{"id":588,"date":"2011-12-21T13:42:03","date_gmt":"2011-12-21T12:42:03","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/12\/21\/greve-na-inglaterra-trabalhadores-ingleses-mostraram-a-sua-forca\/"},"modified":"2011-12-21T13:42:03","modified_gmt":"2011-12-21T12:42:03","slug":"greve-na-inglaterra-trabalhadores-ingleses-mostraram-a-sua-forca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/12\/21\/greve-na-inglaterra-trabalhadores-ingleses-mostraram-a-sua-forca\/","title":{"rendered":"Greve na Inglaterra: trabalhadores ingleses mostraram a sua for\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Marchas com 30 mil pessoas em Londres, 20 mil em Manchester e 15 mil em Liverpool foram alguns dos fatos que marcaram o dia em que 2 milh\u00f5es de trabalhadores do setor p\u00fablico cruzaram os bra\u00e7os na Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O governo ingl\u00eas tentou minimizar o impacto da maior greve a ocorrer no pa\u00eds em tr\u00eas d\u00e9cadas, mas n\u00e3o conseguiu. A greve havia sido decidida em outubro no Congresso dos Sindicatos (TUC) e deveria ser de apenas um dia, hoje, 30 de novembro e circunscrever-se ao setor p\u00fablico, amea\u00e7ado por um plano de privatiza\u00e7\u00f5es e o mais atingido no momento pela pol\u00edtica econ\u00f3mica do governo de cortes nas aposentadorias e pens\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No entanto, mesmo com essas limita\u00e7\u00f5es, o movimento teve um grande impacto sobre a classe trabalhadora de conjunto, porque exp\u00f4s \u00e0 luz do dia a verdadeira inten\u00e7\u00e3o do governo de fazer os trabalhadores pagarem pela crise econ\u00f3mica. Apesar de ter sido uma greve dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos com a principal bandeira de defesa das aposentadorias, muitos jovens participaram das manifesta\u00e7\u00f5es, porque a juventude vem sendo duramente penalizada pela falta de empregos e perspectivas futuras.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Uma greve forte, apesar da lei<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Para se avaliar uma greve na Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 preciso levar em conta a draconiana legisla\u00e7\u00e3o anti-greve que a classe trabalhadora suporta desde os tempos de Margareth Thatcher e que tem de superar caso queira lutar contra o governo e a patronal. As greves n\u00e3o s\u00e3o votadas em assembl\u00e9ias, mas devem enfrentar um longo e complicado processo de consulta, chamado ballot, em que cada trabalhador vota por separado em uma c\u00e9dula enviada a seu domic\u00edlio. O processo \u00e9 totalmente conduzido pela dire\u00e7\u00e3o sindical e supervisionado pelo governo. Some-se a isso o fato de que os sindicatos ingleses est\u00e3o sob f\u00e9rreo controle de uma poderosa burocracia e dominados politicamente pelo Labour Party, que n\u00e3o jogaram for\u00e7a na prepara\u00e7\u00e3o da greve.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mesmo com tudo isso, os n\u00fameros divulgados pela imprensa brit\u00e2nica mostram que a greve foi forte, atingindo sobretudo os professores: 19.000 das 21.700 escolas na Inglaterra e Pa\u00eds de Gales, fechadas ou parcialmente fechadas; 6.000 das 30.000 cirurgias n\u00e3o-urgentes foram canceladas (The Guardian, 30\/11). O primeiro-ministro David Cameron aproveitou para dizer que a greve faliu e n\u00e3o teve um impacto significativo. &#8220;Apesar do posicionamento do partido da oposi\u00e7\u00e3o, que apoiou de forma irrespons\u00e1vel e demag\u00f3gica a greve, ela foi insignificante.&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O partido a que ele se refere \u00e9 o Trabalhista (Labour Party), cujo l\u00edder, Ed Miliband, disse que o governo precisa aceitar conviver com as greves. Ele perguntou a Cameron: &#8220;Por que voc\u00ea acha que tantos trabalhadores honestos do setor p\u00fablico, que trabalham duro, muitos dos quais nunca fizeram uma greve antes, sentem que o governo simplesmente n\u00e3o os ouve?&#8221; Isso tudo n\u00e3o passa de ret\u00f3rica porque de fato mesmo o Labour n\u00e3o fez nada para ajudar a greve. Logo, Cameron n\u00e3o tem raz\u00e3o para criticar Miliband, porque este, al\u00e9m de n\u00e3o ter colaborado em nada para o sucesso da greve, ainda deu declara\u00e7\u00f5es do tipo: \u201ceu odeio a greve, mas n\u00e3o condeno aqueles que a fizeram\u201d; \u201ctemos de pagar a d\u00edvida p\u00fablica, e por isso os cortes n\u00e3o necess\u00e1rios\u201d. No meio de uma greve, esse tipo de declara\u00e7\u00e3o, vinda de um partido no qual ainda a maioria dos trabalhadores t\u00eam ilus\u00f5es de que defende seus interesses, s\u00f3 serve para humilhar e desmoralizar aqueles que est\u00e3o lutando e sendo acusados de se recusarem a negociar com o governo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No entanto, um dos principais l\u00edderes sindicais, Brian Hutton, do sindicato GMB (transportes) disse que as negocia\u00e7\u00f5es com o governo sobre o corte nas pens\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o levando a nada e um porta-voz do TUC disse que mais de 2 milh\u00f5es de trabalhadores tomaram parte da maior a\u00e7\u00e3o industrial desde 1979 no pa\u00eds, e perguntou: &#8220;A quest\u00e3o real \u00e9 como o governo provoca tantas pessoas comuns e decentes a irem \u00e0 greve pela primeira vez na vida?&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mark Serwotka, dirigente do PCS (trade que une os trabalhadores do setor p\u00fablico e comercial), disse que os piquetes mostravam uma grande uni\u00e3o, com mais de 90% do pessoal de alguns departamentos do governo tomando parte. &#8220;Eu estive em alguns piquetes em Londres e o esp\u00edrito era de muito \u00e2nimo por parte dos trabalhadores\u201d, disse.&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Heathrow, o maior aeroporto de Londres, informou que tudo estava dentro da normalidade, mas algumas empresas a\u00e9reas, como a British Airways e a Virgin Atlantic indicaram que centenas de passageiros tiveram de ser transferidos. A Virgin Atlantic informou que teve de operar com 50% de sua capacidade. As trade unions do Pa\u00eds de Gales informaram que cerca de 170.000 trabalhadores pararam e na Esc\u00f3cia cerca de 300.000. Mais de 1.000 marchas e manifesta\u00e7\u00f5es de rua ocorreram em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O secret\u00e1rio-geral da Unite (trabalhadores do servi\u00e7o p\u00fablico, sobretudo do setor da sa\u00fade) Len McCluskey, disse que este dia 30 de novembro ser\u00e1 lembrado como o dia em que os trabalhadores lutaram unidos para proteger a economia e o Estado de bem-estar: \u201co povo trabalhador est\u00e1 sendo chamado a pagar por uma crise econ\u00f3mica causada pela elite econ\u00f3mica que est\u00e1 levando o pa\u00eds \u00e0 fal\u00eancia\u201d. Ele acrescentou tamb\u00e9m que &#8220;a greve foi uma brilhante manifesta\u00e7\u00e3o de coragem e decis\u00e3o dos servidores p\u00fablicos que est\u00e3o sendo demonizados pelo governo que j\u00e1 perdeu seu compasso moral.&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Por que os professores fazem greve?<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Os professores ingleses est\u00e3o possessos com as reformas para mudar as regras da aposentadoria. O governo prop\u00f4s que eles paguem cotas mensais mais altas e trabalhem por mais tempo. Os professores argumentam que um dos maiores benef\u00edcios por seu trabalho \u00e9 um segura e decente pens\u00e3o e que as mudan\u00e7as propostas pelo governo fazer com que os profissionais mais graduados evitem abra\u00e7ar a profiss\u00e3o. Eles tamb\u00e9m acreditam que seu emprego \u00e9 particularmente cansativo e \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel trabalhar at\u00e9 os 68 anos, a idade de aposentadoria que o governo est\u00e1 propondo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O governo prop\u00f5e que: as contribui\u00e7\u00f5es mensais dos professores para aposentadoria aumente acima de 50%, passando de 6.4% to 9.6% at\u00e9 2014; os professores n\u00e3o poderiam mais se aposentar aos 60 anos, mas aos 65, que subiria para 66 em 2020 e depois 68; o governo ofereceu isen\u00e7\u00e3o para todos aqueles que, antes das mudan\u00e7as, estejam pr\u00f3ximos dos 10 anos para aposentar-se em abril.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Nick Gibb, ministro da educa\u00e7\u00e3o, diz que as mudan\u00e7as s\u00e3o inevit\u00e1veis porque o custo para pagar as pens\u00f5es dos professores dobrar\u00e3o de \u00a35bn em 2006 para \u00a310bn em 2016 e crescer\u00e3o ainda mais rapidamente conforme a expectativa de vida continue a subir. Ele disse que o or\u00e7amento em mar\u00e7o requereu uma economia de \u00a32.8bn do setor p\u00fablico pensions bill para 2015 e que isso exigir\u00e1 um aumento de 3.2 por cento a mais nas contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O primeiro-ministro Cameron chamou a greve de irrespons\u00e1vel. &#8220;\u00c9 uma irresponsabilidade, quando as negocia\u00e7\u00f5es est\u00e3o andando, chamar greves que podem levar ao fechamento da maioria das escolas em nosso pa\u00eds. O que est\u00e1 sendo oferecido \u00e9 extremamente razo\u00e1vel e os trabalhadores precisam aceitar e \u00e9 uma trag\u00e9dia que o Labour Party se recuse a condenar as greves\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Gr\u00e3-Bretanha pode entrar em recess\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Tudo indica que a Gr\u00e3-Bretanha entrar\u00e1 em recess\u00e3o no pr\u00f3ximo per\u00edodo, influenciada pela crise na zona do euro, e a classe trabalhadora vai pagar caro por ela, com o aumento do desemprego, cortes nos servi\u00e7os p\u00fablicos e redu\u00e7\u00e3o dos or\u00e7amentos familiares. Rejeitando o argumento do ministro da economia George Osborne de que a expans\u00e3o do setor privado poderia compensar as perdas de empregos no setor p\u00fablico, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico disse que as filas de desempregados v\u00e3o continuar. A OECD advertiu que mais de 30 pa\u00edses desenvolvidos ir\u00e3o contrair suas economias em 0.2% e a Gr\u00e3-Bretanha poderia expandir apenas 0.5%. Pier Carlo Padoan, economista chefe da organiza\u00e7\u00e3o, disse que: &#8220;A economia global vem se deteriorando de forma significativa e as economias avan\u00e7adas est\u00e3o em decl\u00ednio, levando a zona do euro a entrar em recess\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mervyn King, presidente do Banco da Inglaterra, advertiu sobre a amea\u00e7a de infla\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. &#8220;O aumento dos pre\u00e7os da energia el\u00e9trica e dos alimentos foi maior do que esper\u00e1vamos\u201d. Ele disse que os problemas na zona do euro aumentos os riscos sobre a sa\u00fade do sistema banc\u00e1rio em todo o mundo industrializado. &#8220;E que isso aumentou o custo dos bancos para obter fundos e portanto o custo dos empr\u00e9stimos para as empresas. Esses s\u00e3o desafios enormes e n\u00e3o vai ser f\u00e1cil enfrent\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Adam Posen, do comit\u00e9 de pol\u00edtica monet\u00e1ria, disse que est\u00e1 mais preocupado com a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do que com a infla\u00e7\u00e3o, e que os bancos centrais precisam estar alertas para n\u00e3o repetir os mesmos erros de 1930, quando ocorreu uma das maiores crises do capitalismo at\u00e9 hoje. &#8220;Se n\u00f3s repetimos os erros do passado e n\u00e3o fazemos os ajustes necess\u00e1rios prematuramente vamos incorrer na mesma situa\u00e7\u00e3o daquela \u00e9poca&#8221;. Para a classe trabalhadora, esses ajustes significam cortes nos servi\u00e7os p\u00fablicos, privatiza\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os essenciais como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, aumento dos pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica, do desemprego e do tempo de aposentadoria.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Justamente o programa da greve, que foi um pontap\u00e9 inicial e fundamental para demonstrar ao governo que a poderosa classe trabalhadora inglesa n\u00e3o est\u00e1 disposta a engolir calada esse pacote econ\u00f4mico que compromete seu futuro e o de suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Cec\u00edlia Toledo<br \/>da revista Marxismo Vivo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marchas com 30 mil pessoas em Londres, 20 mil em Manchester e 15 mil em Liverpool foram alguns dos fatos que marcaram o dia em que 2 milh\u00f5es de trabalhadores do setor p\u00fablico cruzaram os bra\u00e7os na Inglaterra. 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