{"id":705,"date":"2012-04-19T08:25:00","date_gmt":"2012-04-19T07:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/04\/19\/arrogantes-com-a-argentina-lacaios-com-merkel-e-sarkozy\/"},"modified":"2012-04-19T08:25:00","modified_gmt":"2012-04-19T07:25:00","slug":"arrogantes-com-a-argentina-lacaios-com-merkel-e-sarkozy","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/04\/19\/arrogantes-com-a-argentina-lacaios-com-merkel-e-sarkozy\/","title":{"rendered":"Arrogantes com a Argentina, lacaios com Merkel e Sarkozy"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">Reproduzimos a nota de Corriente Roja sobre a nacionaliza\u00e7\u00e3o da YPF na Argentina.<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">\u201cA decis\u00e3o do governo argentino de nacionalizar 51% das a\u00e7\u00f5es da YPF, filial da Repsol, desencadeou uma crise e uma campanha patrioteira diante da \u201cofensa de que fomos v\u00edtimas\u201d. O PP saiu \u00e0 frente insistindo que o \u201cataque \u00e0 Repsol \u00e9 um ataque \u00e0 Espanha e ao seu governo\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">Diante desses factos, temos a declarar o seguinte:<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">1. O conflito na Argentina com a Repsol n\u00e3o come\u00e7ou agora nem se limita ao governo argentino. A presen\u00e7a da Repsol na Argentina remonta a 1999, quando a YPF foi vendida pelo presidente Menem na orgia privatizadora dos anos 90 que terminou no \u201ccorralito\u201d. Todos esses anos foram marcados por constantes choques entre esta multinacional e os trabalhadores e setores populares argentinos, v\u00edtimas da entrega do setor petroleiro argentino \u00e0 Repsol.<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">&nbsp;Milhares de despedimentos e pris\u00f5es de trabalhadores por se negarem a ser condenados \u00e0 fome foram a primeira fatura paga pelo povo argentino pela entrada da Repsol. Foi a press\u00e3o dos trabalhadores e do povo argentino que obrigou o governo da presidenta  argentina Cristina de Kirchner a ir mais longe do que queria.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">2. A YPF representa para a Repsol 50% de sua produ\u00e7\u00e3o total de hidrocarbonetos, cerca de metade de suas reservas e um ter\u00e7o dos seus lucros. Nestes anos, enquanto a Repsol-YPF saqueava os dep\u00f3sitos argentinos e acumulava enormes lucros, a produ\u00e7\u00e3o foi caindo. A produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera reduziu-se em 23% entre 2003 e 2011. O mesmo sucedeu com o g\u00e1s, passando de 46 mil milh\u00f5es de metros c\u00fabicos em 2003 para 42 em 2011. Esta diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o obrigou a Argentina a desviar cada vez mais recursos para a importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis e energia. \u201cDo autoabastecimento conquistado em meados da d\u00e9cada de 80 com a YPF estatal passou-se \u00e0 importa\u00e7\u00e3o com o modelo das multinacionais privadas\u201d (<em>Avanzada Socialista<\/em>, jornal do PSTU da Argentina)<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">3. A gest\u00e3o da multinacional Repsol, assim como os seus investimentos, n\u00e3o obedece a outro crit\u00e9rio, como acontece com qualquer multinacional, que n\u00e3o seja o de produzir para ganhar, para otimizar os lucros. Entre 1999 e 2011, a Repsol-YPF investiu na Argentina 8 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, enquanto obteve de lucros l\u00edquidos 16,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares, dos quais dividiu entre os seus acionistas 13 mil milh\u00f5es. Estas s\u00e3o as contas do saque ao qual a Repsol submeteu a Argentina ao longo de todos estes anos. Durante este per\u00edodo, foi esvaziando as jazidas sem outra preocupa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o a de obter bons resultados para os seus acionistas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">4. O governo de Mariano Rajoy saiu em defesa da \u201cempresa espanhola\u201d quando, na realidade, os acionistas da Repsol s\u00e3o maioritariamente estrangeiros. Os acionistas espanh\u00f3is apenas totalizam 27%, entre os quais La Caixa (13%), o BBVA (4%) e a construtora SACYR (10%, comprados com o cr\u00e9dito de 46 bancos, entre os quais o Santander, a banca francesa, brit\u00e2nica e holandesa). O denominado \u201cfree float\u201d, o capital flutuante que cotiza em bolsa, representa 62,21% dos acionistas, boa parte de cujos t\u00edtulos (42% do total) est\u00e3o em m\u00e3os de fundos de investimentos norte-americanos e brit\u00e2nicos (JP Morgan Bank National Association (EUA), Chase Nominees Ltd. (Gr\u00e3-Bretanha), State Street Bank and Trust (EUA)), aos quais devem ser adicionados 10% da mexicana PEMEX e 3,32% do banco franc\u00eas BNP-Paribas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">5. Por mais que Rajoy bata no peito, o papel da Repsol na Argentina mostra o papel das multinacionais \u201cespanholas\u201d na Am\u00e9rica Latina. Assim como os outros imperialismos, o espanhol e as suas multinacionais (Repsol, Telef\u00f3nica, Santander, BBVA, Inditex, Acciona&#8230;) s\u00e3o sin\u00f3nimo de roubo das riquezas dos povos e explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. O exemplo da Repsol, apoiando ditaduras como a de Obiang, na Guin\u00e9 Equatorial, a do Cazaquist\u00e3o ou o governo do Peru, onde foi denunciada pela organiza\u00e7\u00e3o Survival International, \u00e9 um exemplo de que n\u00e3o existe um imperialismo \u201chumanit\u00e1rio e civilizado\u201d, o europeu, e outro, \u201cmilitarista e ditatorial\u201d, o norte-americano. Quanto se qualifica as multinacionais espanholas como \u201cpiratas\u201d, a algumas delas, como a Repsol, a rigor dever-se-ia cham\u00e1-las \u201ccors\u00e1rias\u201d, porque roubam com um bandeira, mas entregam a maior parte do botim a outros.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">6. A campanha patrioteira do governo mostra a \u201cvalentia\u201d do covarde, pois, enquanto amea\u00e7a declarar uma guerra comercial \u00e0 Argentina para defender os interesses dos bancos e empresas investidoras, converteu-se no capataz de Merkel e Sarkozy, no executor do esp\u00f3lio do pa\u00eds atrav\u00e9s do pagamento da ileg\u00edtima e imoral d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O saque aos trabalhadores e ao povo, a redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e das reformas, os seis milh\u00f5es de desempregados, as milhares de fam\u00edlias despejadas e jogadas na rua como animais e a juventude sem presente nem futuro n\u00e3o merecem deste governo nem o menor gesto de resist\u00eancia diante da voragem dos bancos alem\u00e3es, franceses e espanh\u00f3is. Mas se a Argentina reclama o que \u00e9 seu, os seus recursos petrol\u00edferos, ent\u00e3o organiza-se uma estridente campanha patrioteira. Estes \u201cpatriotas\u201d carregam a bandeira em sua carteira. S\u00e3o patriotas da banca e das multinacionais, as quais defendem e para as quais governam, \u00e0 custa do roubo dos trabalhadores e dos povos, sejam argentinos ou do Estado espanhol.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">7. \u00c9 vergonhoso ver, na \u201cesquerda\u201d, atitudes como a de Rubalcaba, em nome do PSOE, a oferecer o seu apoio \u00e0 Repsol e ao governo do PP. \u00c9 vergonhoso ver o dirigente da UGT, Antonio Deusa, secret\u00e1rio-geral da Federa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria, exigir do governo \u201cuma resposta contundente\u201d e advertir que, se n\u00e3o se atua assim, h\u00e1 o perigo de um \u201cefeito cont\u00e1gio\u201d para as restantes empresas espanholas que operam na Argentina. Os dirigentes da UGT, que n\u00e3o t\u00eam d\u00favida sobre a legitimidade do pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica aos bancos, s\u00e3o \u201cpatriotas\u201d para defender a Repsol.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">8. O governo argentino, que diz \u201cexpropriar\u201d a Repsol, na realidade o que est\u00e1 a fazer \u00e9 converter-se em s\u00f3cio do seu grupo industrial Petersen, propriet\u00e1rio de 25% da YPF, que mant\u00e9m integralmente as suas participa\u00e7\u00f5es. O objetivo real do governo argentino n\u00e3o \u00e9 nacionalizar a YPF de conjunto, para p\u00f4-la ao servi\u00e7o do povo trabalhador, mas sim obter a maioria das a\u00e7\u00f5es para explorar os recursos descobertos nas prov\u00edncias de Neuquen e Mendoza, e n\u00e3o \u00e9 de descartar a hip\u00f3tese de que acabe substituindo a Repsol por outros exploradores capitalistas, chineses ou de qualquer outra nacionalidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">9. Os trabalhadores\/as, os jovens, os setores populares que est\u00e3o a sofrer na carne as consequ\u00eancias dos cortes, do saque da d\u00edvida, de um governo que governa para as multinacionais e a banca, tem de repudiar a tentativa de associar a nacionaliza\u00e7\u00e3o da Repsol a um \u201cataque \u00e0 Espanha\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">O povo argentino tem o direito de recuperar os seus recursos e dispor deles, tem todo o direito de expulsar dali a Repsol e todas as multinacionais que foram e s\u00e3o parte do saque ao povo. Longe de repudiar essa a\u00e7\u00e3o leg\u00edtima, tem de come\u00e7ar a exigir aqui o mesmo caminho, a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida e a expropria\u00e7\u00e3o da banca e das ind\u00fastrias-chaves sob o controlo dos trabalhadores\/as, para p\u00f4r todos esses recursos ao servi\u00e7o de um plano de resgate dos trabalhadores e do povo, que reorganize a economia e acabe com o desemprego.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Fora Repsol e todas as multinacionais espanholas da Argentina!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">O petr\u00f3leo e o g\u00e1s s\u00e3o argentinos!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">Abaixo a campanha patrioteira do governo Rajoy e do PSOE!\u201d<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\"><strong>Corriente Roja<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\" lang=\"pt-PT\">17 de abril de 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reproduzimos a nota de Corriente Roja sobre a nacionaliza\u00e7\u00e3o da YPF na Argentina. \u201cA decis\u00e3o do governo argentino de nacionalizar 51% das a\u00e7\u00f5es da YPF, filial da Repsol, desencadeou uma crise e uma campanha patrioteira diante da \u201cofensa de que fomos v\u00edtimas\u201d. O PP saiu \u00e0 frente insistindo que o \u201cataque \u00e0 Repsol \u00e9 um ataque \u00e0 Espanha e ao seu governo\u201d. Diante desses factos, temos a declarar o seguinte: 1. O conflito na Argentina com a Repsol n\u00e3o come\u00e7ou agora nem se limita ao governo argentino. A presen\u00e7a da Repsol na Argentina remonta a 1999, quando a YPF foi<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":704,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-705","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estado-espanhol"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/ypf.jpg?fit=600%2C369","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=705"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/705\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/704"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}