{"id":531,"date":"2011-09-29T11:11:15","date_gmt":"2011-09-29T10:11:15","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/09\/29\/10-anos-depois-do-11-de-setembro-o-imperialismo-enfrenta-uma-crise-global\/"},"modified":"2011-09-29T11:11:15","modified_gmt":"2011-09-29T10:11:15","slug":"10-anos-depois-do-11-de-setembro-o-imperialismo-enfrenta-uma-crise-global","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/09\/29\/10-anos-depois-do-11-de-setembro-o-imperialismo-enfrenta-uma-crise-global\/","title":{"rendered":"10 anos depois do 11 de setembro: o imperialismo enfrenta uma crise global"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Escrito por LIT-QI<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Por ocasi\u00e3o do 10\u00ba anivers\u00e1rio dos atentados do 11 de setembro de 2001 (11S), abriu-se um amplo debate na media sobre o significado e as consequ\u00eancias dos atentados contra as Torres G\u00eameas de Nova York e o edif\u00edcio do Pent\u00e1gono em Washington.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O 11S foi, sem d\u00favida, um marco na hist\u00f3ria mundial recente. \u00c9 um fato que o 10\u00ba anivers\u00e1rio desta data encontra os EUA em uma profunda crise econ\u00f3mica e pol\u00edtica e com maiores dificuldades para controlar o mundo como pot\u00eancia imperialista hegem\u00f3nica. Uma parte importante dos fatos que levaram a esta crise come\u00e7ou a ser tecida precisamente nesse dia. \u00c9 muito importante discutir as rela\u00e7\u00f5es entre esses fatos e a crise e quais s\u00e3o suas consequ\u00eancias no que acontece no mundo hoje.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Muitos analistas opinam que a organiza\u00e7\u00e3o Al Qaeda foi o grande protagonista do processo e que at\u00e9 a pr\u00f3pria crise econ\u00f3mica do imperialismo deve-se ao efeito direto dos atentados do 11S. Mas eles est\u00e3o equivocados. A verdade \u00e9 que o imperialismo utilizou os atentados como pretexto para lan\u00e7ar a sua ofensiva da \u201cguerra contra o terror\u201d. O efeito desses atentados terroristas foi unir o povo dos EUA a seu governo. Esse apoio popular fortaleceu Bush para aplicar seu projeto e obter \u00eaxitos iniciais no Iraque e no Afeganist\u00e3o, no in\u00edcio da d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Do mesmo modo que Bush aproveitou os atentados para conseguir apoio popular em seu pa\u00eds, as coisas mudaram quando as massas do mundo entraram em a\u00e7\u00e3o resistindo \u00e0 sua ofensiva. Foram as a\u00e7\u00f5es das massas, e n\u00e3o os atentados terroristas, que frearam e derrotaram esta ofensiva. Ao contr\u00e1rio do que dizem muitos analistas, foram as lutas oper\u00e1rias e as revolu\u00e7\u00f5es que colocaram o imperialismo na dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o que enfrenta hoje. Se as a\u00e7\u00f5es terroristas isoladas unem as burguesias, as revolu\u00e7\u00f5es t\u00eam o efeito oposto e dividem-nas, como na Tun\u00edsia, Egito e L\u00edbia, e, assim, s\u00e3o o grande temor do imperialismo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Por isso, a Al Qaeda cumpriu um papel insignificante nas revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes e hoje n\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia para o movimento de massas no Egito, Tun\u00edsia, L\u00edbia ou S\u00edria. Na medida em que as massas protagonizam as revolu\u00e7\u00f5es, os \u201caparatos terroristas\u201d que est\u00e3o separados delas inevitavelmente perdem peso.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Bush utilizou os atentados<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Ainda persiste a pol\u00e9mica sobre a atitude do governo Bush diante da prepara\u00e7\u00e3o e concretiza\u00e7\u00e3o dos atentados por parte dos comandos da Al Qaeda, a organiza\u00e7\u00e3o encabe\u00e7ada por Bin Laden. Existe a suspeita de que o governo sabia antecipadamente o que ia acontecer e deixou correr para aproveitar seu impacto na opini\u00e3o p\u00fablica norte-americana a favor do projeto pol\u00edtico expressado por Bush. Talvez s\u00f3 saibamos a verdade dentro de muitos anos. Mas o que est\u00e1 claro \u00e9 que ele utilizou a fundo os atentados para lan\u00e7ar o seu projeto.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O <em>Projeto do Novo S\u00e9culo Americano<\/em> agrupava uma ala de extrema direita do Partido Republicano que criticava o ent\u00e3o presidente democrata Bill Clinton e tamb\u00e9m os tradicionais setores conservadores republicanos por serem \u201cbrandos\u201d e incapazes de reverter a \u201cs\u00edndrome do Vietname\u201d, passar para a ofensiva e, assim, garantir um f\u00e9rreo dom\u00ednio norte-americano sobre o mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Ante um processo de crise econ\u00f3mica nos EUA, revolu\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e a segunda intifada na Palestina, era necess\u00e1rio, para eles, mudar a pol\u00edtica e lan\u00e7ar uma ofensiva \u201cbonapartista\u201d: a proposta era uma pol\u00edtica exterior agressiva e militarizada, para reverter a crise e apoderar-se do petr\u00f3leo e das fontes de energia. Esse setor ganha as elei\u00e7\u00f5es internas do Partido Republicano e, depois, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mas o governo Bush nasceu fraco: a sua elei\u00e7\u00e3o estava questionada (porque ganhou no col\u00e9gio eleitoral com o voto da Fl\u00f3rida, onde havia acusa\u00e7\u00f5es de fraude). Bush utiliza os atentados porque criaram as condi\u00e7\u00f5es para ganhar um forte apoio popular e assim desenvolver o projeto em larga escala, ao apresent\u00e1-lo como uma pol\u00edtica de \u201cdefesa\u201d de um pa\u00eds que estava sendo \u201cagredido\u201d (na \u00e9poca, 75% dos norte-americanos apoiaram a invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Em outubro de 2001, tropas norte-americanas invadem o Afeganist\u00e3o e derrubam o governo dos talib\u00e3s, acusados de ser a base e o apoio da Al Qaeda e de Bin Laden.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O governo Bush tamb\u00e9m aproveitou os atentados para aumentar o or\u00e7amento de \u201cdefesa\u201d e os investimentos no complexo militar industrial. Combinava, assim, a sua pol\u00edtica armamentista com medidas anticrise: gra\u00e7as aos novos contratos, empresas como a Boeing passaram, em pouco tempo, de estar \u00e0 beira da quebra a ter grandes lucros anuais. Somado a outras medidas, como a diminui\u00e7\u00e3o de taxas banc\u00e1rias, Bush consegue um per\u00edodo de v\u00e1rios anos de crescimento econ\u00f3mico. Tamb\u00e9m avan\u00e7a no processo de recoloniza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses latino-americanos, por meio dos TLCs (tratados de livre com\u00e9rcio).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>O movimento de massas derrota Bush<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O r\u00e1pido triunfo obtido no Afeganist\u00e3o levou Bush a redobrar a aposta: em 2003, as tropas norte-americanas, junto com o imperialismo europeu e os pa\u00edses t\u00edteres menores, invadem o Iraque e derrubam Saddam Hussein. O projeto buscava atacar todos os pa\u00edses que n\u00e3o estivessem completamente entregues, chamados de \u201ceixo do mal\u201d. Bush n\u00e3o admitia nenhum grau de resist\u00eancia. Naquele momento, esses pa\u00edses eram o Iraque, Ir\u00e3, S\u00edria e Coreia do Norte. O pr\u00f3ximo passo ap\u00f3s o Iraque deveria ser derrubar o regime dos aiatol\u00e1s iranianos, com o qual o imperialismo norte-americano tinha contas pendentes desde a revolu\u00e7\u00e3o de 1979.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mas ent\u00e3o come\u00e7aram os problemas. O projeto de Bush e a sua ofensiva internacional se chocaram com um elemento n\u00e3o previsto na \u201cequa\u00e7\u00e3o\u201d: a resist\u00eancia do movimento de massas come\u00e7a a derrot\u00e1-los. Na Am\u00e9rica Latina, gera-se um amplo movimento de luta contra a ALCA e uma s\u00e9rie de governos neoliberais \u00e9 derrotada nas urnas ou nas ruas. Bush orquestra um golpe na Venezuela contra o presidente Hugo Ch\u00e1vez em 2002. Ch\u00e1vez e todos os seus ministros j\u00e1 tinham se entregado. Mas o golpe \u00e9 derrotado pela rea\u00e7\u00e3o das massas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No entanto, foi no Iraque onde Bush apostou mais forte e colocou em jogo o destino de seu projeto. A guerra de ocupa\u00e7\u00e3o, aparentemente vitoriosa, transformou-se rapidamente em uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o do povo iraquiano contra as tropas ocupantes, com um curso cada vez mais desfavor\u00e1vel para o imperialismo, at\u00e9 transformar-se em uma \u201cguerra imposs\u00edvel de vencer\u201d. Dentro dos EUA, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra foi se tornando maiorit\u00e1ria, o que obriga o governo a decidir pela redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero das tropas e as promessas de retir\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Sucessivos planos para estabilizar e controlar o Iraque foram fracassando, at\u00e9 chegar \u00e0 decis\u00e3o de Obama de retirar as tropas e deixar \u00e0 frente do Estado um governo iraquiano extremamente inst\u00e1vel composto por setores xiitas e curdos, e que n\u00e3o d\u00e1 garantias de estabilidade para as suas for\u00e7as armadas enfrentarem o caos em que o pa\u00eds se transformou. No Iraque, n\u00e3o h\u00e1 uma \u201cfuga\u201d apressada das tropas norte-americanas, como no Vietname, mas, sim, uma sa\u00edda ordenada e a manuten\u00e7\u00e3o de milhares de homens em \u201csuperbases\u201d. No entanto, o pa\u00eds fica em uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O imperialismo norte-americano n\u00e3o conseguiu nenhum dos objetivos pol\u00edticos, militares e econ\u00f4micos que tinha definido ao invadir o pa\u00eds e, por isso, retira-se derrotado. N\u00e3o \u00e9 por acaso que agora se fale da \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d: o medo de realizar novas invas\u00f5es terrestres que acabam se transformando em longas guerras e \u201cp\u00e2ntanos\u201d pol\u00edtico-militares.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Por isso, o Iraque \u00e9 um ponto de inflex\u00e3o da \u201cguerra contra o terror\u201d e de todo o projeto de Bush. Esse \u00e9 o balan\u00e7o feito pela maioria da burguesia e pelo pr\u00f3prio povo norte-americano: Bush perdeu as elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2006 e os republicanos, as presidenciais de 2008.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O resultado no Iraque teve impacto sobre o Afeganist\u00e3o. Neste pa\u00eds, a guerra de ocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se transformou em uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o com um curso cada vez mais desfavor\u00e1vel para o imperialismo, e os talib\u00e3s, que encabe\u00e7am esta luta, hoje dominam a maioria do territ\u00f3rio e j\u00e1 realizam arriscados atentados e opera\u00e7\u00f5es militares na capital, Cabul. Todos os analistas consideram que, nas atuais condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares, \u00e9 uma nova guerra \u201cimposs\u00edvel de ganhar\u201d. A pol\u00edtica de Obama limita-se, na verdade, a tentar se fortalecer um pouco para negociar a retirada nas melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, e a pr\u00f3pria retirada pode obrig\u00e1-lo a aceitar a volta dos talib\u00e3s ao poder.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Agravando mais as coisas, um aliado estrat\u00e9gico do imperialismo, Israel, tamb\u00e9m sofreu uma dura derrota quando invadiu o L\u00edbano, em 2006, diante da heroica resist\u00eancia das massas libanesas, encabe\u00e7adas pelo Hezbollah.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Uma cara nova para novas t\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Para tornar a situa\u00e7\u00e3o do imperialismo ainda mais dif\u00edcil, o fracasso do projeto Bush fez com que n\u00e3o fosse alcan\u00e7ado o objetivo de controlar totalmente as fontes de energia. Ao se combinar com as profundas contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista acumuladas por d\u00e9cadas, acabou levando ao estouro da crise econ\u00f3mica internacional aberta em 2007, com uma profundidade que n\u00e3o era vista desde 1929.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A derrota de Bush abriu uma profunda crise de condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no imperialismo norte-americano. Diante de uma realidade duplamente negativa (duas guerras em situa\u00e7\u00e3o muito desfavor\u00e1vel e profunda crise econ\u00f3mica), um setor maiorit\u00e1rio da burguesia dos EUA, em 2008, apostou em Obama para conseguir uma \u201cnova cara\u201d adequada a novas t\u00e1ticas: conseguir, com as negocia\u00e7\u00f5es e o \u201cconsenso\u201d, recuperar parte do que perdia perante as lutas das massas e como consequ\u00eancia da crise econ\u00f3mica. Tentava, assim, ganhar tempo para buscar uma sa\u00edda enquanto navegavam essas \u00e1guas dif\u00edceis, nacionais e internacionais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Obama obteve alguns resultados: negociar uma sa\u00edda parcial e ordenada do Iraque, no plano internacional, e aprovar acordos como o da reestrutura\u00e7\u00e3o da GM sem explos\u00f5es sociais, nacionalmente. Conseguiu evitar a queda em uma depress\u00e3o, em 2009, e uma recupera\u00e7\u00e3o parcial. Mas esta recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente para superar as quest\u00f5es estruturais geradas pela crise. Obama fracassou na tentativa de superar a crise econ\u00f3mica nacional e internacionalmente.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Essa falta de solu\u00e7\u00f5es faz com que a burguesia norte-americana hoje esteja dividida sobre todos os temas importantes: como enfrentar a crise econ\u00f3mica; como intervir pol\u00edtica e militarmente no mundo; continuar ou n\u00e3o investindo na China; concentrar-se ou n\u00e3o em uma nova onda de investimento \u201cnacional\u201d, aproveitando uma forte derrota dos trabalhadores dos EUA; privilegiar a ajuda aos bancos ou apoiar o complexo militar industrial\u2026<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Essas divis\u00f5es se expressam em uma profunda crise pol\u00edtica, como ficou evidente no debate legislativo sobre a amplia\u00e7\u00e3o do limite da d\u00edvida p\u00fablica, do qual Obama saiu claramente derrotado. Mas a consequ\u00eancia mais grave para a burguesia norte-americana \u00e9 que o conjunto do regime pol\u00edtico (baseado no equil\u00edbrio entre republicanos e democratas, e entre o Presidente e o Congresso) sai muito desgastado em seu funcionamento, e com uma desconfian\u00e7a cada vez maior por parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A forte disputa entre setores da burguesia norte-americana se reflete na d\u00favida sobre se a maioria da burguesia vai apostar na manuten\u00e7\u00e3o do perfil de uma \u201ccara nova\u201d de 2008, com a reelei\u00e7\u00e3o de Obama, ou se considera que ele j\u00e1 est\u00e1 \u201cesgotado\u201d e deu tudo o que podia dar. \u00c9 uma pergunta que s\u00f3 ter\u00e1 resposta no pr\u00f3ximo ano, porque tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 definido que os republicanos tenham uma verdadeira alternativa confi\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O que est\u00e1 totalmente claro \u00e9 que a crise de condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do imperialismo dos EUA, produto da derrota do projeto Bush, continua aberta e que, em v\u00e1rios aspetos, agravou-se, porque a \u201ccarta Obama\u201d est\u00e1 bastante desgastada. S\u00f3 este fato bastaria para definir que a d\u00e9cada foi de reveses para o imperialismo. O movimento de massas mundial cumpriu um papel central para essas derrotas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>A revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe em cena<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">\u00c9 imposs\u00edvel terminar de entender o balan\u00e7o dos 10 anos do 11 de setembro sem falar do extraordin\u00e1rio processo revolucion\u00e1rio que est\u00e1 se desenvolvendo no mundo \u00e1rabe, que se estende como um rastilho de p\u00f3lvora. Podemos dizer que este processo representa uma nova derrota do projeto Bush, porque agora o imperialismo deve enfrentar um poderoso ascenso revolucion\u00e1rio de massas nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Um dos objetivos centrais do projeto Bush foi, precisamente, dominar com m\u00e3o de ferro os pa\u00edses \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos e suas reservas de petr\u00f3leo estrat\u00e9gicas (60% do total mundial). As derrotas no Iraque e no Afeganist\u00e3o j\u00e1 come\u00e7aram a desmantelar esse objetivo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Agora, as revolu\u00e7\u00f5es no mundo \u00e1rabe amea\u00e7am o cora\u00e7\u00e3o de todo o operativo imperialista na regi\u00e3o. J\u00e1 atingiram um pa\u00eds chave (Egito) e um pa\u00eds muito rico em petr\u00f3leo (L\u00edbia) e amea\u00e7am os dois aliados mais estrat\u00e9gicos do imperialismo nessa parte do mundo. Israel vive uma importante crise, cada vez mais isolado internacionalmente, com o povo palestiniano realizando mobiliza\u00e7\u00f5es de massas que \u201catravessam\u201d suas fronteiras e com um setor da popula\u00e7\u00e3o judia israelita (os indignados) se mobilizando por reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas. Aliados poderosos e estrat\u00e9gicos se afastaram. Um deles foi a Turquia, que tinha excelentes rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares com Israel desde sua funda\u00e7\u00e3o. Outro foi o Egito que, desde o tratado de paz firmado por Anwar Sadat, era um elemento central para garantir as fronteiras israelitas e o cerco \u00e0 Gaza. No Egito, fruto da revolu\u00e7\u00e3o e do rep\u00fadio \u00e0s a\u00e7\u00f5es sionista, o governo amea\u00e7ou revisar o tratado de Camp David. Por outro lado, a Ar\u00e1bia Saudita v\u00ea como as revolu\u00e7\u00f5es em outros pa\u00edses v\u00e3o cercando paulatinamente a petromonarquia reinante.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Al\u00e9m disso, essas revolu\u00e7\u00f5es representam outra derrota para o imperialismo, desta vez ideol\u00f3gica. Ap\u00f3s o 11S, lan\u00e7ou uma feroz campanha para mostrar a luta dos povos \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos como sendo protagonizada por \u201cfan\u00e1ticos religiosos\u201d e \u201caparatos terroristas\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mas as revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes, protagonizadas pela juventude, pelos trabalhadores e pelas massas, voltaram a colocar no centro da situa\u00e7\u00e3o mundial as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es de massas como fator poss\u00edvel de transforma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Sua luta deixou de ser vista como o \u201cfantasma terrorista\u201d e passou a ser uma refer\u00eancia muito atrativa a ser seguida pelos trabalhadores e pela juventude do mundo, como vimos na Espanha, na Gr\u00e9cia e inclusive nos EUA, pelo menos no debate na vanguarda.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Nesse panorama, permanece um aspeto negativo fundamental que explica por que os processos n\u00e3o avan\u00e7am at\u00e9 a expuls\u00e3o do imperialismo e a tomada do poder pela classe oper\u00e1ria. Referimo-nos \u00e0 aus\u00eancia de uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Esta aus\u00eancia permite ao imperialismo continuar manobrando para tentar desviar e frear as revolu\u00e7\u00f5es e, assim, manter seu dom\u00ednio apesar do terremoto revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Inclu\u00edmos a\u00ed o que ocorreu na L\u00edbia, onde a revolu\u00e7\u00e3o se desenvolveu como uma dura guerra civil. Essa revolu\u00e7\u00e3o estava dirigida contra o agente local do imperialismo, Kadafi. O imperialismo, assim como fez no Egito quando teve que se livrar de Mubarak, tenta \u201ccolocar um p\u00e9\u201d no processo, a partir da interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da OTAN e do car\u00e1ter pr\u00f3-imperialista do CNT. Inclusive aproveitou-se da falta de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para conseguir que parte importante dos rebeldes l\u00edbios visse esta interven\u00e7\u00e3o como uma \u201cajuda\u201d e n\u00e3o como uma tentativa contrarrevolucion\u00e1ria para retomar o controle e estabilizar a situa\u00e7\u00e3o. Mas esta realidade, representando um profundo perigo atual, n\u00e3o pode ocultar que se tratou de uma revolu\u00e7\u00e3o protagonizada pelas massas armadas que derrubaram o ditador Kadafi, e, portanto, uma derrota do imperialismo, pois at\u00e9 poucos meses atr\u00e1s ele era \u201cseu homem\u201d na L\u00edbia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O imperialismo est\u00e1 pior do que h\u00e1 dez anos em todos os terrenos. A crise econ\u00f3mica obriga-o a mostrar seu pior rosto com ataques cada vez mais ferozes \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e dos povos, inclusive nos pr\u00f3prios pa\u00edses centrais. O \u201cnovo s\u00e9culo americano\u201d n\u00e3o sobreviveu uma d\u00e9cada. Bush caiu com ele, e Obama est\u00e1 atolado no lama\u00e7al deixado por seu antecessor. A crise pol\u00edtica o corr\u00f3i e a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e a luta dos jovens e trabalhadores da Europa ocupam o centro da cena.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No entanto, permanece o grande fator negativo: a falta de uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria com peso de massas. Mas essa situa\u00e7\u00e3o mundial, com as dificuldades que o imperialismo tem, oferece a possibilidade de avan\u00e7ar em melhores condi\u00e7\u00f5es para sua constru\u00e7\u00e3o. Por isso, como h\u00e1 dez anos, hoje em melhores condi\u00e7\u00f5es objetivas, a constru\u00e7\u00e3o desta dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria continua sendo a tarefa para a qual a LIT-QI orienta todos os seus esfor\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por LIT-QI Por ocasi\u00e3o do 10\u00ba anivers\u00e1rio dos atentados do 11 de setembro de 2001 (11S), abriu-se um amplo debate na media sobre o significado e as consequ\u00eancias dos atentados contra as Torres G\u00eameas de Nova York e o edif\u00edcio do Pent\u00e1gono em Washington. O 11S foi, sem d\u00favida, um marco na hist\u00f3ria mundial recente. \u00c9 um fato que o 10\u00ba anivers\u00e1rio desta data encontra os EUA em uma profunda crise econ\u00f3mica e pol\u00edtica e com maiores dificuldades para controlar o mundo como pot\u00eancia imperialista hegem\u00f3nica. Uma parte importante dos fatos que levaram a esta crise come\u00e7ou a ser<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":530,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-531","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/obamacorreio.jpg?fit=995%2C664","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/531\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/530"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}