{"id":5507,"date":"2026-02-25T21:50:00","date_gmt":"2026-02-25T20:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mas.org.pt\/?p=5507"},"modified":"2026-02-26T22:06:13","modified_gmt":"2026-02-26T21:06:13","slug":"ucrania-quatro-anos-de-resistencia-a-invasao-russa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2026\/02\/25\/ucrania-quatro-anos-de-resistencia-a-invasao-russa\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia: quatro anos de resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o russa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 24 de fevereiro completaram-se quatro anos da invas\u00e3o russa em grande escala sobre a Ucr\u00e2nia em 2022. A guerra segue aberta, com uma frente estagnada, enormes perdas humanas e materiais, e uma crescente disputa geopol\u00edtica que redefine a Europa e a ordem mundial. Enquanto se abrem negocia\u00e7\u00f5es, as pot\u00eancias pressionam por uma sa\u00edda em fun\u00e7\u00e3o mais de seus interesses do que dos do povo ucraniano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Oleg Vernyk e Rub\u00e9n Tzanoff<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/lis-isl.org\/pt\/2026\/02\/ucrania-quatro-anos-de-resistencia-a-invasao-russa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Liga Internacional Socialista<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Devasta\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A invas\u00e3o russa est\u00e1 deixando um saldo devastador para a Ucr\u00e2nia: dezenas de milhares de mortos, milh\u00f5es de deslocados internos e refugiados, cidades arrasadas e uma economia profundamente danificada. A infraestrutura energ\u00e9tica tem sido alvo sistem\u00e1tico de ataques, agravando as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. Apesar disso, o Estado ucraniano conseguiu sustentar seu funcionamento e a sociedade mostrou uma not\u00e1vel capacidade de resist\u00eancia diante de uma agress\u00e3o de grande escala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>R\u00fassia n\u00e3o conseguiu derrotar a Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo inicial do Kremlin de uma vit\u00f3ria r\u00e1pida fracassou. As for\u00e7as de Vladimir Putin n\u00e3o conseguiram quebrar a resist\u00eancia ucraniana nem tomar o controle total do pa\u00eds. No entanto, o conflito derivou em uma guerra de desgaste, com uma frente relativamente estabilizada. A R\u00fassia, o pa\u00eds agressor, \u00e9 uma pot\u00eancia militar que mant\u00e9m superioridade em recursos militares, capacidade industrial e volume de tropas. O seu controle sobre territ\u00f3rios no leste e sul da Ucr\u00e2nia confere-lhe uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica relevante. N\u00e3o obstante, enfrenta problemas log\u00edsticos, san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e desgaste das suas tropas. Por sua vez, a Ucr\u00e2nia, o pa\u00eds agredido, \u00e9 pobre, dependente, est\u00e1 em inferioridade de condi\u00e7\u00f5es em todos os terrenos que definem uma guerra. As ajudas militares e econ\u00f3micas dos EUA, da Uni\u00e3o Europeia e de outros pa\u00edses s\u00e3o elementos t\u00e3o fundamentais quanto limitados: permitem que a Ucr\u00e2nia n\u00e3o se renda, mas s\u00e3o insuficientes para derrotar a R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fator determinante para que, em evidente inferioridade de condi\u00e7\u00f5es, a Ucr\u00e2nia continue lutando \u00e9 a resist\u00eancia do povo trabalhador, j\u00e1 que est\u00e1 severamente questionada a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia soberana e sua soberania territorial. A resist\u00eancia articula-se com uma grande dose de hero\u00edsmo e solidariedade, mas tem a grande debilidade de n\u00e3o contar com uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, nem com organismos democr\u00e1ticos e independentes de exist\u00eancia determinante, nem na frente nem na retaguarda. A justa causa ucraniana \u00e9 conduzida por Zelenski com um regime corrupto e um governo pr\u00f3-imperialista ocidental e neoliberal, que agride a classe trabalhadora com medidas reacion\u00e1rias no decorrer da pr\u00f3pria guerra. Ainda nessas condi\u00e7\u00f5es, o povo ucraniano \u00e9 o baluarte da defesa territorial e da mobiliza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Europa: militariza\u00e7\u00e3o e crise<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conflito transformou a Europa em m\u00faltiplas dimens\u00f5es. Com a desculpa da guerra e de uma eventual \u201cinvas\u00e3o russa\u201d, os imperialismos europeus impulsionam um rearmamento generalizado, o aumento do gasto militar em detrimento das verbas sociais e o salvamento da combalida e criminosa NATO como eixo pol\u00edtico-militar. Pa\u00edses historicamente neutros modificaram suas posi\u00e7\u00f5es, enquanto a Uni\u00e3o Europeia, em crise de exist\u00eancia, projeto e aos trancos e barrancos, tenta redefinir a sua rela\u00e7\u00e3o com os EUA e outras pot\u00eancias nas melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis diante dos embates e press\u00f5es de Trump.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No plano econ\u00f3mico, a ruptura energ\u00e9tica com a R\u00fassia provocou infla\u00e7\u00e3o, encarecimento do g\u00e1s e tens\u00f5es sociais. A guerra tamb\u00e9m acelerou tend\u00eancias de crise industrial em alguns pa\u00edses e aprofundou desigualdades internas. A Europa aparece assim mais militarizada, mais dependente estrategicamente e com maiores tens\u00f5es sociais, manifestadas em lutas pela habita\u00e7\u00e3o (moradia), pelos direitos dos trabalhadores e contra o avan\u00e7o da ultradireita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A pol\u00edtica de Trump: press\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua tentativa de mudar a ordem estabelecida ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial e recuperar a hegemonia dos EUA, Trump introduziu um fator de incerteza e desordem global, tamb\u00e9m presente no Leste europeu. A sua postura combina press\u00e3o sobre a Ucr\u00e2nia para negociar e uma atitude amb\u00edgua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, que inclui sinais de aproxima\u00e7\u00e3o com Putin. Trump questionou o n\u00edvel de ajuda militar a Kiev e levantou a necessidade de alcan\u00e7ar um acordo r\u00e1pido, inclusive \u00e0 custa de concess\u00f5es territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As negocia\u00e7\u00f5es desenvolvem-se ainda sem resultados definitivos. Entre os pontos em discuss\u00e3o aparecem: um eventual cessar-fogo que congele as atuais linhas da frente, o estatuto dos territ\u00f3rios ocupados pela R\u00fassia, garantias de seguran\u00e7a para a Ucr\u00e2nia e o levantamento parcial ou total de san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As diferen\u00e7as seguem sendo importantes. A Ucr\u00e2nia insiste na recupera\u00e7\u00e3o de sua integridade territorial, enquanto a R\u00fassia busca consolidar suas conquistas. As pot\u00eancias ocidentais pressionam por uma sa\u00edda negociada que estabilize a regi\u00e3o, mas sem uma solu\u00e7\u00e3o clara sobre as causas estruturais do conflito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quatro anos ap\u00f3s a invas\u00e3o do imperialismo russo e sem resultado definido, h\u00e1 algumas coisas evidentes. Equivocaram-se aqueles que, confiando no imperialismo norte-americano, se negaram a rejeitar a pol\u00edtica de Trump e da NATO. Equivocaram-se as correntes de esquerda que caracterizaram o conflito como o in\u00edcio da Terceira Guerra Mundial entre pot\u00eancias imperialistas e definiram como orienta\u00e7\u00e3o o derrotismo revolucion\u00e1rio, sem diferenciar os agressores dos agredidos. E tamb\u00e9m os \u2018campistas\u2019 que, partindo de um justo e compartilhado \u00f3dio aos assassinos do imperialismo ocidental e da NATO, colocaram-se ao lado das falsas justificativas de Putin sobre uma cruzada \u201canti-nazista\u201d e \u201canti-imperialista\u201d, quando a R\u00fassia representa interesses imperialistas e a dupla Trump-Putin demonstra sinais de aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da Liga Internacional Socialista (LIS) reafirmamos que a guerra na Ucr\u00e2nia tem car\u00e1cter dual, j\u00e1 que interv\u00eam tanto a justa causa pela autodetermina\u00e7\u00e3o quanto a disputa inter-imperialista pela hegemonia. Isso implica uma dupla tarefa: rejeitar a invas\u00e3o russa e defender o direito do povo ucraniano de resistir, de se defender com todos os meios ao seu alcance, ao mesmo tempo em que se denuncia o papel da NATO e das pot\u00eancias ocidentais, que instrumentalizam o conflito para seus pr\u00f3prios interesses no Leste europeu. Tudo isso com uma pol\u00edtica independente do governo de Zelensky e a partir de uma perspectiva socialista e revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naturalmente, o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o que deve ser aplicado \u00e0 na\u00e7\u00e3o ucraniana tamb\u00e9m deve ser aplicado nas regi\u00f5es com forte presen\u00e7a da nacionalidade russa. N\u00e3o se pode realizar sob as imposi\u00e7\u00f5es das tropas invasoras, que devem se retirar, nem sob a press\u00e3o de for\u00e7as ucranianas, mas sim com mecanismos realmente democr\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sa\u00edda n\u00e3o vir\u00e1 de negocia\u00e7\u00f5es feitas nas costas dos trabalhadores e do povo, entre governos que respondem a interesses de classe dominantes, mas da a\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora e do povo, tanto na Ucr\u00e2nia, quanto na R\u00fassia e na Europa. Apenas uma perspectiva internacionalista e socialista pode colocar uma solu\u00e7\u00e3o socialista de fundo que supere a l\u00f3gica de guerra, ocupa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o que hoje domina o cen\u00e1rio. Nesse sentido, a LIS seguir\u00e1 impulsionando o reagrupamento internacional dos revolucion\u00e1rios como uma tarefa urgente e indispens\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 24 de fevereiro completaram-se quatro anos da invas\u00e3o russa em grande escala sobre a Ucr\u00e2nia em 2022. A guerra segue aberta, com uma frente estagnada, enormes perdas humanas e materiais, e uma crescente disputa geopol\u00edtica que redefine a Europa e a ordem mundial. Enquanto se abrem negocia\u00e7\u00f5es, as pot\u00eancias pressionam por uma sa\u00edda em fun\u00e7\u00e3o mais de seus interesses do que dos do povo ucraniano. 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