{"id":580,"date":"2011-12-09T18:10:37","date_gmt":"2011-12-09T17:10:37","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/12\/09\/por-que-mais-um-partido-de-esquerda\/"},"modified":"2011-12-09T18:10:37","modified_gmt":"2011-12-09T17:10:37","slug":"por-que-mais-um-partido-de-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/12\/09\/por-que-mais-um-partido-de-esquerda\/","title":{"rendered":"Por que mais um partido de esquerda?"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\"><strong> DE OLHOS BEM ABERTOS, <em>Gil Garcia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Muitos jovens e trabalhadores interrogam-se: para qu\u00ea mais um partido de esquerda? N\u00e3o h\u00e1 j\u00e1 partidos suficientes? O PS, o PC, o BE e at\u00e9 o MRPP ou o PAN n\u00e3o ser\u00e3o suficientes? N\u00e3o ser\u00e1 mais um partido que vem para dividir a j\u00e1 dividida esquerda? Quem ganha com esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a direita? Esta nossa cr\u00f3nica visa esclarecer porque temos a opini\u00e3o de que, efetivamente, os partidos que existem n\u00e3o s\u00e3o satisfat\u00f3rios e que faz falta um verdadeiro movimento alternativo e socialista.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Se os atuais partidos fossem suficientes e eficazes n\u00e3o teriam surgido movimentos alternativos de massas, em Portugal e por todo o mundo, manifesta\u00e7\u00f5es (e acampadas) convocadas e concretizadas por cidad\u00e3os que se consideravam \u201c\u00e0 rasca\u201d e sem representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Assistimos, inclusive, a uma assembleia popular, no final do \u00faltimo dia 15 de Outubro, por ocasi\u00e3o de uma manifesta\u00e7\u00e3o internacional (com mais de 20.000 participantes em Lisboa), convocada precisamente \u00e0 revelia e com a adversidade de quase todos os partidos da esquerda e mesmo sindicatos. Foi desta assembleia popular que se apelou a uma greve geral para travar Passos Coelho e a troika, porque, at\u00e9 a\u00ed, a CGTP, dirigida pelo PCP, nem a essa conclus\u00e3o tinha chegado.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Que todos estes factos expressam uma desconfian\u00e7a (e talvez um rep\u00fadio significativo) pela atual esquerda, n\u00e3o restam d\u00favidas. Mais, se passarmos em revista a pol\u00edtica de cada um desses partidos, iremos notar porque raz\u00e3o um n\u00famero cada vez mais maior de pessoas se divorciaram deles. N\u00e3o por acaso o BE perdeu, em 5 de junho, cerca de 300.000 votos; n\u00e3o por acaso o PC conserva ou reduz o seu peso, nunca recuperando os n\u00fameros que obteve na d\u00e9cada de 70 (por ocasi\u00e3o do impacto da revolu\u00e7\u00e3o portuguesa de Abril de 1974); n\u00e3o por acaso ningu\u00e9m v\u00ea um militante do PAN (se \u00e9 que existem) em alguma manifesta\u00e7\u00e3o; e, por fim, n\u00e3o por acaso o pr\u00f3prio MRPP, mesmo com o retrocesso eleitoral de massas do BE, n\u00e3o sai praticamente do mesmo registo eleitoral h\u00e1 dezenas de anos e n\u00e3o se v\u00ea sequer que tenham mais militantes, jovens ent\u00e3o escasseiam em suas fileiras. Mas vejamos um por um o que se passa \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Sobre o PS n\u00e3o nos deteremos mais do que um par\u00e1grafo. Trata-se de um partido que, (mesmo) na \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d, quer limitar o corte imposto pela troika e Passos Coelho a um subs\u00eddio (o outro pode ser cortado), para depois, num eventual retorno ao poder, governar tal e qual as coliga\u00e7\u00f5es PSD\/CDS-PP.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Sobre o<strong> <\/strong>PCP, para n\u00e3o ir mais atr\u00e1s no tempo, para n\u00e3o nos referirmos que se trata de um partido que durante mais de 40 anos apoiou regimes ditatoriais e de partido \u00fanico no Leste da Europa (e atualmente mant\u00e9m o seu apoio a regimes como os de Cuba e China), diremos somente que, na atual conjuntura, se limita a convocar (atrav\u00e9s da mesma CGTP) uma greve geral por ano, enquanto a Gr\u00e9cia realiza seis ou sete para combater a austeridade. Mesmo na \u00faltima, a 24 de novembro, foi a reboque de um apelo da assembleia popular j\u00e1 referida, com mais de 10.000 pessoas, que aprovou uma orienta\u00e7\u00e3o que at\u00e9 a\u00ed nem o PCP (nem o BE, diga-se de passagem) tinham levantado: a necessidade de uma nova greve geral, bem como a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida aos bancos franceses e alem\u00e3es, sob pena de o pa\u00eds sucumbir, sem produ\u00e7\u00e3o e emprego algum.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Por outro lado, toda a gente sabe que o PCP tem sido um s\u00e9rio advers\u00e1rio das manifesta\u00e7\u00f5es \u201c\u00e0 rasca\u201d, das acampadas do Rossio, das plataformas 15 de Outubro e de todas as manifesta\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o por si controladas. Todos esses factos indicam que se trata de um partido que se mant\u00e9m, na sua ess\u00eancia, bastante autorit\u00e1rio e antidemocr\u00e1tico e com uma oposi\u00e7\u00e3o aos governos do PS e de direita mais de ret\u00f3rica do que com a inten\u00e7\u00e3o de os travar efetivamente.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Sobre o<strong> <\/strong>BE, que conhecemos muito bem, trata-se um partido que prometeu muito, mas fez muito pouco. Rapidamente, as centenas de milhares de votos e a ilus\u00e3o parlamentar transformaram velhos dirigentes revolucion\u00e1rios em simples parlamentares, com discursos e pol\u00edticas institucionalizadas e coniventes com o regime e o sistema que nos governa. Sen\u00e3o vejamos. O BE, sobre o problema da d\u00edvida p\u00fablica, tem a mesma posi\u00e7\u00e3o do PCP: h\u00e1 que pag\u00e1-la. Da\u00ed ambos defenderem a renegocia\u00e7\u00e3o. Nenhum deles tem a coragem de defender uma imediata suspens\u00e3o do pagamento desta d\u00edvida imoral e injusta.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Mas, talvez, o que mais evidencia a impot\u00eancia dessas duas esquerdas, BE e PC, seja a pol\u00edtica que t\u00eam face a si pr\u00f3prios. Ou seja, ambos os partidos nunca se entenderam para uma unidade que pudesse disputar um governo alternativo aos do PS e da direita, apesar de terem em muitos terrenos as mesmas propostas. Unir for\u00e7as para combater a direita e o PS no poder nunca o fizeram. Mais, o BE encontrou raz\u00f5es que a raz\u00e3o desconhece para apoiar o candidato de S\u00f3crates e com essa pol\u00edtica afundar-se a si pr\u00f3prio e \u00e0 esquerda em geral nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">O BE, valha a verdade, tem o pior dos dois partidos com que no in\u00edcio da sua caminhada se apresentou em alternativa: do PS recolhe a mesma estrat\u00e9gia e pol\u00edtica de alian\u00e7as, com Alegre, com Ant\u00f3nio Costa e at\u00e9 a modera\u00e7\u00e3o program\u00e1tica; do PCP, recolhe o autoritarismo interno face \u00e0s correntes \u00e0 sua esquerda, a marginaliza\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica da sua express\u00e3o p\u00fablica, enfim, um modelo de centralismo burocr\u00e1tico, t\u00edpico dos partidos estalinistas. No nosso caso, n\u00e3o ousaram expulsar-nos mas, na pr\u00e1tica, empurraram-nos para fora do BE. Basta ver que, a partir de 5 de junho e perante a hecatombe eleitoral, recusaram-se a convocar uma conven\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria para rever auto-criticamente as pol\u00edticas e, inversamente, promoveram um funcionamento interno antidemocr\u00e1tico e sect\u00e1rio, atrav\u00e9s de plen\u00e1rios da \u201cMo\u00e7\u00e3o A\u201d (afeta \u00e0 dire\u00e7\u00e3o), de modo a afastar literalmente todos os sectores cr\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">Do MRPP, tamb\u00e9m n\u00e3o ocuparemos (nesta cr\u00f3nica) mais do que um par\u00e1grafo. Trata-se de um partido da velha esquerda portuguesa que ainda deve conservar nas suas sedes as fotos de Estaline e Mao. Trata-se de um partido que est\u00e1 estagnado h\u00e1 d\u00e9cadas, n\u00e3o tem jovens e que oscila (como sempre, quem n\u00e3o se lembra do seu apoio a Ramalho Eanes, o general golpista) entre posi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas do PS (tamb\u00e9m apoiou Alegre nas \u00faltimas presidenciais) a posi\u00e7\u00f5es ultra-esquerdistas. \u00c9 um partido que se limita a emitir comunicados, mas que nos movimentos reais pouco tem constru\u00eddo (ou sequer participado) para dinamizar os novos movimentos de contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"justify\">De toda esta realidade se pode concluir que faz falta uma nova esquerda combativa e descomprometida com o atual regime e que ponha na ordem do dia a necessidade de uma nova revolu\u00e7\u00e3o social, de um novo 25 de Abril. Uma esquerda verdadeiramente anticapitalista, uma esquerda que desafie toda a esquerda a unir-se para enfrentar a troika e o governo da direita. Para essa tarefa nos comprometemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DE OLHOS BEM ABERTOS, Gil Garcia Muitos jovens e trabalhadores interrogam-se: para qu\u00ea mais um partido de esquerda? N\u00e3o h\u00e1 j\u00e1 partidos suficientes? O PS, o PC, o BE e at\u00e9 o MRPP ou o PAN n\u00e3o ser\u00e3o suficientes? N\u00e3o ser\u00e1 mais um partido que vem para dividir a j\u00e1 dividida esquerda? Quem ganha com esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a direita? Esta nossa cr\u00f3nica visa esclarecer porque temos a opini\u00e3o de que, efetivamente, os partidos que existem n\u00e3o s\u00e3o satisfat\u00f3rios e que faz falta um verdadeiro movimento alternativo e socialista. 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