{"id":689,"date":"2012-03-30T14:45:59","date_gmt":"2012-03-30T13:45:59","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/03\/30\/forte-greve-geral-paralisa-o-estado-espanhol\/"},"modified":"2012-03-30T14:45:59","modified_gmt":"2012-03-30T13:45:59","slug":"forte-greve-geral-paralisa-o-estado-espanhol","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/03\/30\/forte-greve-geral-paralisa-o-estado-espanhol\/","title":{"rendered":"Forte greve geral paralisa o Estado Espanhol"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p>Manifesta\u00e7\u00f5es de centenas de milhares secundaram a greve geral de ontem contra a reforma laboral e os cortes do governo, evidenciando o descontentamento social com as medidas de austeridade do governo de Mariano Rajoy, do PP (direita), que tomou posse h\u00e1 pouco mais de 100 dias. De acordo com as centrais sindicais que convocaram a greve, CCOO (Comisiones Obreras) e UGT, aderiram \u00e0 greve 77% dos trabalhadores. Em mais de uma centena de cidades a popula\u00e7\u00e3o foi \u00e0s ruas para protestar: 900 mil s\u00f3 em Madrid, num total de 10,4 milh\u00f5es, segundo as centrais sindicais, em todo o pa\u00eds. Em Barcelona, onde ocorreu outra gigantesca manifesta\u00e7\u00e3o, houve confrontos entre manifestantes e a pol\u00edcia, com dezenas de detidos. Na Galiza e Andaluzia as manifesta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram de centenas de milhares.<\/p>\n<p>Nos setores do transporte, ind\u00fastria, constru\u00e7\u00e3o, agricultura e pecu\u00e1ria a ades\u00e3o teria superado, segundo as centrais sindicais, os 95%; nos setores dos servi\u00e7os, a ades\u00e3o teria sido de 70%. O setor com maior ades\u00e3o \u00e0 greve foi a ind\u00fastria e a constru\u00e7\u00e3o, com um apoio de 97%. O menor apoio \u00e0 greve foi registado no setor p\u00fablico, com 57%.<\/p>\n<p>Os secret\u00e1rios-gerais de CCOO e UGT, Ignacio Fern\u00e1ndez Toxo e C\u00e1ndido M\u00e9ndez, n\u00e3o deixaram de demonstrar que preferiam a negocia\u00e7\u00e3o \u00e0 luta e mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. \u201cN\u00e3o podem arruinar de uma s\u00f3 penada 30 anos de di\u00e1logo social\u201d, lamentaram, referindo-se \u00e0 indisponibilidade demonstrada pelo governo at\u00e9 aqui para negociar. Perante o fechamento do governo e a radicaliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, ambos n\u00e3o tiveram outra alternativa sen\u00e3o chamar a greve, a oitava em democracia, e amea\u00e7ar com um \u201cconflito ascendente e prolongado\u201d at\u00e9 que o governo concorde em modificar substancialmente a reforma laboral. As duas centrais deram um prazo ao governo at\u00e9 o dia 1 de maio, quando n\u00e3o descartam, caso o governo n\u00e3o aceite negociar, a convoca\u00e7\u00e3o de uma nova greve geral.<\/p>\n<p><strong>Rea\u00e7\u00e3o do governo<\/strong><\/p>\n<p>O governo tentou, como \u00e9 habitual, desvalorizar o impacto da greve, a dizer que \u201cfoi muito moderada\u201d e mant\u00e9m para hoje, dia seguinte \u00e0 greve, a vota\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento para 2012 no Parlamento, considerado o mais brutal da democracia.<\/p>\n<p>O Or\u00e7amento adequa-se \u00e0 meta de d\u00e9fice acertado com a Uni\u00e3o Europeia de 5,3% do PIB, um corte de mais de 3 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00e9fice do ano passado de 8,51%. Esse objetivo de d\u00e9fice pressup\u00f5e um corte de 35 mil milh\u00f5es de euros num s\u00f3 ano, o que significar\u00e1 um corte m\u00e9dio superior a 14% em cada minist\u00e9rio. A oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime em considerar que este or\u00e7amento coloca em perigo o Estado de bem-estar e a viabilidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Este or\u00e7amento vem a seguir \u00e0 subida do IRPF (imposto das pessoas f\u00edsicas) e do IVA e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de gastos do Estado no valor de 8 mil milh\u00f5es aprovados a 30 de dezembro \u00faltimo. Seguiu-se a dur\u00edssima reforma laboral, que prev\u00ea, entre outras medidas, a facilita\u00e7\u00e3o dos despedimentos e a redu\u00e7\u00e3o da indemniza\u00e7\u00e3o ao trabalhador, e o congelamento do sal\u00e1rio m\u00ednimo e dos sal\u00e1rios na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Apesar de o governo desvalorizar, a greve de ontem representou uma dura prova para a governa\u00e7\u00e3o Rajoy. J\u00e1 antes, nas elei\u00e7\u00f5es auton\u00f3micas de Andaluzia, realizadas este m\u00eas, o governo demonstrou que j\u00e1 est\u00e1 a ser contestado. Na Andaluzia, apesar do desgaste do PSOE, que perdeu 700 mil votos em compara\u00e7\u00e3o com as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, o PP n\u00e3o poder\u00e1 governar a regi\u00e3o e ainda perdeu 170 mil votos. No total, os partidos do \u201ccentr\u00e3o\u201d em Espanha, os m\u00e1ximos respons\u00e1veis pelas pol\u00edticas desastrosas no per\u00edodo democr\u00e1tico, perderam cerca de 870 mil votos. Em sentido contr\u00e1rio, subiram a Izquierda Unida, que obteve mais 120 mil votos, os votos nulos ou brancos e a absten\u00e7\u00e3o, que aumentou para 38%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifesta\u00e7\u00f5es de centenas de milhares secundaram a greve geral de ontem contra a reforma laboral e os cortes do governo, evidenciando o descontentamento social com as medidas de austeridade do governo de Mariano Rajoy, do PP (direita), que tomou posse h\u00e1 pouco mais de 100 dias. 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