{"id":5393,"date":"2025-05-05T23:06:39","date_gmt":"2025-05-05T22:06:39","guid":{"rendered":"https:\/\/mas.org.pt\/?p=5393"},"modified":"2025-05-05T23:15:03","modified_gmt":"2025-05-05T22:15:03","slug":"o-apagao-em-portugal-mais-um-sintoma-da-falencia-das-privatizacoes-no-setor-energetico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2025\/05\/05\/o-apagao-em-portugal-mais-um-sintoma-da-falencia-das-privatizacoes-no-setor-energetico\/","title":{"rendered":"O Apag\u00e3o em Portugal: mais um sintoma da fal\u00eancia das privatiza\u00e7\u00f5es no setor energ\u00e9tico"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sequ\u00eancia do recente apag\u00e3o que deixou milhares de portugueses \u00e0s escuras durante v\u00e1rias horas, surgem quest\u00f5es fundamentais sobre o estado do setor energ\u00e9tico em Portugal. Sem electricidade, sem comunica\u00e7\u00f5es, sem internet, com o agravamento de situa\u00e7\u00f5es no setor da sa\u00fade, transportes, acesso aos combust\u00edveis, entre outros e propaga\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o, gerou-se um certo caos. N\u00e3o houve comunica\u00e7\u00f5es por parte do Governo, nem da Protec\u00e7\u00e3o Civil em tempo \u00fatil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o se sabem (completamente) as causas para o apag\u00e3o. E pode ser que nunca se venham a saber completamente. &nbsp;J\u00e1 tinham sido feitos avisos por v\u00e1rios especialistas que situa\u00e7\u00f5es semelhantes poderiam acontecer, mas nenhuma medida (preventiva) foi tomada. Neste caso, a forte depend\u00eancia de Portugal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 energia de Espanha parece ter sido um (dos) motivo(s). J\u00e1 havia problemas na rede do Estado espanhol mas a importa\u00e7\u00e3o de energia que Portugal estava a fazer na altura fez o sistema colapsar. E quem det\u00e9m o fornecimento dos setores de energia? Meios privados. As privatiza\u00e7\u00f5es no setor energ\u00e9tico portugu\u00eas, incluindo a EDP (Energias de Portugal), REN (Redes Energ\u00e9ticas Nacionais) e GALP (Galp Energia), foram um processo que envolveu a venda de participa\u00e7\u00e3o acionista estatal (do Estado portugu\u00eas) para investidores privados (grandes grupos capitalistas). Foram (e s\u00e3o) um preju\u00edzo para o Estado, mas geraram lucros significativos para as empresas privadas. S\u00f3 lembrar que a REN, em 2024 conseguiu um aumento de 2,2% dos lucros, para 153 milh\u00f5es de euros. Tudo isto leva ao enfraquecimento da infraestrutura e da capacidade de resposta do sistema. Sob a l\u00f3gica do mercado, a manuten\u00e7\u00e3o preventiva, a expans\u00e3o da rede e a seguran\u00e7a operacional muitas vezes (sen\u00e3o sempre) s\u00e3o relegadas a segundo plano, pois representam custos que reduzem a margem de lucro dos acionistas.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A energia \u00e9 um bem comum<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:upper-alpha\" class=\"wp-block-list\"><\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A popula\u00e7\u00e3o mais pobre \u00e9 a que mais sofre com apag\u00f5es, pois depende integralmente dos servi\u00e7os p\u00fablicos para acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 seguran\u00e7a. Al\u00e9m disso, a privatiza\u00e7\u00e3o dificulta a fiscaliza\u00e7\u00e3o e a exig\u00eancia de responsabilidades, dado que as decis\u00f5es passam a ser tomadas em inst\u00e2ncias privadas, longe do controle social. &nbsp;Os servi\u00e7os essenciais (e os sectores estrat\u00e9gicos do pa\u00eds) n\u00e3o podem estar nas m\u00e3os de privados. D\u00e9cadas de pol\u00edticas neoliberais implementadas tanto por governos do PSD como do PS colocaram este setor nas m\u00e3os de grandes grupos privados, nacionais e estrangeiros. Desde a privatiza\u00e7\u00e3o da EDP at\u00e9 \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o do mercado el\u00e9trico, o que se assistiu foi \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o p\u00fablico num neg\u00f3cio altamente lucrativo para acionistas, \u00e0 custa dos utentes. A larga maioria da classe trabalhadora paga eletricidade cara em cada casa. E as pequenas empresas e pequenos neg\u00f3cios igualmente. Os neg\u00f3cios na energia nas m\u00e3os de capitalistas prejudicam milh\u00f5es de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado, que deveria ter um papel central no planeamento energ\u00e9tico nacional, torna-se um mero regulador sem poder real, dependente, enquanto os grandes grupos energ\u00e9ticos ditam as regras. Este epis\u00f3dio deve reabrir o debate sobre a revers\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e a urgente necessidade de reconstru\u00e7\u00e3o de um setor p\u00fablico robusto e ao servi\u00e7o das pessoas. O acesso \u00e0 energia \u00e9 um direito e n\u00e3o um privil\u00e9gio, e cabe ao Estado garantir que esse direito \u00e9 protegido, independentemente dos interesses do mercado. Lamentavelmente n\u00e3o s\u00f3 os governos do PS e do PSD s\u00e3o respons\u00e1veis pela estado a que tudo chegou, mas o perigo vem ainda acrescido com o ascenso da extrema-direita. Com a IL ou o Chega num futuro governo tudo ser\u00e1 ainda pior. J\u00e1 estamos sob a tutela de Espanha (da burguesia espanhola) e, por tabela, da Uni\u00e3o Europeia (EU) mas tudo se agravar\u00e1 com o dom\u00ednio da extrema direita na Europa se isso vier a acontecer em pa\u00edses estrat\u00e9gicos como a Fran\u00e7a, a Alemanha, a It\u00e1lia (onde j\u00e1 est\u00e1 Meloni, uma neo-fascista) e quem sabe Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crise energ\u00e9tica, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas um problema t\u00e9cnico. \u00c9 tamb\u00e9m uma crise pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, resultado de um modelo neoliberal que prioriza interesses privados em detrimento das necessidades coletivas. Reverter esse quadro exige coragem pol\u00edtica. \u00c9 tempo de agitar a consci\u00eancia pol\u00edtica e exigir um novo modelo energ\u00e9tico, justo, sustent\u00e1vel e p\u00fablico. Precisamos de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que seja justa, ecol\u00f3gica, centrada nas necessidades dos povos e n\u00e3o nas exig\u00eancias dos mercados financeiros. O apag\u00e3o recente \u00e9 apenas o sintoma mais vis\u00edvel de uma degrada\u00e7\u00e3o que se arrasta. As consequ\u00eancias s\u00e3o pagas por todos n\u00f3s, em particular pelas popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, que dependem de servi\u00e7os energ\u00e9ticos est\u00e1veis para garantir condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de dignidade e bem-estar. O tempo de esperar por &#8220;regula\u00e7\u00f5es eficazes&#8221; passou. \u00c9 hora de devolver a energia ao povo. \u00c9 hora de reconstruir uma esquerda revolucion\u00e1ria com peso no pa\u00eds. A esquerda testada com os apoios aos governos PS (o PC, o BE e at\u00e9 o Livre e o PAN), lamentavelmente n\u00e3o estiveram \u00e0 altura dos acontecimentos. Todos juntos, durante d\u00e9cadas, j\u00e1 tiveram dezenas e dezenas de deputados e dirigem centrais sindicais e movimentos de contesta\u00e7\u00e3o de rua. Qual o resultado? Abriram, mesmo que involuntariamente, as portas \u00e0 extrema-direita. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junta-te ao MAS, ajuda-nos a erguer uma nova esquerda revolucion\u00e1ria e a lutarmos juntos pela uni\u00e3o da esquerda contra o maior perigo: a extrema-direita, as suas privatiza\u00e7\u00f5es, o dinheiro aos milh\u00f5es para armas e tudo \u00e0 m\u00edngua na sa\u00fade e, pior, para as guerras que se avizinham.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sequ\u00eancia do recente apag\u00e3o que deixou milhares de portugueses \u00e0s escuras durante v\u00e1rias horas, surgem quest\u00f5es fundamentais sobre o estado do setor energ\u00e9tico em Portugal. 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