{"id":746,"date":"2012-05-16T12:00:09","date_gmt":"2012-05-16T11:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/05\/16\/gregos-rejeitam-a-chantagem-do-euro\/"},"modified":"2012-05-16T12:00:09","modified_gmt":"2012-05-16T11:00:09","slug":"gregos-rejeitam-a-chantagem-do-euro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/05\/16\/gregos-rejeitam-a-chantagem-do-euro\/","title":{"rendered":"Gregos rejeitam a chantagem do \u201ceuro\u201d"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p>Uma verdade incontorn\u00e1vel: as urnas na Gr\u00e9cia a 6 de maio rejeitaram categoricamente os planos de austeridade impostos pela troika e deram a vit\u00f3ria aos partidos que os combatem, em especial \u00e0 esquerda, com uma grande vota\u00e7\u00e3o no Syriza.  Desta forma, as elei\u00e7\u00f5es refletiram a radicaliza\u00e7\u00e3o da luta social contra os violent\u00edssimos ataques ao povo grego feitos pelos governos PASOK e Nova Democracia em cumprimento aos acordos com o imperialismo alem\u00e3o e franc\u00eas.<\/p>\n<p>E tem mais: apesar das press\u00f5es e chantagens internas (feitas pela Nova Democracia, PASOK e burguesia grega) e externas (Uni\u00e3o Europeia, BCE, FMI, Merkel e seus pares) para for\u00e7ar o Syriza a entrar num governo de unidade nacional com a Nova Democracia e PASOK, amea\u00e7ando a Gr\u00e9cia com a sa\u00edda do euro e outras \u201cdesgra\u00e7as\u201d, a rejei\u00e7\u00e3o do povo grego a um novo governo da troika \u00e9 t\u00e3o forte que impediu que isso acontecesse e, ainda por cima, est\u00e1 a indicar uma poss\u00edvel vit\u00f3ria ainda mais categ\u00f3rica do Syriza em novas elei\u00e7\u00f5es, com cerca de 31%, com a sua passagem do segundo para o primeiro lugar.<\/p>\n<p>O Syriza rejeitou participar de um governo de unidade nacional e, desta forma, inviabilizou esta sa\u00edda burguesa para a crise pol\u00edtica grega, mas tamb\u00e9m europeia. Novas elei\u00e7\u00f5es est\u00e3o agora marcadas para junho.<\/p>\n<p>Diante disso, os mercados est\u00e3o a desabar esta semana na Europa, mas principalmente em It\u00e1lia e Espanha. Neste \u00faltimo pa\u00eds, os juros dos t\u00edtulos do tesouro a dez anos superaram a marca de 6,5%, o que refor\u00e7a a hip\u00f3tese de uma interven\u00e7\u00e3o da troika. O cen\u00e1rio pintado pelos analistas \u00e9 dram\u00e1tico: o economista Paul Krugman prev\u00ea a transfer\u00eancia de dep\u00f3sitos dos bancos espanh\u00f3is e italianos e a consequente imposi\u00e7\u00e3o de um \u201ccorralito\u201d (restri\u00e7\u00f5es ou mesmo impedimento de saques banc\u00e1rios); al\u00e9m do fim do euro caso a Alemanha n\u00e3o altere a sua pol\u00edtica e autorize o BCE a investir maci\u00e7amente naqueles dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na Gr\u00e9cia que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica est\u00e1 a demonstrar que o povo exige mudan\u00e7as. Mesmo nos pa\u00edses centrais isso est\u00e1 a acontecer. Na Fran\u00e7a, Sarkozy foi derrotado nas urnas (mais em consequ\u00eancia das pol\u00edticas por ele implementadas do que pela alternativa representada por Hollande) e na Alemanha o partido de Angela Merkel (CDU) sofreu uma derrota esmagadora no domingo no estado mais populoso do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o ministro das Finan\u00e7as alem\u00e3o, Wolfgang Scha\u00fcble, continua a amea\u00e7ar os gregos: ou cumprem com os planos de austeridade ou a Gr\u00e9cia est\u00e1 fora do euro. \u201cEsse \u00e9 o \u00fanico caminho que h\u00e1\u201d, disse ele.<\/p>\n<p><strong>Sair do euro ser\u00e1 mesmo uma cat\u00e1strofe?<\/strong><\/p>\n<p>Uma imensa campanha medi\u00e1tica, a alardear os benef\u00edcios do euro e a intensificar o leg\u00edtimo desejo dos povos da Europa unida, criou uma grande ilus\u00e3o na maioria dos pa\u00edses europeus: a ilus\u00e3o de que estar na Uni\u00e3o Europeia e na zona euro seriam condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para o crescimento econ\u00f3mico e social. A postura da grande maioria dos partidos \u00e0 esquerda em alimentar ou pelo menos n\u00e3o se opor a esta ideia \u2013 no caso grego, do PASOK ao Syriza \u2013 ajuda na perman\u00eancia dessa ilus\u00e3o, inclusive quando tudo est\u00e1 contra ela.<\/p>\n<p>Na Europa de hoje, o mito da \u201cliberdade, igualdade e fraternidade\u201d da UE e do euro est\u00e1 a ser contrariado de forma evidente pela crise. A UE e os seus organismos imp\u00f5em aos povos, especialmente dos pa\u00edses perif\u00e9ricos, a fatura da crise, fazendo com que as suas condi\u00e7\u00f5es de vida comecem a recuar a n\u00edveis anteriores aos da Segunda Grande Guerra. O caso mais agudo \u00e9 o da Gr\u00e9cia, que tem respondido com uma mobiliza\u00e7\u00e3o social gigantesca, cujo \u00faltimo desdobramento foi a rejei\u00e7\u00e3o dos partidos da troika nas urnas. Mas, mesmo assim, ainda permanece a ilus\u00e3o no euro e na UE. O que fazer?<\/p>\n<p>O Syriza faz malabarismos para garantir ao povo grego que \u00e9 poss\u00edvel rejeitar os planos da troika e permanecer no euro. N\u00e3o \u00e9 verdade, porque a perman\u00eancia da Gr\u00e9cia no euro n\u00e3o depende da vontade do povo grego, mas dos interesses das principais burguesias europeias, a francesa e a alem\u00e3, as que mais lucraram com a moeda \u00fanica. E os representantes destas j\u00e1 disseram que n\u00e3o v\u00e3o permitir a Gr\u00e9cia no euro sem austeridade. Mas se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acabar com a austeridade e continuar no euro \u00e9 poss\u00edvel, isto sim, construir uma alternativa econ\u00f3mica e social mais justa, mais fraterna e mais livre para esse pa\u00eds e para todos os povos europeus. A antiga \u2013 mas sempre atual \u2013 reivindica\u00e7\u00e3o da unidade dos povos europeus \u2013 e n\u00e3o do capital \u2013 est\u00e1 na ordem do dia, mas para isso \u00e9 preciso desconstruir mitos, como o do euro e da UE, ainda mais agora que eles est\u00e3o a ser destru\u00eddos pela realidade.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um debate que deve ser feito, na Gr\u00e9cia, mas tamb\u00e9m em Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma verdade incontorn\u00e1vel: as urnas na Gr\u00e9cia a 6 de maio rejeitaram categoricamente os planos de austeridade impostos pela troika e deram a vit\u00f3ria aos partidos que os combatem, em especial \u00e0 esquerda, com uma grande vota\u00e7\u00e3o no Syriza. Desta forma, as elei\u00e7\u00f5es refletiram a radicaliza\u00e7\u00e3o da luta social contra os violent\u00edssimos ataques ao povo grego feitos pelos governos PASOK e Nova Democracia em cumprimento aos acordos com o imperialismo alem\u00e3o e franc\u00eas. E tem mais: apesar das press\u00f5es e chantagens internas (feitas pela Nova Democracia, PASOK e burguesia grega) e externas (Uni\u00e3o Europeia, BCE, FMI, Merkel e seus pares)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":745,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-746","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/chantegemeuro.jpg?fit=680%2C466","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/746\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/745"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}