{"id":665,"date":"2012-03-13T18:14:01","date_gmt":"2012-03-13T17:14:01","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/03\/13\/nato-e-israel-a-rotina-do-terror\/"},"modified":"2012-03-13T18:14:01","modified_gmt":"2012-03-13T17:14:01","slug":"nato-e-israel-a-rotina-do-terror","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/03\/13\/nato-e-israel-a-rotina-do-terror\/","title":{"rendered":"NATO e Israel: a rotina do terror"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;\">Neste fim de semana, um soldado americano deixou a sua base em Kandahar, no Afeganist\u00e3o, para matar 16 civis numa aldeia pr\u00f3xima, nove dos quais crian\u00e7as. Em Gaza, bombardeios feitos por helic\u00f3pteros Apache, ca\u00e7as F16 e drones israelitas causaram a morte de 25 palestinianos, entre as quais crian\u00e7as. A justificativa de Israel foi a habitual: seriam ataques \u201ccir\u00fargicos\u201d em resposta ao lan\u00e7amento de morteiros desde Gaza contra Israel, que, como \u00e9 habitual, n\u00e3o fizeram v\u00edtimas. Esta \u00e9 a rotina da interven\u00e7\u00e3o militar da NATO naquele pa\u00eds da \u00c1sia e de Israel na Palestina ocupada. O terror faz parte da vida quotidiana das suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;\">Em fevereiro, cerca de um m\u00eas antes do massacre em Kandahar, outros soldados americanos haviam queimado exemplares do Cor\u00e3o e, em janeiro, um v\u00eddeo causou esc\u00e2ndalo ao mostrar fuzileiros navais americanos a urinar sobre cad\u00e1veres de militantes taliban mortos. Tudo isso no quadro de um aumento ano ap\u00f3s ano do n\u00famero de v\u00edtimas afeg\u00e3s civis: 3021 civis foram mortos em 2011, mais 231 do que em 2010.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;\">Os mortos civis s\u00e3o o resultado mais cruel da interven\u00e7\u00e3o militar imperialista, mas existem outras consequ\u00eancias. O Afeganist\u00e3o dez anos ap\u00f3s a entrada da NATO \u00e9 um pa\u00eds devastado. Segundo relat\u00f3rio recente do International Institute for Strategic Studies, quando as tropas da NATO forem embora, o que est\u00e1 previsto para o final de 2014, deixar\u00e3o um pa\u00eds em que a corrup\u00e7\u00e3o atinge todos os escal\u00f5es do regime, a produ\u00e7\u00e3o de hero\u00edna bate recordes e a depend\u00eancia da ajuda externa \u00e9 cada vez maior.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm;\">Se no Afeganist\u00e3o a maioria da popula\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito que combate as tropas imperialistas e o governo corrupto de Hamid Karzai, tornando-se em grande medida aliada dos taliban (que na pr\u00e1tica controlam uma parte do pa\u00eds), nos Estados Unidos os governos pr\u00f3-interven\u00e7\u00e3o de Bush e Obama tamb\u00e9m est\u00e3o a perder a guerra. Pesquisa recente revelou que 60% dos americanos consideram que a guerra no Afeganist\u00e3o n\u00e3o vale a pena e quase o mesmo n\u00famero defende uma retirada antecipada das tropas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm;\">Atualmente, h\u00e1 90 mil soldados americanos no Afeganist\u00e3o, dos quais 22 mil sair\u00e3o ainda este ano. H\u00e1 divis\u00f5es dentro do governo sobre o ritmo com que o resto das tropas abandonar\u00e1 o pa\u00eds, inclusive com comandantes militares a defender a perman\u00eancia, mas Obama sabe que n\u00e3o lhe resta outra alternativa \u2013 pol\u00edtica ou militar \u2013 do que sair do atoleiro antes que este fique insustent\u00e1vel. Mas o problema \u00e9 que ele quer sair de l\u00e1 de forma a demonstrar o indemonstr\u00e1vel, isto \u00e9, que a interven\u00e7\u00e3o militar foi positiva, que os taliban est\u00e3o enfraquecidos e que as for\u00e7as armadas afeg\u00e3s est\u00e3o prontas a assumir o controlo militar do pa\u00eds. Na verdade, o xadrez pol\u00edtico est\u00e1 a ser jogado nas negocia\u00e7\u00f5es entre o governo americano e os taliban, com estes \u00faltimos a dizer que as negocia\u00e7\u00f5es para valer s\u00f3 come\u00e7ar\u00e3o ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o dos seus principais comandantes detidos em Guant\u00e1namo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;\" lang=\"pt-PT\">Como analisou o editorial do jornal brit\u00e2nico <em>Guardian<\/em> em 11 de mar\u00e7o, Barack Obama n\u00e3o ser\u00e1 julgado t\u00e3o gentilmente pelo que est\u00e1 a acontecer no Afeganist\u00e3o como o foi no caso do Iraque. Obama intensificou a guerra no Afeganist\u00e3o com o envio de mais tropas, continuou com as incurs\u00f5es noturnas e os ataques com drones para matar comandantes taliban cuja presen\u00e7a \u00e9  necess\u00e1ria para conseguir a paz e apoia um regime em Cabul dos mais reconhecidamente corruptos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm;\"><strong>F\u00e1brica de assassinos<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;\">Outro aspeto do assassinato em massa em Kandahar \u00e9 a proveni\u00eancia do seu autor. O assassino \u00e9 um homem de 38 anos, sargento do ex\u00e9rcito, casado e pais de dois filhos. Antes de ser deslocado para o Afeganist\u00e3o, esteve por tr\u00eas vezes no Iraque, enviado pela base onde estava sediado, a Lewis-McChord, perto de Washington, uma das maiores institui\u00e7\u00f5es militares dos Estados Unidos, com 100 mil pessoas, entre militares e civis. Al\u00e9m de grande, a Lewis-McChord \u00e9 considerada tamb\u00e9m a base mais problem\u00e1tica do pa\u00eds. Quatro soldados sa\u00eddos de l\u00e1 foram condenados, em 2010, por matar civis afeg\u00e3os de forma s\u00e1dica e depois fotografar os corpos. Em 2011, pelo menos 12 soldados de Lewis-McChord se mataram.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.5cm; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;\">Obama pediu desculpas pelo massacre, mas os afeg\u00e3os j\u00e1 disseram que n\u00e3o querem as suas desculpas, mas sim que o assassino seja julgado no pa\u00eds e a retirada imediata das tropas da NATO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste fim de semana, um soldado americano deixou a sua base em Kandahar, no Afeganist\u00e3o, para matar 16 civis numa aldeia pr\u00f3xima, nove dos quais crian\u00e7as. 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