{"id":514,"date":"2011-08-31T11:04:04","date_gmt":"2011-08-31T10:04:04","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/08\/31\/siria-uma-verdadeira-revolucao-no-contexto-das-revolucoes-arabes\/"},"modified":"2011-08-31T11:04:04","modified_gmt":"2011-08-31T10:04:04","slug":"siria-uma-verdadeira-revolucao-no-contexto-das-revolucoes-arabes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/08\/31\/siria-uma-verdadeira-revolucao-no-contexto-das-revolucoes-arabes\/","title":{"rendered":"S\u00edria: uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no contexto das revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Nos \u00faltimos cinco meses, a classe trabalhadora s\u00edria, tendo a juventude \u00e0 sua frente, vem realizando mobiliza\u00e7\u00f5es que crescem em n\u00fameros, em alcance geogr\u00e1fico e na radicaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Em julho, pela primeira vez, as marchas reuniram centenas de milhares de pessoas. Hama substituiu Daraa como a cidade l\u00edder das mobiliza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acontecendo em todo o pa\u00eds. As principais reivindica\u00e7\u00f5es evolu\u00edram de reformas e direitos democr\u00e1ticos para \u201c<em>Fora Bashar El Assad<\/em>\u201d, o ditador odiado. Comit\u00e9s de Coordena\u00e7\u00e3o Locais em cada cidade d\u00e3o um exemplo de organiza\u00e7\u00e3o popular e de lideran\u00e7a alternativa.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Esta verdadeira revolu\u00e7\u00e3o tornou-se um divisor de \u00e1guas entre os ativistas e organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e antiimperialistas. O Hezbollah, a principal organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no L\u00edbano e, certamente, o partido de maior prest\u00edgio entre as massas \u00e1rabes por sua luta contra Israel, est\u00e1 a apoiar abertamente Bashar. Apesar de ter apoiado as revolu\u00e7\u00f5es na Tun\u00edsia, Egito, L\u00edbia, I\u00e9mene e Bahrein, na S\u00edria, agora, eles afirmam que Bashar tem apoio popular e tem o compromisso de reformas e que a oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 patrocinada por for\u00e7as imperialistas. Fidel Castro e Hugo Ch\u00e1vez tamb\u00e9m est\u00e3o a apoiar Bashar, repetindo o apoio que j\u00e1 deram a Khadafi na L\u00edbia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">A grande maioria das organiza\u00e7\u00f5es estalinistas, novas e velhas, est\u00e1 a apoiar Bashar em raz\u00e3o de sua suposta oposi\u00e7\u00e3o ao imperialismo, alegando que as mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o guiadas pelas pot\u00eancias ocidentais, por Israel ou, ainda, pela direita libanesa. Elas dizem que o conte\u00fado da mobiliza\u00e7\u00e3o na S\u00edria \u00e9 diferente da revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Vamos abordar cada um desses argumentos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\"><strong>O mito da oposi\u00e7\u00e3o ao imperialismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Uma vez no poder, os Assad, primeiro Hafez e depois o seu filho Bashar, realizaram um movimento lento de transi\u00e7\u00e3o de um Estado burgu\u00eas independente inspirado pelo nacionalismo \u00e1rabe em dire\u00e7\u00e3o a uma pot\u00eancia regional dependente dos pa\u00edses imperialistas ocidentais. Durante os \u00faltimos 40 anos, o regime dos Assad buscou transformar a S\u00edria em uma pot\u00eancia regional capitalista que pudesse servir de principal interlocutor entre os \u00e1rabes e a ordem mundial.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Em novembro de 1970, Hafez Al Assad, um ex-tenente da for\u00e7a a\u00e9rea s\u00edria e ent\u00e3o ministro da Defesa, liderou a derrubada de Salah Jadid, o homem forte do regime Baath na S\u00edria. Diverg\u00eancias entre os dois se tornaram irreconcili\u00e1veis, ap\u00f3s o chamado \u201cSetembro Negro\u201d na Jord\u00e2nia. O governo s\u00edrio se comprometeu a intervir militarmente para ajudar os palestinianos a derrubar o rei Hussein da Jord\u00e2nia. A OLP fez a sua parte, assumindo o controlo de grandes \u00e1reas na Jord\u00e2nia, incluindo parte de sua capital, Am\u00e3. Quando o rei contra-atacou, Jadid mandou algumas tropas para o norte da Jord\u00e2nia, mas Assad n\u00e3o permitiu que a For\u00e7a A\u00e9rea se unisse ao esfor\u00e7o de guerra por medo de uma eventual interven\u00e7\u00e3o israelita. Sem a For\u00e7a A\u00e9rea, as tropas s\u00edrias foram presas f\u00e1ceis para os avi\u00f5es da Jord\u00e2nia. A subida de Assad ao poder foi o termidor da radicaliza\u00e7\u00e3o do regime do partido Baath, levando a um relaxamento das tens\u00f5es com as pot\u00eancias imperialistas e \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Em 1973, um esfor\u00e7o conjunto por parte das For\u00e7as Armadas eg\u00edpcias e s\u00edrias para tomar de volta os seus territ\u00f3rios ocupados por for\u00e7as israelitas (o Sinai e Gaza, e as Colinas de Gol\u00e3, respectivamente) foi fortemente derrotado pelas for\u00e7as muito superiores do ex\u00e9rcito israelitas. Acusa\u00e7\u00f5es de trai\u00e7\u00e3o de ambos os lados enfraqueceram a alian\u00e7a entre os dois pa\u00edses. Mantendo uma forte ret\u00f3rica anti-sionista e a exig\u00eancia de devolu\u00e7\u00e3o das Colinas de Gol\u00e3, Hafez Al Assad aceitou a nova fronteira estipulada no acordo de cessar-fogo. Desde ent\u00e3o, a fronteira com a S\u00edria tornou-se a mais segura e est\u00e1vel para Israel.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Em 1976, tropas s\u00edrias invadiram o L\u00edbano. Formalmente atendendo ao chamado do presidente liban\u00eas maronita, mas, na realidade, estimuladas pelos EUA e Israel, as tropas s\u00edrias impediram que a insurrei\u00e7\u00e3o liderada pela OLP e os seus aliados (os drusos, os sunitas e as organiza\u00e7\u00f5es xiitas) esmagassem as For\u00e7as da direita maronita libanesa e tomassem o poder, mudando completamente a situa\u00e7\u00e3o dos palestinianos, cujos efeitos seriam sentidos em todo o Oriente M\u00e9dio. Assad teve as suas pr\u00f3prias raz\u00f5es para isso: ele era totalmente contr\u00e1rio ao fortalecimento da OLP porque colocaria em risco os seus planos de hegemonia regional e ainda influenciaria a enorme popula\u00e7\u00e3o palestiniana na S\u00edria. Al\u00e9m disso, o regime s\u00edrio nunca reconheceu o Estado liban\u00eas, argumentando que o L\u00edbano era um produto do colonialismo para dividir a S\u00edria e os \u00e1rabes em geral. A S\u00edria compartilhava a preocupa\u00e7\u00e3o do Ocidente e de Israel de que uma administra\u00e7\u00e3o liderada pela OLP no L\u00edbano poderia desestabilizar toda a regi\u00e3o e amea\u00e7aria a pr\u00f3pria exist\u00eancia do Estado de Israel.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Em 1978, as for\u00e7as armadas s\u00edrias no L\u00edbano realizaram um acordo t\u00e1cito para permitir que as tropas israelitas invadissem e ocupassem o sul do L\u00edbano. Em 1982, Assad juntou-se aos esfor\u00e7os israelitas e da direita libanesa para expulsar Arafat e a OLP do L\u00edbano, ao custo da vida de milhares de soldados s\u00edrios e de equipamentos militares. Quando os israelitas invadiram Beirute em busca dos fedaines palestinianos, os s\u00edrios fizeram o mesmo em Tr\u00edpoli, no norte. Depois de expulsar os l\u00edderes e combatentes da OLP para a Tun\u00edsia, a S\u00edria patrocinou grupos palestinianos &#8211; a Saika, a Uprising Fatah liderada por Abu Musa e a FPLP-Comando Geral liderada por Ahmed Jibril &#8211; para derrubar Arafat e enfraquecer a OLP, atendendo aos planos de Assad de eliminar essa amea\u00e7a \u00e0 sua hegemonia entre os palestinianos e entre todos os \u00e1rabes.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Em 1980, Assad apoia os iranianos contra Saddam Hussein, este ent\u00e3o apoiado pelos EUA e pelos pa\u00edses \u00e1rabes do Golfo, para impedir a revolu\u00e7\u00e3o iraniana de virar toda a regi\u00e3o de cabe\u00e7a para baixo. Assad estava interessado em enfraquecer o seu velho inimigo e rival regional, Saddam Hussein.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\"><strong>O fim da URSS e a alian\u00e7a com o Ocidente<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">O colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o principal aliado da S\u00edria, sob o impacto de uma onda revolucion\u00e1ria na Europa Oriental em 1989-1991, levou Assad a cortejar os EUA e os pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Primeiro, a S\u00edria restabeleceu la\u00e7os diplom\u00e1ticos com o Egito. A rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses havia sido cortada ap\u00f3s o presidente eg\u00edpcio, Annuar Sadat, reconhecer o Estado de Israel em 1979. Ent\u00e3o, o Egito juntou-se \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita no papel de principais aliados \u00e1rabes dos EUA.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Os esfor\u00e7os para apaziguar o Ocidente tamb\u00e9m foram promovidos por meio do apoio da S\u00edria \u00e0 Guerra do Golfo contra o Iraque em 1991. Apesar do envio de uma modesta for\u00e7a de cinco mil soldados para a Ar\u00e1bia Saudita, o efeito pol\u00edtico do apoio de um regime nacionalista \u00e1rabe aos esfor\u00e7os de guerra dos EUA foi enorme. Em troca, a S\u00edria ganhou US$ 2 bilh\u00f5es dos pa\u00edses do Golfo e foi capaz de estabelecer-se como um parceiro confi\u00e1vel dos EUA e da Europa.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Ap\u00f3s a guerra, a S\u00edria iniciou conversa\u00e7\u00f5es com Israel, seguindo o exemplo do Egito. No entanto, apesar dos esfor\u00e7os, a S\u00edria n\u00e3o conseguiu convencer Israel a devolver cada cent\u00edmetro das Colinas de Gol\u00e3 tomada da S\u00edria em 1967. L\u00edderes israelitas argumentavam que era inaceit\u00e1vel para a seguran\u00e7a de Israel ter um pa\u00eds \u00e1rabe no Lago Tiber\u00edades, principal fonte de \u00e1gua para este pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Enquanto isso, o regime s\u00edrio trabalhou na reconstru\u00e7\u00e3o de sua rela\u00e7\u00e3o com o Iraque, a Jord\u00e2nia e a OLP, os perdedores da guerra do Golfo, a fim de se tornar uma ponte entre eles e o Ocidente e os seus aliados \u00e1rabes. Assad, ap\u00f3s reuni\u00e3o com os iranianos, declarou que a S\u00edria se opunha \u00e0 divis\u00e3o do Iraque, e fez acordos com Saddam Hussein para conter rebeldes curdos que operavam a partir da S\u00edria. Ele tamb\u00e9m assinou acordos econ\u00f3micos que permitiram o fluxo de petr\u00f3leo iraquiano por meio de gasodutos atrav\u00e9s de territ\u00f3rio s\u00edrio para o Mediterr\u00e2neo. Al\u00e9m disso, Assad se reuniu com Arafat, prometendo colocar fim \u00e0 campanha de deslegitimiza\u00e7\u00e3o da OLP que o pr\u00f3prio Assad vinha fazendo desde 1983.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Em 1998, a S\u00edria tamb\u00e9m firmou novos acordos econ\u00f3micos e de seguran\u00e7a com a Turquia, outro aliado do Ocidente. A Turquia estava particularmente interessada em impedir o PKK, a principal organiza\u00e7\u00e3o curda que atua na parte do Curdist\u00e3o ocupada pela Turquia, de operar a partir da S\u00edria, com o apoio de Assad, como j\u00e1 vinha acontecendo. Assad coibiu todas as opera\u00e7\u00f5es dos curdos na S\u00edria. Ele prendeu 125 l\u00edderes do PKK e deportou-os para a Turquia. Al\u00e9m disso, a S\u00edria abandonou a reivindica\u00e7\u00e3o de devolu\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia de Hatay, uma extensa \u00e1rea entregue aos turcos pelo mandato franc\u00eas que governou a S\u00edria muitas d\u00e9cadas atr\u00e1s. Em troca, a Turquia aumentou os investimentos e a parceria econ\u00f4mica com a S\u00edria e fez acordos sobre os recursos h\u00eddricos, j\u00e1 que parte da \u00e1gua que este pa\u00eds necessita vem de rios que nascem em terras turcas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">A pr\u00f3xima s\u00e9rie de acordos com o imperialismo ocorreu ap\u00f3s a morte de Hafez Al Assad, em 2000, pelo seu sucessor e filho, Bashar El Assad.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Uma vez no poder, Bashar promoveu reformas econ\u00f4micas neoliberais, a fim de levar adiante a privatiza\u00e7\u00e3o e a abertura da economia ao capital estrangeiro para apaziguar as pot\u00eancias ocidentais. No in\u00edcio, essas reformas dilu\u00edram o monop\u00f3lio estatal do sistema banc\u00e1rio e incentivaram as universidades privadas e o mercado imobili\u00e1rio privado. Entre os principais benefici\u00e1rios est\u00e1 o primo de Bashar, Rami Makhlouf, que se tornou um bilion\u00e1rio. A sua fortuna pessoal era estimada, em 2008, em cerca de seis mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Ele \u00e9 o principal dono da Syriatel, uma das duas empresas de telefonia m\u00f3vel licenciadas para operar na S\u00edria. Al\u00e9m desta empresa, ele tem neg\u00f3cios em tabaco, petr\u00f3leo, mercado imobili\u00e1rio, bancos, zonas de livre com\u00e9rcio ao longo da fronteira com o L\u00edbano, lojas <em>duty-free<\/em> e lojas de departamento de luxo. De acordo com o <em>Financial Times<\/em>, ele controla at\u00e9 60% da economia s\u00edria atrav\u00e9s de sua rede de empresas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Bashar tamb\u00e9m concluiu o Acordo de Taif, que terminou com a guerra civil libanesa. Este acordo, com o apoio dos EUA, da Ar\u00e1bia Saudita e dos principais grupos no L\u00edbano, reconheceu a hegemonia da S\u00edria sobre o L\u00edbano contra a vontade e os esfor\u00e7os pol\u00edticos e militares do general Michel Aoun, que teve que fugir para a Fran\u00e7a. Simultaneamente, a S\u00edria reconheceu o estado liban\u00eas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Ao mesmo tempo, Bashar manteve o apoio pol\u00edtico e militar ao Hezbollah no L\u00edbano, a fim de exercer press\u00e3o sobre Israel e os EUA para retomar as Colinas de Gol\u00e3 e preservar o papel regional da S\u00edria como um pa\u00eds \u00e1rabe l\u00edder. Pelas mesmas raz\u00f5es, ele aceitou um grande n\u00famero de refugiados iraquianos durante a segunda Guerra do Golfo e permitiu o funcionamento da resist\u00eancia iraquiana atrav\u00e9s de suas fronteiras. Atualmente, a UNRWA (ag\u00eancia da ONU respons\u00e1vel pelos refugiados) reconhece a exist\u00eancia de um milh\u00e3o de refugiados iraquianos em territ\u00f3rio s\u00edrio.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Apesar disso, os EUA sob Bush decidiram n\u00e3o atacar a S\u00edria pelo fato de que \u00e9 melhor ter um mau conhecido do que algo desconhecido. Bashar n\u00e3o representava um obst\u00e1culo para a ordem imperialista, mas algu\u00e9m com quem o imperialismo teria que negociar.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Agora em 2011, os EUA, a UE e Israel se recusam a tomar uma a\u00e7\u00e3o militar ou quaisquer repres\u00e1lias mais fortes contra o regime de Bashar por ele matar e reprimir violentamente a revolu\u00e7\u00e3o, em grande parte pac\u00edfica, empreendida por massivas mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds. A pol\u00edtica dos EUA \u00e9 clara: os media informaram que as propostas dos EUA foram amplamente divulgadas na reuni\u00e3o sem precedentes da \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d s\u00edria realizada no Hotel Semiramis em Damasco em 27 de junho passado. O documento, cuidadosamente formulado com tr\u00eas mil palavras, exigiu um pedido de desculpas claro e franco e a investiga\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos respons\u00e1veis pela repress\u00e3o contra protestos leg\u00edtimos, e compensa\u00e7\u00e3o para as fam\u00edlias das v\u00edtimas. Tamb\u00e9m foi proposta uma nova lei sobre os partidos pol\u00edticos e a forma\u00e7\u00e3o de uma Assembleia Nacional de Transi\u00e7\u00e3o com 100 membros, para a qual o partido Baath iria nomear 30 membros e Bashar nomearia outros 70 em consulta com representantes da oposi\u00e7\u00e3o. Em uma palavra, o que os EUA est\u00e3o exigindo \u00e9 que Assad supervisione uma transi\u00e7\u00e3o segura e pac\u00edfica para uma democracia civil que mantenha os interesses ocidentais e congele o processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Os EUA querem reformas lideradas pelo regime s\u00edrio em dire\u00e7\u00e3o a um governo de unidade nacional, a fim de evitar qualquer desestabiliza\u00e7\u00e3o da S\u00edria e, consequentemente, de todo o M\u00e9dio Oriente, especialmente em Israel pelo Hezbollah e os palestinianos, na Turquia pelos curdos, no Iraque pela resist\u00eancia e at\u00e9 mesmo na Ar\u00e1bia Saudita pelos oposicionistas xiitas, que poderiam iniciar protestos em \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo perto da fronteira com o Kuwait, onde s\u00e3o maioria.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\"><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o da S\u00edria faz parte das revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">H\u00e1 caracter\u00edsticas que as revolu\u00e7\u00f5es na Tun\u00edsia, Egito, L\u00edbia, I\u00e9men, Bahrein e outros pa\u00edses \u00e1rabes compartilham: o \u00f3dio \u00e0s velhas ditaduras sem perspectiva de mudan\u00e7a, todas elas diretamente apoiadas ou com rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com as pot\u00eancias ocidentais; dificuldades econ\u00f3micas que aumentaram profundamente com a crise econ\u00f3mica mundial; os jovens da classe trabalhadora na vanguarda de maci\u00e7as mobiliza\u00e7\u00f5es; e reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas centradas na palavra de ordem mais popular desde a Tun\u00edsia: \u201c<em>O povo quer o fim do regime<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">O mesmo est\u00e1 a acontecer na S\u00edria. Vejamos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\"><strong>Um regime repressivo e autorit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">A S\u00edria est\u00e1 sob lei marcial h\u00e1 40 anos. Ela estipula que qualquer reuni\u00e3o com mais de cinco pessoas deve ser previamente autorizada por um dos 15 servi\u00e7os de seguran\u00e7a com duas semanas de anteced\u00eancia. Para obter a autoriza\u00e7\u00e3o, os nomes dos oradores devem ser fornecidos, juntamente com uma c\u00f3pia de cada discurso e a lista completa dos participantes.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Esta lei tem permitido aos Assad prender todos os dissidentes. As pris\u00f5es s\u00edrias s\u00e3o famosas por acolher milhares de prisioneiros s\u00edrios, libaneses e palestinos e, atualmente, um n\u00famero incont\u00e1vel de dissidentes est\u00e3o desaparecidos. H\u00e1 mobiliza\u00e7\u00f5es no L\u00edbano exigindo das autoridades s\u00edrias informa\u00e7\u00f5es sobre o paradeiro de seus entes queridos. Alguns sobreviveram nos c\u00e1rceres s\u00edrios: Salah Jadid, o antigo governante antes de Hafez Al Assad, foi preso e morreu na pris\u00e3o ap\u00f3s 23 anos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Al\u00e9m da lei marcial, a dissid\u00eancia sunita foi duramente reprimida. Em 1982, mais de 20 mil pessoas foram mortas em Hama ap\u00f3s protestos liderados pela Irmandade Mu\u00e7ulmana. No rescaldo, todos os cl\u00e9rigos sunitas foram investigados e apenas aqueles sancionados pelo regime e ligados ao partido Baath foram autorizados a liderar uma mesquita.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">O mesmo vale para os dois milh\u00f5es de curdos. A sua l\u00edngua foi banida em um esfor\u00e7o para apagar a cultura curda e arabiz\u00e1-la. Cerca de 300 mil curdos n\u00e3o t\u00eam cidadania s\u00edria e casamentos entre qualquer um desses curdos e cidad\u00e3os da S\u00edria n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos pelo Estado. A maioria dos curdos \u00e9 pobre apesar de viverem em terras altamente produtivas (principalmente algod\u00e3o e trigo) e da abund\u00e2ncia de recursos petrol\u00edferos na parte do Curdist\u00e3o ocupada pela S\u00edria. Em 2004, uma mobiliza\u00e7\u00e3o foi recebida com forte repress\u00e3o, e liga\u00e7\u00f5es com a Turquia e o Iraque foram cortadas, impedindo as conex\u00f5es entre os curdos de toda a \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Na realidade, n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7as democr\u00e1ticas implementadas sob Bashar. Quando ele foi nomeado presidente, havia grandes expectativas de reformas democr\u00e1ticas. Alguns at\u00e9 falaram de uma primavera s\u00edria. Mas Bashar apenas implementou reformas econ\u00f3micas neoliberais. Os esfor\u00e7os democr\u00e1ticos foram suprimidos na \u00e9poca. Em 2005, ap\u00f3s a press\u00e3o imperialista e a forte mobiliza\u00e7\u00e3o local, as tropas s\u00edrias deixaram o L\u00edbano. Na S\u00edria, pela primeira vez, um movimento de oposi\u00e7\u00e3o apareceu abertamente exigindo uma mudan\u00e7a de regime por meio de um documento chamado Declara\u00e7\u00e3o de Damasco. Ele pediu reformas pol\u00edticas e econ\u00f3micas. Entre elas estava o estabelecimento de um sistema multipartid\u00e1rio, um regime democr\u00e1tico com elei\u00e7\u00f5es livres, uma nova constitui\u00e7\u00e3o para assegurar a igualdade perante a lei, liberdade de express\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, cancelamento da lei marcial e liberdade para todos os presos pol\u00edticos. Esta declara\u00e7\u00e3o foi autenticamente s\u00edria, assinada por personalidades conhecidas, como o autor Michel Kilo, o deputado Rayad Sayf e o ex-juiz Haytham al Malih. Eles n\u00e3o tinham o apoio ou encorajamento dos EUA e sofreram forte repress\u00e3o, incluindo a perman\u00eancia durante anos na pris\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Em 2011, sob a press\u00e3o combinada da Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria e do Ocidente, Bashar anunciou algumas reformas: fim da lei marcial, a cria\u00e7\u00e3o de um sistema multipartid\u00e1rio, a cidadania para os curdos, a liberdade de alguns presos pol\u00edticos, etc. Ao mesmo tempo, recorreu \u00e0 repress\u00e3o generalizada para acabar com os protestos. Em agosto, as cidades de Hama, Deir el-Zour e Latakia foram particularmente visadas. desde mar\u00e7o, duas mil pessoas foram mortas, cerca de tr\u00eas mil desapareceram, e mais de dez mil foram presas. Doze mil refugiados fugiram para a Turquia e muitos mais para o L\u00edbano. As a\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias prevaleceram sobre a ret\u00f3rica democr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\"><strong>As ra\u00edzes econ\u00f3micas da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">A combina\u00e7\u00e3o das reformas econ\u00f3micas realizadas por Bashar a partir de 2000 com a crise econ\u00f4mica mundial gerou uma situa\u00e7\u00e3o explosiva. Como em todos os pa\u00edses \u00e1rabes, o desemprego, especialmente entre os jovens com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, \u00e9 alto, sem sinais de diminui\u00e7\u00e3o. Os sal\u00e1rios s\u00e3o baixos e a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 alta. Os dois milh\u00f5es de trabalhadores p\u00fablicos ganham 200-300 d\u00f3lares por m\u00eas, fazendo do \u201cbaksheesh\u201d (propina) um complemento essencial para sua sobreviv\u00eancia. Al\u00e9m disso, milh\u00f5es de agricultores foram for\u00e7ados a migrar para as cidades devido \u00e0 seca nas \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Enquanto as massas trabalhadoras est\u00e3o sofrendo, Bashar entregou setores inteiros da economia para os membros de sua fam\u00edlia. Rami Makhlouf tem a Syriatel e uma mir\u00edade de outros neg\u00f3cios. Rami \u00e9 odiado pelas massas em luta como o s\u00edmbolo da corrup\u00e7\u00e3o do regime. Mas ele n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. Zou al-Hima Shalish, seu primo, assumiu o controlo de uma importante empreiteira na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o. Ele e outros empres\u00e1rios pr\u00f3ximos receberam a maior parte dos contratos p\u00fablicos de infra-estrutura.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\"><strong>Perspectivas: um regime \u00e0 beira da queda<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">O futuro da revolu\u00e7\u00e3o na S\u00edria est\u00e1 sendo decidido nas ruas de Damasco, Hama, Daraa, Deir el-Zour, juntamente com a luta nas ruas de todos os outros pa\u00edses \u00e1rabes.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">As for\u00e7as contra-revolucion\u00e1rias est\u00e3o ativas, mas as suas contradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o se acumulando.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No dia 18 agosto, o presidente Barack Obama explicou a abordagem dos EUA: \u201c<em>N\u00f3s temos consistentemente dito que o presidente Assad deve conduzir uma transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica ou sair do caminho<\/em>\u201d. Al\u00e9m disso, ele ordenou o congelamento dos ativos do governo s\u00edrio nos Estados Unidos, proibiu os cidad\u00e3os dos EUA de operar ou investir na S\u00edria e proibiu as importa\u00e7\u00f5es de derivados de petr\u00f3leo s\u00edrio. No mesmo dia, os l\u00edderes da Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m exigiram o afastamento de Assad. Ainda temos que ver se a Uni\u00e3o Europeia vai interromper as importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo da S\u00edria. Os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia levaram cinco meses para declarar que Bashar deve sair, porque a sua op\u00e7\u00e3o preferencial para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o na S\u00edria era ter reformas com Bashar na lideran\u00e7a. A recusa de Bashar de parar a repress\u00e3o e a perman\u00eancia dos protestos levou o imperialismo a procurar outros interlocutores dentro e fora do regime para fazer as reformas e desmobilizar a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">R\u00fassia, China, Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul, membros do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, ainda est\u00e3o pedindo reformas a serem lideradas por Bashar. No dia 9 de agosto, Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul se superaram ao afirmarem que Bashar tem vontade de levar a cabo reformas democr\u00e1ticas e condenaram a viol\u00eancia de \u201cambos os lados\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">No entanto, a Turquia, o principal parceiro comercial da S\u00edria (US$ 2,5 mil milh\u00f5es de com\u00e9rcio anual), com quem ela compartilha fortes la\u00e7os hist\u00f3ricos, parou no meio. No dia 9 de agosto, o chanceler turco Davutoglu anunciou que a Turquia iria esperar duas semanas pelo fim de toda a viol\u00eancia do Estado e por reformas significativas antes de tomar a\u00e7\u00f5es em repres\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Incentivado por essas decis\u00f5es e pelo forte apoio do Ir\u00e3, Bashar recorreu \u00e0 repress\u00e3o generalizada a fim de impedir o crescimento do movimento e o estabelecimento de cidades livres que poderiam se tornar fortalezas para a revolu\u00e7\u00e3o, como aconteceu na L\u00edbia com Benghazi. No entanto, apesar da forte repress\u00e3o, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece estar definhando, mesmo que as mobiliza\u00e7\u00f5es estejam menores em agosto, devido \u00e0 repress\u00e3o selvagem.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">O plano B de Bashar \u00e9 levar adiante as reformas \u201csugeridas\u201d pelas pot\u00eancias ocidentais: elei\u00e7\u00f5es \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d e um governo de unidade nacional. N\u00e3o est\u00e1 claro se essa op\u00e7\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel devido ao est\u00e1gio atual das mobiliza\u00e7\u00f5es. A sua \u00faltima op\u00e7\u00e3o \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um pequeno Estado Alau\u00edta militarizado no noroeste, ao redor de Aleppo e Latakia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">No entanto, fica claro que a revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 viva e tendendo a se radicalizar.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">As manifesta\u00e7\u00f5es e com\u00edcios saltaram de alguns milhares, h\u00e1 cinco meses, para centenas de milhares em julho. Daraa, na pauperizada fronteira sul com a Jord\u00e2nia, foi o primeiro centro da revolu\u00e7\u00e3o. Agora as mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas em \u00e2mbito nacional, lideradas por Hama e Deir el-Zour, com centenas de milhares em cada cidade a cada sexta-feira. Mesmo em Damasco, h\u00e1 marchas em alguns bairros onde a maioria s\u00e3o sunitas, curdos e setores da classe m\u00e9dia. A \u00fanica cidade principal sem qualquer maior mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 Aleppo, um centro da comunidade Alau\u00edta e um reduto do regime de Assad.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O car\u00e1ter n\u00e3o-sect\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para atrair um n\u00famero crescente das diversas seitas crist\u00e3s, xiitas e drusos. Uma das palavras de ordem mais populares \u00e9 \u201c<em>Um, um, um, o povo s\u00edrio somos um s\u00f3<\/em>\u201d. Existe tamb\u00e9m a possibilidade de racha entre a burguesia s\u00edria, profundamente afetada pela paralisia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">A forte repress\u00e3o elevou as reivindica\u00e7\u00f5es de reformas para a queda do regime. Em agosto, Bashar conseguiu parar as marchas de centenas de milhares em Hama e Deir el-Zour, mas, assim que as tropas sa\u00edam das cidades, marchas menores reiniciavam. De qualquer forma, novas contradi\u00e7\u00f5es emergem dessas a\u00e7\u00f5es repressivas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">As deser\u00e7\u00f5es entre as tropas est\u00e3o crescendo. Bashar tem que confiar na quarta divis\u00e3o das For\u00e7as Armadas, formada principalmente por militares da comunidade Alau\u00edta e diretamente dirigida por seu irm\u00e3o Maher Al Assad, para realizar os massacres em Hama, Deir el-Zour, Lattakia e outros lugares. H\u00e1 relatos de soldados sendo mortos por seus comandantes por se recusarem a reprimir os manifestantes. A generaliza\u00e7\u00e3o de deser\u00e7\u00f5es de tropas ainda n\u00e3o aconteceu devido \u00e0 falta de um polo de atra\u00e7\u00e3o alternativo para os soldados.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">No entanto, h\u00e1 um limite em se basear em uma divis\u00e3o do ex\u00e9rcito para enfrentar uma onda nacional de protestos em todo o pa\u00eds. Al\u00e9m disso, as outras divis\u00f5es s\u00e3o muito sens\u00edveis ao clamor das ruas e podem se dividir. Por outro lado, os manifestantes s\u00e3o obrigados a defender-se com a cria\u00e7\u00e3o de barricadas nas cidades, tendendo a se armar.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">A lideran\u00e7a real dos protestos s\u00e3o as Comiss\u00f5es de Coordena\u00e7\u00e3o Locais que surgiram em todo o pa\u00eds, principalmente composta por um n\u00famero modesto de jovens ativistas. Eles coordenam-se atrav\u00e9s de meios alternativos de comunica\u00e7\u00e3o. Anteriormente, a sua posi\u00e7\u00e3o foi de recusar qualquer di\u00e1logo com o regime enquanto continuasse a repress\u00e3o. Agora, eles exigem o fim do regime. A tend\u00eancia \u00e9 que todas essas comiss\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o se desenvolvam em organiza\u00e7\u00f5es abertas, maiores e democr\u00e1ticas pela base, isolando a falsa oposi\u00e7\u00e3o que se reuniu em Damasco no dia 27 de junho, sob os ausp\u00edcios do regime, juntamente com o grupo de oposi\u00e7\u00e3o no exterior que realizou uma confer\u00eancia de 300 pessoas na cidade de Antalya, na Turquia, em 2, 3 e 4 de julho, formado principalmente por grupos e personalidades liberais e nacionalistas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\"><strong>O principal ausente: um forte partido oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">O principal ausente na revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, na S\u00edria e em outros pa\u00edses, \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria socialista forte que desenvolva conscientemente a mobiliza\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o das massas trabalhadoras para derrubar o regime de Assad e atender todas as suas demandas e necessidades. Reivindica\u00e7\u00f5es claras e a classe oper\u00e1ria em movimento s\u00e3o fundamentais para dar o primeiro golpe para derrubar os regimes repressores e seguir em frente para fazer as mudan\u00e7as democr\u00e1ticas, econ\u00f3micas e pol\u00edticas que as massas trabalhadoras necessitam.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Abaixo o regime de Assad!<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Liberdade de express\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o de sindicatos e partidos pol\u00edticos!<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">&nbsp;Liberdade para todos os presos pol\u00edticos e julgamento e puni\u00e7\u00e3o para todos os membros do regime!<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es livres para uma Assembleia Nacional Constituinte para: romper todos os la\u00e7os com Israel e com o Ocidente, sejam eles econ\u00f3micos, pol\u00edticos, diplom\u00e1ticos ou militares! N\u00e3o pagar a d\u00edvida externa! Garantir o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o para o povo curdo e apoio para sua luta em todo o Curdist\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Total apoio para os palestinos na luta por uma Palestina laica e democr\u00e1tica abrangendo a totalidade do seu territ\u00f3rio hist\u00f3rico!<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Apoio militar ao Hezbollah para levar a cabo a resist\u00eancia contra Israel e todo o apoio \u00e0 resist\u00eancia iraquiana!<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Emprego, sal\u00e1rio, moradia acess\u00edvel, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablicas, gratuitas, de qualidade e previd\u00eancia social!<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\">Acima de tudo, toda a economia deve ser nacionalizada e colocada sob o controle dos trabalhadores rumo a um governo dos trabalhadores e camponeses para avan\u00e7ar na cria\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Socialista das Rep\u00fablicas \u00c1rabes.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;\"><strong>Escrito por Hassan Al Barazili e publicado no site da Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (LIT-QI)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos cinco meses, a classe trabalhadora s\u00edria, tendo a juventude \u00e0 sua frente, vem realizando mobiliza\u00e7\u00f5es que crescem em n\u00fameros, em alcance geogr\u00e1fico e na radicaliza\u00e7\u00e3o. Em julho, pela primeira vez, as marchas reuniram centenas de milhares de pessoas. Hama substituiu Daraa como a cidade l\u00edder das mobiliza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acontecendo em todo o pa\u00eds. As principais reivindica\u00e7\u00f5es evolu\u00edram de reformas e direitos democr\u00e1ticos para \u201cFora Bashar El Assad\u201d, o ditador odiado. Comit\u00e9s de Coordena\u00e7\u00e3o Locais em cada cidade d\u00e3o um exemplo de organiza\u00e7\u00e3o popular e de lideran\u00e7a alternativa. 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