{"id":615,"date":"2012-01-27T13:41:57","date_gmt":"2012-01-27T12:41:57","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/01\/27\/ha-solucao-para-a-crise-da-divida-no-quadro-da-ue-e-do-euro\/"},"modified":"2012-01-27T13:41:57","modified_gmt":"2012-01-27T12:41:57","slug":"ha-solucao-para-a-crise-da-divida-no-quadro-da-ue-e-do-euro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/01\/27\/ha-solucao-para-a-crise-da-divida-no-quadro-da-ue-e-do-euro\/","title":{"rendered":"H\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para a crise da d\u00edvida no quadro da UE e do euro?"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"LEFT\">O ano de 2012 inicia-se sob o efeito das ondas de choque da crise das d\u00edvidas soberanas com que terminou 2011, e tra\u00e7a, para os povos de toda a Europa (inclusive dos pa\u00edses imperialistas mais fortes, como a Alemanha e a Fran\u00e7a) um cen\u00e1rio de austeridade e empobrecimento crescentes. Entretanto, os grandes da UE re\u00fanem-se, cimeira ap\u00f3s cimeira\u2026Para qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">A resposta da Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e0 crise da d\u00edvida p\u00f5e cada vez mais a nu o seu verdadeiro car\u00e1cter. Ap\u00f3s cada cimeira decide sempre o mesmo: dogmatismo or\u00e7amental e austeridade, para acalmar \u201cos mercados\u201d. A cimeira de Dezembro de 2011, em plena turbul\u00eancia da crise da d\u00edvida, teve como resultado o acordo da maioria dos estados (com a exce\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria do Reino Unido) para um novo tratado intergovernamental, a ser assinado em Mar\u00e7o, que tem como ponto fulcral o aumento da vigil\u00e2ncia da Comiss\u00e3o Europeia sobre os pa\u00edses quanto ao d\u00e9fice, \u00e0 d\u00edvida, \u00e0 produtividade, etc.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">A UE pretende apertar o torniquete sobre os or\u00e7amentos nacionais, que passam a ficar sujeitos \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o e \u201crecomenda\u00e7\u00f5es\u201d da Comiss\u00e3o. Na pr\u00e1tica, \u00e9 uma censura pr\u00e9via \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos parlamentos nacionais. O parlamentarismo burgu\u00eas e o que resta de soberania de cada pa\u00eds s\u00e3o rapidamente descartados, sem contempla\u00e7\u00f5es. Isto foi ali\u00e1s o que tamb\u00e9m ficou demonstrado aquando da indigita\u00e7\u00e3o em novembro passado, \u00e0 revelia de qualquer processo eleitoral, dos primeiros-ministros da Gr\u00e9cia e da It\u00e1lia, Lucas Papademus e M\u00e1rio Monti, dois homens-de-m\u00e3o da UE.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>Balan\u00e7o de 10 anos do euro<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">De acordo com esse novo tratado os desequil\u00edbrios or\u00e7amentais poder\u00e3o levar a \u201ca\u00e7\u00f5es corretivas\u201d sobre os estados que ir\u00e3o at\u00e9 \u00e0s multas financeiras (de 0,2 a 0,5 % do PIB!). Tudo isto em nome da salva\u00e7\u00e3o do euro. Mas, que balan\u00e7o podemos fazer dos dez anos de moeda \u00fanica em Portugal? Se apenas compararmos esta d\u00e9cada com o quinqu\u00e9nio anterior, verificamos que:<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">A taxa de crescimento do PIB caiu dez vezes e a taxa de exporta\u00e7\u00f5es caiu duas vezes \u2013 consequ\u00eancias da destrui\u00e7\u00e3o do aparelho produtivo;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">O consumo privado caiu quatro vezes e o consumo p\u00fablico tr\u00eas vezes \u2013 resultado da diminui\u00e7\u00e3o dos rendimentos da popula\u00e7\u00e3o devido aos aumentos dos pre\u00e7os e dos impostos;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">O endividamento externo explodiu, mas n\u00e3o para adquirir bens (equipamentos e maquinaria) que apoiassem o investimento produtivo nacional; ali\u00e1s, foi a Alemanha quem aumentou o seu dom\u00ednio econ\u00f3mico sobre o pa\u00eds, tendo sido por cinco vezes o maior investidor estrangeiro em Portugal.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Como corol\u00e1rio desta cat\u00e1strofe econ\u00f3mica Portugal tornou-se no campe\u00e3o dos baixos sal\u00e1rios e das desigualdades sociais. Ora, n\u00e3o consta que alguma vez a Comiss\u00e3o Europeia tivesse assumido qualquer a\u00e7\u00e3o corretiva para colocar os sal\u00e1rios dos portugueses ao n\u00edvel dos outros trabalhadores europeus, ou travar as desigualdades sociais\u2026<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>UE e fuga de capitais<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Entretanto, dignos membros do clube do euro, como a Holanda, revelam claramente a sua face de plataformas de apoio ao capital. O regime fiscal deste pa\u00eds fez dele um para\u00edso para os capitalistas que querem fugir aos impostos nos seus pa\u00edses de origem e internacionalizar-se em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis. Nas \u00faltimas semanas fic\u00e1mos a saber que 19 das maiores empresas portuguesas mudaram as suas sedes para a Holanda. Numa situa\u00e7\u00e3o de crise nacional, os capitalistas portugueses e os seus comendadores passam-se de malas e bagagens para os para\u00edsos fiscais \u2013 eis a sua bela contribui\u00e7\u00e3o para a sa\u00edda da crise!<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">As consequ\u00eancias desta fuga de capitais podem ser ruinosas para a nossa economia, como o sabe qualquer estudante universit\u00e1rio. Mas que faz a Comiss\u00e3o Europeia para travar esta sangria?&#8230; Nada! Como acreditar que ela teve ou ter\u00e1 alguma vez um papel positivo numa sa\u00edda para a crise?<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>As falsas solu\u00e7\u00f5es dos eurobonds\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Apesar da experi\u00eancia de anos de integra\u00e7\u00e3o europeia e de vig\u00eancia do euro, h\u00e1 setores da esquerda em Portugal, como o Bloco de Esquerda, que defende sa\u00eddas para a crise no quadro da UE, propondo em particular a emiss\u00e3o de <em>eurobonds<\/em> (t\u00edtulos de d\u00edvida emitidos e garantidos pelo conjunto dos pa\u00edses da zona euro e em condi\u00e7\u00f5es iguais para todos) e\/ou empr\u00e9stimos diretos do BCE aos estados (com juros mais favor\u00e1veis que os do mercado).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Os <em>eurobonds<\/em> seriam como que a assun\u00e7\u00e3o \u201csolid\u00e1ria\u201d das d\u00edvidas soberanas de cada estado, com juros que se revelariam mais favor\u00e1veis aos estados mais fracos (os PIIGS) do que aos imperialismos mais fortes (Alemanha e Fran\u00e7a), visto que estes iriam pagar juros mais altos do que os atualmente praticados no mercado. Como (ainda) s\u00e3o economias fortes, os especuladores n\u00e3o os penalizam tanto. Por outro lado, os <em>eurobonds<\/em> s\u00f3 teriam sustentabilidade se a economia da UE crescesse no seu conjunto e de maneira equilibrada.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Ora, quem defende esta solu\u00e7\u00e3o esquece-se que a UE assenta justamente numa rela\u00e7\u00e3o profundamente desigual entre os pa\u00edses imperialistas do eixo franco-alem\u00e3o e os restantes, e que as economias alem\u00e3 e francesa t\u00eam crescido \u00e0 custa da destrui\u00e7\u00e3o das outras. \u00c9 \u00f3bvio que nem a Alemanha e a Fran\u00e7a querem encarecer os seus or\u00e7amentos com juros mais altos do que os atuais, nem querem ajudar os PIIGS a relan\u00e7ar os seus aparelhos produtivos, sob pena de prejudicarem as suas pr\u00f3prias exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>\u2026e dos empr\u00e9stimos do BCE<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Quanto aos empr\u00e9stimos diretos do BCE aos estados, s\u00e3o os pr\u00f3prios tratados fundadores da UE que o impedem, \u201cpara n\u00e3o falsear a concorr\u00eancia\u201d (ver tratado de Maastricht). Na verdade, esta orienta\u00e7\u00e3o destina-se a impedir os apoios financeiros estatais aos servi\u00e7os p\u00fablicos, numa l\u00f3gica de privatiza\u00e7\u00e3o que todos n\u00f3s conhecemos. Por isso, o BCE tem podido emprestar aos bancos privados a juros baixos, mas se eventualmente emprestasse aos estados nas mesmas condi\u00e7\u00f5es, criaria um precedente que levaria os governos a relaxarem o \u201cgarrote or\u00e7amental\u201d e a recorrer ao BCE para financiarem servi\u00e7os p\u00fablicos ou quando se vissem em afli\u00e7\u00f5es\u2026 O que contraria toda a l\u00f3gica da UE.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Acreditar que no quadro da UE pode haver inter-ajuda entre as diversas burguesias e uma concilia\u00e7\u00e3o de interesses entre os capitalistas e os trabalhadores \u00e9 alimentar uma ilus\u00e3o perigosa, que desarma a classe trabalhadora e a juventude na sua luta por uma Europa livre da mis\u00e9ria e da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"LEFT\"><strong>Ana Paula Amaral<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"LEFT\"><strong>J. A. Dias <\/strong><em> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2012 inicia-se sob o efeito das ondas de choque da crise das d\u00edvidas soberanas com que terminou 2011, e tra\u00e7a, para os povos de toda a Europa (inclusive dos pa\u00edses imperialistas mais fortes, como a Alemanha e a Fran\u00e7a) um cen\u00e1rio de austeridade e empobrecimento crescentes. Entretanto, os grandes da UE re\u00fanem-se, cimeira ap\u00f3s cimeira\u2026Para qu\u00ea? A resposta da Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e0 crise da d\u00edvida p\u00f5e cada vez mais a nu o seu verdadeiro car\u00e1cter. Ap\u00f3s cada cimeira decide sempre o mesmo: dogmatismo or\u00e7amental e austeridade, para acalmar \u201cos mercados\u201d. 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