{"id":529,"date":"2011-09-22T11:37:08","date_gmt":"2011-09-22T10:37:08","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/09\/22\/ocupacao-sionista-em-dificuldades\/"},"modified":"2011-09-22T11:37:08","modified_gmt":"2011-09-22T10:37:08","slug":"ocupacao-sionista-em-dificuldades","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/09\/22\/ocupacao-sionista-em-dificuldades\/","title":{"rendered":"Ocupa\u00e7\u00e3o sionista em dificuldades"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t-->Muita tinta tem corrido, nos meios pr\u00f3-palestinianos, desde que a Autoridade Palestiniana (AP) anunciou a sua inten\u00e7\u00e3o de propor \u00e0 Assembleia Geral da ONU, neste m\u00eas de setembro, o reconhecimento de um Estado palestiniano dentro das fronteiras de 1967. O debate tem-se centrado nas consequ\u00eancias positivas ou negativas que teria a cria\u00e7\u00e3o &#8211; efetiva ou apenas formal &#8211; de um Estado assim definido. Mas n\u00e3o pretendemos aqui retomar esse debate, posicionando-nos num ou noutro dos lados. Lembremos apenas que a independ\u00eancia do Estado da Palestina j\u00e1 foi reconhecida pela ONU no dia 15 de novembro de 1988. <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Tr\u00eas anos mais tarde, a OLP assinava os Acordos de Oslo e reconhecia o Estado de Israel. Foi o in\u00edcio de uma farsa chamada de \u201cprocesso de paz\u201d, que tem permitido a coloniza\u00e7\u00e3o de sempre mais territ\u00f3rio palestiniano e a liquida\u00e7\u00e3o de todos aqueles que se apresentaram como negociadores dispostos a fazer ced\u00eancias &#8211; uma verdadeira amea\u00e7a para a pol\u00edtica colonial israelita: foi o caso de Marwan Barghouti (em pris\u00e3o perp\u00e9tua), de Ahmed Saadat (a cumprir pena de 30 anos de pris\u00e3o), de Yasser Arafat (assassinado).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A verdade \u00e9 que, se a Assembleia Geral da ONU votar a favor da proposta palestiniana, ela estar\u00e1 a reconhecer &#8211; ou a relembrar \u2013 que os territ\u00f3rios ocupados desde 1967 s\u00e3o territ\u00f3rios \u201cilegalmente\u201d colonizados. Essa vota\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel significaria antes de mais o reconhecimento do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o do povo palestiniano. E s\u00e3o estes os resultados que o Estado de Israel n\u00e3o quer de modo algum permitir que venham a acontecer.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Estado palestiniano<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O facto de que, ultimamente, numerosos pa\u00edses tenham reconhecido &#8211; platonicamente, seja dito &#8211; o \u201cEstado\u201d palestiniano tem exasperado o governo israelita. Mesmo quando alguns desses pa\u00edses est\u00e3o entre os seus melhores parceiros econ\u00f3micos, ou militares, como \u00e9 o caso do Brasil. O que n\u00f3s podemos considerar como gestos de hipocrisia \u00e9 visto por Israel, n\u00e3o sem raz\u00e3o, como pontos marcados a favor da causa palestiniana.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Os Estados Unidos t\u00eam-se oposto veementemente a qualquer reconhecimento de um Estado palestiniano. Diretamente ou por via da administra\u00e7\u00e3o americana, Israel tem pressionado a Autoridade Palestiniana a recuar atrav\u00e9s da chantagem econ\u00f3mica, amea\u00e7ando cortar-lhe os fundos que s\u00e3o regularmente destinados, entre outras coisas, ao pagamento dos sal\u00e1rios do aparato administrativo e policial da AP.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Paralelamente, o governo israelita desenvolve uma vasta campanha internacional de propaganda contra a iniciativa da Autoridade Palestiniana junto da ONU, pois sabe que a &#8220;legitimidade&#8221; do Estado judeu se joga no plano da opini\u00e3o p\u00fablica internacional. Qualquer desequil\u00edbrio a esse n\u00edvel a favor dos palestinianos pode p\u00f4-la em perigo. Tal \u00e9 pelo menos a convic\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios dirigentes israelitas que se t\u00eam manifestado nesse sentido na comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Pelo seu lado, a Autoridade Palestiniana tem-se esfor\u00e7ado para dar sinais aos seus financiadores de que quer limitar a sua iniciativa \u00e0s inst\u00e2ncias das Na\u00e7\u00f5es Unidas e continuar a conter a resist\u00eancia popular contra o ocupante. Nesse sentido, aceitou que os respons\u00e1veis dos seus organismos policiais se encontrassem nos Estados Unidos com os hom\u00f3logos israelitas. Entretanto, continua a deter militantes do Hamas na Cisjord\u00e2nia, apesar do recente acordo assinado com a organiza\u00e7\u00e3o rival.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mas nem Israel nem os Estados Unidos parecem sens\u00edveis a esses sinais e continuam a chantagear a AP para que esta desista da sua proposta perante a ONU, temendo que ela contribua ainda mais para o isolamento de Israel.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Campanha BDS<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Um isolamento que se tem iniciado com os avan\u00e7os da campanha BDS &#8211; boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es &#8211; a n\u00edvel internacional. Muito recentemente, a Deutsche Bahn, companhia nacional ferrovi\u00e1ria da Alemanha, desistiu de participar no projeto de liga\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Telavive a Jerusal\u00e9m, na sequ\u00eancia das press\u00f5es desta campanha. Um exemplo j\u00e1 antigo do \u00eaxito da BDS \u00e9 o da multinacional francesa Veolia, que continua ainda hoje a ser financeiramente castigada pela sua cumplicidade na constru\u00e7\u00e3o do el\u00e9trico que une entre si os colonatos \u00e0 volta de Jerusal\u00e9m. Temos ainda os exemplos de boicote cultural, com as dezenas de artistas que j\u00e1 recusaram ou cancelaram espet\u00e1culos seus em Israel. E s\u00f3 referimos aqui estes poucos exemplos ilustrativos. Uma discuss\u00e3o na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas em torno do reconhecimento de um &#8220;Estado&#8221; palestiniano s\u00f3 deveria levar \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es e desinvestimentos por parte dos pa\u00edses que dizem defender o direito do povo palestiniano \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. A n\u00edvel aut\u00e1rquico, j\u00e1 tivemos o bom exemplo, muito simples, de duas municipalidades espanholas da prov\u00edncia de Valladolid que proibiram a \u00e1gua Eden Springs em todos os edif\u00edcios municipais. Se estas a\u00e7\u00f5es, por um lado, t\u00eam um impacto direto na economia israelita, elas contribuem, por outro lado, \u00e0 tomada de consci\u00eancia e ao alargamento da vaga de solidariedade para com a Palestina no resto do mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Uma vota\u00e7\u00e3o na ONU a favor de um Estado palestiniano certamente que n\u00e3o resolver\u00e1 o problema da ocupa\u00e7\u00e3o sionista nem sequer dar\u00e1 origem a um Estado independente, mas, surgindo neste contexto das revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes, ter\u00e1 sem d\u00favida um potencial mobilizador, em particular para a campanha de BDS.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Elsa Sert\u00f3rio<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muita tinta tem corrido, nos meios pr\u00f3-palestinianos, desde que a Autoridade Palestiniana (AP) anunciou a sua inten\u00e7\u00e3o de propor \u00e0 Assembleia Geral da ONU, neste m\u00eas de setembro, o reconhecimento de um Estado palestiniano dentro das fronteiras de 1967. 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