{"id":754,"date":"2012-05-26T09:35:57","date_gmt":"2012-05-26T08:35:57","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/05\/26\/quem-parou-sao-paulo\/"},"modified":"2012-05-26T09:35:57","modified_gmt":"2012-05-26T08:35:57","slug":"quem-parou-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/05\/26\/quem-parou-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Quem parou S\u00e3o Paulo?"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t\tA:link { so-language: zxx } \t--> <\/p>\n<p>Artigo do presidente do Sindicato dos Metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo (Brasil), Altino de Melo Prazeres J\u00fanior, publicado na sec\u00e7\u00e3o Tend\u00eancias e Debates do jornal <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, no dia 25 deste m\u00eas, defende o direito de greve dos trabalhadores amea\u00e7ado pelo governo do estado. No dia 23 de maio, os trabalhadores do metro de S\u00e3o Paulo fizeram greve para reivindicar aumento salarial e outros direitos.&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cQuem parou S\u00e3o Paulo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O Tribunal do Trabalho quis 100% do efetivo nos hor\u00e1rios de pico. Mesmo no dia mais movimentado, n\u00e3o h\u00e1 esse percentual. E o direito \u00e0 greve?<\/p>\n<p>Nesta quarta, 23, os metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo realizaram uma de suas mais fortes greves.<\/p>\n<p>Logo as autoridades tentaram nos culpar pelos transtornos que a popula\u00e7\u00e3o enfrentou, classificando a greve de abusiva, ilegal e at\u00e9 pol\u00edtica. Agora anunciam a inten\u00e7\u00e3o de &#8220;multar&#8221; o sindicato em R$ 1 milh\u00e3o, por preju\u00edzos \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>Parte da imprensa foi pelo mesmo caminho, tentando jogar a popula\u00e7\u00e3o contra os metrovi\u00e1rios, como o editorial de ontem desta <em>Folha <\/em>(&#8220;Greve contra S\u00e3o Paulo&#8221;) ou mostrando os protestos nas esta\u00e7\u00f5es como se fossem contra a greve, sem mostrar que os passageiros cantavam: &#8220;Geraldo, a culpa \u00e9 sua!&#8221;.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo \u00e9 o direito de greve. Representantes do governo e do Judici\u00e1rio, apesar de afirmarem o contr\u00e1rio, n\u00e3o escondem que entendem que os metrovi\u00e1rios n\u00e3o t\u00eam o direito de lutar por seus direitos.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na pr\u00e1tica impedia a greve, exigindo 100% do efetivo nos hor\u00e1rios de pico e 85% nos demais hor\u00e1rios, sob multa di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ora&#8230; Mesmo no dia mais movimentado, o metro n\u00e3o mant\u00e9m essa percentual. Ou seja, o TRT exigia que, no dia de greve, o atendimento fosse maior do que a pr\u00f3pria empresa consegue. Que greve \u00e9 essa?<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pela greve tem nome: o governador Geraldo Alckmin. Foi seu governo que foi intransigente com os trabalhadores, recusando-se a negociar. N\u00f3s chegamos a propor a abertura das roletas, no lugar da greve. Trabalhar\u00edamos nesse dia, todos poderiam deslocar-se normalmente e o nosso protesto ficaria marcado. Uma experi\u00eancia que j\u00e1 foi feita em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas o governo recusou. Mas n\u00e3o foi intransigente assim com as empresas que prestam servi\u00e7o ao metro, como a que atrasou em mais de um ano a entrega do servi\u00e7o, provocando o mais grave acidente na hist\u00f3ria do metro. Caso tivesse ocorrido na Linha 4, privatizada e sem funcion\u00e1rios, o acidente possivelmente teria tido v\u00edtimas fatais.<\/p>\n<p>Ao culpar os trabalhadores, o governo tenta esconder a sua incapacidade em negociar e tamb\u00e9m o fato de que, em 20 anos, o PSDB n\u00e3o resolveu o problema de transporte.<\/p>\n<p>O nosso metro \u00e9 o mais lotado do mundo, 11 pessoas por metro quadrado. Para quem vai de helic\u00f3ptero, como o governador, \u00e9 dif\u00edcil imaginar como a popula\u00e7\u00e3o lida com o sufoco, o aperto, o ass\u00e9dio \u00e0s mulheres e as horas de vida desperdi\u00e7adas.<\/p>\n<p>O argumento para n\u00e3o melhorar o servi\u00e7o \u00e9 a falta de recursos. N\u00e3o \u00e9 verdade. O or\u00e7amento estadual dobrou desde 2004, indo para R$ 149 mil milh\u00f5es em 2011. O metro tem lucrado muito. Se seguisse a infla\u00e7\u00e3o, o bilhete custaria hoje R$ 1,84.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois lados nessa hist\u00f3ria. De um lado, o governo e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>De outro, os trabalhadores, tanto aqueles que est\u00e3o conduzindo o trem como os que viajam nele, no aperto. A popula\u00e7\u00e3o entende que a nossa greve foi justa. Estamos juntos na luta por um metro de qualidade, mais barato e que cres\u00e7a no ritmo que S\u00e3o Paulo precisa.<\/p>\n<p>Na quarta, o metro parou. Mas, infelizmente, o sufoco de passageiros e funcion\u00e1rios continua todos os dias. \u00c9 contra ele que lutamos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do presidente do Sindicato dos Metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo (Brasil), Altino de Melo Prazeres J\u00fanior, publicado na sec\u00e7\u00e3o Tend\u00eancias e Debates do jornal Folha de S\u00e3o Paulo, no dia 25 deste m\u00eas, defende o direito de greve dos trabalhadores amea\u00e7ado pelo governo do estado. No dia 23 de maio, os trabalhadores do metro de S\u00e3o Paulo fizeram greve para reivindicar aumento salarial e outros direitos.&nbsp; \u201cQuem parou S\u00e3o Paulo? O Tribunal do Trabalho quis 100% do efetivo nos hor\u00e1rios de pico. Mesmo no dia mais movimentado, n\u00e3o h\u00e1 esse percentual. E o direito \u00e0 greve? 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