{"id":5437,"date":"2025-08-01T18:36:45","date_gmt":"2025-08-01T17:36:45","guid":{"rendered":"https:\/\/mas.org.pt\/?p=5437"},"modified":"2025-08-01T18:41:12","modified_gmt":"2025-08-01T17:41:12","slug":"farsa-eleitoral-autarquica-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2025\/08\/01\/farsa-eleitoral-autarquica-em-lisboa\/","title":{"rendered":"Farsa Eleitoral Aut\u00e1rquica em Lisboa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O recente acordo anunciado para as elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas em Lisboa entre o PS, o Livre, o PAN e o Bloco de Esquerda surge como tentativa de travar uma nova vit\u00f3ria da coliga\u00e7\u00e3o de direita PSD\/CDS\/IL, que governa a cidade h\u00e1 quatro anos sem ter resolvido nenhum dos problemas estruturais da cidade, como o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o ou os transportes. No entanto, embora o objetivo de impedir o crescimento da extrema-direita seja partilhado por grande parte da esquerda, o caminho escolhido revela-se limitado e, em \u00faltima an\u00e1lise, contraproducente. O acordo re\u00fane for\u00e7as com vis\u00f5es program\u00e1ticas incompat\u00edveis e repete a velha f\u00f3rmula da frente \u201campla\u201d, que troca clareza ideol\u00f3gica por viabilidade eleitoral imediata. Este acordo pode, at\u00e9, chegar \u00e0 vit\u00f3ria, mas n\u00e3o garante uma gest\u00e3o da autarquia diferente da direita neoliberal do PSD\/CDS\/IL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante sublinhar que o MAS tem vindo a alertar para a necessidade de respostas conjuntas e firmes ao crescimento da extrema-direita. J\u00e1 sugerimos, em momentos anteriores, a constru\u00e7\u00e3o de plataformas unit\u00e1rias \u00e0 esquerda \u2014 mas sempre com base num programa de rutura, e nunca com o PS ou o PAN, partidos que, apesar do seu discurso progressista em pontos isolados, continuam a defender e aplicar pol\u00edticas neoliberais que aprofundam as desigualdades e alimentam o descontentamento social de onde se alimenta o populismo reacion\u00e1rio. A presen\u00e7a do PS neste acordo, que em Lisboa tem sido correspons\u00e1vel pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, degrada\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e paralisia clim\u00e1tica, torna imposs\u00edvel uma verdadeira alternativa de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este entendimento entre o PS, PAN, Livre e BE acaba, assim, por entregar de bandeja ao PCP o papel de \u201c\u00fanico partido\u201d fiel a ideias inteiramente \u00e0 esquerda e fora da caixa. Ainda que o PCP mantenha uma postura muitas vezes anacr\u00f3nica e isolacionista, \u00e9 ineg\u00e1vel que a sua recusa em pactuar com partidos liberais lhe d\u00e1 algum cr\u00e9dito, ainda que manchado, no entanto, pelo apoio aos governos de A. Costa (a geringon\u00e7a) contribuindo na altura para a abertura de portas \u00e0 extrema-direita que se apresentava demagogicamente como a \u00fanica alternativa anti sist\u00e9mica, pese serem os maiores suportes precisamente do capitalismo mais aviltante e explorador. O Bloco, ao aceitar integrar este tipo de acordos, perde margem de manobra cr\u00edtica e apaga a fronteira entre quem quer reformar o sistema e quem quer transform\u00e1-lo. A esquerda, se quiser reconquistar a confian\u00e7a popular, n\u00e3o pode continuar a renunciar \u00e0 sua diferen\u00e7a em nome de maiorias fr\u00e1geis e contraproducentes pois continua a dar argumentos \u00e0 extrema-direita que o \u2018socialismo\u2019 (identificado como o PS e partidos \u2018amigos\u2019) s\u00f3 deu hospitais com maternidades e urg\u00eancias regularmente fechadas, milhares e milhares de trabalhadores sem m\u00e9dico de fam\u00edlia, etc etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num momento em que o fascismo deixa de ser uma amea\u00e7a distante e se torna uma realidade institucionalizada, \u00e9 fundamental construir resist\u00eancias s\u00f3lidas e cred\u00edveis, sobretudo quando a extrema-direita do CHEGA est\u00e1 bastante perto de, a n\u00edvel nacional, ganhar algumas c\u00e2maras e, em Lisboa, eleger v\u00e1rios vereadores. Isso n\u00e3o se faz com alian\u00e7as contradit\u00f3rias, mas sim com frentes combativas e claramente \u00e0 esquerda, transparentes e mobilizadoras. E essa tarefa coligados com o PS n\u00e3o \u00e9 manifestamente poss\u00edvel, para mais com um PS, hoje por hoje, dirigido pelos sectores (e respectivo secret\u00e1rio-geral) mais \u00e0 direita poss\u00edvel. O combate \u00e0 extrema-direita exige coragem para romper com os partidos que, apesar do verniz democr\u00e1tico, contribu\u00edram ativamente para a crise social que lhe d\u00e1 sustento. E exige tamb\u00e9m uma vis\u00e3o eco socialista, feminista e anticapitalista que n\u00e3o se dilua em acordos t\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, o MAS defende a constru\u00e7\u00e3o de uma coliga\u00e7\u00e3o aut\u00e1rquica em Lisboa que una todas as for\u00e7as e movimentos \u00e0 esquerda do PS e do PAN \u2014 uma coliga\u00e7\u00e3o que seja consequente, firme nas suas propostas e intransigente na defesa dos direitos sociais, do ambiente e da democracia real. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel apresentar uma alternativa \u00e0 altura dos desafios do nosso tempo: n\u00e3o uma gest\u00e3o ligeiramente mais progressista do existente, mas uma verdadeira proposta de transforma\u00e7\u00e3o da cidade e da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O recente acordo anunciado para as elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas em Lisboa entre o PS, o Livre, o PAN e o Bloco de Esquerda surge como tentativa de travar uma nova vit\u00f3ria da coliga\u00e7\u00e3o de direita PSD\/CDS\/IL, que governa a cidade h\u00e1 quatro anos sem ter resolvido nenhum dos problemas estruturais da cidade, como o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o ou os transportes. No entanto, embora o objetivo de impedir o crescimento da extrema-direita seja partilhado por grande parte da esquerda, o caminho escolhido revela-se limitado e, em \u00faltima an\u00e1lise, contraproducente. 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