{"id":847,"date":"2012-07-14T11:16:08","date_gmt":"2012-07-14T10:16:08","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/07\/14\/os-mineiros-e-o-povo-contra-os-cortes-de-rajoy-e-da-uniao-europeia\/"},"modified":"2012-07-14T11:16:08","modified_gmt":"2012-07-14T10:16:08","slug":"os-mineiros-e-o-povo-contra-os-cortes-de-rajoy-e-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/07\/14\/os-mineiros-e-o-povo-contra-os-cortes-de-rajoy-e-da-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"Os mineiros e o povo contra os cortes de Rajoy e da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Embora bastante reduzido pelo processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o promovido pelos  sucessivos governos do PP e do PSOE, o sector mineiro espanhol ainda conta com cerca de dez mil trabalhadores na \u00e1rea do carv\u00e3o e mais vinte mil postos de trabalho indiretos. Com as fam\u00edlias e os milhares de pequenos neg\u00f3cios que sobrevivem \u00e0 custa da ind\u00fastria carbon\u00edfera, a economia das chamadas \u201ccuencas mineras\u201d e de parte importante das Ast\u00farias sofreu um rude golpe com o an\u00fancio de que o governo de Rajoy vai reduzir substancialmente os subs\u00eddios para a ind\u00fastria do carv\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Com efeito, ao cortar quase 600 milh\u00f5es de euros antes comprometidos e negociados com o anterior governo, Rajoy e Soria (o atual ministro da Ind\u00fastria) condenam os mineiros, as fam\u00edlias e as \u201ccuencas\u201d a grande incerteza econ\u00f3mica, desemprego e desertifica\u00e7\u00e3o no curto e no m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Escudando-se na argumenta\u00e7\u00e3o esp\u00faria da crise econ\u00f3mica geral e dos custos financeiros e ambientais da ind\u00fastria carbon\u00edfera, o governo do PP esquece-se de referir que a suposta falta de dinheiro n\u00e3o o impediu de oferecer 22 000 milh\u00f5es de euros para salvar os seus amigos especuladores da Bankia, que os gastos com a explora\u00e7\u00e3o de outra fontes energ\u00e9ticas s\u00e3o mais elevados ou que os mecanismos para controlar mais eficazmente a sa\u00edda de di\u00f3xido de carbono para a atmosfera est\u00e3o a ser boicotados pelos pr\u00f3prios respons\u00e1veis do PP. Por tr\u00e1s da acelera\u00e7\u00e3o da data prevista para o termo da ind\u00fastria do carv\u00e3o (2018), parecem estar n\u00e3o s\u00f3 os planos geoestrat\u00e9gicos das multinacionais da energia na UE, mas tamb\u00e9m interesses de empresas espanholas ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\"><strong>Os mineiros asturianos: sempre \u00e0 frente das lutas<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Poucos sectores laborais e oper\u00e1rios ter\u00e3o uma hist\u00f3ria t\u00e3o rica em lutas, conquistas e derrotas como o dos mineiros asturianos. Em 1934, chegaram a tomar provisoriamente o poder nas Ast\u00farias e enfrentaram diretamente o ex\u00e9rcito em duras refregas cujo saldo tr\u00e1gico redundou em dois mil mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de detidos. Em 1962, um levantamento por aumentos salariais transformou-se na primeira greve de massas que a ditadura franquista teve de enfrentar ap\u00f3s o seu triunfo na Guerra Civil. Desde os anos 70 at\u00e9 \u00e0 atualidade uma s\u00e9rie de greves, manifesta\u00e7\u00f5es e outras a\u00e7\u00f5es conseguiu conquistas importantes, como aumentos salariais, indemniza\u00e7\u00f5es e pens\u00f5es acima da m\u00e9dia de outros sectores laborais menos organizados e combativos, mas sem reverter de modo decisivo o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o das \u201ccuencas mineras\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Agora, as decis\u00f5es desastrosas do governo de Rajoy obrigaram os mineiros a sair novamente \u00e0 luta com a uni\u00e3o, combatividade e coragem que todos lhes reconhecem. Est\u00e3o em greve h\u00e1 quase cinquenta dias e a taxa de ades\u00e3o \u00e9 de 100%. Promoveram manifesta\u00e7\u00f5es locais, regionais e em Madrid. Fizeram centenas de cortes de estradas e ferrovias com barricadas, com armamento artesanal t\u00edpico da autodefesa oper\u00e1ria e com amplo apoio das popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Numa situa\u00e7\u00e3o de ofensiva brutal do gabinete de Rajoy (antes do governo do PSOE) contra os trabalhadores, de uma taxa de desemprego perto dos 25% (mais de 50% entre os jovens) e de ajudas massivas \u00e0 banca para salvar os especuladores \u00e0 custa dos trabalhadores e do povo, a luta dos mineiros tornou-se um s\u00edmbolo da resist\u00eancia popular \u00e0 pol\u00edtica recessiva e neoliberal. De conflito sindical localizado a luta com alcance pol\u00edtico nacional foi um passo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Da\u00ed que a campanha medi\u00e1tica de den\u00fancia da viol\u00eancia dos mineiros n\u00e3o tenha produzido qualquer resultado, pois a maior parte dos trabalhadores e do povo sabe que a viol\u00eancia est\u00e1 do lado das duras medidas do governo e da brutalidade da pol\u00edcia de choque. Da\u00ed que a \u201cmarcha negra\u201d provinda das \u201ccuencas mineras\u201d at\u00e9 Madrid tenha sido rodeada de mostras de solidariedade ativa por parte de dezenas de milhares de pessoas ao longo dos 400 quil\u00f3metros que separam os centros mineiros asturianos da capital espanhola.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\"><strong>As manifesta\u00e7\u00f5es mineiras em Madrid a 10 e 11 de Julho<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Na noite de 10 de Julho, Madrid viveu um cen\u00e1rio bastante invulgar. Passava das onze da noite quando algumas centenas de mineiros equipados com os fatos de trabalho e com as lanternas dos capacetes acesas foram recebidos sob aplausos por dezenas de milhares de pessoas e marcharam desde o pal\u00e1cio governamental da Moncloa at\u00e9 \u00e0 Plaza del Sol. Ao longo do trajeto outros milhares de madrilenos concentravam-se nas margens das avenidas para saudar os mineiros e ouviram-se desde o hino tradicional \u201cSanta Barbara Bendita\u201d a palavras-de-ordem como \u201cMadrid obrero apoya los mineros\u201d ou \u201cHuelga, huelga, huega general\u201d, passando por vozes de descontentamento que se centraram no ataque ao PP sem esquecer o papel nefasto que o PSOE tem vindo a jogar.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Retemperadas as for\u00e7as e refor\u00e7adas amplamente as hostes mineiras pela chegada a Madrid de quinhentos autocarros vindos das Ast\u00farias e de outras regi\u00f5es de Espanha com mineiros, familiares e apoiantes, a mobiliza\u00e7\u00e3o prosseguiu na manh\u00e3 do dia 11 de Julho com uma marcha de v\u00e1rios quil\u00f3metros entre a Plaza de Col\u00f3n e o Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria. Ao longo de todo o trajeto no Paseo de la Castellana, mais de 50 000 manifestantes responderam ao ato organizado pelas centrais sindicais maiorit\u00e1rias (UGT e CCOO) e apoiado tamb\u00e9m pelos sindicatos alternativos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">A chegada ao Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria transformou-se rapidamente em batalha campal com a pol\u00edcia de choque a dispersar a bastonadas e balas de borracha os mineiros, as fam\u00edlias e os apoiantes. A brutalidade policial redundou em 76 feridos e em v\u00e1rios detidos.  Por seu lado, as negocia\u00e7\u00f5es entre as c\u00fapulas sindicais e o ministro da Ind\u00fastria n\u00e3o trouxeram nada de novo, mantendo-se a inflexibilidade do governo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Nas ruas, parte dos mineiros e dos outros manifestantes apontavam o caminho para fazer dobrar Rajoy: \u201cSe n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o, mais barricadas\u201d, gritavam em l\u00edngua asturiana os mineiros e oper\u00e1rios agrupados na Corriente Sindical de Izquierda (sindicato asturiano formado nos anos 80 por dissidentes das CCOO), \u201cA Toxo y Mendez [<em>secret\u00e1rios-gerais das CCOO e da UGT<\/em>] les queremos perguntar cuantos recortes hacen falta m\u00e1s para convocar otra huelga general\u201d, cantavam em un\u00edssono alguns milhares de trabalhadores e jovens.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Por volta das oito da noite, realizou-se a segunda manifesta\u00e7\u00e3o do dia. Convocada por fora das burocracias sindicais da UGT e das CCOO, e sem contar inclusive com o apoio dos anarquistas da CGT, este ato, que foi chamado pela plataforma Hay que Pararles los Pies (entre v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas da esquerda alternativa, formam parte dessa plataforma os sindicatos filiados \u00e0s CO.BAS e o grupo trotskista Corriente Roja) e foi apoiado por v\u00e1rias assembleias do 15-M e pela pr\u00f3pria Corriente Sindical de Izquierda,  contou com cerca de vinte mil pessoas e teve a presen\u00e7a de dezenas de mineiros e familiares \u00e0 cabe\u00e7a da marcha que partiu de Atocha e terminou na Plaza del Sol. Durante o percurso, o \u00f3dio acumulado contra a repress\u00e3o policial da manh\u00e3 e o aumento do ataque do governo contra o mundo do trabalho e a juventude traduziu-se em palavras de ordem a pedir a demiss\u00e3o do executivo (\u201cMariano, Mariano [Rajoy] no pasas del verano\u201d) e a amea\u00e7ar com a explos\u00e3o social (\u201cSi no hay soluci\u00f3n, habr\u00e1 revoluci\u00f3n\u201d, \u201cDinamita, Dinamita\u201d).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">No fim do ato, foi lido um manifesto a apelar n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos montantes acordados para subsidiar o carv\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas sob controlo dos trabalhadores e \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o e unifica\u00e7\u00e3o das lutas numa nova greve geral. Al\u00e9m disso, um orador mineiro explicou as raz\u00f5es do protesto da classe e denunciou a campanha de criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto por parte do PP, da comunica\u00e7\u00e3o social de direita e da pol\u00edcia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Entretanto, o conflito continua em aberto e tende agora a unificar-se com a luta da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica e do povo na sequ\u00eancia dos novos cortes anunciados pelo governo de Rajoy no pr\u00f3prio dia 11 (retirada do subs\u00eddio de Natal aos funcion\u00e1rios, aumento do IVA de 18 para 21%, diminui\u00e7\u00e3o do valor do subs\u00eddio de desemprego). Desde que os novos cortes se tornaram conhecidos tem havido v\u00e1rios protestos espont\u00e2neos em Madrid e noutras cidades com manifesta\u00e7\u00f5es e cortes de tr\u00e2nsito improvisadas. As c\u00fapulas das principais centrais sindicais viram-se obrigadas a convocar rapidamente uma manifesta\u00e7\u00e3o nacional para o pr\u00f3ximo dia 19 de Julho.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Com o PSOE desacreditado pela anterior governa\u00e7\u00e3o de Zapatero e pela postura conciliadora do atual secret\u00e1rio-geral que pretende um pacto de unidade nacional com o PP; com a Izquierda Unida (IU) a governar a Andaluzia em unidade com o PSOE e a aplicar algumas das medidas da direita neoliberal (corte de sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios, aumento do n\u00famero de horas de trabalho para os professores, etc.); e com os principais dirigentes sindicais a adiar <em>sine die<\/em> uma nova greve geral, resta a esperan\u00e7a de que as bases trabalhadoras e populares se auto-organizem, pressionem as burocracias sindicais a radicalizar os protestos, fortale\u00e7am o sindicalismo alternativo e haja uma reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que venha a unificar as v\u00e1rias for\u00e7as \u00e0 esquerda da IU, fa\u00e7a girar esta for\u00e7a \u00e0 esquerda e promova a rutura dos sectores do PSOE adversos \u00e0 deriva neoliberal das sucessivas dire\u00e7\u00f5es do partido.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Caso contr\u00e1rio, o titular de um jornal madrileno (\u201cLa Uni\u00f3n Europea ya manda\u201d) tornar-se-\u00e0 rapidamente uma realidade incontorn\u00e1vel, a espiral da d\u00edvida prosseguir\u00e1 ind\u00f3mita e todos os atropelos aos sal\u00e1rios, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, ao direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 seguran\u00e7a social ou \u00e0 habita\u00e7\u00e3o continuar\u00e3o a empobrecer a maioria esmagadora da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\"><strong>Jo\u00e3o Lopes, de Madrid<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora bastante reduzido pelo processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o promovido pelos sucessivos governos do PP e do PSOE, o sector mineiro espanhol ainda conta com cerca de dez mil trabalhadores na \u00e1rea do carv\u00e3o e mais vinte mil postos de trabalho indiretos. Com as fam\u00edlias e os milhares de pequenos neg\u00f3cios que sobrevivem \u00e0 custa da ind\u00fastria carbon\u00edfera, a economia das chamadas \u201ccuencas mineras\u201d e de parte importante das Ast\u00farias sofreu um rude golpe com o an\u00fancio de que o governo de Rajoy vai reduzir substancialmente os subs\u00eddios para a ind\u00fastria do carv\u00e3o. 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