{"id":520,"date":"2011-09-10T16:31:12","date_gmt":"2011-09-10T15:31:12","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/09\/10\/a-crise-mundial-vai-afetar-o-brasil\/"},"modified":"2011-09-10T16:31:12","modified_gmt":"2011-09-10T15:31:12","slug":"a-crise-mundial-vai-afetar-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/09\/10\/a-crise-mundial-vai-afetar-o-brasil\/","title":{"rendered":"A crise mundial vai afetar o Brasil?"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O Brasil \u00e9 uma parte do sistema capitalista. Como todo o sistema ser\u00e1 afetado, o Brasil tamb\u00e9m sofrer\u00e1 com a crise. Mas \u00e9 importante discutir, mesmo tratando-se de hip\u00f3teses, o ritmo e a profundidade de como isso pode ocorrer.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O Brasil tem caracter\u00edsticas muito particulares. \u00c9 parte dos chamados BRICs (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China), que t\u00eam tido uma import\u00e2ncia especial na divis\u00e3o mundial de trabalho e na crise recente.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O imperialismo desloca para esses pa\u00edses uma parte importante de suas empresas (em particular as industriais) para se aproveitar dos baixos sal\u00e1rios. Uma das consequ\u00eancias disso foi a forma diferenciada como eles foram afetados pela crise de 2008. As multinacionais continuaram investindo nos BRICs para contrabalan\u00e7ar a crise de suas matrizes e recompor sua taxa de lucros. Isso levou \u00e0 exist\u00eancia de duas velocidades na crise dos pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Cada um dos BRICs tem sua import\u00e2ncia localizada na divis\u00e3o mundial do trabalho. A China \u00e9 uma esp\u00e9cie de f\u00e1brica do mundo, a R\u00fassia produz petr\u00f3leo e g\u00e1s e a \u00cdndia, softwares de computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">J\u00e1 o Brasil produz commodities (mat\u00e9rias-primas ou produtos com pequeno grau de industrializa\u00e7\u00e3o) para o mercado mundial, al\u00e9m de autom\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos para a Am\u00e9rica Latina. As multinacionais tamb\u00e9m ocupam o mercado interno desses pa\u00edses com suas empresas diretamente instaladas nos BRICs.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O Brasil tem uma rela\u00e7\u00e3o particular com a China, por fornecer diretamente commodities para este pa\u00eds que \u00e9, desde 2009, seu maior parceiro comercial. A evolu\u00e7\u00e3o da China \u00e9, portanto, fundamental para entender as perspetivas imediatas da economia brasileira. <\/p>\n<p><strong>Recess\u00e3o passada<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No \u00faltimo trimestre de 2008, o Brasil entrou em recess\u00e3o (-3,6% do PIB), que continuou no trimestre seguinte (-0,8%). No total, a produ\u00e7\u00e3o industrial retrocedeu 16,7%. As grandes empresas travaram duramente a produ\u00e7\u00e3o para ver o que se passaria no mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Foi o momento em que os trabalhadores sentiram a crise e a amea\u00e7a de desemprego. Em dezembro de 2008, houve mais de um milh\u00e3o e meio de demiss\u00f5es. Um exemplo marcante foi a demiss\u00e3o de 4.200 oper\u00e1rios da Embraer.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O pa\u00eds saiu da recess\u00e3o no segundo trimestre de 2009, acompanhando a tend\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o da economia mundial. As grandes empresas discutiram a possibilidade de novas levas de demiss\u00f5es, mas acabaram apostando na recupera\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 come\u00e7ava em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O Brasil est\u00e1 muito exposto \u00e0s varia\u00e7\u00f5es do mercado mundial por ter sua economia cada vez mais subordinada ao imperialismo. As multinacionais controlam a ind\u00fastria automobil\u00edstica, qu\u00edmica, farmac\u00eautica, aliment\u00edcia e o agro-neg\u00f3cio, al\u00e9m de terem entrado fortemente no setor de supermercados e na constru\u00e7\u00e3o civil. As fronteiras econ\u00f3micas foram abertas completamente pelos governos Collor e FHC, e mantidas por Lula. O mercado de a\u00e7\u00f5es brasileiro tamb\u00e9m est\u00e1 estreitamente ligado \u00e0 din\u00e2mica dos capitais especulativos do mundo, acompanhando o sobe e desce da Bolsa de Nova York.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O Brasil saiu da recess\u00e3o porque as grandes multinacionais decidiram continuar investindo no pa\u00eds, que tem a maior taxa de juros do mundo, mercado interno ainda em crescimento, baixo custo de m\u00e3o de obra, flexibilidade na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, incentivos fiscais de toda ordem dos estados. Fecharam empresas nos EUA e abriram no Brasil e na China. A GM, por exemplo, \u00e9 a maior f\u00e1brica de autom\u00f3veis da China. Aqui no Brasil, esta empresa investiu em uma nova planta no momento em que estava falida nos EUA. Foi uma decis\u00e3o em defesa de seus lucros, que nada teve a ver com a \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o com o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Al\u00e9m disso, o Brasil foi ajudado pela situa\u00e7\u00e3o da China, que teve uma desacelera\u00e7\u00e3o (sem entrar em recess\u00e3o) e, depois, se recuperou.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O sistema financeiro brasileiro tamb\u00e9m n\u00e3o enfrentou a mesma crise dos bancos imperialistas. Isso pode estar relacionado \u00e0s alt\u00edssimas taxas de juros e \u00e0 farra da d\u00edvida p\u00fablica, o que fez com que os bancos aqui n\u00e3o precisassem especular com os derivados.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O papel do governo nessa hist\u00f3ria \u00e9 importante, mas n\u00e3o foi o que determinou o curso da crise. O governo Lula se comportou como mandaram as multinacionais e os bancos. Injetou R$ 300 mil milh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico nas empresas, assim como fizeram os governos imperialistas. Reduziu o IPI de autom\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos (socorrendo as multinacionais) e liberou mais de R$ 100 mil milh\u00f5es para os banqueiros.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Para os trabalhadores, nada. Nenhuma medida de garantia do emprego. Nem sequer os demitidos da Embraer foram defendidos por Lula, mesmo podendo faz\u00ea-lo legalmente.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">N\u00e3o foi Lula, como muitos trabalhadores acreditam, que impediu a crise. Foram as multinacionais que controlam a economia do pa\u00eds. Junto com isso, tamb\u00e9m impuseram um ritmo de trabalho ainda maior, ampliando a super-explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, como se v\u00ea nas f\u00e1bricas. Ou seja, s\u00e3o os trabalhadores que est\u00e3o pagando at\u00e9 hoje os custos da crise.<\/p>\n<p><strong>E agora?<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Qual a perspetiva da economia brasileira no meio da crise internacional?<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Com o agravamento da crise, \u00e9 certo que as suas consequ\u00eancias v\u00e3o se abater sobre o Brasil. Mas a sua intensidade aqui vai depender de como ela vai atingir o mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Caso se confirme a hip\u00f3tese de uma nova recess\u00e3o, as multinacionais estar\u00e3o atentas ao tamanho de sua gravidade. Continuar\u00e3o investindo na China na medida em que existir a possibilidade de exporta\u00e7\u00e3o para os mercados imperialistas. Caso a recess\u00e3o seja muito profunda, as multinacionais podem parar de investir e a recess\u00e3o poder\u00e1 atingir a China.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A mesma l\u00f3gica vale para o Brasil. O destino do pa\u00eds est\u00e1 nas m\u00e3os de um punhado de multinacionais, que decidir\u00e3o continuar ou n\u00e3o investindo aqui.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">At\u00e9 esse momento de agravamento da crise, o investimento das multinacionais no Brasil vinha crescendo em n\u00edveis recordes. At\u00e9 o fim de maio, o pa\u00eds recebeu US$ 45,943 mil milh\u00f5es, quase o dobro do recebido em 2010 (US$ 24,354 mil milh\u00f5es). As previs\u00f5es indicam a possibilidade de chegar a US$ 60 ou 70 mil milh\u00f5es em 2011.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Com o agravamento da crise, deve ocorrer uma queda no pre\u00e7o das commodities, o que vai terminar afetando as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Mas isso ainda n\u00e3o se deu. Os pre\u00e7os dos minerais met\u00e1licos, que inclui o min\u00e9rio de ferro, aumentaram 74% em 2011. Os dos produtos da agricultura e pecu\u00e1ria (como soja, caf\u00e9 e milho) aumentaram 36,9%.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mas toda essa situa\u00e7\u00e3o pode mudar em fun\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da crise. A Bovespa, refletindo o agravamento da situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 perdeu 30% de seu valor.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Por outro lado, existe um elevado grau de endividamento do Estado e das fam\u00edlias, parte importante da crise mundial. No Brasil, isso tem uma dimens\u00e3o que pode afetar duramente o pa\u00eds no caso de uma recess\u00e3o. A dimens\u00e3o do endividamento n\u00e3o chega aos n\u00edveis dos pa\u00edses imperialistas mais afetados, mas os juros pagos aqui s\u00e3o muito maiores, tornando o servi\u00e7o da d\u00edvida brutal.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A d\u00edvida p\u00fablica brasileira \u00e9 de cerca de R$ 1,8 bili\u00e3o, o que corresponde a 47% do PIB. Se for comparada com a d\u00edvida norte-americana (100% do PIB), parece pouco. Mas o governo vai gastar R$ 954 mil milh\u00f5es no pagamento de juros e parcelas da d\u00edvida em 2011. Isso corresponde a 25% do PIB brasileiro. O servi\u00e7o da d\u00edvida dos EUA equivale hoje a 1,4% do PIB.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A isso se agrega o grau de endividamento dos trabalhadores, que saltou de 6% para 15% do PIB nos dois governos Lula. Hoje, o pagamento dos financiamentos compromete 26,3% do or\u00e7amento mensal das fam\u00edlias brasileiras. O jornal brit\u00e2nico Financial Times, porta-voz do mercado financeiro, j\u00e1 fala sobre a preocupa\u00e7\u00e3o dos bancos multinacionais com a exist\u00eancia de uma bolha de cr\u00e9dito no Brasil, que poderia se agravar em caso de recess\u00e3o e demiss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O pa\u00eds tamb\u00e9m apresenta um deficit em contas correntes que pode chegar ao recorde de US$ 60 mil milh\u00f5es em 2011. Isso seria um resultado da queda do saldo comercial e da amplia\u00e7\u00e3o da remessa de lucros das multinacionais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Esses s\u00e3o todos elementos que podem agravar uma crise no Brasil, caso ocorra uma recess\u00e3o internacional.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A economia brasileira teve um crescimento acelerado em 2010 (7,5%) e j\u00e1 estava se desacelerando, antes mesmo do agravamento da crise internacional. A previs\u00e3o oficial \u00e9 de um crescimento de 4% em 2011.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O mais prov\u00e1vel \u00e9 que essa desacelera\u00e7\u00e3o se acentue e que tenhamos, em 2011, um crescimento menor. N\u00e3o ser\u00e1 surpreendente se a taxa de crescimento baixar para 3 ou mesmo 2%. Alguns \u00edndices da pr\u00f3pria burguesia j\u00e1 apontam para isso. O Banco Central do Brasil revelou que seu \u00cdndice de Atividade Econ\u00f3mica (IBC-Br), uma \u201cpr\u00e9via\u201d do PIB, registou em junho uma queda de 0,26%. Foi a primeira queda desde o auge da recess\u00e3o passada, em dezembro de 2008. <\/p>\n<p><strong>De que lado Dilma est\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A burguesia brasileira j\u00e1 est\u00e1 se preparando para essa crise. E j\u00e1 quer atacar os sal\u00e1rios dos trabalhadores, como se a recess\u00e3o j\u00e1 existisse. V\u00e3o utilizar o agravamento da crise como desculpa para n\u00e3o conceder reajustes salariais. O governo ajuda a grande burguesia ao atacar os reajustes salariais. O ministro Guido Mantega disse que \u201co momento n\u00e3o \u00e9 o ideal\u201d para pedir aumentos salariais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mas o pa\u00eds continua crescendo, e os lucros das grandes empresas seguem batendo todos os recordes. Em 2010, as 500 maiores empresas sediadas no Brasil alcan\u00e7aram US$ 1,3 bili\u00e3o em vendas, um crescimento de 9,5%. Os bancos, por sua vez, continuam batendo todos os recordes de lucros. Recordes que continuar\u00e3o sendo quebrados, pois, assim como Lula, o governo Dilma aumenta as taxas de juros para supostamente \u201cproteger\u201d o Brasil da crise.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Dilma tamb\u00e9m continua atuando em socorro aos empres\u00e1rios. Recentemente, o governo lan\u00e7ou um conjunto de benef\u00edcios \u00e0 ind\u00fastria, o programa Brasil Maior, que inclui isen\u00e7\u00f5es (de at\u00e9 R$ 25 mil milh\u00f5es), subs\u00eddios e financiamentos do BNDES.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No in\u00edcio do ano, Dilma tamb\u00e9m promoveu um megacorte no or\u00e7amento. Quase metade (49,15%) ser\u00e1 destinada ao pagamento da d\u00edvida p\u00fablica. Todo esse dinheiro vem da verba que seria destinada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, reforma agr\u00e1ria, habita\u00e7\u00e3o, cultura, etc.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Por fim, no \u00faltimo dia 15, Dilma vetou a emenda que previa aumento aos aposentados. A emenda garantiria recursos para um reajuste real aos cerca de 9 milh\u00f5es de aposentados que recebem benef\u00edcios acima de um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Mas devem ter apenas a reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, ou 6%.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Como se v\u00ea, a crise nem mesmo chegou ao pa\u00eds. Mas a burguesia e o governo Dilma j\u00e1 come\u00e7am a despejar os seus custos sobre as costas dos trabalhadores. <\/p>\n<p><strong>Um programa dos trabalhadores para evitar a crise<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Hoje, tanto a burguesia como o governo falam da crise para atacar as lutas dos trabalhadores por aumentos salariais. Nessas campanhas salariais, \u00e9 prov\u00e1vel que este discurso seja reproduzido pela CUT e pela For\u00e7a Sindical. Essas centrais j\u00e1 estavam em campanha por um \u201cpacto social\u201d contra a \u201cdesindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d, que deixava de lado as lutas salariais. O Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC est\u00e1 falando da crise e tentando evitar a luta da categoria por aumentos salariais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">\u00c9 necess\u00e1rio combater essa posi\u00e7\u00e3o. Hoje a economia brasileira n\u00e3o est\u00e1 em crise. Continua crescendo e deve continuar assim, ao menos at\u00e9 o fim do ano, com a burguesia tendo lucros gigantescos. \u201cA economia cresceu, o trabalhador quer o seu\u201d. Esse \u00e9 o slogan da CSP-Conlutas nas campanhas salariais. Ou seja, os metal\u00fargicos, banc\u00e1rios, petroleiros, trabalhadores dos correios, funcion\u00e1rios p\u00fablicos e outras categorias em campanha devem articular suas greves para conseguir a reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e conquistar aumentos reais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Mas, com o agravamento da crise mundial, \u00e9 prov\u00e1vel que o Brasil seja afetado.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Dilma j\u00e1 aplica um programa para defender os empres\u00e1rios dos efeitos da crise. Os trabalhadores precisam ter um plano de oposi\u00e7\u00e3o a essa pol\u00edtica econ\u00f3mica, exigindo aumentos salariais. Oposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para evitar que a crise chegue ao pa\u00eds. <\/p>\n<p><strong>Que os ricos paguem pela crise!<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Foram as grandes empresas que a criaram e elas devem pagar seus custos. Tr\u00eas medidas podem sintetizar esse plano. A primeira \u00e9 o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, e destinar todo esse dinheiro na economia por meio de um plano de obras p\u00fablicas. N\u00e3o pagar a d\u00edvida para evitar os cortes sociais feitos por Dilma.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A segunda medida \u00e9 a nacionaliza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, que possibilitaria financiar os planos econ\u00f3micos necess\u00e1rios ao pa\u00eds. Possibilitaria, tamb\u00e9m, o perd\u00e3o \u00e0s d\u00edvidas dos trabalhadores com os bancos, que ser\u00e3o dram\u00e1ticas em um cen\u00e1rio de crise.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A terceira medida seria a garantia de emprego aos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">\u00c9 preciso evitar a crise ou enfrent\u00e1-la com um plano em defesa dos trabalhadores e n\u00e3o da burguesia, como est\u00e1 fazendo o governo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Eduardo Almeida, <em>Opini\u00e3o Socialista <\/em>n\u00ba 430, PSTU-Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 uma parte do sistema capitalista. Como todo o sistema ser\u00e1 afetado, o Brasil tamb\u00e9m sofrer\u00e1 com a crise. Mas \u00e9 importante discutir, mesmo tratando-se de hip\u00f3teses, o ritmo e a profundidade de como isso pode ocorrer. O Brasil tem caracter\u00edsticas muito particulares. \u00c9 parte dos chamados BRICs (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China), que t\u00eam tido uma import\u00e2ncia especial na divis\u00e3o mundial de trabalho e na crise recente. O imperialismo desloca para esses pa\u00edses uma parte importante de suas empresas (em particular as industriais) para se aproveitar dos baixos sal\u00e1rios. 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