{"id":561,"date":"2011-11-09T13:16:14","date_gmt":"2011-11-09T12:16:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/11\/09\/estudantes-aprovam-greve-geral-apos-invasao-policial-a-universidade-brasileira\/"},"modified":"2011-11-09T13:16:14","modified_gmt":"2011-11-09T12:16:14","slug":"estudantes-aprovam-greve-geral-apos-invasao-policial-a-universidade-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/11\/09\/estudantes-aprovam-greve-geral-apos-invasao-policial-a-universidade-brasileira\/","title":{"rendered":"Estudantes aprovam greve geral ap\u00f3s invas\u00e3o policial a universidade brasileira"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O forte aparato policial que invadiu o pr\u00e9dio da reitoria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Brasil, nas primeiras horas da manh\u00e3 do dia 8 de novembro p\u00f4s fim \u00e0 sua ocupa\u00e7\u00e3o, com a sa\u00edda pac\u00edfica dos manifestantes que ali estavam h\u00e1 v\u00e1rios dias. Mas, nem de longe, encerrou a batalha aberta na universidade, sobre o conv\u00e9nio entre a reitoria e a Pol\u00edcia Militar (PM), que permite a presen\u00e7a dos policiais no campus. Ao contr\u00e1rio, a presen\u00e7a de dezenas de ve\u00edculos, de bombas de g\u00e1s e do efetivo de 400 policiais desencadeou a revolta na comunidade universit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Imediatamente ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o militar, grupos de estudantes se formaram em frente \u00e0 reitoria, formados por alunos que chegavam para as aulas, ativistas que n\u00e3o foram presos ou que n\u00e3o estavam participando da ocupa\u00e7\u00e3o, professores, funcion\u00e1rios e sindicalistas. Os manifestantes que chegavam deparavam com o forte cord\u00e3o policial, que permaneceu montado durante todo o dia, com dezenas de policiais do Batalh\u00e3o de Choque e da For\u00e7a T\u00e1tica, e ve\u00edculos sendo usados para impedir a passagem at\u00e9 a frente do pr\u00e9dio da reitoria.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A esse grupos de estudantes somaram-se tamb\u00e9m moradores do CRUSP, a moradia estudantil, que foram acordados, por volta das 5h, com a opera\u00e7\u00e3o policial. \u201cN\u00f3s acordamos com o som dos helic\u00f3pteros sobrevoando a USP e as sirenes. Logo depois, lan\u00e7aram bombas de g\u00e1s lacrimog\u00e9neo para que a gente n\u00e3o deixasse o pr\u00e9dio e fosse at\u00e9 a reitoria. Ao menos tr\u00eas bombas foram jogadas\u201d, denuncia uma moradora, que n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No meio da manh\u00e3, os manifestantes fizeram uma reuni\u00e3o e decidiram formar v\u00e1rios grupos, para percorrer a universidade, paralisar as aulas e conversar com os alunos, denunciando o ocorrido. Na Faculdade de Letras, os estudantes fizeram uma assembleia e decidiram parar as aulas, aderindo \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m resolveram adiar a elei\u00e7\u00e3o do Centro Acad\u00e9mico e publicaram uma nota p\u00fablica contra a PM no Campus.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No final da manh\u00e3, cerca de 200 estudantes de v\u00e1rios cursos, como Letras e Arquitetura, foram em passeata at\u00e9 a 91\u00aa Delegacia Policial, para onde os 73 estudantes presos haviam sido levados em autocarros. \u201cCaminhamos cerca de uma hora at\u00e9 a delegacia, cantando palavras de ordem pela liberdade aos presos\u201d, conta o estudante Paulo Henrique \u201cBahia\u201d, estudante da Letras e militante do PSTU, que chegou na USP \u00e0s 6h50, deparando com a invas\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">At\u00e9 o final da tarde, 70 estudantes permaneciam detidos, muitos dentro de autocarros em frente \u00e0 delegacia. Eles divulgaram uma carta na qual denunciavam: \u201cObrigaram-nos a entrar em salas escuras e agrediram estudantes. Homens com farda e sem identifica\u00e7\u00e3o\u201d. Com a queixa feita contra os estudantes pela reitoria, foi fixada uma fian\u00e7a de 1.050 reais para cada um dos detidos. Durante a tarde, sindicatos e entidades, como a CSP-Conlutas, mobilizaram-se para entrar com um pedido de habeas corpus e arrecadar a quantia necess\u00e1ria para a liberta\u00e7\u00e3o do grupo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">De volta da delegacia, os estudantes somaram-se aos que realizavam um ato perto da reitoria, somando cerca de 300 pessoas. Ali, de frente para os policiais, protestaram contra o ataque, com palavras de ordem, discursos e aulas-p\u00fablicas de professores da USP, que tamb\u00e9m lan\u00e7aram um manifesto e abaixo-assinado online contra a invas\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O ato concentrou for\u00e7as e, com as aulas paradas, aglutinou os que est\u00e3o ainda perplexos e revoltados com a a\u00e7\u00e3o da reitoria. No in\u00edcio da tarde, um grupo de estudantes do IME (Instituto de Matem\u00e1tica e Engenharia) veio em delega\u00e7\u00e3o apoiar o protesto. Eles carregavam um cartaz, com os dizeres: \u201cSe at\u00e9 o IME est\u00e1 aqui, quer dizer que a coisa t\u00e1 feia\u201d, ironizando a baixa participa\u00e7\u00e3o e ades\u00e3o a protestos dos alunos do instituto.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Unidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No in\u00edcio da noite, os alunos come\u00e7aram reuni\u00f5es nos cursos e, \u00e0s 20h, iniciariam uma assembleia central, para decidir os pr\u00f3ximos passos. \u201cSem liberdade, n\u00e3o tem universidade. Esse ataque derrubou a m\u00e1scara do reitor, que j\u00e1 vem aplicando a militariza\u00e7\u00e3o da USP, com a presen\u00e7a da PM e com processos contra alunos e funcion\u00e1rios\u201d, afirmou Dirceu Travesso, da CSP-Conlutas, que permanecia no local. \u201cO que est\u00e1 em jogo \u00e9 a defesa da universidade e das liberdades. \u00c9 necess\u00e1rio uma grande unidade contra esse ataque.\u201d<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Greve<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Em assembleia geral que reuniu mais de 2 mil pessoas na noite dessa ter\u00e7a-feira, os estudantes decidiram decretar greve geral. Eles exigem o fim do conv\u00e9nio entre a reitoria e a PM e o arquivamento de todos os processos contra os estudantes detidos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>\u00daltima hora<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">De acordo com informa\u00e7\u00e3o do jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em> online, foram necess\u00e1rios 39.240 reais para pagar a fian\u00e7a dos estudantes, de um sal\u00e1rio m\u00ednimo (545 reais) cada uma. O dinheiro foi arrecadado por sindicatos filiados \u00e0 central CSP-Conlutas, \u00e0 qual pertence o Sintusp, entidade que representa os trabalhadores da USP.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Artigo escrito por <strong>Diego Cruz<\/strong>, da reda\u00e7\u00e3o do <em>Opini\u00e3o Socialista<\/em>, com acr\u00e9scimos locais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O forte aparato policial que invadiu o pr\u00e9dio da reitoria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Brasil, nas primeiras horas da manh\u00e3 do dia 8 de novembro p\u00f4s fim \u00e0 sua ocupa\u00e7\u00e3o, com a sa\u00edda pac\u00edfica dos manifestantes que ali estavam h\u00e1 v\u00e1rios dias. Mas, nem de longe, encerrou a batalha aberta na universidade, sobre o conv\u00e9nio entre a reitoria e a Pol\u00edcia Militar (PM), que permite a presen\u00e7a dos policiais no campus. Ao contr\u00e1rio, a presen\u00e7a de dezenas de ve\u00edculos, de bombas de g\u00e1s e do efetivo de 400 policiais desencadeou a revolta na comunidade universit\u00e1ria. 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