{"id":677,"date":"2012-03-22T14:17:12","date_gmt":"2012-03-22T13:17:12","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/03\/22\/china-potencia-mundial-ou-submetropole-dependente\/"},"modified":"2012-03-22T14:17:12","modified_gmt":"2012-03-22T13:17:12","slug":"china-potencia-mundial-ou-submetropole-dependente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/03\/22\/china-potencia-mundial-ou-submetropole-dependente\/","title":{"rendered":"China: pot\u00eancia mundial ou submetr\u00f3pole dependente?"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t\tA:link { so-language: zxx } \t--> <\/p>\n<p>O chin\u00eas \u00e9 um modelo baseado na superexplora\u00e7\u00e3o e na ditadura, amea\u00e7ado pela crise mundial e pelas lutas oper\u00e1rias. Partimos do facto de que o capitalismo foi restaurado na China e a sua economia hoje est\u00e1 totalmente integrada \u00e0 economia capitalista mundial. E de que a restaura\u00e7\u00e3o capitalista, iniciada em 1978, deu-se de forma subordinada ao imperialismo.<\/p>\n<p>Basta lembrar que entre as primeiras medidas de \u201cabertura ao mundo ocidental\u201d de Deng Xiaoping estava o estabelecimento de Zonas Econ\u00f3micas Especiais abertas aos investimentos privados estrangeiros, com a supress\u00e3o do controle estatal do com\u00e9rcio exterior, dando origem ao que ficou conhecido como a \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Trinta anos depois n\u00e3o houve nenhuma mudan\u00e7a de rumo nesta pol\u00edtica de abertura; ao contr\u00e1rio, esta se ampliou a todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Os investimentos estrangeiros diretos (IED) aumentaram ano a ano, alcan\u00e7ando US$1,05 bili\u00f5es entre 1982 e 2009.<\/p>\n<p>O afluxo de capital estrangeiro, o roubo do ex-Estado oper\u00e1rio promovido pelo Partido Comunista Chin\u00eas (PCCh), com a apropria\u00e7\u00e3o de empresas estatais por seus membros transformados em novos burgueses, e a superexplora\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria fizeram com que o PIB crescesse 10% em m\u00e9dia nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. Este crescimento excecional, no entanto, beneficiou basicamente a burguesia. A participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB encolheu de 57% em 1983 para 36,7% em 2003.<\/p>\n<p>O desenvolvimento subordinado ao imperialismo beneficiou primeiramente as multinacionais. As estatais reduziram a sua participa\u00e7\u00e3o na economia para 38% em 2010 (73% em 1988), com participa\u00e7\u00e3o privada entre 10 e 30% de a\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s a transforma\u00e7\u00e3o de todas elas em sociedades de capital aberto. Al\u00e9m disso, \u00e9 cada vez maior o peso de empresas produtoras de bens de alto valor agregado nas quais a participa\u00e7\u00e3o das multinacionais \u00e9 dominante.<\/p>\n<p>Estas, segundo Theodore H. Moran (1), da <em>School of Foreign Service<\/em>, Universidade de Georgetown, em 2006 eram respons\u00e1veis pela exporta\u00e7\u00e3o de 84% dessas mercadorias (contra 45% em 1992). A burguesia chinesa tem presen\u00e7a maiorit\u00e1ria na produ\u00e7\u00e3o de produtos de baixa tecnologia. A \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d \u00e9, portanto, uma base das multinacionais instaladas na China, e as suas maiores benefici\u00e1rias, pois o valor das exporta\u00e7\u00f5es de produtos de alto valor agregado chegou a 67% do total em 2005, um neg\u00f3cio de US$ 500 mil milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, uma \u201clei de domina\u00e7\u00e3o colonial\u201d imp\u00f5e-se na China: a participa\u00e7\u00e3o das multinacionais aumenta com o aumento do valor agregado dos produtos fabricados no pa\u00eds dependente. Por exemplo, em 2002 as empresas estrangeiras representavam 39,2% do total de ind\u00fastrias t\u00eaxteis do pa\u00eds. Mas na ind\u00fastria de computadores estes valores sobem a impressionantes 99,4%. Na ind\u00fastria de telecomunica\u00e7\u00e3o, a percentagem de componentes importados \u00e9 de 91,6%.<\/p>\n<p>Um exemplo interessante mostra a verdadeira rapina efetuada pelas multinacionais em solo chin\u00eas: uma pesquisa realizada pela Universidade da Calif\u00f3rnia (2) mostra que do pre\u00e7o de US$299 por um iPod em 2005, \u201co valor adicionado ao produto atrav\u00e9s da montagem na China \u00e9 provavelmente de alguns d\u00f3lares no m\u00e1ximo\u201d, o resto vai direto para os bolsos dos fornecedores dos componentes importados.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o exista uma burguesia chinesa que se beneficie dessa rapina, por\u00e9m como s\u00f3cios menores e dependentes do imperialismo. Terry Gou, o taiwan\u00eas propriet\u00e1rio da Foxconn, onde o iPod \u00e9 fabricado, tem uma fortuna de US$5,7 mil milh\u00f5es, mas para isso ele necessita explorar um milh\u00e3o de trabalhadores em suas f\u00e1bricas de aluguel \u00e0s multinacionais.<\/p>\n<p>Obviamente, os dirigentes do PCCh n\u00e3o ficam de fora. Segundo Minki Li (3), \u201cWen Jiabao, \u00e9 um dos primeiros-ministros mais ricos do mundo. O seu filho \u00e9 propriet\u00e1rio da maior empresa privada da China, e a sua esposa controla a ind\u00fastria de joalharia. A sua fortuna \u00e9 calculada em US$ 4,65 mil milh\u00f5es. Estima-se que Jiang Zemin (ex-presidente e secret\u00e1rio geral do PCCh) possua US$ 1,1 mil milh\u00f5es, e Zhu Rongji (ex-primeiro-ministro) US$ 800 milh\u00f5es\u201d. Certamente todos eles, dedicados \u201ccomunistas\u201d do PCCh, aproveitaram-se das vantagens dos cargos, da influ\u00eancia nas estatais e da corrup\u00e7\u00e3o desenfreada (que, segundo Li, pode chegar a movimentar 18% do PIB) para transformarem-se num setor importante da burguesia chinesa.<\/p>\n<p>As empresas do estado tamb\u00e9m voltaram a ter import\u00e2ncia, com participa\u00e7\u00e3o maiorit\u00e1ria nos ramos de energia, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, telecomunica\u00e7\u00f5es e armamentos. O governo chin\u00eas aproveitou-se da crise econ\u00f3mica mundial para fortalec\u00ea-las com um generoso financiamento, inclusive com a aquisi\u00e7\u00e3o de empresas no exterior. No ranking da revista <em>Fortune<\/em>, entre as 10 maiores empresas em valor de mercado do mundo (isto \u00e9, o valor das a\u00e7\u00f5es negociadas na Bolsa) em 2010, quatro pertencem ao estado chin\u00eas: a China Mobile com sede em Hong Kong, a Petrochina, o Banco Industrial e Comercial da China e o Banco de Constru\u00e7\u00e3o da China. As outras seis maiores s\u00e3o norte-americanas. Esta poderosa presen\u00e7a chinesa \u00e9 mais difusa se considerarmos as 50 maiores empresas. Entre elas, 25 s\u00e3o norte-americanas e sete s\u00e3o empresas do estado chin\u00eas.<\/p>\n<p>Este fortalecimento pode ter duas causas. A primeira \u00e9 o aumento geral dos pre\u00e7os das <em>commodities<\/em>, devido \u00e0 demanda crescente por mat\u00e9rias primas nos pa\u00edses imperialistas. A segunda \u00e9 a necessidade da pr\u00f3pria China de alimentar a sua fome por energia, de manter o controle ditatorial das comunica\u00e7\u00f5es no pa\u00eds e de controlar o capital financeiro, como fonte de cr\u00e9dito e de corrup\u00e7\u00e3o. Este \u00e9, por sinal, o pr\u00f3ximo setor a ser aberto ao capital internacional, devido \u00e0s exig\u00eancias feitas pelo imperialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que definimos a China como uma submetr\u00f3pole. Tal como o Brasil, \u00e9 um pa\u00eds economicamente dependente do imperialismo, exercendo um papel combinado de semicol\u00f3nia e de submetr\u00f3pole \u201cregional\u201d, e n\u00e3o tem como livrar-se dessa depend\u00eancia, a n\u00e3o ser atrav\u00e9s de uma guerra de classes sob a dire\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os tra\u00e7os principais desse papel s\u00e3o: as riquezas chinesas s\u00e3o saqueadas pelo imperialismo, n\u00e3o as riquezas naturais, que s\u00e3o uma das principais car\u00eancias da China, mas a riqueza de sua for\u00e7a de trabalho. A burguesia nacional, formada a partir da restaura\u00e7\u00e3o, busca expandir-se \u00e0 sombra e como s\u00f3cia menor do imperialismo, o que pode levar a choques eventuais com o pr\u00f3prio imperialismo, mas sem questionar seu dom\u00ednio. Por fim, a China \u00e9 utilizada como plataforma de exporta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de <em>commodities<\/em>, mas de produtos industrializados; e n\u00e3o apenas para os pa\u00edses vizinhos, mas para todo o mundo.<\/p>\n<p>No entanto, a China n\u00e3o tem uma d\u00edvida externa impag\u00e1vel. Ao contr\u00e1rio do Brasil, \u00e9 credora dos EUA. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio avaliar de perto a rela\u00e7\u00e3o entre os dois Estados.<\/p>\n<p><strong>Conflitos gerados pela crise econ\u00f3mica<\/strong><\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 descrita na imprensa como sendo simbi\u00f3tica, isto \u00e9, um dependeria do outro para sobreviver. A China beneficia-se do mercado norte-americano para as suas exporta\u00e7\u00f5es, e os EUA, dos pre\u00e7os baixos dos produtos chineses. Isso mant\u00e9m uma infla\u00e7\u00e3o insignificante nos EUA, que podem praticar juros baix\u00edssimos para alimentar o cr\u00e9dito, e a China \u00e9 beneficiada com um enorme superavit da balan\u00e7a comercial. O c\u00edrculo \u00e9 fechado com o retorno deste superavit aos EUA por meio da compra de t\u00edtulos do tesouro americano e a realimenta\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito norte-americano. Al\u00e9m disso, este mecanismo cria uma situa\u00e7\u00e3o de pleno emprego nos dois pa\u00edses, um no setor industrial e o outro no de servi\u00e7os. E, assim, os dois pa\u00edses cresceriam indefinidamente, numa esp\u00e9cie de moderno moto-perp\u00e9tuo econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>S\u00f3 n\u00e3o contavam com a crise econ\u00f3mica mundial, que transformou o moto-perp\u00e9tuo no \u201csalve-se quem puder\u201d. Assim, depois da primeira d\u00e9cada do novo s\u00e9culo recheada de elogios ao \u201cmodelo chin\u00eas\u201d (4), o governo norte-americano passou a desferir amargas cr\u00edticas: leis protecionistas para participa\u00e7\u00e3o de licita\u00e7\u00f5es do governo chin\u00eas; amea\u00e7a militar \u00e0s instala\u00e7\u00f5es dos EUA na \u00c1sia; agigantamento das empresas do estado em detrimento das empresas privadas; apropria\u00e7\u00e3o de tecnologia e, finalmente, a manuten\u00e7\u00e3o de uma taxa artificial de c\u00e2mbio e o deficit comercial.(5)<\/p>\n<p>Segundo o Congresso norte-americano, \u201cdesde a entrada da China na OMC, o deficit comercial dos EUA chegou a US$ 1,76 bili\u00f5es. A China adotou medidas para encorajar as empresas estrangeiras a transferir a sua produ\u00e7\u00e3o, tecnologia e pesquisa em troca de acesso a seu mercado&#8230; Em julho de 2008, em resposta \u00e0 crise financeira global, a China congelou a taxa de c\u00e2mbio de sua moeda&#8230; At\u00e9 13 de outubro de 2010, o yuan havia valorizado apenas 2,3%, muito abaixo da desvaloriza\u00e7\u00e3o &#8211; estimada pelos \u00f3rg\u00e3os imperialistas &#8211; entre 20 e 40%\u201d.<\/p>\n<p>Quando o imperialismo reclama do &#8220;expansionismo e protecionismo&#8221; chin\u00eas, \u00e9 para obter ainda mais concess\u00f5es, n\u00e3o porque haja uma amea\u00e7a real \u00e0 sua hegemonia. Com a retra\u00e7\u00e3o da economia mundial no pr\u00f3ximo per\u00edodo e as perspetivas pouco animadoras nos EUA, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de lucro para todos.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia da mais-valia obtida pelas empresas estrangeiras na China atrav\u00e9s da compra de t\u00edtulos do Tesouro n\u00e3o \u00e9 mais satisfat\u00f3ria para o conjunto da burguesia norte-americana. \u00c9 necess\u00e1rio, agora, extrair a mais-valia diretamente da classe oper\u00e1ria norte-americana, que teve o seu sal\u00e1rio rebaixado pelos acordos coletivos assinados pela burocracia sindical e tem uma produtividade muito maior.<\/p>\n<p>A China, por sua vez, n\u00e3o aproveita a sua suposta posi\u00e7\u00e3o de superioridade. Frente \u00e0 quest\u00e3o das reservas e do tipo de c\u00e2mbio d\u00f3lar-yuan, mant\u00e9m a compra e venda de t\u00edtulos, mesmo que num n\u00edvel menor (6), e volta a valorizar o yuan. Ap\u00f3s o rebaixamento da avalia\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos norte-americanos e a queda das bolsas, o Banco Central da China anunciou a valoriza\u00e7\u00e3o do yuan em 0,23% &#8211; a maior desde novembro passado -, para \u201csegurar\u201d uma queda dos t\u00edtulos.<\/p>\n<p>E para deixar claro que n\u00e3o est\u00e1 havendo \u201cprotecionismo\u201d, Bai Ming, do Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio, afirmou que \u201cem conson\u00e2ncia com o 12\u00ba Plano Quinquenal, a China far\u00e1 mais esfor\u00e7os para melhorar o clima de investimentos e oferecer mais oportunidades de investimentos \u00e0s empresas estrangeiras\u201d.<\/p>\n<p>A reserva acumulada pela China de US$ 3 bili\u00f5es, dos quais a metade em t\u00edtulos do Tesouro dos EUA, n\u00e3o a torna mais forte e independente, mas mais vulner\u00e1vel e dependente. Bastaria dar a impress\u00e3o de que vai vender os seus t\u00edtulos para causar uma corrida de venda pelos demais pa\u00edses, o que provocaria uma enorme desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar; um suic\u00eddio financeiro para a China. Isto \u00e9 assim porque o d\u00f3lar ainda \u00e9 a moeda mais forte do mundo. E a sua for\u00e7a \u00e9 apenas um reflexo monet\u00e1rio do pa\u00eds que a emite.<\/p>\n<p><strong>O PIB \u00e9 a prova definitiva?<\/strong><\/p>\n<p>Por\u00e9m, se a China ainda \u00e9 dependente dos EUA, existe uma grande pol\u00e9mica em torno ao seu futuro, com uma quantidade enorme de t\u00edtulos nas livrarias qualificando a China de nova pot\u00eancia mundial (7). Para isso, a grande maioria desses autores utiliza-se do crit\u00e9rio do aumento do PIB ou do com\u00e9rcio \u2013 o que d\u00e1 no mesmo, pois o PIB \u00e9 uma medida do consumo (das pessoas, do capital e do governo) de um determinado pa\u00eds.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio FMI fez a previs\u00e3o de que em 2016 a China ultrapassar\u00e1 os EUA no valor do PIB (ppc) (8), que em 2010 foi de US$ 10,1 e US$ 14,7 bili\u00f5es, respetivamente, trabalhando com uma taxa de crescimento constante do PIB de 2,7% para os EUA e 9,5% para a China. O PIB da China, inclusive, j\u00e1 ultrapassou os da Alemanha e do Jap\u00e3o<\/p>\n<p>O crescimento do PIB \u00e9, por\u00e9m, suficiente para determinar a posi\u00e7\u00e3o relativa de for\u00e7a entre os pa\u00edses? Isto \u00e9, o fato de a China ter o segundo maior PIB do mundo torna-a a segunda pot\u00eancia mundial? Por exemplo, a Argentina foi a 5\u00aa economia do mundo na d\u00e9cada de 30, a &#8220;d\u00e9cada infame&#8221;, e, no entanto, era uma col\u00f3nia da Inglaterra. O Brasil foi a oitava economia do mundo durante o &#8220;milagre econ\u00f3mico&#8221; e viveu uma d\u00e9cada de \u201ccrescimento chin\u00eas, com \u00edndice m\u00e9dio do PIB de 8,9% entre 1970 e 1980 (9), mas o seu crescimento estava baseado na exporta\u00e7\u00e3o de capital dos EUA. Os dois pa\u00edses tinham uma posi\u00e7\u00e3o privilegiada no com\u00e9rcio mundial e a sua industrializa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ava, mas nunca deixaram de ser completamente dependentes e subservientes do imperialismo hegem\u00f3nico em cada \u00e9poca e nunca questionaram essa hegemonia.<\/p>\n<p>Trotsky tamb\u00e9m n\u00e3o concordava com a \u201cditadura do PIB\u201d. Mesmo no caso da jovem URSS, cujo crescimento poderia amea\u00e7ar concretamente o imperialismo, por se tratar de um Estado oper\u00e1rio (a n\u00e3o ser, \u00e9 claro, pela pol\u00edtica da burocracia sovi\u00e9tica), ele dizia em <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda<\/em>: \u201cQuando nos dizem que a URSS ocupar\u00e1, em 1936, o primeiro lugar na Europa quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial, despreza-se n\u00e3o s\u00f3 a qualidade e o pre\u00e7o de custo, mas ainda o n\u00famero da popula\u00e7\u00e3o. Ora, o n\u00edvel de desenvolvimento geral do pa\u00eds e, mais particularmente, a condi\u00e7\u00e3o material das massas n\u00e3o podem ser determinadas, a n\u00e3o ser em tra\u00e7os gerais, sen\u00e3o dividindo a produ\u00e7\u00e3o pelo n\u00famero de consumidores\u201d(10).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a isso, basta lembrar que o PIB (ppc) <em>per capita<\/em> dos EUA previsto pelo FMI para 2016 continuaria quatro vezes maior que o da China, enquanto o PIB nominal <em>per capita<\/em> seria sete vezes maior (em 2010 os n\u00fameros foram 6,3 e 11 vezes, respetivamente).<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o basta; para Trotsky: \u201cA correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, hoje, \u00e9 determinada n\u00e3o pela din\u00e2mica de crescimento, mas, sim, pela contraposi\u00e7\u00e3o do todo o poderio de ambos os campos de for\u00e7a, expressa na acumula\u00e7\u00e3o material, na t\u00e9cnica, na cultura e, sobretudo, na produtividade do trabalho humano\u201d.<\/p>\n<p>Em cada um destes itens \u2013 acumula\u00e7\u00e3o material, t\u00e9cnica e cultura \u2013 a superioridade das atuais pot\u00eancias mundiais, com os EUA \u00e0 frente, \u00e9 evidente. Mas a produtividade (11) \u00e9 o fator determinante, o que nos leva a perguntar qual \u00e9 a produtividade chinesa em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Segundo Carsten A. Hozl (12), pesquisador da Universidade de Princeton (EUA), \u201cconforme o trabalho \u00e9 transferido da agricultura de baixa produtividade para os setores de ind\u00fastria e servi\u00e7os de alta produtividade, o PIB real por trabalhador, isto \u00e9, a produtividade do trabalho, aumenta, somente porque estes trabalhadores que mudaram de setor agora produzem um m\u00faltiplo de sua produ\u00e7\u00e3o anterior\u201d. Este \u00e9 o caso da China, com mais de 200 milh\u00f5es de migrantes do campo transferidos para os trabalhos industriais nas grandes cidades. Enquanto esta migra\u00e7\u00e3o continuar, a produtividade do trabalho na China continuar\u00e1 a aumentar \u201cnaturalmente\u201d, mas apenas para alcan\u00e7ar um est\u00e1gio bastante inferior em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses industrializados.<\/p>\n<p>Segundo Robert E. Scott (13), economista, em 2010 \u201cas empresas estrangeiras empregaram 3% da for\u00e7a de trabalho chinesa, mas geraram 22% de sua produ\u00e7\u00e3o. Sua produtividade geral era nove vezes maior que as empresas chinesas. Na manufatura, esta rela\u00e7\u00e3o era de 4:1, sendo respons\u00e1veis por cerca de 40% do recente crescimento econ\u00f3mico da China\u201d.<\/p>\n<p>Carsten Holz confirma esses n\u00fameros: \u201ca China permaneceu nesta faixa estreita de (baixo) desenvolvimento, com a produtividade do trabalho de apenas 1,2 a 3,4% do n\u00edvel norte-americano&#8230; a taxa de crescimento da produtividade do trabalho foi relativamente alta, de 9%\u201d.<\/p>\n<p>Esta alta taxa de 9%, devido \u00e0 transfer\u00eancia de trabalhadores do campo para a cidade, tende a ser reduzida quando a produtividade da pr\u00f3pria ind\u00fastria passar a ser preponderante no conjunto da sociedade. Para isso \u00e9 necess\u00e1ria uma melhoria da t\u00e9cnica, a maior forma\u00e7\u00e3o do trabalhador, o aumento do ritmo do trabalho, etc. Ao mesmo tempo, a produtividade dos pa\u00edses imperialistas continuar\u00e1 crescendo, devido \u00e0 press\u00e3o da concorr\u00eancia. Nos EUA, o pa\u00eds com a maior produtividade do mundo, a taxa anual de produtividade industrial foi de 7,3% em 2002 e s\u00f3 foi negativa em 2008 e 2009 (-0,4%), anos que se seguiram \u00e0 explos\u00e3o da \u201cbolha\u201d imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p>O crescimento vertiginoso da China nesta d\u00e9cada ocorreu devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o na divis\u00e3o mundial do trabalho definida pelo imperialismo e de uma forma subordinada ao conjunto da economia mundializada. Dito de outra forma, a condi\u00e7\u00e3o de submetr\u00f3pole do imperialismo foi determinada, e n\u00e3o escolhida pelo governo chin\u00eas, a partir do momento em que a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo foi iniciada. O rompimento desta subordina\u00e7\u00e3o n\u00e3o se dar\u00e1 por meios puramente econ\u00f3micos, mas pela luta de classes e, certamente, n\u00e3o ser\u00e1 realizado pela ditadura chinesa.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora chinesa<\/strong><\/p>\n<p>O que se passa com a classe oper\u00e1ria na China? E com os camponeses? O \u00faltimo censo (2010) estimou em 50% a popula\u00e7\u00e3o urbana. Entre esta, um n\u00famero enorme de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. Segundo a Secretaria Nacional de Estat\u00edsticas da China, eram entre 20 e 30 milh\u00f5es de trabalhadores com registo urbano que, somando-se os membros das fam\u00edlias, chegavam a 40 ou 50 milh\u00f5es. A estes \u00e9 necess\u00e1rio adicionar os migrantes. Entre eles, calcula-se que 15 a 20% vivem abaixo da linha de pobreza, gerando um total de at\u00e9 70 milh\u00f5es em 2001 (14), e n\u00e3o h\u00e1 motivos para acreditar que estes n\u00fameros tenham sofrido modifica\u00e7\u00f5es essenciais.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m lembrar que existem prov\u00edncias com o sal\u00e1rio m\u00ednimo entre US$ 108 e US$ 120, n\u00e3o sendo considerados abaixo da linha de pobreza moderada (renda menor que US$ 60 mensais). Em 2008 havia 278 milh\u00f5es de trabalhadores urbanos (na ind\u00fastria e servi\u00e7os) (15), dos quais 140 milh\u00f5es eram migrantes. Destes, cerca de 80% n\u00e3o possu\u00edam qualquer tipo de benef\u00edcio social e 75% recebiam o sal\u00e1rio m\u00ednimo, que correspondia a 55% do sal\u00e1rio m\u00e9dio dos trabalhadores com registo urbano (16).<\/p>\n<p>Entre os camponeses, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior; a renda m\u00e9dia da fam\u00edlia camponesa \u00e9 cerca de tr\u00eas vezes menor que a urbana, e entre os 42% que vivem com menos de dois d\u00f3lares por dia (540 milh\u00f5es de pessoas, sendo que 170 milh\u00f5es vivem com menos de um d\u00f3lar), a maioria \u00e9 camponesa. As moradias camponesas s\u00e3o, em geral, de taipa, de c\u00f3modo \u00fanico, com piso de terra batida e apenas algumas cadeiras e uma mesa como mob\u00edlia (17).<\/p>\n<p>\u00c9 com base na sua situa\u00e7\u00e3o material que a classe oper\u00e1ria chinesa vive um ascenso continuado h\u00e1 v\u00e1rios anos, atingindo um novo patamar com as greves nas empresas automobil\u00edsticas no primeiro semestre de 2010. Antes de 2008 as greves eram defensivas, pelo pagamento de sal\u00e1rios atrasados, indemniza\u00e7\u00f5es por demiss\u00e3o ou contra as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e envolviam trabalhadores sem especializa\u00e7\u00e3o. Ma, em 2010, as greves reivindicavam aumento salarial e envolviam oper\u00e1rios especializados, em geral jovens com forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, o que causou uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia em dezenas de f\u00e1bricas com greves vitoriosas e for\u00e7ou o governo a decretar um aumento generalizado do sal\u00e1rio m\u00ednimo para evitar uma convuls\u00e3o social. O sal\u00e1rio m\u00ednimo de Guangzhou, capital da prov\u00edncia de Guangdong, com uma enorme concentra\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas \u00e0s margens do Rio das P\u00e9rolas, passou de US$ 160 em 2010 para US$ 200 em 2011.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, as lutas continuam a crescer ano a ano. Passaram de 10 mil \u201cincidentes de massas\u201d em 1993 para 74 mil em 2004. E, segundo Sun Liping, soci\u00f3logo da Universidade de Tsinghua, estes n\u00fameros dobraram entre 2006 e 2010, chegando a impressionantes 180 mil a\u00e7\u00f5es do movimento de massas no ano passado (490 por dia!) (18). Isso se d\u00e1 pelo fato de o crescimento econ\u00f3mico aumentar a confian\u00e7a dos trabalhadores em suas for\u00e7as e pela forma\u00e7\u00e3o de uma \u201cnova\u201d classe oper\u00e1ria, chamada de \u201csegunda gera\u00e7\u00e3o de migrantes\u201d, mais exigente, com mais forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e mais consci\u00eancia de classe.<\/p>\n<p>A ditadura chinesa sabe disso e age com cautela, a evitar o confronto direto com a classe, a fazer concess\u00f5es econ\u00f3micas parciais, mas impedindo qualquer organiza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores atrav\u00e9s da pris\u00e3o dos l\u00edderes, o que envolve maus tratos, tortura, agress\u00e3o psicol\u00f3gica e at\u00e9 a pena de morte, e do banimento de qualquer organiza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A sua pol\u00edtica \u00e9 desviar as lutas, com a aprova\u00e7\u00e3o de leis trabalhistas e uma forte campanha de \u201cgovernar de acordo com a lei\u201d, for\u00e7ando os trabalhadores a recorrer aos tribunais em vez da a\u00e7\u00e3o direta. Para iss, o governo conta com o seu bra\u00e7o sindical, a Federa\u00e7\u00e3o dos Sindicatos da China, a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o sindical legal da China, totalmente subordinada ao PCCh. A sua burocracia tem la\u00e7os materiais com a burguesia chinesa, al\u00e9m de ser propriet\u00e1ria de empresas, como hot\u00e9is. Foi uma das maiores patrocinadoras da aprova\u00e7\u00e3o da Lei do Contrato de Trabalho em 2007, e a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 impedir qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o de confronto com o governo.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O crescimento da China est\u00e1 apoiado em um trip\u00e9: a superexplora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, o papel de plataforma de exporta\u00e7\u00e3o conferido pelo imperialismo, para aproveitar essa m\u00e3o de obra barata, e a garantia da explora\u00e7\u00e3o e dos investimentos estrangeiros dada pela ditadura chinesa.<\/p>\n<p>Com a crise econ\u00f3mica mundial, o imperialismo norte-americano quer uma mudan\u00e7a do atual \u201cmodelo\u201d: a redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es chinesas e o aumento das importa\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s da valoriza\u00e7\u00e3o do yuan. Para isso, o novo Plano Quinquenal da China prev\u00ea a orienta\u00e7\u00e3o da economia chinesa ao mercado interno e a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias de maior valor agregado. Isto abrir\u00e1 um novo mercado para investimentos nos setores de servi\u00e7os e financeiro e para exporta\u00e7\u00e3o de bens de capital \u00e0 China, a fim de mecanizar as suas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, este movimento dar\u00e1 \u00e0s empresas instaladas nos EUA melhores condi\u00e7\u00f5es de concorr\u00eancia. Duas not\u00edcias ilustram bem este fato. Terry Gou declarou que instalar\u00e1 um milh\u00e3o de rob\u00f4s em suas f\u00e1bricas at\u00e9 2013, para \u201cmover para cima a cadeia de valor\u201d, isto \u00e9, para demitir trabalhadores devido ao aumento dos sal\u00e1rios e aumentar a produtividade. E um estudo da <em>Boston Consulting Group<\/em> (BCG) revelou que, se for levado em conta a maior produtividade e a atual precariza\u00e7\u00e3o do trabalho nos EUA, a diferen\u00e7a de custo salarial entre a China e os estados do sul dos EUA cai para 30%. Aumentos salariais m\u00e9dios da ordem de 17% ao ano na China e a valoriza\u00e7\u00e3o do yuan levariam os custos de produ\u00e7\u00e3o e transporte a se igualarem em 2015.<\/p>\n<p>De facto, algumas empresas j\u00e1 est\u00e3o a instalar f\u00e1bricas em territ\u00f3rio norte-americano, em vez da China, e at\u00e9 a trazer unidades de volta. A <em>Caterpillar<\/em> anunciou a expans\u00e3o de sua f\u00e1brica de escavadeiras no Texas; a <em>NCR Corporation<\/em> est\u00e1 a trazer de volta a produ\u00e7\u00e3o de suas m\u00e1quinas ATM para a Ge\u00f3rgia, e at\u00e9 mesmo uma f\u00e1brica de brinquedos, a Wham-O Inc, que fechou a produ\u00e7\u00e3o de 50% de algumas linhas de seus produtos na China para fabric\u00e1-los nos EUA. A justificativa n\u00e3o poderia ser mais c\u00ednica: \u201c<em>Trabalhadores e sindicatos est\u00e3o mais recetivos a aceitar concess\u00f5es para trazer os empregos de volta aos EUA. O apoio do Estado e governos locais pode pender a balan\u00e7a<\/em>\u201d, disse Michael Zinser, da BCG.<\/p>\n<p>Para manter seus neg\u00f3cios na China, sem sofrer com os aumentos salariais ocorridos nos \u00faltimos anos (19), a burguesia est\u00e1 a deslocar as suas f\u00e1bricas para o interior, a fim de explorar os camponeses expulsos de suas terras (dez milh\u00f5es foram expulsos nos \u00faltimos cinco anos) ou atra\u00eddos pela possibilidade de melhoria em suas vidas, sem a necessidade de que estes migrem para as grandes cidades do litoral. A popula\u00e7\u00e3o rural na China ainda \u00e9 muito grande \u2013 50% (20) &#8211; e significa um enorme \u201cex\u00e9rcito campon\u00eas\u201d de reserva para pressionar os sal\u00e1rios para baixo. A mecaniza\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias tamb\u00e9m levar\u00e1 \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho e ao aumento do desemprego.<\/p>\n<p>A jovem classe oper\u00e1ria chinesa \u2013 a segunda gera\u00e7\u00e3o de migrantes \u2013 consolidada em anos de lutas contra a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixar\u00e1 que suas condi\u00e7\u00f5es de vida piorem ainda mais, e sempre encontrar\u00e1 pela frente a ditadura militar do PCCh e seu bra\u00e7o sindical, n\u00e3o a d\u00e9bil burguesia chinesa.<\/p>\n<p>O governo chin\u00eas tamb\u00e9m enfrenta m\u00faltiplos problemas na condu\u00e7\u00e3o da economia desde que lan\u00e7ou o pacote de est\u00edmulo de US$ 585 mil milh\u00f5es em 2009. Conseguiu abrandar a crise na China, mas criou v\u00e1rias \u201cbolhas\u201d devido ao cr\u00e9dito f\u00e1cil, subs\u00eddios e incentivos ao consumo.<\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o civil, tornaram-se famosas as cidades fantasmas; no ramo automobil\u00edstico, que est\u00e1  a sofrer retra\u00e7\u00e3o do consumo com o fim dos subs\u00eddios e, principalmente, no ramo financeiro. O aumento dos meios de pagamento ampliados (M2) foi de 64,3% desde 2009, superando em muito o crescimento do M2 nos EUA, de 10,4% no mesmo per\u00edodo. Isto \u00e9, uma quantidade incalcul\u00e1vel de dinheiro foi jogada no mercado. A explos\u00e3o dessa bolha ter\u00e1 o mesmo significado para a China que a fal\u00eancia do banco Lehman Brothers teve para os EUA.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o monet\u00e1ria levou ao aumento da infla\u00e7\u00e3o, que chegou a 6,5% em junho, superando em muito a meta de 4% (economistas independentes dizem que a infla\u00e7\u00e3o real pode chegar ao dobro do divulgado). O governo tem adotado medidas fiscais para combat\u00ea-la, como o aumento dos juros e retirada de subs\u00eddios. Planeia, tamb\u00e9m, uma redu\u00e7\u00e3o do crescimento do PIB para cerca de 7% nos pr\u00f3ximos cinco anos, para esfriar a economia.<\/p>\n<p>O recrudescimento da crise nos pa\u00edses imperialistas poder\u00e1 fazer explodir o trip\u00e9 do crescimento chin\u00eas. Mas para isso ser\u00e1 fundamental que a classe oper\u00e1ria aponte as suas armas para um ajuste de contas com a ditadura. A luta contra a explora\u00e7\u00e3o deve ser combinada com a luta pelas liberdades democr\u00e1ticas, como a liberdade de organiza\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica e de express\u00e3o, para a transforma\u00e7\u00e3o das greves isoladas numa \u00fanica luta nacional, unindo os setores oprimidos da cidade e do campo, com o objetivo de derrubar o governo opressor.<\/p>\n<p><strong>Escrito por Marcos Margarido PSTU\/Brasil<\/strong><\/p>\n<p><em>Fonte: Artigo publicado na Revista Correio Internacional (Terceira \u00c9poca) n. 06, de setembro de 2011.<\/em><\/p>\n<p>1 Testemunho perante a <em>U.S.-China Economic and Security Review Commission<\/em> do Congresso norte-americano, mar\u00e7o de 2010.<\/p>\n<p>2 Greg Linden, Kenneth L, Kraemer, Jason Dedrick, <em>Who Captures Value in a Global Innovation System? The case of Apple\u2019s iPod<\/em>, University of California, 2007<\/p>\n<p>3 Mink Li, <em>The rise of the working class and the future of the Chinese revolution, <\/em>Monthly Review, v. 63, junho de 2011.<\/p>\n<p>4 Em agosto de 2005 o Conselho de Neg\u00f3cios EUA-China (USCBC) publicou uma pesquisa entre seus membros. 58% das empresas consideraram a China como prioridade mundial, 74% afirmaram que aumentariam seu compromisso com a China e 67% tiveram seus lucros aumentados.<\/p>\n<p>5 Relat\u00f3rio da comiss\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e de seguran\u00e7a entre EUA e China (US-China Economic and Security Review Comission) do Congresso norte-americano, 2010.<\/p>\n<p>6 H\u00e1 alguns economistas que sugerem que a compra pode at\u00e9 ter aumentado atrav\u00e9s de mercados paralelos, por exemplo, de Londres, porque o superavit comercial chin\u00eas continua crescendo.<\/p>\n<p>7 Cito alguns: Gunder Frank, <em>Reorient: global economy in the Asian age<\/em>; G. Murray, <em>China: the next superpower<\/em>; E. Timperlake, <em>Red Dragon rising: Communist China\u2019s military threat to America<\/em>.<\/p>\n<p>8 O PIB-ppc (paridade de poder de compra) visa eliminar a diferen\u00e7a do poder de compra entre os pa\u00edses. Define-se uma \u201ccesta b\u00e1sica\u201d e divide-se os pre\u00e7os encontrados, cujo resultado \u00e9 um fator que \u201cmede\u201d esta diferen\u00e7a. No caso de EUA e China, o fator era de 3,95 em 2010, isto \u00e9, o custo de vida nos EUA era quase quatro vezes maior que na China.<\/p>\n<p>9 Os valores do PIB no Brasil foram de: 1970 &#8211; 13,86%; 1971 &#8211; 11,4%; 1972 &#8211; 11,9%; 1973 &#8211; 13,8%; 1874 &#8211; 8,2%; 1975 &#8211; 5,1%; 1976 &#8211; 10,4%; 1977 &#8211; 4,8%; 1978 &#8211; 5,1%; 1979 &#8211; 6,7%; 1980 \u2013 9,1%<\/p>\n<p>10 Leon Trotsky, <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda<\/em>, Editora Sundermann, 2005, pag. 51<\/p>\n<p>11 A produtividade \u00e9, grosseiramente, a quantidade de mercadorias produzida num pa\u00eds\/setor\/f\u00e1brica dividida pelo n\u00famero de horas trabalhadas.<\/p>\n<p>12 Carsten Holz, <em>China<\/em>\u2019<em>s economic growth 1978-2025: what we know today about China\u2019s economic growth tomorrow<\/em>, World Development, v. 36, n. 10, 2008.<\/p>\n<p>13 Robert E. Scott, testemunho perante a <em>U.S. China Economic and Security Review Commission<\/em>, mar\u00e7o 2011.<\/p>\n<p>14 Dorothy J. Solinger, <em>The creation of a new underclass in China and its implications<\/em>, International Institute for Environment and Development, <a href=\"http:\/\/www.eau.sagepub.com\/\">www.eau.sagepub.com<\/a><\/p>\n<p>15 Uma pesquisa do Departamento de Estat\u00edstica do Trabalho dos EUA estimava em 112 milh\u00f5es o n\u00famero de oper\u00e1rios industriais em 2006.<\/p>\n<p>16 Qi Dongtao, <em>Chinese working class in predicament<\/em>, <a href=\"http:\/\/www.eai.nus.edu.sg\/Vol2No2_QiDongtao.pdf\">www.eai.nus.edu.sg\/Vol2No2_QiDongtao.pdf<\/a><\/p>\n<p>17 <a href=\"http:\/\/factsanddetails.com\/china.php?itemid=155&amp;catid=11&amp;subcatid=70\">http:\/\/factsanddetails.com\/china.php?itemid=155&amp;catid=11&amp;subcatid=70<\/a><\/p>\n<p>18 Mink Li, <em>The rise of the working class and the future of the Chinese revolution, <\/em>Monthly Review, v. 63, junho de 2011. \u201cIncidentes de massas\u201d \u00e9 uma classifica\u00e7\u00e3o do governo chin\u00eas para todos os tipos de mobiliza\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, desde greves em pequenas f\u00e1bricas at\u00e9 revoltas de milhares. Estes n\u00fameros deixaram de ser informados oficialmente em 2005.<\/p>\n<p>19 Os aumentos nominais, sem descontar a infla\u00e7\u00e3o foram: 4,7% em 2005, 10% em 2006, 6,4% em 2007, 3,2% em 2008, 17% em 2009 e 2010.<\/p>\n<p>20 Este n\u00famero inclui os migrantes por terem visto de resid\u00eancia no campo. A popula\u00e7\u00e3o rural nos EUA \u00e9 de 18% e na Am\u00e9rica Latina \u00e9 de 20%<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O chin\u00eas \u00e9 um modelo baseado na superexplora\u00e7\u00e3o e na ditadura, amea\u00e7ado pela crise mundial e pelas lutas oper\u00e1rias. Partimos do facto de que o capitalismo foi restaurado na China e a sua economia hoje est\u00e1 totalmente integrada \u00e0 economia capitalista mundial. E de que a restaura\u00e7\u00e3o capitalista, iniciada em 1978, deu-se de forma subordinada ao imperialismo. Basta lembrar que entre as primeiras medidas de \u201cabertura ao mundo ocidental\u201d de Deng Xiaoping estava o estabelecimento de Zonas Econ\u00f3micas Especiais abertas aos investimentos privados estrangeiros, com a supress\u00e3o do controle estatal do com\u00e9rcio exterior, dando origem ao que ficou conhecido como<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":676,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-677","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/chinacorreio.jpg?fit=590%2C443","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/677\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/676"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}