{"id":659,"date":"2012-03-12T12:16:45","date_gmt":"2012-03-12T11:16:45","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/03\/12\/dia-internacional-de-luta-da-mulher\/"},"modified":"2012-03-12T12:16:45","modified_gmt":"2012-03-12T11:16:45","slug":"dia-internacional-de-luta-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/03\/12\/dia-internacional-de-luta-da-mulher\/","title":{"rendered":"Dia Internacional de Luta da Mulher"},"content":{"rendered":"<p>Da Pra\u00e7a Tahrir \u00e0 Syntagma, da Plaza del Sol ao Ocuppy Wall Street, as mulheres est\u00e3o na luta!<\/p>\n<p>N\u00e3o ao machismo e \u00e0 opress\u00e3o!<\/p>\n<p>Em defesa dos direitos das mulheres: abaixo os planos de ajuste!<\/p>\n<p>Que os capitalistas paguem pela crise!<\/p>\n<p>Uma das imagens mais chocantes que percorreram o mundo foi a de uma ativista eg\u00edpcia sendo brutalmente agredida, arrastada, pisada e com a sua roupa sendo arrancada pelos soldados do ex\u00e9rcito eg\u00edpcio. Uma cena que marca a brutalidade, a barb\u00e1rie e a injusti\u00e7a capitalista expressa numa furiosa viol\u00eancia machista. Mas tamb\u00e9m mostra a firmeza, a valentia e a coragem das que lutam. Uma cena, entre tantas, que imprimiu \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es no norte da \u00c1frica e no M\u00e9dio Oriente, al\u00e9m do protagonismo popular e da juventude, um rosto de mulher.<\/p>\n<p>No Egito foram as mulheres oper\u00e1rias do setor t\u00eaxtil que fizeram a primeira greve que originou o ascenso oper\u00e1rio contra Mubarak. Foram elas que percorreram as demais f\u00e1bricas para convencer os seus companheiros de classe a se unirem \u00e0 greve. Esta mesma f\u00e1brica t\u00eaxtil de Mahalla al Kubra convocou a greve de 6 de abril de 2008, ocasi\u00e3o em que foram duramente reprimidas. Os jovens que iniciaram os protestos na Pra\u00e7a Tahrir&nbsp; autodenominaram-se Movimento 6 de Abril, em apoio \u00e0 classe oper\u00e1ria t\u00eaxtil. Enfrentando a ditadura e a opress\u00e3o, as mulheres, com v\u00e9us e sem v\u00e9us, estiveram na Pra\u00e7a Tahrir e continuam na luta, enfrentando o governo e tamb\u00e9m o machismo.<\/p>\n<p>Na Europa, do outro lado do Oceano, a crise capitalista e os sucessivos planos de ajuste, cortes e superexplora\u00e7\u00e3o contra a classe trabalhadora atingem profundamente as mulheres e os seus direitos, conquistados com muita luta. \u00c9 sobre as mulheres e demais setores oprimidos, como os imigrantes e a juventude, que primeiro recaem os efeitos da guerra social que os capitalistas est\u00e3o levando adiante contra a classe trabalhadora. Junto \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do chamado Estado de bem-estar, est\u00e3o atacando todas as conquistas que as mulheres trabalhadoras obtiveram.<\/p>\n<p>Diante disso, h\u00e1 anos os governos capitalistas procuram apresentar uma mentira: a de que as mulheres estariam praticamente emancipadas sob este sistema, cuja caracter\u00edstica principal \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o e a desigualdade. A verdade \u00e9 que a desigualdade e a opress\u00e3o s\u00e3o uma arma \u00fatil \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Inclusive nos pa\u00edses onde a classe e as mulheres obtiveram mais conquistas, estamos longe de ter igualdade: as mulheres ganham um sal\u00e1rio inferior ao dos homens em todo o mundo. Essas cifras variam de 16% na Su\u00e9cia ou Dinamarca, a 23% na Alemanha, a 33% no Brasil e entre 26 e 30% na Argentina.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia \u00e9 outro dado aterrador que vem aumentando em todo o mundo. A pobreza e a fome atingem mais as mulheres: 70% dos que vivem submersos na pobreza s\u00e3o mulheres. As mulheres, que nos anos de crescimento econ\u00f3mico s\u00e3o superexploradas e incorporadas ao mercado de trabalho ganhando menos, em anos de crises, em geral, s\u00e3o as que arcam com o custo dos ajustes e cortes sociais. \u00c9 verdade que n\u00f3s mulheres, especialmente como produto da luta das trabalhadoras de conjunto, obtivemos uma s\u00e9rie de conquistas. Mas todas est\u00e3o permanentemente amea\u00e7adas.<\/p>\n<p>Na Europa de hoje, por exemplo, todos os governos aplicam os planos de ajuste da troika, da Uni\u00e3o Europeia, do FMI, planos que est\u00e3o atacando todos os direitos duramente conquistados. Cada corte social gera desemprego e, especialmente neste momento, com as demiss\u00f5es no servi\u00e7o p\u00fablico, demiss\u00f5es em massa de mulheres em setores como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, por exemplo, al\u00e9m de jogar para o \u00e2mbito dom\u00e9stico tarefas que antes eram realizadas pelo Estado, como o cuidado de doentes, idosos, crian\u00e7as ou inclusive a tentativa de dificultar ou diminuir a dura\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-maternidade. \u00c0s medidas pr\u00e1ticas acrescenta-se uma campanha reacion\u00e1ria e conservadora em defesa de que o lugar da mulher \u00e9 o lar. A igreja, por exemplo, em pa\u00edses como Espanha e Portugal, por meio dos bispos, tem feito declara\u00e7\u00f5es nos meios de comunica\u00e7\u00e3o falando diretamente este tipo de aberra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma ofensiva ideol\u00f3gica tamb\u00e9m contra o aborto legal e de medidas pr\u00e1ticas, com cortes na sa\u00fade e de direitos, que o dificultam, como na Inglaterra e Espanha. As leis que existiam em prol da igualdade, que n\u00e3o eram aplicadas e nem a garantiam efetivamente, est\u00e3o na mira, o que aprofundar\u00e1 em muito a desigualdade, a opress\u00e3o e, com isso, a explora\u00e7\u00e3o de toda a classe oper\u00e1ria.<br \/>Mas tamb\u00e9m nas manifesta\u00e7\u00f5es na Europa as mulheres est\u00e3o em luta e, como no Egito, destacam-se e t\u00eam grande peso, como nas \u00faltimas manifesta\u00e7\u00f5es multitudin\u00e1rias que ocorreram no Estado espanhol.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina temos a dupla jornada, a desigualdade salarial, a falta de creches, a crescente viol\u00eancia contra as mulheres e a impunidade dos assassinos, como no Brasil, ou diretamente a fome, como no Haiti, ou ainda o fato terr\u00edvel da morte de mulheres em consequ\u00eancia de abortos realizados em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e de forma clandestina, por este n\u00e3o ser legalizado e constituir um crime.<\/p>\n<p>Assim como as mulheres s\u00e3o as primeiras a sofrer as consequ\u00eancias das injusti\u00e7as e dos ataques dos governos, tamb\u00e9m est\u00e3o entre as primeiras a sair \u00e0 luta. Assim o comprovou uma outra foto divulgada nas redes sociais: a de uma mulher do Pinheirinho (bairro com mais de 6.000 pessoas constru\u00eddo a partir da ocupa\u00e7\u00e3o de terrenos urbanos no Brasil), com seus filhos, cercada pelo fogo e amea\u00e7ada pelas bombas lan\u00e7adas pela pol\u00edcia durante a desocupa\u00e7\u00e3o violenta realizada nesse bairro, uma a\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria e de viola\u00e7\u00e3o flagrante dos direitos humanos que chocou os brasileiros e repercutiu em todo o mundo.<\/p>\n<p><strong>As \u201cdamas de ferro\u201d n\u00e3o nos representam<\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo e muitas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres querem apresentar como uma conquista que nos beneficiaria os governos capitalistas de Angela Merkel, Bachelet, Cristina Kirchner ou, inclusive, Dilma Rousseff. Como se as mulheres burguesas e trabalhadoras fossem iguais, bastando apenas conquistar mais lugares para as mulheres sob o capitalismo.<\/p>\n<p>Mas a opress\u00e3o da mulher trabalhadora \u00e9 diferente da que sofre a mulher burguesa, pois para n\u00f3s a opress\u00e3o significa explora\u00e7\u00e3o e dupla jornada. E cada mulher capitalista, mais ainda as dirigentes capitalistas, atua em prol do aprofundamento da opress\u00e3o das mulheres, na medida em que conduzem os cortes e a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cumprem um papel absolutamente reacion\u00e1rio, como, por exemplo, o da vice-presidente do governo de Rajoy na Espanha, Soraya S\u00e1enz de Santamar\u00eda, que recentemente defendeu que as mulheres possam ter as licen\u00e7as-maternidade diminu\u00eddas, para apenas 10 dias ap\u00f3s o parto. Para ela \u00e9 f\u00e1cil, pois esta conservadora tem todas as condi\u00e7\u00f5es para explorar outras mulheres e fazer com que cuidem de seus filhos, al\u00e9m de revelar uma profunda ignor\u00e2ncia sobre as necessidades de cuidado das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em plena ofensiva contra a classe oper\u00e1ria e sobre as mulheres trabalhadoras, apresenta-se como um grande filme e exemplo a vida de Margareth Thatcher, a Dama de Ferro, como se uma das maiores defensoras da explora\u00e7\u00e3o e da desigualdade no mundo fosse um exemplo da emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n<p>Ou mais ainda Dilma Rousseff, em quem a classe oper\u00e1ria e as mulheres t\u00eam muita expectativa, mas que, para garantir as suas alian\u00e7as com a classe dominante e com a Igreja, n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 campanha reacion\u00e1ria contra a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, colocando em risco de retrocesso a pouqu\u00edssima assist\u00eancia que as mulheres t\u00eam neste caso.<\/p>\n<p>N\u00f3s da LIT-QI dizemos claramente: essas mulheres n\u00e3o nos representam!<\/p>\n<p><strong>Trabalhadoras e trabalhadores unidos contra os governos capitalistas e a opress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A igualdade n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sob o capitalismo, j\u00e1 que este sistema \u00e9 campe\u00e3o em desigualdade. As mulheres t\u00eam de lutar diariamente pelos mais m\u00ednimos direitos sob este sistema, para conquist\u00e1-los e defend\u00ea-los. Mas cada conquista m\u00ednima estar\u00e1 sempre amea\u00e7ada, porque a raz\u00e3o de ser do capitalismo \u00e9 o lucro e a explora\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do sistema financeiro e dos capitalistas. E os capitalistas usar\u00e3o permanentemente a discrimina\u00e7\u00e3o como arma para conseguir mais explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim oprimem mais da metade da popula\u00e7\u00e3o do planeta: as mulheres. A opress\u00e3o atinge mais ainda as mulheres que integram outros setores oprimidos pelo capitalismo, como as mulheres jovens, negras, imigrantes ou l\u00e9sbicas.<\/p>\n<p>Na crise econ\u00f3mica mundial em que vivemos, esta face perversa se aprofunda e os ataques se tornam mais brutais e colocam em risco todas as conquistas duramente obtidas. Nesta luta, as mulheres burguesas em geral est\u00e3o com sua classe, defendendo os planos de ajustes. As mulheres burguesas podem somar-se a algumas lutas, como a defesa da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, mas estar\u00e3o sempre limitadas em sua atua\u00e7\u00e3o, sobretudo em tempos como este, em que se trata de se enfrentar duramente com os governos capitalistas e os seus planos de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a conquista da emancipa\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 ocorrer sob outro sistema, sob um sistema sem explora\u00e7\u00e3o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se fizermos a revolu\u00e7\u00e3o socialista. E esta luta une as mulheres e os homens da classe trabalhadora. Os trabalhadores precisam assumir connosco a luta contra a opress\u00e3o, pois a revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 imposs\u00edvel sem a participa\u00e7\u00e3o das mulheres. A classe trabalhadora de conjunto, ou seja, tamb\u00e9m os homens da classe trabalhadora, precisa assumir as bandeiras da emancipa\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o das mulheres e as lutas por nossos direitos. Pois os homens trabalhadores que defendem ou praticam o machismo fazem, consciente ou inconscientemente, o jogo que o sistema, a patronal e seus governos querem.<\/p>\n<p>A luta contra a opress\u00e3o e as desigualdades precisa ter voz na luta da classe trabalhadora, para faz\u00ea-la mais forte agora mesmo na luta geral, para que esta crise n\u00e3o seja paga por n\u00f3s, trabalhadoras e trabalhadores. E tamb\u00e9m porque devemos lutar por um mundo sem explora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m sem opress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As mulheres devem continuar a somar-se \u00e0 luta!<\/strong><\/p>\n<p>Cada vez somos mais as mulheres trabalhadoras que nos somamos \u00e0 luta em defesa de nossos direitos, na luta contra os cortes e \u201cajustes\u201d, na luta contra o capitalismo e os seus governos, na luta pelo socialismo. \u00c9 dever das e dos revolucion\u00e1rios impulsionar uma maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres em suas organiza\u00e7\u00f5es e incorpor\u00e1-las \u00e0 luta. Isto \u00e9 estrat\u00e9gico, pois, sem a participa\u00e7\u00e3o efetiva das mulheres (metade da for\u00e7a de trabalho no mundo), n\u00e3o existe possibilidade de manter ou obter novas conquistas, muito menos de chegar ao socialismo.<\/p>\n<p>Por isso, neste 8 de Mar\u00e7o, n\u00f3s da LIT-QI fazemos um chamado a todas as mulheres trabalhadoras a organizar-se, a sair a lutar e, nesse mesmo processo, a construir connosco, homens e mulheres, partidos revolucion\u00e1rios como parte de uma Internacional. <br \/>Que os capitalistas paguem pela crise!<\/p>\n<p>Em defesa dos direitos das mulheres: abaixo os planos de ajuste!<br \/>Em defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos!<br \/>Contra o desemprego: redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio!<br \/>Sal\u00e1rio igual para trabalho igual!<br \/>Fim de toda viol\u00eancia contra a mulher!<br \/>Castigo exemplar para assassinos, agressores ou estupradores de mulheres!<br \/>Descriminaliza\u00e7\u00e3o e legaliza\u00e7\u00e3o do aborto: Anticonceptivos para n\u00e3o abortar, aborto legal, seguro e gratuito para n\u00e3o morrer!<\/p>\n<p><strong>Secretaria Internacional da Mulher<br \/>Liga Internacional dos Trabalhadores<br \/>Mar\u00e7o de 2012<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Pra\u00e7a Tahrir \u00e0 Syntagma, da Plaza del Sol ao Ocuppy Wall Street, as mulheres est\u00e3o na luta! N\u00e3o ao machismo e \u00e0 opress\u00e3o! Em defesa dos direitos das mulheres: abaixo os planos de ajuste! Que os capitalistas paguem pela crise! Uma das imagens mais chocantes que percorreram o mundo foi a de uma ativista eg\u00edpcia sendo brutalmente agredida, arrastada, pisada e com a sua roupa sendo arrancada pelos soldados do ex\u00e9rcito eg\u00edpcio. Uma cena que marca a brutalidade, a barb\u00e1rie e a injusti\u00e7a capitalista expressa numa furiosa viol\u00eancia machista. 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