{"id":738,"date":"2012-05-09T23:17:53","date_gmt":"2012-05-09T22:17:53","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/05\/09\/o-que-muda-com-o-retorno-do-partido-socialista-ao-poder-na-franca\/"},"modified":"2012-05-09T23:17:53","modified_gmt":"2012-05-09T22:17:53","slug":"o-que-muda-com-o-retorno-do-partido-socialista-ao-poder-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/05\/09\/o-que-muda-com-o-retorno-do-partido-socialista-ao-poder-na-franca\/","title":{"rendered":"O que muda com o retorno do Partido Socialista ao poder na Fran\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p>A derrota de Nicolas Sarkozy nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais da Fran\u00e7a no \u00faltimo domingo, 6 de maio, provocou uma grande satisfa\u00e7\u00e3o entre muitos trabalhadores, n\u00e3o s\u00f3 da Fran\u00e7a, mas de muitos outros pa\u00edses da Europa. Afinal, foi Sarkozy, ao lado da chanceler alem\u00e3 Angela Merkel, o respons\u00e1vel pelos planos de austeridade que imp\u00f5em uma enorme regress\u00e3o social para a juventude e a classe trabalhadora europeias.<\/p>\n<p>Tentando desesperadamente restaurar as taxas de lucro dos capitalistas, os governo da Alemanha e da Fran\u00e7a (o eixo da Uni\u00e3o Europeia) empurram os povos do continente para o caminho da mis\u00e9ria, por meio de despedimentos, cortes salariais, reformas nas legisla\u00e7\u00f5es laborais e na Seguran\u00e7a Social, corte nos or\u00e7amentos e avan\u00e7o da privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A satisfa\u00e7\u00e3o com a derrota de Sarkozy, portanto, expressa o crescente descontentamento popular em todo o continente contra os planos da troika (FMI, Banco Central Europeu e Uni\u00e3o Europeia) e o rep\u00fadio aos governos atrelados aos banqueiros.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o h\u00e1 motivos para comemorar a vit\u00f3ria de Fran\u00e7ois Hollande, do Partido Socialista. O retorno da social-democracia \u00e0 presid\u00eancia n\u00e3o assustou nem o mercado financeiro, nem os principais chefes dos governos imperialistas. \u201cA alian\u00e7a est\u00e1 t\u00e3o forte hoje quanto estava na semana passada\u201d, disse o porta-voz da Casa Branca, enquanto as Bolsas de Valores funcionavam normalmente. J\u00e1 Merkel assegurou que receber\u00e1 \u201ccom os bra\u00e7os abertos\u201d o presidente eleito.<\/p>\n<p>Tal confian\u00e7a \u00e9 plenamente justific\u00e1vel. O Partido Socialista est\u00e1 organicamente comprometido com a manuten\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia (UE) e sequer cogita em acabar com o eixo franco-alem\u00e3o ou com o euro. Quando esteve \u00e0 frente do governo, o ent\u00e3o presidente socialista Fran\u00e7ois Mitterrand assinou Tratado de Maastricht, que criou a UE. Como se n\u00e3o bastasse, at\u00e9 bem pouco tempo atr\u00e1s, um dos seus principais quadros, Dominique Strauss-Kahn, enquanto presidente do FMI, foi um dos respons\u00e1veis em garantir que os planos de austeridade fossem aplicados pelos governos europeus. Strauss-Kahn era o principal nome do PS para concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais, mas o envolvimento do ex-presidente do FMI em esc\u00e2ndalos de ass\u00e9dio sexual obrigou o partido a improvisar a candidatura de Hollande.<\/p>\n<p>Para capitalizar a insatisfa\u00e7\u00e3o e vencer as elei\u00e7\u00f5es, Hollande apresentou um discurso tentando propagar a ideia de que agora temos de fazer \u201cum pacto para o crescimento\u201d, e \u201cn\u00e3o pensando apenas em austeridade\u201d. Por\u00e9m, \u00e9 irrealista pensar que Hollande imprima uma virada dram\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica adotada por Sarkozy. Pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 uma continuidade nas medidas que os socialistas e os conservadores juntos se comprometeram, em seus governos alternados, nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Juntos aplicaram uma pol\u00edtica de sustenta\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, do Euro e das pol\u00edticas neoliberais e antioper\u00e1rias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante recordar que muitos governos \u201csocialistas\u201d da Uni\u00e3o Europeia atuaram como gerentes leais da crise aplicando o amargo receitu\u00e1rio da troika [caso de Portugal, Espanha e Gr\u00e9cia]. Enganam-se tamb\u00e9m aqueles que opinam que haver\u00e1 em Hollande uma linha de resist\u00eancia \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f3mica do governo conservador alem\u00e3o. Uma das mais s\u00f3lidas parcerias do governo Miterrand se deu justamente com o chanceler conservador democrata-crist\u00e3o da ent\u00e3o Alemanha Ocidental, e posteriormente da Alemanha reunificada, Helmut Kohl (1982-1998).<\/p>\n<p>Os trabalhadores da Fran\u00e7a devem confiar em suas pr\u00f3prias for\u00e7as para defender os seus meios de vida contra os despedimentos e o desemprego. N\u00e3o h\u00e1 como conciliar as necessidades b\u00e1sicas dos trabalhadores e do povo com o \u201cresgate\u201d dos bancos. Os planos que condicionam a perman\u00eancia dos pa\u00edses no Euro e na UE s\u00e3o os mesmos que condenam os trabalhadores e os setores populares ao empobrecimento e \u00e0 ru\u00edna social. Por isso, a sa\u00edda para crise \u00e9 a retirada da Fran\u00e7a da UE, seguida da nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos, do monop\u00f3lio estatal sobre o com\u00e9rcio exterior e controle dos trabalhadores sobre todas as empresas que realizarem despedimentos.<\/p>\n<p><strong>PSTU\/Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A derrota de Nicolas Sarkozy nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais da Fran\u00e7a no \u00faltimo domingo, 6 de maio, provocou uma grande satisfa\u00e7\u00e3o entre muitos trabalhadores, n\u00e3o s\u00f3 da Fran\u00e7a, mas de muitos outros pa\u00edses da Europa. Afinal, foi Sarkozy, ao lado da chanceler alem\u00e3 Angela Merkel, o respons\u00e1vel pelos planos de austeridade que imp\u00f5em uma enorme regress\u00e3o social para a juventude e a classe trabalhadora europeias. 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