u00edses semicoloniais. A economia chinesa, segundo o modelo adoptado, \u00e9 extremamente dependente da tecnologia e do capital internacional, o que impede qualquer passo significativo e estrutural no sentido de uma autonomia econ\u00f3mica, mesmo que, politicamente, procure muitas vezes fazer frente aos EUA em p\u00e9 de igualdade.<\/p>\n<p>Recentemente, o peri\u00f3dico Le Monde Brasil Diplomatique, edi\u00e7\u00e3o de Setembro (Ano 6, n\u00famero 62) publicou um artigo do professor Michael Klare do Hampshire College, intitulado \u201cA China \u00e9 imperialista?\u201d, no qual desenvolve uma tese de que a China, atualmente, se encontraria numa situa\u00e7\u00e3o delicada e d\u00fabia, tendo que assumir uma postura semelhante \u00e0s velhas pot\u00eancias coloniais de compactuar com governos corruptos e autorit\u00e1rios da \u00c1frica e \u00c1sia para manter est\u00e1vel o fornecimento de mat\u00e9rias primas indispens\u00e1veis, como hidrocarbonetos e minerais. Ora, como j\u00e1 apontamos, o desenvolvimento do capitalismo chin\u00eas \u00e9 dependente e subordinado. Portanto, o abastecimento do seu parque industrial obedece a essa mesma l\u00f3gica, principalmente tratando-se da ind\u00fastria automotiva e eletr\u00f3nica de ponta (nas quais o capital estrangeiro \u00e9 maiorit\u00e1rio). Esse fornecimento \u00e9 feito atrav\u00e9s de empresas estatais chinesas remanescentes, que tamb\u00e9m se beneficiam, mas sempre a servi\u00e7o do principal favorecido, o imperialismo, o que revela a posi\u00e7\u00e3o da China de submetr\u00f3pole, associando-se em patamar de desigualdade com o imperialismo nessa busca de recursos naturais estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>O modelo chin\u00eas foi, nessas \u00faltimas d\u00e9cadas, a \u201cmenina dos olhos\u201d do capital imperialista. Por\u00e9m, h\u00e1 sinais de desgaste, resultantes, sobretudo, da evolu\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f3mica mundial.<\/p>\n<p><strong>A crise econ\u00f4mica, as lutas oper\u00e1rias e o cen\u00e1rio pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>A China como \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d, exportadora de produtos industriais e compradora de mat\u00e9rias primas do Brasil, \u00c1frica, \u00c1sia, R\u00fassia, Austr\u00e1lia e outros, n\u00e3o passa imune \u00e0 crise econ\u00f3mica, mesmo que ainda registe um \u00edndice de crescimento econ\u00f3mico elevado em compara\u00e7\u00e3o ao restante do mundo. Mas h\u00e1 uma desacelera\u00e7\u00e3o preocupante, reflexo, principalmente da desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento nos EUA \u2013 de 3,1% para 1,5% entre o \u00faltimo trimestre de 2011 e segundo de 2012 e da recess\u00e3o europeia (queda 0,2% do PIB na zona do euro no segundo trimestre de 2012)<a href=\"#7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, principal mercado importador chin\u00eas. Os n\u00fameros s\u00e3o categ\u00f3ricos, enquanto o PIB do pa\u00eds cresceu 10,4% no ano de 2010 e 9,2% em 2011, a previs\u00e3o do pr\u00f3prio governo \u00e9 de um crescimento de 7,5% em 2012 (7,8% para o FMI), com crescimento m\u00e9dio de 7% at\u00e9 2015<a href=\"#8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>, sendo que cresceu 7,6% no segundo trimestre, devendo crescer 7,4% no terceiro.<a href=\"#9\"><sup>[9]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica j\u00e1 provocou uma s\u00e9rie de revoltas e greves no final de 2011 no sul e sudeste do pa\u00eds, quando as previs\u00f5es econ\u00f3micas ainda eram mais optimistas. Foi considerada uma segunda onda de greves, sucedendo a dos oper\u00e1rios da ind\u00fastria automobil\u00edstica em 2010, que arrancou importantes aumentos salariais.<a href=\"#10\"><sup>[10]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A burguesia reage, para retomar suas taxas de lucro, em v\u00e1rias frentes: deslocando capitais para onde os sal\u00e1rios s\u00e3o mais baixos, como o interior do pa\u00eds ou a pa\u00edses vizinhos, optando pela sa\u00edda cl\u00e1ssica do aumento da explora\u00e7\u00e3o, diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e despedimentos ou at\u00e9 mesmo voltando a produzir nos locais de origem das multinacionais. O governo, por sua vez, tenta contornar a situa\u00e7\u00e3o com medidas fiscais &#8211; redu\u00e7\u00e3o de juros &#8211; e investimento pesado em infraestrutura para continuar atraindo capitais. Medidas essas que n\u00e3o conseguiram reverter o quadro geral: redu\u00e7\u00e3o de investimentos estrangeiros diretos de 3,4% em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos 12 meses e redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O agravamento da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com a crise chegando aos pa\u00edses centrais da Europa<a href=\"#11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>, intensificou as lutas oper\u00e1rias naquele continente, o que abala a confian\u00e7a da burguesia para investir, causando o encerramento de postos de trabalho e aumento da resist\u00eancia oper\u00e1ria. N\u00e3o se pode falar de uma recess\u00e3o na China, apesar da redu\u00e7\u00e3o do crescimento, mas tampouco se pode afirmar que o caso da Foxconn seja pontual.<\/p>\n<p>O facto das mobiliza\u00e7\u00f5es na Foxconn terem ocorrido em fun\u00e7\u00e3o da press\u00e3o pelo aumento do ritmo de produ\u00e7\u00e3o exigido pela Apple \u2013 o que joga por terra sua afirma\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 fiscalizando as condi\u00e7\u00f5es de trabalho de seus fornecedores \u2013 demonstra como a crise mundial pode incidir sobre a China, devido \u00e0 necessidade de aumento da taxa de lucro das empresas imperialistas. Mas a classe oper\u00e1ria chinesa vem de vit\u00f3rias econ\u00f3micas importantes, com a conquista de aumentos salariais e valoriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios m\u00ednimos regionais, o que pode fazer com que a necessidade de aumento da explora\u00e7\u00e3o combinada \u00e0s atuais mobiliza\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e democr\u00e1ticas contra f\u00e1bricas poluidoras, cada vez mais frequentes, levem a uma nova onda de revolta dos trabalhadores chineses, principalmente se o crescimento econ\u00f3mico for reduzido a n\u00edveis pr\u00f3ximos a 6%. <\/p>\n<p>Neste marco, o principal desafio da ditadura do PCCh \u00e9 impedir a qualquer custo que essas lutas econ\u00f3micas se liguem a lutas pol\u00edticas por liberdades democr\u00e1ticas (tamb\u00e9m intensas em 2011)<a href=\"#12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> a ponto de haver um questionamento generalizado do regime por ela sustentada.<\/p>\n<p>Nas v\u00e9speras do d\u00e9cimo oitavo congresso do partido, as diferen\u00e7as acerca do melhor caminho para manter na China as melhores condi\u00e7\u00f5es para o saque imperialista t\u00eam gerado, desde o in\u00edcio de 2012 pelo menos, divis\u00f5es p\u00fablicas no interior do pr\u00f3prio PCCh, como demonstra a recente expuls\u00e3o de Bo Xilai, um dos \u201cpr\u00edncipes\u201d<a href=\"#13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> do partido e seu ex-chefe em Chonkging, e a condena\u00e7\u00e3o de sua esposa pelo assassinato de um negociante ingl\u00eas. A verdade \u00e9 que o PCCh, que ainda leva o termo \u201ccomunista\u201d em seu nome, n\u00e3o passa, hoje, de um partido pr\u00f3-imperialista, representante da nova burguesia chinesa e, inclusive, com v\u00e1rios acordos com a velha burguesia, estabelecida em Taiwan e Hong Kong.<\/p>\n<p>Chamamos a popula\u00e7\u00e3o chinesa e sua classe oper\u00e1ria a n\u00e3o confiar nos patr\u00f5es imperialistas e nos governantes do pa\u00eds. A economia chinesa n\u00e3o \u00e9 uma economia de \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d a uma economia socialista e igualit\u00e1ria, \u00e9 sim uma economia capitalista, dependente do imperialismo e mantida por uma ditadura burguesa. A \u00fanica sa\u00edda para que o proletariado chin\u00eas se livre da superexplora\u00e7\u00e3o e dos efeitos destruidores da crise econ\u00f3mica que se avizinha por l\u00e1 \u00e9 confiar nas suas pr\u00f3prias for\u00e7as, \u201cdestronar\u201d o governo \u201ccomunista\u201d em prol do poder oper\u00e1rio e popular, romper com o imperialismo e ligar-se aos seus irm\u00e3os trabalhadores de outros pa\u00edses. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel que a China se torne um pa\u00eds verdadeiramente pr\u00f3spero, moderno, desenvolvido e independente.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Escrito por Leonardo Marques Nunes e Marcos Margarido, <a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\">PSTU\/Brasil<\/a><\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a name=\"1\"><\/a>[1] Ver <a href=\"http:\/\/www.techtudo.com.br\/noticias\/noticia\/2012\/09\/conheca-pessima-experiencia-de-um-operario-na-fabrica-do-iphone-5.html\">http:\/\/www.techtudo.com.br\/noticias\/noticia\/2012\/09\/conheca-pessima-experiencia-de-um-operario-na-fabrica-do-iphone-5.html<\/a><br \/><a name=\"2\"><\/a>[2] Marcos Margarido. China: Pot\u00eancia mundial ou submetr\u00f3pole dependente?,&nbsp; LIT-QI, Mar\u00e7o de 2012.<br \/><a name=\"3\"><\/a>[3] Marcos Margarido. China: Pot\u00eancia mundial ou submetr\u00f3pole dependente?.LIT-QI, mar\u00e7o de 2012.<br \/><a name=\"4\"><\/a>[4] LIT-QI. O modelo chin\u00eas amea\u00e7ado pela crise e pelo ascenso oper\u00e1rio, mar\u00e7o de 2012.<br \/><a name=\"5\"><\/a>[5] Marcos Margarido. China: Pot\u00eancia mundial ou submetr\u00f3pole dependente?.LIT-QI, mar\u00e7o de 2012.<br \/><a name=\"6\"><\/a><\/span> <span style=\"font-size: 10pt;\">[6] LIT-QI. O modelo chin\u00eas amea\u00e7ado pela crise e pelo ascenso oper\u00e1rio, mar\u00e7o de 2012<br \/><a name=\"7\"><\/a>[7] Eduardo Almeida. Brasil, greves e reflexos da crise internacional questionam governo Dilma. PSTU, Setembro de 2012<br \/><a name=\"8\"><\/a>[8] LIT-QI. O modelo chin\u00eas amea\u00e7ado pela crise e pelo ascenso oper\u00e1rio.Mar\u00e7o de 2012<br \/><a name=\"9\"><\/a>[9] REUTERS, 09 de Outubro de 2012.<br \/><a name=\"10\"><\/a>[10] Marcos Margarido. A primavera \u00e1rabe est\u00e1 chegando ao inverno chin\u00eas. LIT-QI, Janeiro de 2012.<br \/><a name=\"11\"><\/a>[11] Ver <a href=\"http:\/\/www.litci.org\/pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3338;crise-economica-chega-aos-paises-centrais-da-europa&amp;catid=23;europa\">http:\/\/www.litci.org\/pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3338;crise-economica-chega-aos-paises-centrais-da-europa&amp;catid=23;europa<\/a><br \/><a name=\"12\"><\/a>[12] Ver <a href=\"http:\/\/www.litci.org\/pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2922;a-primavera-arabe-esta-chegando-ao-inverno-chines&amp;catid=11;china\">http:\/\/www.litci.org\/pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2922;a-primavera-arabe-esta-chegando-ao-inverno-chines&amp;catid=11;china<\/a><br \/><a name=\"13\"><\/a>[13] Como s\u00e3o chamados os filhos dos l\u00edderes da revolu\u00e7\u00e3o de 1949 que subiram os degraus do poder em base a privil\u00e9gios adquiridos por heran\u00e7a.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora o mundo esteja com os olhos voltados, principalmente, para a&nbsp; Europa, o cen\u00e1rio chin\u00eas, seja pela situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, seja pelo elemento pol\u00edtico, coloca motivos suficientes para preocupar o governo, a burguesia mundial e o imperialismo. Iniciemos por acontecimentos espec\u00edficos: nas \u00faltimas semanas, a taiwanesa Foxconn Technology Group, instalada na China e montadora de produtos para grandes multinacionais do ramo da tecnologia (O IPhone da Apple, por exemplo), voltou a fazer parte dos notici\u00e1rios. A empresa, que ficou conhecida por casos de suic\u00eddio de trabalhadores nos \u00faltimos tr\u00eas anos, tem sido palco de conflitos e protestos de oper\u00e1rios desde o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-944","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/china_foxconn.jpg?fit=460%2C228","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/944\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/943"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}