{"id":716,"date":"2012-05-01T11:24:08","date_gmt":"2012-05-01T10:24:08","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/05\/01\/ato-comemora-os-30-anos-da-lit\/"},"modified":"2012-05-01T11:24:08","modified_gmt":"2012-05-01T10:24:08","slug":"ato-comemora-os-30-anos-da-lit","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/05\/01\/ato-comemora-os-30-anos-da-lit\/","title":{"rendered":"Ato comemora os 30 anos da LIT"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p>Um grande ato internacionalista em meio a um congresso, o da CSP-Conlutas, que re\u00fane alguns dos setores mais combativos da classe trabalhadora e dos movimentos sociais do Brasil. O ato de comemora\u00e7\u00e3o dos 30 anos da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT) n\u00e3o poderia ter ocasi\u00e3o mais prop\u00edcia. Realizado na noite de 28 de abril no audit\u00f3rio principal da Est\u00e2ncia \u00c1rvore da Vida, em Sumar\u00e9, no estado de S\u00e3o Paulo, o ato empolgou o p\u00fablico, algo como 1200 pessoas que ouviram, durante mais de duas horas, as interven\u00e7\u00f5es de antigos e novos militantes dessa corrente trotskista fundada pelo dirigente argentino Nahuel Moreno em 1982 e que est\u00e1 presente hoje em 23 pa\u00edses.<\/p>\n<p>A mesa foi composta pelos dirigentes do PSTU brasileiro Dirceu Travesso, Vanessa Portugal e Ana Luiza. Estiveram presentes compondo simbolicamente a mesa representantes das sec\u00e7\u00f5es da LIT e partidos simpatizantes da Argentina, Costa Rica, Chile, Peru, Uruguai, Paraguai, EUA, Inglaterra, B\u00e9lgica, It\u00e1lia, Espanha, al\u00e9m do Haiti.<\/p>\n<p><strong>Sem a LIT, n\u00e3o haveria PSTU<\/strong><\/p>\n<p>O dirigente do PSTU brasileiro Eduardo Almeida exp\u00f4s os desafios e dificuldades apresentados aos revolucion\u00e1rios pelo governo da presidente Dilma Roussef. \u201cVejos muitos companheiros impressionados com a popularidade do governo Dilma. Mas na \u00e9poca da ditadura, em 1976, por exemplo, a ditadura parecia invenc\u00edvel. H\u00e1 dois anos, o povo eg\u00edpcio n\u00e3o imaginava que derrubaria um governo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Eduardo citou ainda as dificuldades da d\u00e9cada de 90 para o conjunto da esquerda, em especial a socialista. \u201cNaquela \u00e9poca, pensar em revolu\u00e7\u00e3o era algo muito incomum\u201d, disse, salientando por\u00e9m que \u201choje, as revolu\u00e7\u00f5es no Norte da \u00c1frica e as mobiliza\u00e7\u00f5es na Europa mostram que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 distinta, tudo o que era s\u00f3lido agora se desmancha no ar\u201d. O dirigente brasileiro arrancou aplausos ao dizer que \u201csomos hoje uma minoria, mas o futuro nos pertence\u201d.<\/p>\n<p>Eduardo destacou uma diferen\u00e7a fundamental que a LIT cultivou nesses anos: a moral prolet\u00e1ria em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 moral do vale-tudo que atingiu a quase totalidade das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. \u201cN\u00f3s temos uma moral baseada na solidariedade dos piquetes, na fraternidade dos lutadores\u201d. Ressaltando a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o internacional, o dirigente brasileiro destacou que \u201csem a LIT n\u00e3o existiria o PSTU\u201d.<\/p>\n<p><strong>Opress\u00e3o e internacionalismo<\/strong><\/p>\n<p>O combate \u00e0s opress\u00f5es e o seu lugar na luta do socialismo foi lembrado na interven\u00e7\u00e3o de Vera L\u00facia, mulher, negra e oper\u00e1ria, dirigente do PSTU em Aracaju (capital do estado de Sergipe). \u201cTenho orgulho do PSTU estar na linha de frente na luta contra a opress\u00e3o \u00e0s mulheres, negras e negro, aos homossexuais\u201d, disse.<\/p>\n<p>Vera desmistificou ainda o papel do governo Dilma nessa quest\u00e3o: \u201cDilma, que \u00e9 uma mulher que foi perseguida, presa, torturada, n\u00e3o governa para as mulheres trabalhadoras\u201d. A dirigente atacou governos como o de Cuba que, longe de serem socialistas, s\u00e3o ditaduras que oprimem setores como os homossexuais. \u201cNa sociedade que queremos, as mulheres, negras, brancas, homossexuais, heterossexuais, ter\u00e3o as mesmas condi\u00e7\u00f5es de viverem intensamente as suas diferen\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>O dirigente \u00edtalo-senegal\u00eas, Moustapha Wagne, do Partido da Alternativa Comunista, da It\u00e1lia, fez uma fala emocionante, professando a sua f\u00e9 na luta e no futuro socialista da humanidade. \u201c\u00c9 a luta que vai ganhar, o futuro vai vencer, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas na Europa, na \u00c1frica, na \u00c1sia, em todo o mundo\u201d, disse, arrancando aplausos.<\/p>\n<p>J\u00e1 Didier Dominique, dirigente do Batay Ouvriye, relatou a sua impress\u00e3o com o internacionalismo militante da LIT. \u201cN\u00e3o me esque\u00e7o quando a delega\u00e7\u00e3o da CSP-Conlutas esteve no Haiti pela primeira vez, e o companheiro Toninho, diante do povo, disse que se fosse necess\u00e1rio queimar uma bandeira brasileira na luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o militar, a Conlutas n\u00e3o hesitaria em fazer isso\u201d. Didier relatou que isso de fato aconteceu num protesto contra a ocupa\u00e7\u00e3o, quando uma bandeira dos EUA e do Brasil foram incendiadas. \u201cQuando Toninho disse aquilo, eu soube que a LIT estava connosco\u201d.<\/p>\n<p><strong>Otimismo<\/strong><\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o do dirigente do PSTU brasileiro Val\u00e9rio Arcary fez os presentes irem dos risos \u00e0s l\u00e1grimas em poucos minutos. \u201cSempre me perguntam: por que voc\u00eas s\u00e3o t\u00e3o otimistas? O que voc\u00eas tomam no caf\u00e9 da manh\u00e3?\u201d Val\u00e9rio reconheceu que o conjunto da esquerda vive hoje uma fase \u201ctriste, melanc\u00f3lica\u201d. \u201cEsse otimismo vem de nossa vis\u00e3o de mundo, pois sabemos que as bases que sustentam o capitalismo s\u00e3o min\u00fasculas. T\u00eam raz\u00e3o aqueles que se levantaram nos EUA e que dizem: eles s\u00e3o apenas 1%, n\u00e3o podem connosco\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, esse otimismo revolucion\u00e1rio, \u201cpreocupado\u201d segundo qualificou, origina-se tamb\u00e9m na confian\u00e7a na for\u00e7a da classe trabalhadora. \u201cN\u00f3s confiamos na classe oper\u00e1ria, mesmo quando ela n\u00e3o confia nela mesma\u201d, disse. \u201cN\u00e3o esquecemos a greve dos petroleiros de 1995, quando em poucas semanas de greve a burguesia estava de joelhos, e eram apenas 50 mil; quando a classe oper\u00e1ria cruza os bra\u00e7os, nada funciona!\u201d<\/p>\n<p><strong>Criado e provado na luta<\/strong><\/p>\n<p>O encerramento do ato ficou por conta do dirigente hist\u00f3rico da corrente liderada por Nahuel Moreno, Eduardo Barrag\u00e1n, um dos fundadores da LIT. Barrag\u00e1n destacou como marco da cria\u00e7\u00e3o da LIT a Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista, ocorrida dois anos antes na Nicar\u00e1gua. Nahuel Moreno, ent\u00e3o dirigente da Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique [fra\u00e7\u00e3o da IV Internacional], ao observar que a luta contra a ditadura de Anastasio Somoza passava pela Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FSLN), apelou \u00e0 mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o, organizando a Brigada Sim\u00f3n Bolivar para lutar ao lado dos sandinistas.<\/p>\n<p>\u201cEm nossas sedes, milhares de volunt\u00e1rios apareceram\u201d, relembrou. \u201cE nesse momento todas as organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras, o estalinismo, estavam contra a revolu\u00e7\u00e3o na Nicar\u00e1gua\u201d, referiu. O compromisso internacionalista da corrente que originou a LIT foi provada com sangue: cinco mortos e in\u00fameros feridos. Mas a insist\u00eancia da Brigada em, ap\u00f3s a queda de Somoza, organizar os trabalhadores em sindicatos independentes n\u00e3o agradou o governo sandinista, que mandou prender os seus integrantes, que ainda foram torturados e expulsos da Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>Esses fatos provocaram um novo realinhamento das correntes trotsquistas. Algumas delas ficaram incondicionalmente ao lado do governo nicaraguense e apoiaram a pris\u00e3o e expuls\u00e3o da Brigada. \u201cHouve um profundo problema moral quando partidos trotsquistas colocaram-se ao lado do governo burgu\u00eas. Moreno, ent\u00e3o, concluiu a sua experi\u00eancia com essas correntes e dois anos depois fundava a LIT.\u201d Quatro anos ap\u00f3s a sua funda\u00e7\u00e3o, a LIT tornou-se uma das maiores correntes trotsquistas do mundo, e o partido argentino, o MAS, a maior organiza\u00e7\u00e3o trotsquista.<\/p>\n<p>Mas a crise que devastou a esquerda na d\u00e9cada de 1990 &#8211; prosseguiu Barrag\u00e1n &#8211; atingiu tamb\u00e9m as fileiras da LIT. Mas na supera\u00e7\u00e3o dessa crise e na batalha pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional, a LIT nunca abandonou a ess\u00eancia do programa trostquista: a tomada do poder. Isso num momento em que a grande maioria das correntes que se reivindicam trostsquistas abandonaram qualquer perspetiva da luta pelo poder, muitas vezes passando de armas e bagagens para o campo eleitoral burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Barrag\u00e1n finalizou o seu discurso a afirmar a atualidade do programa trotsquista e os desafios colocados \u00e0 LIT, num momento em que o mundo ainda assiste os efeitos da maior crise capitalista ap\u00f3s 1929, mas tamb\u00e9m as revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes e a luta na Europa. \u201cTemos dois grandes desafios: fortalecer o nosso trabalho na Europa e a nossa implanta\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Diego Cruz &#8211; PSTU<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grande ato internacionalista em meio a um congresso, o da CSP-Conlutas, que re\u00fane alguns dos setores mais combativos da classe trabalhadora e dos movimentos sociais do Brasil. 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