{"id":551,"date":"2011-10-21T15:16:36","date_gmt":"2011-10-21T14:16:36","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/10\/21\/15-o-milhares-ganham-as-ruas-contra-o-capital-e-a-sua-democracia-decadente\/"},"modified":"2011-10-21T15:16:36","modified_gmt":"2011-10-21T14:16:36","slug":"15-o-milhares-ganham-as-ruas-contra-o-capital-e-a-sua-democracia-decadente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/10\/21\/15-o-milhares-ganham-as-ruas-contra-o-capital-e-a-sua-democracia-decadente\/","title":{"rendered":"15-O: milhares ganham as ruas contra o capital e a sua \u201cdemocracia\u201d decadente"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A data estava h\u00e1 meses marcada. O 15 de outubro (15-O) estava destinado a ocupar um espa\u00e7o na Hist\u00f3ria como uma das jornadas de luta mais massivas a n\u00edvel internacional. E assim foi. Logo ao amanhecer, come\u00e7ou a batalha que abarcou os cinco continentes e que expressou a raiva juvenil e popular em quase todos os idiomas. Durante a madrugada se iniciavam os protestos em T\u00f3quio, Seul, Sidney e Nova Zel\u00e2ndia. E pela manh\u00e3, as mobiliza\u00e7\u00f5es irromperam pelas ruas das principais capitais europeias e latino-americanas. Espalharam-se como um pavio de p\u00f3lvora para quase mil cidades de mais de oitenta pa\u00edses de todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Inspirada na primavera \u00e1rabe e aprofundando o ascenso europeu, a juventude em geral cumpriu um papel de vanguarda em todas as mobiliza\u00e7\u00f5es. Em alguns pontos, al\u00e9m disso, destacou-se uma ampla unidade entre estudantes, trabalhadores e desempregados, que sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar contra os efeitos da crise econ\u00f3mica mundial e contra as pol\u00edticas que os governos capitalistas v\u00eam aplicando no sentido de que sejam os trabalhadores quem paguem a conta de sua crise. Tamb\u00e9m se expressou o recha\u00e7o aos aspetos mais irritantes desta falsa democracia burguesa, sendo cada vez mais evidente que ela s\u00f3 serve aos ricos e que os pobres, na verdade, n\u00e3o decidem nada. Neste sentido, o alvo central das marchas e atos foram os grandes bancos centrais ou privados, aqueles totens do sistema financeiro internacional, assim como os parlamentos e sedes governamentais.<\/p>\n<p>\u201c<strong>De Norte a Sul, de Leste a Oeste, a luta segue, custe o que custar\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O pico dos protestos se concentrou na Espanha, ber\u00e7o do 15-M e 19-J, do movimento dos \u201cindignados\u201d e da corrente que prop\u00f5e a \u201cdemocracia real j\u00e1\u201d. Em Madrid e Barcelona reuniram-se mais de 400 mil pessoas que, logo ap\u00f3s marcharem, realizaram uma assembleia massiva na j\u00e1 emblem\u00e1tica Pra\u00e7a do Sol. A juventude cantava em coro, sem cessar: \u201cVai acabar, vai acabar, vai acabar a paz social\u201d, e levantava cartazes com dizeres como \u201cDesculpem o inc\u00f3modo, essa \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">&nbsp;\u00c2ngel Lu\u00eds Parras, dirigente da Corriente Roja (Corrente Vermelha) e da LIT, afirmou durante o ato: \u201cPrecisamos chamar as coisas pelo seu nome: temos que falar do capitalismo e temos que falar de capitalistas quando falamos dos mercados e dos mercadores. Por isso viemos aqui gritar que os capitalistas que paguem a crise e que para tirar esse pa\u00eds da crise, para contornar a crise o que falta \u00e9 um verdadeiro plano de resgate dos trabalhadores e do povo, esse \u00e9 o plano de resgate que est\u00e1 faltando e para o qual h\u00e1 que colocar em perspetiva uma greve geral\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Em Londres, mais de mil manifestantes reuniram-se em frente \u00e0s escadarias da catedral de Saint Paul e depois cercaram nada menos que a sede da Bolsa de Londres, a London Stock Exchange. Uma vez que a manifesta\u00e7\u00e3o perturbou o cora\u00e7\u00e3o da City de Londres, a pol\u00edcia come\u00e7ou a dispersar violentamente a concentra\u00e7\u00e3o. Atualmente, os indignados brit\u00e2nicos acampam rodeando a mesma catedral em que se concentraram durante o 15-O.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Roma foi uma das capitais onde se registou uma das maiores convocat\u00f3rias e, ao mesmo tempo, onde se expressou a maior radicalidade. Foram 200 mil pessoas as que responderam a jornada de luta na capital italiana, onde a rua Tasso foi protagonista de uma brutal repress\u00e3o policial que deixou 70 feridos, tr\u00eas com gravidade.<\/p>\n<p>Em Berlim, umas 10 mil pessoas marcharam pela avenida hist\u00f3rica de Unter de Linden cantando lemas em grego, espanhol, ingl\u00eas e alem\u00e3o. Houve momentos tensos na capital alem\u00e3 quando a pol\u00edcia barrou um setor dos manifestantes que, aos gritos de \u201cocupemos o Reichstag\u201d, se dirigiam \u00e0 sede do parlamento alem\u00e3o. Em Frankfurt, outros milhares de lutadores e lutadoras marcharam at\u00e9 a sede do Banco Central Europeu (BCE) levantando cartazes com inscri\u00e7\u00f5es como \u201cEst\u00e3o especulando com nossas vidas\u201d, misturadas com banners como \u201cEst\u00e3o destruindo o nosso futuro\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Na Holanda, outras 2 mil pessoas marcharam em La Haya, Rotterdam e Utrech. Na Pra\u00e7a da Bolsa, a multid\u00e3o gritava \u201cGolpearemos at\u00e9 a vit\u00f3ria\u201d, para depois cantarem a lend\u00e1ria Imagine de John Lennon. Umas 6 mil se reuniram em Bruxelas e outras centenas em Paris, que se reuniram na Pra\u00e7a do Hotel de Ville. Em Atenas, um dos centros da crise econ\u00f3mica e da resist\u00eancia oper\u00e1ria-juvenil, reuniram-se mais de 4 mil pessoas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Fechando o panorama europeu, citamos Portugal, o outro ponto alto do 15-O a n\u00edvel mundial, com cerca de 25 mil pessoas em Lisboa, mas tamb\u00e9m milhares de outras em v\u00e1rias outras cidades do pa\u00eds, como Porto, Braga e Faro. Em Lisboa, os manifestantes ocuparam a escadaria da Assembleia da Rep\u00fablica contra os planos de austeridade do governo de Pedro Passos Coelho, t\u00edtere da troika (Comiss\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu e FMI). Foi aprovada pela assembleia popular realizada logo ap\u00f3s o fim da manifesta\u00e7\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o de uma nova concentra\u00e7\u00e3o na data em que o parlamento votar, na generalidade, o Or\u00e7amento de Estado para 2012. Foram aprovados tamb\u00e9m pela assembleia a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e um apelo \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o de uma greve geral. A greve geral acabou por ser convocada, dias depois do 15 de outubro, pela duas centrais sindicais portuguesas, CGTP e UGT, para o dia 24 de novembro.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Na Am\u00e9rica Latina \u00e9 de se destacar a marcha em Santiago do Chile, onde mais de 5 mil pessoas protestaram com destino \u00e0 La Moneda. A jornada chilena esteve marcada pela heroica luta dos estudantes em defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica que dura j\u00e1 mais de cinco meses. Tamb\u00e9m ocorreram importantes atos em Buenos Aires e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>A indigna\u00e7\u00e3o chega ao cora\u00e7\u00e3o do imperialismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O impacto do processo revolucion\u00e1rio que sacode o mundo \u00e1rabe e o ascenso das mobiliza\u00e7\u00f5es do velho continente \u00e9 t\u00e3o forte que penetrou nos pr\u00f3prios EUA. Sabe-se que, desde 17 de setembro, iniciou-se um movimento que se autodenominou \u201cOcuppy Wall Street\u201d que envolve milhares de jovens que, at\u00e9 agora, conseguiram a ades\u00e3o de alguns sindicatos e de um vasto setor da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Em 5 de outubro, durante uma marcha que atravessava a Ponte do Brooklyn, foram duramente reprimidos pela pol\u00edcia de Nova Iorque, deixando um saldo de v\u00e1rios feridos e nada menos que 700 detidos. Desde o dia 6 e tendo como mote os 10 anos do in\u00edcio da invas\u00e3o ao Afeganist\u00e3o e contra o or\u00e7amento federal, ocupam uma pra\u00e7a entre Wall Street e a Zona Zero, em Manhattan, conhecida como Zucotti Park, agora rebatizada como Pra\u00e7a Freedom, a Pra\u00e7a da Liberdade. A pol\u00edcia nova-iorquina j\u00e1 tentou em mais de uma ocasi\u00e3o desalojar os jovens daquele parque, n\u00e3o podendo faz\u00ea-lo devido a enorme solidariedade de milhares de pessoas que cercaram o recinto protegendo a ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">E assim chegamos ao 15-O. Nos EUA, o protesto se estendeu para v\u00e1rias cidades. Os indignados norte-americanos, que antes desta data come\u00e7aram a \u201cvisitar\u201d os multimilion\u00e1rios e a retirar o seu dinheiro dos bancos num protesto simb\u00f3lico, tomaram o centro financeiro de Nova Iorque, demonstrando uma tremenda ousadia. Milhares de pessoas, inacreditavelmente, tomaram o Times Square e se concentraram em Wall Street em nome de uma \u201cmudan\u00e7a global\u201d. Milhares gritavam: \u201cSe o teu sangue n\u00e3o ferve agora, \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 sangue\u201d. Outros cartazes, que logo tentaram ocupar a sede do Bank of America, rezavam: \u201cA d\u00edvida \u00e9 escravid\u00e3o\u201d, \u201cN\u00e3o somos vossos escravos\u201d, \u201cN\u00e3o resgatem os bancos, resgatem as pessoas\u201d, \u201cDesperta Am\u00e9rica\u201d, \u201cMais impostos para os ricos\u201d, \u201cAcabamos de come\u00e7ar\u201d. E a cifra mais usada: \u201cSomos os 99%\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Com efeito, os indignados nova-iorquinos denunciam que os 99% dos norte-americanos trabalham para que apenas 1% se enrique\u00e7a cada vez mais. Uma manifestante sentenciou: \u201cN\u00e3o \u00e9 justo que n\u00f3s, a maioria, os 99%, tenhamos que sofrer para que eles, os milion\u00e1rios, se tornem cada vez mais ricos\u201d. A multid\u00e3o gritou em coro: \u201cJ\u00e1 \u00e9 hora que os 99% se levantem contra o 1%\u201d. Tamb\u00e9m denunciaram que o 1% controla os 40% dos ativos dispon\u00edveis nos EUA e que na primeira superpot\u00eancia mundial existam 46 milh\u00f5es de pobres, a maior cifra de sua hist\u00f3ria, al\u00e9m de que um de cada quatro propriet\u00e1rios n\u00e3o pode pagar a sua hipoteca.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Expressando a internacionaliza\u00e7\u00e3o da luta dos de baixo, um membro da seccional do sindicato Communications Workers of America, disse: \u201cOlhe ao seu redor. Assim \u00e9 como se v\u00ea a verdadeira democracia. Occupy Wall Street capturou o esp\u00edrito do nosso tempo. Isso \u00e9 Madison em Wisconsin. Isso \u00e9 o Cairo. Isso \u00e9 Tunes. Occupy Wall Street come\u00e7ou aqui um movimento do qual somos todos parte ao redor do mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Minimizado e at\u00e9 ridicularizado em seu in\u00edcio, o protesto no cora\u00e7\u00e3o do imperialismo come\u00e7a a ser tomado a s\u00e9rio. O Ocupe Wall Street j\u00e1 dobra a sua popularidade em rela\u00e7\u00e3o ao Tea Party, com um apoio de 60% entre os jovens e 66% entre os democratas. At\u00e9 Obama, com o seu habitual cinismo, declarou que este movimento \u201c\u00e9 uma express\u00e3o da frustra\u00e7\u00e3o que o povo norte-americano sente diante da maior crise econ\u00f3mica desde a Grande Depress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A manifesta\u00e7\u00e3o do 15-O nos Estados Unidos foi estimada em 10 mil pessoas, o que n\u00e3o \u00e9 pouca coisa, considerando que ocorre no centro da maior pot\u00eancia imperialista do mundo, tendo registado mais de 70 detidos quando a pol\u00edcia tentou dispers\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">\u201c<strong>Democracia real\u201d&#8230; s\u00f3 com o fim do capital<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Essas mobiliza\u00e7\u00f5es, para a LIT, s\u00e3o altamente progressivas e as apoiamos com tudo. Expressam as necess\u00e1rias respostas de nossa classe, no terreno da luta direta, aos efeitos da crise econ\u00f3mica. Mobiliza\u00e7\u00f5es como as que presenciamos, massivas e de amplitude internacional, s\u00e3o uma necessidade diante da guerra social que empreende o imperialismo contra os povos do mundo. Quanto mais massivas e unificadas sejam as lutas tanto melhor para defender nossos direitos e interesses.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">As mobiliza\u00e7\u00f5es do 15-O expressam tamb\u00e9m o desgaste pronunciado das democracias burguesas, dos partidos, do regime, das burocracias sindicais e dos partidos reformistas e neo-reformistas que, ao sabor da crise, se veem cada vez mais obrigados a mostrar o seu verdadeiro rosto ao impulsionar ou apoiar ataques diretos ao n\u00edvel de vida das massas e medidas que s\u00f3 favorecem os grandes banqueiros e capitalistas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Neste sentido, ao calor da luta, amplos setores da juventude e da classe trabalhadora come\u00e7am a identificar os seus inimigos nessa briga mortal contra o capital. N\u00e3o \u00e9 casualidade que, em quase todos os casos, as mobiliza\u00e7\u00f5es apontaram as institui\u00e7\u00f5es centrais do sistema financeiro ou os pr\u00f3prios governos e parlamentos. Isso \u00e9 muito progressivo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Isso n\u00e3o se via, ao menos com essa for\u00e7a, quando come\u00e7ou a crise em 2007-2008. Mas as coisas foram mudando. Nesta fase da crise em que a burguesia mundial precisa nos golpear duramente e impor retrocessos ou derrotas hist\u00f3ricas para recuperar a sua taxa de lucro, a classe oper\u00e1ria e a juventude entram em cena para demonstrar que nada est\u00e1 determinado, que vamos resistir e que a derrota n\u00e3o \u00e9 uma inevitabilidade para o movimento de massas mundial. Estamos a demonstrar, com a for\u00e7a das mobiliza\u00e7\u00f5es, que lutaremos duro.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No entanto, as atuais mobiliza\u00e7\u00f5es refletem outro aspeto que cruza toda essa etapa da luta de classes. Refletem, al\u00e9m da disposi\u00e7\u00e3o combativa de nossa classe para enfrentar os ataques das classes possuidoras, profundas debilidades \u2013 e retrocessos \u2013 no terreno da consci\u00eancia. Na vanguarda dessas lutas, dramaticamente se reflete todo tipo de confus\u00f5es ideol\u00f3gicas, ou melhor, uma forte influ\u00eancia da ideologia burguesa, reformista ou uma mescla de tudo um pouco. Isso demonstra a falta e a necessidade urgente de construir e fortalecer uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, se queremos que todo o hero\u00edsmo e a energia que as massas est\u00e3o desprendendo desemboque em vit\u00f3rias estrat\u00e9gicas para nossa classe.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">As lutas progressivas dos jovens europeus, latino-americanos e de quase todos os pa\u00edses do mundo que questionam o \u201csistema\u201d, os \u201cmercados\u201d, os \u201cbancos\u201d e a as decadentes democracias capitalistas t\u00eam a enorme limita\u00e7\u00e3o, para poder avan\u00e7ar inclusive na conquista de reivindica\u00e7\u00f5es m\u00ednimas ou na defesa dos direitos b\u00e1sicos, do car\u00e1ter reformista de sua dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Para citar um exemplo, a dire\u00e7\u00e3o da \u201cDemocracia Real Ya\u201d, no Estado Espanhol, defende o sistema capitalista. N\u00e3o tem a m\u00ednima inten\u00e7\u00e3o de romper com ele e, na melhor das hip\u00f3teses, pretende fazer reformas por dentro de sua institucionalidade. A sua cr\u00edtica ao Pacto do Euro e o seu discurso sobre \u201cn\u00e3o somos mercadorias nas m\u00e3os de pol\u00edticos e banqueiros\u201d limitam-se a exigir um \u201cmaior controlo\u201d dos bancos privados por parte do Banco da Espanha a pensar, utopicamente, que, assim, os polvos do capital financeiro teriam \u201cuma consci\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">&nbsp;N\u00e3o reivindicam a expropria\u00e7\u00e3o da banca e o seu funcionamento ao servi\u00e7o da classe oper\u00e1ria no poder e da constru\u00e7\u00e3o de uma economia que priorize a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Tudo se limita a uma maior \u201cregula\u00e7\u00e3o\u201d. Tampouco se fala de um plano de resgate aos trabalhadores baseado em atacar a fundo os interesses das grandes empresas e bancos. N\u00e3o questionam o modelo de pens\u00f5es (que quer aumentar a idade da reforma) ou as privatiza\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Nem falemos de sua compreens\u00e3o de \u201cdemocracia real\u201d, que n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 monarquia espanhola e n\u00e3o defende o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o das nacionalidades, sem d\u00favida um estranho tipo de \u201cdemocracia real\u201d. Essas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas v\u00e3o acompanhadas de outros tipos de ideologias reacion\u00e1rias, como a anti-partidos e as contr\u00e1rias \u00e0 unidade com a classe oper\u00e1ria organizada.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Frente ao car\u00e1ter dessas dire\u00e7\u00f5es \u00e9 preciso, al\u00e9m de impulsionar com toda a for\u00e7a essas mobiliza\u00e7\u00f5es, travar uma discuss\u00e3o profunda sobre a impossibilidade de conquistarmos uma democracia \u201creal\u201d e verdadeira, entendida como uma democracia de e para a classe trabalhadora e a maioria da sociedade, sem liquidar o capitalismo. \u00c9 como dizia um cartaz na manif em S\u00e3o Paulo: \u201cN\u00e3o existe democracia com desigualdade e n\u00e3o existe capitalismo sem desigualdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">\u00c9 necess\u00e1rio, para n\u00f3s, apontar uma sa\u00edda de fundo. Essa sa\u00edda n\u00e3o \u00e9 outra que a tomada do poder pelo proletariado revolucion\u00e1rio socialista internacional, que destrua o Estado burgu\u00eas e instaure um Estado oper\u00e1rio com um regime de ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado [<em>que nada tem a ver, como \u00e9 \u00f3bvio, com as ditaduras burocr\u00e1ticas e estalinistas que vigoraram na ex-URSS, na China, no Vietname, em Cuba, na Coreia do Norte e no Leste europeu<\/em>]. S\u00f3 esse regime ser\u00e1 verdadeiramente democr\u00e1tico, s\u00f3 esse regime pol\u00edtico poder\u00e1 garantir de fato uma \u201cdemocracia real\u201d para os trabalhadores e pobres, pois, como afirmava a III Internacional Comunista: \u201cA rep\u00fablica burguesa mais democr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais que uma m\u00e1quina que permite \u00e0 burguesia esmagar a classe oper\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">&nbsp;Neste sentido, qualquer regime dentro do Estado burgu\u00eas (seja uma ditadura burguesa ou uma democracia burguesa) ser\u00e1 sempre uma ditadura dos burgueses sobre os oper\u00e1rios, porque estar\u00e1 assentada nas institui\u00e7\u00f5es que permitem aos capitalistas (minoria da popula\u00e7\u00e3o) explorar e oprimir a classe trabalhadora (maioria da popula\u00e7\u00e3o). A ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado, ao contr\u00e1rio, seria mais democr\u00e1tica (seria superior a qualquer democracia burguesa) porque seria o inverso, seria uma democracia para a maioria do povo e uma ditadura da maioria da popula\u00e7\u00e3o (a classe oper\u00e1ria e os seus aliados) sobre uma minoria exploradora (a burguesia).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">E, para destruir esse sistema explorador, raiz da pr\u00f3pria crise e de todos os problemas sociais, \u00e9 preciso \u2013 e urgente \u2013 organizarmo-nos solidamente em organiza\u00e7\u00f5es de luta, sejam sindicatos, comiss\u00f5es de trabalhadores, comiss\u00f5es populares, etc., lutando sempre para que sejam classistas; e em partidos pol\u00edticos revolucion\u00e1rios, ferramentas de luta que a nossa classe construiu e e desenvolveu ao longo de d\u00e9cadas de luta e ao pre\u00e7o de muito sangue. J\u00e1 dizia Lenine quando polemizava com a ideologia e a pr\u00e1tica \u201cespontane\u00edsta\u201d: \u201cToda diminui\u00e7\u00e3o do &#8216;elemento consciente\u2019 do papel da social-democracia [<em>na \u00e9poca um partido revolucion\u00e1rio<\/em>] significa \u2013 se queira ou n\u00e3o \u2013 um refor\u00e7o da ideologia burguesa sobre os oper\u00e1rios (&#8230;) todo desenvolvimento espont\u00e2neo do movimento oper\u00e1rio acaba em sua subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 ideologia burguesa\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">&nbsp;<strong>Ronald Le\u00f3n, da LIT-QI<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A data estava h\u00e1 meses marcada. O 15 de outubro (15-O) estava destinado a ocupar um espa\u00e7o na Hist\u00f3ria como uma das jornadas de luta mais massivas a n\u00edvel internacional. E assim foi. Logo ao amanhecer, come\u00e7ou a batalha que abarcou os cinco continentes e que expressou a raiva juvenil e popular em quase todos os idiomas. Durante a madrugada se iniciavam os protestos em T\u00f3quio, Seul, Sidney e Nova Zel\u00e2ndia. E pela manh\u00e3, as mobiliza\u00e7\u00f5es irromperam pelas ruas das principais capitais europeias e latino-americanas. Espalharam-se como um pavio de p\u00f3lvora para quase mil cidades de mais de oitenta pa\u00edses<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":550,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-551","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/manifpuertadelsol15o.jpg?fit=980%2C653","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=551"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/550"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}