{"id":865,"date":"2012-08-16T23:58:09","date_gmt":"2012-08-16T22:58:09","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/08\/16\/o-apartheid-ainda-nao-acabou-na-africa-do-sul\/"},"modified":"2012-08-16T23:58:09","modified_gmt":"2012-08-16T22:58:09","slug":"o-apartheid-ainda-nao-acabou-na-africa-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/08\/16\/o-apartheid-ainda-nao-acabou-na-africa-do-sul\/","title":{"rendered":"O apartheid ainda n\u00e3o acabou na \u00c1frica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p><em><strong>Onde est\u00e1 a democracia racial e social quando pol\u00edcias matam trabalhadores que est\u00e3o a exercer o seu leg\u00edtimo direito de fazer greve para reivindicar melhores sal\u00e1rios? Toda a solidariedade aos grevistas da mina Marikana! Pris\u00e3o e julgamento sum\u00e1rio dos assassinos e seus superiores! <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Quem viu as imagens do massacre perpetrado no dia 15 de agosto pela pol\u00edcia sul-africana contra mineiros em greve percebeu claramente a cor desses trabalhadores: eram todos negros. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia: s\u00e3o os negros, a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, que comp\u00f5em a classe trabalhadora na \u00c1frica do Sul, principalmente os setores mais explorados, como os que trabalham em minas.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia policial, por sua vez, demonstrou a forma como os trabalhadores negros s\u00e3o tratados. Apesar da grande vit\u00f3ria conquistada com o fim do <em>apartheid<\/em>, na d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo passado, esse de facto n\u00e3o acabou. A sociedade sul-africana \u00e9 ainda profundamente racista e dividida entre brancos \u2013 a minoria privilegiada \u2013 e negros \u2013 a maioria explorada, com apenas uma minoria negra com acesso a melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Dessa minoria faz parte a elite que est\u00e1 no poder.<\/p>\n<p>A propriet\u00e1ria da mina \u00e9 a Lonmin, uma multinacional inglesa e a terceira maior produtora de platina do mundo. Como quer manter o n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o dos seus empregados, disse que a greve \u00e9 ilegal e amea\u00e7ou com demiss\u00e3o os que n\u00e3o voltarem a trabalhar. Essa \u00e9 a democracia dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas com a determina\u00e7\u00e3o e a coragem tradicionais, os mineiros continuaram a luta, apesar da trai\u00e7\u00e3o do Sindicato Nacional de Mineiros da \u00c1frica do Sul (NUM, em ingl\u00eas), que, al\u00e9m de n\u00e3o organizar o movimento, ainda se presta a fazer o trabalho sujo de acusar os trabalhadores de impedirem os fura-greve de entrar na mina. Como se isso n\u00e3o fosse um direito dos grevistas!<\/p>\n<p>Um mineiro disse aos jornalistas, numa entrevista reproduzida pelo jornal <em>P\u00fablico<\/em>: \u201cSomos explorados, nem o governo nem os sindicatos nos ajudam; as empresas mineiras fazem dinheiro \u00e0 custa do nosso trabalho e n\u00e3o nos pagam quase nada\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 muito hip\u00f3crita da parte do presidente sul-africano,  Jacob Zuma, dizer-se chocado com o que aconteceu. Ele n\u00e3o sabia da greve e da repress\u00e3o que j\u00e1 come\u00e7aram h\u00e1 v\u00e1rios dias? Ele n\u00e3o conhece os m\u00e9todos violentos da pol\u00edcia sul-africana, muito provavelmente estimulados por uma empresa inglesa herdeira do <em>apartheid<\/em>? O que Jacob Zuma tem de fazer \u00e9 decretar a imediata pris\u00e3o e julgamento dos culpados; abrir um inqu\u00e9rito para apurar todas as responsabilidades, inclusive da empresa mineradora, no massacre; indemnizar os trabalhadores reprimidos e feridos pela pol\u00edcia e as fam\u00edlias dos que morreram; tem de intervir tamb\u00e9m no conflito para obrigar a mineradora a atender \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es dos mineiros.<\/p>\n<p>Mas tem mais: se a situa\u00e7\u00e3o na mina de Marikana chegou a este ponto \u00e9 porque a Lonmin n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 altura da responsabilidade social que tem. A minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das atividades mais rent\u00e1veis e que mais emprega trabalhadores na \u00c1frica do Sul, e deve por isso pertencer ao Estado e n\u00e3o a uma multinacional que s\u00f3 quer obter altas taxas de lucros, mesmo que \u00e0s custas da vida dos trabalhadores. Nacionaliza\u00e7\u00e3o de Marikana para que n\u00e3o haja mais v\u00edtimas a lamentar.<\/p>\n<p>Mineiros de Marikana tombados na luta, presente!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onde est\u00e1 a democracia racial e social quando pol\u00edcias matam trabalhadores que est\u00e3o a exercer o seu leg\u00edtimo direito de fazer greve para reivindicar melhores sal\u00e1rios? Toda a solidariedade aos grevistas da mina Marikana! Pris\u00e3o e julgamento sum\u00e1rio dos assassinos e seus superiores! Quem viu as imagens do massacre perpetrado no dia 15 de agosto pela pol\u00edcia sul-africana contra mineiros em greve percebeu claramente a cor desses trabalhadores: eram todos negros. 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