{"id":5411,"date":"2025-05-23T18:37:08","date_gmt":"2025-05-23T17:37:08","guid":{"rendered":"https:\/\/mas.org.pt\/?p=5411"},"modified":"2025-05-23T18:59:35","modified_gmt":"2025-05-23T17:59:35","slug":"o-mas-e-as-eleicoes-de-18-de-maio-esquerda-parlamentar-cavou-a-sua-sepultura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2025\/05\/23\/o-mas-e-as-eleicoes-de-18-de-maio-esquerda-parlamentar-cavou-a-sua-sepultura\/","title":{"rendered":"O MAS E AS ELEI\u00c7\u00d5ES DE 18 DE MAIO: Esquerda parlamentar cavou a sua sepultura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1) Passado um ano, realizaram-se novamente mais umas elei\u00e7\u00f5es antecipadas, sem que nesse intervalo de tempo tivesse havido um significativo intensificar de lutas laborais ou sociais em enfrentamento com o governo. Pelo contr\u00e1rio, o primeiro governo Montenegro\/AD, com 11 meses de vida, passou v\u00e1rios meses a negociar para apaziguar os conflitos laborais que vinham da governa\u00e7\u00e3o PS. Montenegro aprendeu com A. Costa: distribuir migalhas e n\u00e3o bater de frente com os protestos de rua. Montenegro, conseguiu assim desmobilizar alguns dos principais sectores em conflito, a come\u00e7ar pelo sector da educa\u00e7\u00e3o, for\u00e7as policiais, bombeiros e sa\u00fade. Aceitando algumas ced\u00eancias (aceitando alguns aumentos salariais) a reivindica\u00e7\u00f5es laborais. Os objetivos pol\u00edticos do governo, no sentido de desmantelar servi\u00e7os p\u00fablicos, privatizar sectores, e iniciar ofensiva contra direitos laborais ficaram ainda foram executadas. O plano do governo era ganhar elei\u00e7\u00f5es antecipadas (n\u00e3o este ano) mas que viriam mais tarde ou mais cedo (por n\u00e3o possuir maioria no parlamento) logo n\u00e3o podia fazer todo o \u2018mal\u2019 programado. A ideia que fica deste primeiro governo \u00e9 uma ideia de \u2018negociar\u2019 e n\u00e3o de enfrentar. \u00c9 neste contexto que centenas de milhares de trabalhadores de todos os sectores acima referidos optaram pelo voto na AD, refor\u00e7ando-lhe a vit\u00f3ria eleitoral, independentemente dos esc\u00e2ndalos de compadrio e favorecimentos que envolviam parte dos governantes, incluindo o pr\u00f3prio primeiro-ministro Lu\u00eds Montenegro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Intensificou-se viragem \u00e0 direita, extrema-direita cresce, e h\u00e1 hecatombe no PS e na esquerda da \u2018geringon\u00e7a\u2019<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2) Os mais importantes partidos da esquerda parlamentar (o BE e o PCP) ao ficarem irremediavelmente ligados ao apoio \u00e0 governa\u00e7\u00e3o PS, na \u2018geringon\u00e7a\u2019 e na proximidade ao PS, desperdi\u00e7aram oportunidades de mobiliza\u00e7\u00e3o e opondo-se a lutas (por exemplo a dos Motoristas das Mat\u00e9rias Perigosas e a luta do STOP na Educa\u00e7\u00e3o), destru\u00edram a sua anterior \u2018fun\u00e7\u00e3o\u2019 de partidos de \u2018oposi\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e0 governa\u00e7\u00e3o, deixando vazio este espa\u00e7o parlamentar, que foi rapidamente ocupado por uma extrema direita que soube capitalizar as mudan\u00e7as pol\u00edticas que percorrem o mundo e a desilus\u00e3o e cansa\u00e7o das massas populares nos sucessivos governos dos \u2018centr\u00f5es\u2019, no caso portugu\u00eas os governos do PS e do PSD (com ou sem CDS). A verdade \u00e9 que 50 anos de governos PS ou PSD e de 25 de apoio ao BE e o PC (!) cansou, e fez centenas de milhares de trabalhadores e de largos sectores de juventude girarem para os Chegas e ILs desta vida. Quando n\u00e3o se rompe com o sistema (capitalista) \u00e9 \u00f3bvio que qualquer direita reacion\u00e1ria pode fazer demagogia, mesmo sendo semelhante (para pior) do que tem vindo a criticar. Haver urg\u00eancias fechadas permanentemente nos Hospitais n\u00e3o se deve a exist\u00eancia de qualquer socialismo no pa\u00eds e nem da exist\u00eancia de governos \u2018socialistas\u2019, ainda que o partido que mais governou o pa\u00eds ostente o conceito no nome. Os governos do PS sempre governam \u00e0 direita e ajudaram em tudo a privatizar a sa\u00fade e a deixar \u00e0 m\u00edngua o SNS, quer sejam em verbas insuficientes, sal\u00e1rios e carreiras sempre desprezadas, provocando a sa\u00edda de centenas de profissionais quer para o privado quer para a emigra\u00e7\u00e3o. E, claro, o PSD ou PSD\/CDS quando governaram fizeram o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3) Comparando os dados sobre o territ\u00f3rio nacional (sem os votos dos c\u00edrculos da Emigra\u00e7\u00e3o), as elei\u00e7\u00f5es de 18 de Maio, passados 14 meses das anteriores elei\u00e7\u00f5es (10 Mar\u00e7o 2024) refor\u00e7am as tend\u00eancias de h\u00e1 um ano e aprofundam a decad\u00eancia da esquerda parlamentar que tem quebras qualitativas, nomeadamente no Bloco de Esquerda. Vejamos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">A AD (PSD\/CDS), direita tradicional, refor\u00e7a a sua vota\u00e7\u00e3o e passa de 1.811.027 (29,5%) e 79 deputados, para 1.951.977 (32,7%) e 89 deputados, uma subida de 140 mil votos apesar dos esc\u00e2ndalos do governo e de Lu\u00eds Montenegro. Quanto ao PS, sofre uma hecatombe e perde 366 mil votos (5%), ficando com 1.394.501 (23,38%) e 58 deputados (perdendo 20 deputados);<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">O Chega ganha mais 240 mil votos e pode passar a ser o segundo maior partido em votos e deputados, com 1.345.689 (22,56%) e pode alcan\u00e7ar os 60 deputados, mais 10 do que h\u00e1 um ano;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Quanto \u00e0 Iniciativa Liberal (IL), basicamente mant\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o, ganha 1 deputado subindo 18 mil votos e agora tem 9 deputados. Na esquerda parlamentar, o Livre continua a subir (e a n\u00e3o ser penalizado pela pol\u00edtica de muleta do PS), pois n\u00e3o foi parte da geringon\u00e7a, n\u00e3o foi apoiante formal do governo (ainda que esse seja, na ess\u00eancia, o seu projecto), nem na altura tinha express\u00e3o significativa mas ganha agora mais 50 mil votos e passa a 250.651 (4,2%), com 6 deputados (sobe 2 deputados face a 2024);<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">O PCP e o BE continuam perdedores, o PCP resiste um pouco melhor e s\u00f3 perde 1 deputado e 20 mil votos, fica com 3 deputados e uma vota\u00e7\u00e3o de 180.943 (3%), a mais baixa de sempre. Mas a queda livre em que se encontra h\u00e1 mais de 10 anos continua. Ainda assim ultrapassa o BE. No entanto, \u00e9 o BE que fica destro\u00e7ado, desce de 5 deputados para apenas um \u00fanico (desde a sua funda\u00e7\u00e3o, em 1999, nunca teve menos de 2 deputados e chegou a ter 19), o BE perde 175 mil votos num ano, e agora tem 119.211 (2%).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4) O MAS apresentou \u00e0 esquerda parlamentar a proposta de formar uma frente eleitoral nestas elei\u00e7\u00f5es, para diminuir o crescimento parlamentar da direita e da extrema-direita. Os resultados eleitorais mostram que as somas de votos destes partidos tinham obtido representa\u00e7\u00e3o parlamentar em mais 6 distritos (Braga, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santar\u00e9m e Faro) e refor\u00e7ado a quantidade de deputados obtidos em Porto, Lisboa e Set\u00fabal), podendo alcan\u00e7ar 20 deputados (e n\u00e3o se ficarem pelos 11 que no total obtiveram) e retirando 5 deputados ao Chega e 4 deputados \u00e0 AD.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5) O falhan\u00e7o das pol\u00edticas do BE e do PCP como pretensos representantes das lutas sociais e laborais mas com pol\u00edticas pr\u00f3 UE e corrida armamentista assumida pelo Livre, colocam a urg\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o de nova alternativa pol\u00edtica na representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das popula\u00e7\u00f5es empobrecidas. A crise do PCP e, particularmente, a derrocada do BE, mostram as consequ\u00eancias de pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o ao regime e ao sistema, mostram as consequ\u00eancias de desmobilizarem os grandes movimentos sociais (por exemplo os movimentos de 2011\/2012 e o 15 de Setembro), de caluniarem lutas radicalizadas e tudo fazerem para as desmobilizar (como fizeram com a greve do STOP), de estarem sempre dispostos a \u2018alian\u00e7as\u2019 com o PS e mesmo a \u2018salv\u00e1-lo\u2019 quando est\u00e1 no plano inclinado. Toda esta pol\u00edtica destes partidos foi criando condi\u00e7\u00f5es para que a extrema-direita se desenvolvesse como oposi\u00e7\u00e3o aos governos deste regime, canalizando parte significativa da contesta\u00e7\u00e3o dos muitos sectores pobres e explorados que est\u00e3o revoltados com d\u00e9cadas de promessas, mas com a dura realidade do \u2018vira o disco e toca o mesmo\u2019\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6) S\u00f3 uma esquerda sem telhados de vidro, sem cumplicidades com governos e privil\u00e9gios, sem viver \u2018\u00e0 mama\u2019 das subven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sem subordina\u00e7\u00e3o aos ditamos do regime, da UE e do sistema pol\u00edtico e econ\u00f3mico do capital; s\u00f3 essa esquerda poder\u00e1 contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da alternativa pol\u00edtica anti-sist\u00e9mica e democr\u00e1tica que as popula\u00e7\u00f5es necessitam. O per\u00edodo pol\u00edtico que se avizinha \u00e9 fundamental para se erguer uma barreira \u00e0 extrema direita e mostrar como esta \u00e9 uma mera defensora deste sistema e explora\u00e7\u00e3o capitalista e uma falsa defensora da mudan\u00e7a que verdadeiramente beneficia os trabalhadores e as popula\u00e7\u00f5es, e cujo programa tem de assegurar vida digna a quem trabalha, vida digna aos pensionistas, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas para todos, o que \u00e9 alternativo ao caminho armamentista e aos super lucros de um punhado de grandes empresas e bancos. A direita e a extrema-direita n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o. E \u00e0 esquerda h\u00e1 que erguer uma nova alternativa revolucion\u00e1ria. O MAS empenhar-se-\u00e1 em ser parte dessa indispens\u00e1vel reconstru\u00e7\u00e3o de uma esquerda combativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">22 de Maio de 2025<br>CE do MAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1) Passado um ano, realizaram-se novamente mais umas elei\u00e7\u00f5es antecipadas, sem que nesse intervalo de tempo tivesse havido um significativo intensificar de lutas laborais ou sociais em enfrentamento com o governo. Pelo contr\u00e1rio, o primeiro governo Montenegro\/AD, com 11 meses de vida, passou v\u00e1rios meses a negociar para apaziguar os conflitos laborais que vinham da governa\u00e7\u00e3o PS. Montenegro aprendeu com A. Costa: distribuir migalhas e n\u00e3o bater de frente com os protestos de rua. Montenegro, conseguiu assim desmobilizar alguns dos principais sectores em conflito, a come\u00e7ar pelo sector da educa\u00e7\u00e3o, for\u00e7as policiais, bombeiros e sa\u00fade. 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