{"id":567,"date":"2011-11-11T14:37:29","date_gmt":"2011-11-11T13:37:29","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/11\/11\/a-crise-grega-aprofunda-a-crise-da-europa-do-capital\/"},"modified":"2011-11-11T14:37:29","modified_gmt":"2011-11-11T13:37:29","slug":"a-crise-grega-aprofunda-a-crise-da-europa-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/11\/11\/a-crise-grega-aprofunda-a-crise-da-europa-do-capital\/","title":{"rendered":"A crise grega aprofunda a crise da Europa do capital"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tH1 { margin-top: 0cm; margin-bottom: 0cm } \t\tH1.western { font-family: \"Times New Roman\", serif; font-size: 12pt } \t\tH1.cjk { font-weight: bold } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Fingir-se de \u201cdemocr\u00e1tico\u201d custou caro a Papandreu. Numa sucess\u00e3o de fatos ap\u00f3s a sua t\u00e3o falsa como questionada inten\u00e7\u00e3o de submeter a referendo popular o segundo e brutal plano de \u201cresgate\u201d da troika (Comiss\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu e FMI), a nova realidade \u00e9 que o governante do social-democrata PASOK foi-se e agora a Gr\u00e9cia tem um novo primeiro-ministro.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">O arrivista n\u00e3o \u00e9 um desconhecido. Trata-se de Lucas Papademos e, debaixo do bra\u00e7o, traz um historial que soa como m\u00fasica aos ouvidos dos banqueiros e mercados mundiais: foi vice-presidente do Banco Central Europeu e ex-governador do Banco da Gr\u00e9cia. Papademos, tentando dar uma imagem \u201ct\u00e9cnica\u201d, come\u00e7ou proclamando \u201cn\u00e3o sou um pol\u00edtico\u201d para continuar com jarg\u00e3o obrigat\u00f3rio: \u201cTodos devemos contribuir com o dif\u00edcil processo de ajustar a economia\u201d. O novo governante heleno deixa claro que sua prioridade absoluta \u00e9 aprovar e aplicar sem piedade o plano de ajuste aprovado a 26 de outubro em Bruxelas, com os seus consequentes ataques ao n\u00edvel de vida e aos direitos da classe trabalhadora grega.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;O demission\u00e1rio Papandreu sempre prestou importantes servi\u00e7os \u00e0 troika. Capitaneando uma das economias mais d\u00e9beis e mais castigadas do danificado navio que agora \u00e9 a Uni\u00e3o Europeia (UE), submeteu o povo grego, em menos de dois anos, a cinco dur\u00edssimos planos de ajuste. Um mais brutal que o outro e enfrentando uma heroica resist\u00eancia do povo grego, com a classe trabalhadora na vanguarda de um processo de lutas que registou at\u00e9 agora 17 greves gerais nesse mesmo per\u00edodo, a \u00faltima com mais de 250 mil pessoas nas ruas. Se a Gr\u00e9cia \u00e9 o pico da guerra social que a Europa do capital desencadeou contra o proletariado do Velho Continente, o \u00e9 tamb\u00e9m da resist\u00eancia feroz e exemplar de nossa classe.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;A proposta de um referendo sobre o plano da troika nunca passou de uma manobra pol\u00edtica de Papandreu no af\u00e3 desesperado de reposicionar-se politicamente frente ao isolamento e o \u00f3dio que lhe professa, com toda a raz\u00e3o, o povo trabalhador grego. Qualquer tentativa de ver nesse an\u00fancio uma inten\u00e7\u00e3o \u201cdemocr\u00e1tica\u201d por parte do ex-primeiro-ministro ateniense n\u00e3o passa de uma perigosa ingenuidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>&nbsp;E houve p\u00e2nico&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Mas como as coisas n\u00e3o est\u00e3o para brincadeira nem para fraudes, bastou o an\u00fancio do referendo e a possibilidade de que o povo dissesse \u201cn\u00e3o\u201d ao plano de ajuste que a Cimeira Europeia havia aprovado para que os papas da UE entrassem num estado misto de f\u00faria e p\u00e2nico. N\u00e3o \u00e9 para menos, quando se sabe que mais de 80% dos gregos est\u00e3o contra o receitu\u00e1rio de Bruxelas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">A come\u00e7ar por Merkel e Sarkozy, todos os chefes europeus expressaram o seu rotundo rep\u00fadio \u00e0 possibilidade de consulta e fizeram todo tipo de amea\u00e7as contra a Gr\u00e9cia. As piores pragas e calamidades foram feitas. Sem pestanejar, retiraram os 8 mil milh\u00f5es de euros prometidos ao mesmo tempo que amea\u00e7avam com a expuls\u00e3o da Gr\u00e9cia da zona euro. A rea\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia! Quem tem a aud\u00e1cia de p\u00f4r o povo a discutir o que votaram os gurus da UE e da troika? Tal como dizem os companheiros e companheiras de Corriente Roja no Estado Espanhol: \u201cA UE mostrou mais uma vez, com especial crueza, que \u00e9 uma m\u00e1quina incompat\u00edvel com a democracia e uma arma de guerra ao servi\u00e7o dos banqueiros e grandes capitalistas para saquear os trabalhadores e os povos europeus\u201d.<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Foi assim que Papandreu, assustado com a sua pr\u00f3pria iniciativa e vendo-se desmascarado, retirou a sua proposta de referendo. Tudo isto em meio a uma crise pol\u00edtica brutal na c\u00fapula. O l\u00edder grego assistia ao seu pr\u00f3prio funeral em meio a todo tipo de negocia\u00e7\u00f5es para formar um novo governo de \u201cunidade nacional\u201d e de car\u00e1ter \u201ct\u00e9cnico\u201d mais de acordo com o paladar da troika. Papandreu estava queimado e, como o fus\u00edvel que sempre foi, precisava ser trocado. Como tanto o PASOK como a \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d Nova Democracia t\u00eam completo acordo e unidade em torno \u00e0 necessidade de aplicar os planos da troika, n\u00e3o passou muito tempo para que o nome do sucessor fosse definido. Surge desta forma o novo governo liderado por Papademos, um ex-funcion\u00e1rio do BCE que tentar\u00e1 aplicar a qualquer custo os des\u00edgnios da troika com o aval dos partidos do regime burgu\u00eas grego. O sucesso ou fracasso do novo governo ser\u00e1 definido nas ruas, onde a classe trabalhadora grega n\u00e3o baixou os bra\u00e7os nem as bandeiras.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>O \u201cplano de resgate\u201d \u00e9 a coloniza\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">A Gr\u00e9cia \u00e9 um pa\u00eds devastado. A sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social s\u00f3 \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 provocada pelos efeitos de uma guerra. Neste sentido, \u00e9 indignante o cinismo de Merkel, Sarkozy, com o apoio de Rajoy e Rubalcaba (respetivamente, os l\u00edderes do PP e PSOE de Espanha), que pretendem erigir-se como os \u201csalvadores\u201d da Gr\u00e9cia, quando s\u00e3o eles, junto aos seus fantoches locais, que conduziram o pa\u00eds ao calamitoso quadro atual.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">O segundo plano de \u201cresgate\u201d aprofunda esta devasta\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica na Gr\u00e9cia. \u00c9 um plano ao servi\u00e7o de submeter e escravizar os trabalhadores gregos durante d\u00e9cadas e converter o pa\u00eds num protetorado colonial diretamente manejado pela troika, que se instalar\u00e1 de forma permanente em Atenas. O retrocesso que est\u00e1 em marcha \u00e9 estrutural e hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>&nbsp;O estilha\u00e7ar da zona euro e da UE<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;A acelera\u00e7\u00e3o da crise da UE, provocada pelo an\u00fancio do referendo grego, termino por afundar e desmascarar o discurso e os resultados da \u00faltima Cimeira Europeia. Ali os grandes expoentes e representantes pol\u00edticos do capital apresentaram os seus resultados como \u201chist\u00f3ricos\u201d, afirmando que a crise e a insolv\u00eancia da banca europeia, assim como o problema da d\u00edvida grega e da crise do euro, tinham se solucionado de forma \u201cdefinitiva\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;Mas al\u00e9m destas afirma\u00e7\u00f5es mentirosas dirigidas a incautos o que estamos a viver \u00e9 o p\u00e2nico a apoderar-se dos que se creem senhores da Europa diante do desmoronamento da UE, o projeto que constru\u00edram durante d\u00e9cadas. Demonstra\u00e7\u00e3o disso foi a \u00faltima reuni\u00e3o do G20 em Cannes, onde ficou claro que todos os problemas da UE persistem e se agravam, que a continuidade da zona euro e da pr\u00f3pria UE est\u00e1 abertamente em quest\u00e3o. At\u00e9 o primeiro-ministro brit\u00e2nico, David Cameron, reconheceu que \u201ccada dia suplementar para a crise do euro tem um efeito negativo para o resto da economia mundial\u201d. Obama assinalou que as medidas dos planos de ajuste ainda s\u00e3o fracas. Conclu\u00edda a cimeira, Nicol\u00e1s Sarkozy decretou um novo ajuste de 100.000 milh\u00f5es de euros em Fran\u00e7a, que inclui aumento do IVA, mais impostos para as classes m\u00e9dias, cortes no or\u00e7amento para a sa\u00fade, redu\u00e7\u00e3o dos aux\u00edlios ao pagamento das rendas de casas e aumento da idade da reforma para os 62 anos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a descrita pela c\u00fapula. A Europa do capital est\u00e1 a desmoronar. Cresce o n\u00famero de governantes v\u00edtimas da brutal crise econ\u00f3mica e pol\u00edtica no Velho Continente. George Papandreu acrescentou o seu nome \u00e0 lista dos primeiro-ministros afastados de Portugal, Irlanda e Eslov\u00e1quia. Em meio desta tempestade, em Espanha, Rodr\u00edguez Zapatero viu-se obrigado a antecipar as elei\u00e7\u00f5es, e a popularidade de Sarkozy e Angela Merkel caem a pique. Em geral, os destinos dos l\u00edderes europeus est\u00e3o vinculado \u00e0 sua capacidade pol\u00edtica na hora de aprovar e impor \u00e0 classe trabalhadora europeia os dur\u00edssimos planos de ajuste que a banca e o capitalismo internacional precisam aplicar para sair de sua profunda crise estrutural com a menor instabilidade poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;\u00c9 assim que, agora, a agonia pol\u00edtica atinge nada menos que Il Cavaliere, Silvio Berlusconi. Desde h\u00e1 umas semanas, o FMI e a UE, a pedido da recente cimeira europeia, anunciaram que vigiariam o governo italiano na aplica\u00e7\u00e3o dos planos e reformas pendente, cujo cumprimento dever\u00e1 ser certificado trimestralmente. O objetivo \u00e9 acalmar a desconfian\u00e7a dos mercados. Bem o disse Christine Lagarde, a chefa do FMI: \u201cO problema da It\u00e1lia \u00e9 de credibilidade\u201d. A preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 v\u00e3. A It\u00e1lia responde por 17% do PIB da zona euro e o seu n\u00edvel de endividamento representa 121% desse mesmo PIB.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;Em It\u00e1lia, o chamado pr\u00e9mio de risco (diferencial entre os t\u00edtulos italiano e alem\u00e3o de dez anos) chegou aos 574 pontos, isto \u00e9, por cima dos 500 pontos que geraram os resgates de Gr\u00e9cia e Portugal. It\u00e1lia, a terceira economia da zona euro, entrou na \u00e1rea  de resgate ao superar a barreira dos 7% das taxas de juros exigidas pelo mercado. O problema \u00e9 que o resgate, no caso italiano, ser\u00e1 muito mais custoso, tendo Roma uma d\u00edvida total de 1,8 bili\u00f5es. No mesmo sentido, a crise italiana, al\u00e9m disso, empurra o pr\u00e9mio de risco de Espanha. Lagarde anunciou que a economia mundial corre o perigo de fundir-se numa \u201cespiral descendente\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>&nbsp;UE: Que os capitalistas paguem a crise<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;A tarefa central na Gr\u00e9cia e nos demais pa\u00edses que se encontram na \u201czona de resgate\u201d \u00e9 repudiar os planos de austeridade espoliadores e colonialistas. Repudiar o \u201cplano de resgate\u201d da troika e seus governos capitalistas. O plano de ajusta para a Gr\u00e9cia n\u00e3o pode conduzir o povo desse pa\u00eds a outra coisa que n\u00e3o seja a cat\u00e1strofe. Um desastre que, ao fim e ao cabo, terminar\u00e1 com a expuls\u00e3o da Gr\u00e9cia da UE, uma vez que seja totalmente esmagada e o seu patrim\u00f3nio nacional, delapidado. \u00c9 por isso que, para sair da crise, n\u00e3o resta outra op\u00e7\u00e3o que recusar o \u201cplano de resgate\u201d e deixar de pagar a d\u00edvida (al\u00e9m do mais ileg\u00edtima) aos banqueiros internacionais. Devemos impulsionar esta pol\u00edtica tendo consci\u00eancia de que implicar\u00e1 na sa\u00edda da Gr\u00e9cia do euro e da pr\u00f3pria UE.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;Mas para impor esta sa\u00edda oper\u00e1ria e popular \u00e9 preciso construir uma greve geral por tempo indeterminado na Gr\u00e9cia. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho para derrotar os capitalistas e os seus planos de ajuste. S\u00f3 desta forma, lutando, poder-se-a construir uma alternativa dos de baixo para esta crise. E nossa alternativa \u00e9 que sejam aqueles que geraram a crise, isto \u00e9, os banqueiros e os capitalistas do mundo, que paguem os seus custos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Neste sentido, as elei\u00e7\u00f5es de fevereiro que prop\u00f5e o PASOK e os conservadores da Nova Democracia, os dois partidos respons\u00e1veis pela crise, n\u00e3o representam nenhuma solu\u00e7\u00e3o para a crise. As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam de uma tentativa de relegitimarem-se e \u00e0s suas pol\u00edticas frente ao povo, a fim de impor com menos dificuldades o novo  colonialista dos imperialismos mais fortes da Europa. Por isso, \u00e9 uma tarefa important\u00edssima impedir a chega ao poder de Papademos, fantoche do FMI e BCE, e levantar a palavra de ordem de um governo dos trabalhadores: um governo apoiado nas organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores em cada local de trabalho e nas assembleias populares das pra\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\">Na Gr\u00e9cia, a constru\u00e7\u00e3o de uma greve geral por tempo indeterminado \u00e9 o \u00fanico caminho para impor a vontade do povo que os governos e o parlamento nunca respeitaram. No mesmo sentido, \u00e9 necess\u00e1rio chamar a unifica\u00e7\u00e3o das lutas de todos os trabalhadores da Europa, colocando como perspetiva a constru\u00e7\u00e3o de uma greve geral unificada em escala europeia. Para concretiz\u00e1-lo, deve-se travar um combate dur\u00edssimo contra as burocracias sindicais europeias que se cristalizaram como um forte obst\u00e1culo para a luta e a unifica\u00e7\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es. Estamos falando de burocracias que negociaram com a troika e os seus governos no sentido de facilitar a aceita\u00e7\u00e3o desses planos por parte da classe oper\u00e1ria, desarmando-a ou dividindo-a na hora de lutar.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;Devemos exigir, ainda, a todos os governos que enchem a boca com a palavra democracia, mas que nunca consultaram os seus povos sobre a contrata\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos ou sobre os planos de resgate, que convoquem referendos populares sobre esses planos de ajuste em cada um dos pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>Por um plano de resgate dos trabalhadores e do povo e um governo dos trabalhadores que o aplique<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal; text-decoration: none;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;Se a Gr\u00e9cia ou qualquer outra pa\u00eds recuse o pagamento da d\u00edvida e rompa com o euro e a UE, ser\u00e1 v\u00edtima de todo tipo de chantagem, boicotes e li\u00e7\u00f5es por parte da troika e dos banqueiros.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">&nbsp;Por isto, o rep\u00fadio ao plano e ao pagamento da d\u00edvida devem ser acompanhados por duas quest\u00f5es fundamentais: a mobiliza\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo grego e da mais estreita solidariedade e unidade na luta de classe trabalhadora europeia com seus irm\u00e3os de classe gregos e contra os seus pr\u00f3prios governos. A segunda, \u00e9 tomar medidas dr\u00e1sticas anticapitalistas, isto \u00e9, aplicar um verdadeiro plano de resgate dos trabalhadores e do povo, em defesa do n\u00edvel de vida da maioria. Estas medidas devem ser, basicamente:<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;N\u00e3o pagamento da d\u00edvida aos banqueiros;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">Sa\u00edda do euro e da UE do capital;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">Expropria\u00e7\u00e3o e nacionaliza\u00e7\u00e3o, sob o controlo dos trabalhadores, de todo o sistema financeiro;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">Controlo dos capitais e monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">Investimento em servi\u00e7os p\u00fablicos para defender a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade p\u00fablicas e um plano de obras p\u00fablicas e sociais;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Nacionaliza\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias estrat\u00e9gicas e servi\u00e7os essenciais,<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Lutar por um governo dos trabalhadores que aplique essas medidas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal; text-decoration: none;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;<strong>Por uma Europa dos trabalhadores e dos povos. Pelos Estados Unidos Socialistas da Europa<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal; text-decoration: none;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;Diante da possibilidade concreta de ru\u00edna e mis\u00e9ria sem precedentes que abre esta crise, a luta dos povos da Europa \u00e9 uma s\u00f3. N\u00e3o existe a possibilidade de um triunfo estrat\u00e9gico no continente contra os ataques dos banqueiros e capitalistas europeus se n\u00e3o se coloca a perspetiva de outra Europa, de uma Europa ao servi\u00e7o dos povos e dos trabalhadores, concretamente a perspetiva dos Estados Unidos Socialistas da Europa. Esta nova Europa s\u00f3 vir\u00e1 atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o socialista e da instaura\u00e7\u00e3o de governos oper\u00e1rios e populares em todos os pa\u00edses do velho continente. Contra a comunidade europeia dos ricos e poderosos, devemos construir a unidade dos explorados do continente contra nossa inimigo comum: o imperialismo e os seus agentes em cada pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">&nbsp;A luta de cada povo europeu \u00e9 a nossa luta.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">Todo apoio e solidariedade ativa \u00e0 luta dos trabalhadores e do povo grego.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">Globalizemos as lutas para a crise seja paga pelos capitalistas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>Secretariado Internacional da Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT &#8211; QI)<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"JUSTIFY\">10 de novembro de 2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fingir-se de \u201cdemocr\u00e1tico\u201d custou caro a Papandreu. Numa sucess\u00e3o de fatos ap\u00f3s a sua t\u00e3o falsa como questionada inten\u00e7\u00e3o de submeter a referendo popular o segundo e brutal plano de \u201cresgate\u201d da troika (Comiss\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu e FMI), a nova realidade \u00e9 que o governante do social-democrata PASOK foi-se e agora a Gr\u00e9cia tem um novo primeiro-ministro. O arrivista n\u00e3o \u00e9 um desconhecido. Trata-se de Lucas Papademos e, debaixo do bra\u00e7o, traz um historial que soa como m\u00fasica aos ouvidos dos banqueiros e mercados mundiais: foi vice-presidente do Banco Central Europeu e ex-governador do Banco da Gr\u00e9cia. 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