{"id":5359,"date":"2025-02-21T14:34:56","date_gmt":"2025-02-21T13:34:56","guid":{"rendered":"https:\/\/mas.org.pt\/?p=5359"},"modified":"2025-02-21T14:34:58","modified_gmt":"2025-02-21T13:34:58","slug":"a-mocao-de-censura-do-chega-um-truque-politico-sem-consequencias-reais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2025\/02\/21\/a-mocao-de-censura-do-chega-um-truque-politico-sem-consequencias-reais\/","title":{"rendered":"A mo\u00e7\u00e3o de censura do Chega: um truque pol\u00edtico sem consequ\u00eancias reais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O partido neo fascista Chega, liderado por Andr\u00e9 Ventura, apresentou recentemente uma mo\u00e7\u00e3o de censura ao governo, num movimento que parece mais um golpe de teatro do que uma verdadeira iniciativa pol\u00edtica com inten\u00e7\u00e3o de mudar o panorama governativo. Esta jogada, previsivelmente condenada ao fracasso (da\u00ed ele j\u00e1 ter colocado a hip\u00f3tese de n\u00e3o a apresentar), surge num contexto muito particular e com objetivos que v\u00e3o al\u00e9m da simples (e fingida) oposi\u00e7\u00e3o ao atual governo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1. Desviar as aten\u00e7\u00f5es dos esc\u00e2ndalos internos<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos dias, o Chega tem sido alvo de not\u00edcias negativas relacionadas com os comportamentos de alguns dos seus deputados. Desde pol\u00e9micas com declara\u00e7\u00f5es controversas at\u00e9 \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de roubo e pedofilia, situa\u00e7\u00e3o \u201ccontradit\u00f3ria\u201d com a imagem p\u00fablica que o CHEGA defende, o partido viu-se envolto em esc\u00e2ndalos que fragilizam claramente a sua (falsa) imagem junto do eleitorado. Assim, a mo\u00e7\u00e3o de censura surge como uma <strong><u><strong>cortina de fumo<\/strong><\/u><\/strong>&nbsp;para desviar o foco medi\u00e1tico e afastar as manchetes dos seus problemas internos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2. Fingir que \u00e9 a \u00fanica oposi\u00e7\u00e3o<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ventura tem-se esfor\u00e7ado para se apresentar como o \u00fanico verdadeiro opositor ao governo da AD, liderado Lu\u00eds Montenegro. A mo\u00e7\u00e3o de censura encaixa-se nesta estrat\u00e9gia, permitindo ao Chega ocupar o centro do debate pol\u00edtico e refor\u00e7ar a ideia de que apenas este partido enfrenta o atual governo com determina\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma tentativa de se diferenciar de outros partidos da direita tradicional e da esquerda parlamentar, projetando uma imagem de (um falso) combate solit\u00e1rio contra o &#8220;sistema&#8221;. Tudo isto na aus\u00eancia de uma esquerda revolucion\u00e1ria representada no parlamento, pois se ela j\u00e1 existisse outra seria a realidade actual diante a demagogia chegana permanente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a mo\u00e7\u00e3o de censura recai sobre quest\u00f5es como a habita\u00e7\u00e3o e a lei dos solos, e supostas incompatibilidades de Montenegro, um tema sens\u00edvel para os trabalhadores portugueses. No entanto, h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o gritante: Ventura votou favoravelmente ao lado do governo para a legisla\u00e7\u00e3o que agora critica, mostrando que sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais oportunista do que genu\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3. Mudar o debate e responsabilizar o PS<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mo\u00e7\u00e3o de censura est\u00e1 condenada ao fracasso desde o in\u00edcio. O Chega sabe disso, mas a inten\u00e7\u00e3o nunca foi realmente derrubar o governo. O verdadeiro objetivo \u00e9 influenciar a agenda pol\u00edtica e mudar o foco das discuss\u00f5es, ao mesmo tempo em que Ventura tenta responsabilizar o PS (e todos os outros partidos que eventualmente recusarem aprovar a sua falsa mo\u00e7\u00e3o de \u201ccensura\u201d) por manter um governo que supostamente n\u00e3o serve os interesses da larga maioria dos trabalhadores portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao apresentar uma mo\u00e7\u00e3o de censura sem possibilidades de aprova\u00e7\u00e3o, o Chega constr\u00f3i uma narrativa em que os outros partidos se tornam &#8220;c\u00famplices&#8221; do governo. Esse discurso permite ao partido refor\u00e7ar sua posi\u00e7\u00e3o como (uma falsa e) \u00fanica alternativa \u201ccred\u00edvel\u201d ao &#8220;sistema estabelecido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4. Manter a relev\u00e2ncia para as presidenciais, e acima de tudo, para eventuais legislativas antecipadas<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A um ano das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, Andr\u00e9 Ventura precisa de se manter no centro do debate p\u00fablico e evitar uma queda na sua popularidade. Apresentar esta mo\u00e7\u00e3o de censura \u00e9 uma forma de garantir exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica, manter a milit\u00e2ncia mobilizada e refor\u00e7ar a sua imagem de suposto opositor \u201cimplac\u00e1vel\u201d. A mo\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, parte de uma estrat\u00e9gia maior que visa consolidar Ventura como candidato competitivo nas presidenciais, onde precisar\u00e1 de um forte apoio popular para tentar uma vota\u00e7\u00e3o significativa. E da\u00ed est\u00e1 com o olho numas eventuais e prov\u00e1veis elei\u00e7\u00f5es legislativas antecipadas, dado ser prov\u00e1vel que o PS e o Chega venham a votar contra uma proposta de OGE, ap\u00f3s as presidenciais de janeiro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mo\u00e7\u00e3o de censura do Chega \u00e9 um exerc\u00edcio de puro oportunismo pol\u00edtico. N\u00e3o se trata de uma tentativa real de alterar o rumo do governo ou de oposi\u00e7\u00e3o, mas sim de um movimento estrat\u00e9gico para desviar aten\u00e7\u00e3o dos esc\u00e2ndalos internos, refor\u00e7ar a narrativa de Ventura como suposta e \u00fanica oposi\u00e7\u00e3o e preparar terreno para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais (e as eventuais legislativas antecipadas em 2026). Em resumo, um &#8220;coelho&#8221; tirado da cartola sem impacto real no funcionamento do governo, mas com claros objetivos pol\u00edticos e eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os trabalhadores devem retomar as suas mobiliza\u00e7\u00f5es contra as pol\u00edticas do actual governo, dado que as rendas de casa (e o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o) continuam pela hora da morte, o sal\u00e1rio m\u00ednimo e m\u00e9dio das classes trabalhadores s\u00e3o dos mais baixos da UE e uma infla\u00e7\u00e3o que aumentou brutalmente os pre\u00e7os dos produtos mais necess\u00e1rios para um n\u00edvel insuport\u00e1vel. O que faz falta \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o de uma nova esquerda combativa e revolucion\u00e1ria que seja uma verdadeira alternativa anti-sist\u00e9mica, pois com a direita tradicional no poder &nbsp;e no futuro com uma eventual coliga\u00e7\u00e3o de direita com a extrema-direita, colocaria o pa\u00eds de novo num regime precisamente mais autorit\u00e1rio e ditatorial semelhante ao que j\u00e1 viveu, quase meio s\u00e9culo, no s\u00e9culo passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O partido neo fascista Chega, liderado por Andr\u00e9 Ventura, apresentou recentemente uma mo\u00e7\u00e3o de censura ao governo, num movimento que parece mais um golpe de teatro do que uma verdadeira iniciativa pol\u00edtica com inten\u00e7\u00e3o de mudar o panorama governativo. 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