{"id":510,"date":"2011-08-11T02:12:42","date_gmt":"2011-08-11T01:12:42","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/08\/11\/londons-burning\/"},"modified":"2011-08-11T02:12:42","modified_gmt":"2011-08-11T01:12:42","slug":"londons-burning","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/08\/11\/londons-burning\/","title":{"rendered":"London&#8217;s burning"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">Em 1979, a banda musical The Clash lan\u00e7ava uma\u00a0faixa com esse nome e poucos anos depois (em 1981 e 1985) v\u00e1rios bairros londrinos como Brixton ou Tottenham ardiam em motins anti-pol\u00edcia. No auge do governo conservador de Margaret Thatcher, a popula\u00e7\u00e3o, maioritariamente pobre e maioritariamente descendente de imigra\u00e7\u00e3o afro-caribenha, levantava-se violentamente contra o abuso di\u00e1rio da pol\u00edcia que culminava com o assass\u00ednio pontual de residentes. Mais de 20 anos passados, com o mesmo autoritarismo e rascismo institucional da pol\u00edcia, uma crise capitalista pelo meio, ataques sem precedentes aos trabalhadores e \u00e0 juventude e\u00a0com os conservadores de novo no governo, eis que a hist\u00f3ria se repete.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">Na quinta-feira dia 4 de Agosto, foi abatido a tiro por um agente da pol\u00edcia Mark Duggan, um residente do bairro de Tottenham de 29 anos e pai de quatro filhos. O relat\u00f3rio preliminar da comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito viria mais tarde a concluir que Mark n\u00e3o ter\u00e1 ferido o agente. Mais tarde 200 familiares e amigos de Mark reunem-se junto \u00e0 esquadra local da pol\u00edcia para um protesto pac\u00edfico, tendo obtido a promessa de que um oficial da corpora\u00e7\u00e3o receberia os familiares para falar sobre o sucedido. V\u00e1rias horas passadas e sem resposta, tem in\u00edcio o apedrejamento da esquadra por parte de alguns jovens. O rastilho estava aceso para a bomba que rebentaria ao longo dos dias seguintes em v\u00e1rios bairros de Londres, Birmingham, Manchester, Liverpool e outras cidades, com in\u00fameros confrontos com a pol\u00edcia, carros e casas incendiados e lojas saqueadas. A revolta, espont\u00e2nea, desorganizada e inconsistente atingiu muitas vezes bens de residentes locais provocando uma mais que compreensivel antipatia na popula\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 um facto que o fogo tem chegado preferencialmente \u00e0s esquadras da pol\u00edcia, a lojas e armaz\u00e9ns de grandes multinacionais e a autom\u00f3veis de luxo.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">O outro fogo, este lento, que arde h\u00e1 anos e n\u00e3o aparece nas televis\u00f5es \u00e9 o abuso constante que a popula\u00e7\u00e3o dos bairros pobres brit\u00e2nicos sofre \u00e0s m\u00e3os da pol\u00edcia, sobretudo se quando se trata de jovens negros ou asi\u00e1ticos. O outro saque, este incomparavelmente maior e que se quer fazer passar despercebido, \u00e9 o resultante dos \u00faltimos anos de pol\u00edticas de direita no Reino Unido, em que os estudantes chegam a pagar 11000 euros por ano de propina nas universidades p\u00fablicas, em que se acabou com o EMA &#8211; subs\u00eddio que permitia a jovens pobres entre os 16 e os 19 anos continuarem a estudar enquanto ao mesmo tempo se encerram os centros em que os mesmos jovens podem passar os tempos livres e ser aconselhados sobre oportunidades de estudo ou trabalho. O maior saque, este envolvendo quantias incalcul\u00e1veis de dinheiro, \u00e9 o que \u00e9 feito a poucos quil\u00f3metros destes bairros nas zonas financeiras da capital, onde diaramente se amealham lucros exorbitantes \u00e0 custa do trabalho alheio e se especula nos mercados mundiais saqueando economias inteiras ao fazer os estados pagar a sua factura extorquindo quem trabalha com pol\u00edticas de austeridade. Os maiores ladr\u00f5es n\u00e3o precisam de andar ecapuzados pois fazem o seu saque a coberto da lei e com bastante sucesso, como mostra o facto de as mil maiores fortunas brit\u00e2nicas somadas terem, no ano passado em plena crise, aumentado o seu total em mais 70 mil milh\u00f5es de euros. Enquanto isso, 20% dos jovens brit\u00e2nicos encontram-se desempregados, n\u00e3o sendo talvez por acaso que Tottenham \u2013 onde tudo come\u00e7ou &#8211; seja o bairro londrino em que o desemprego \u00e9 maior.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">A viol\u00eancia dos motins pouco tem de construtiva e provavelmente pouco ou nada conseguir\u00e1, mas \u00e9 uma resposta previsivel numa sociedade capitalista absolutamente esgotada que nos esmaga com a sua viol\u00eancia exploradora. \u00c9 preciso deitar-lhe fogo sim, mas organizando-nos nos bairros, nas escolas, nos locais de trabalho para construirmos e levarmos a cabo um programa que nos permita de vez destrui-la para a substituir por uma outra com uma democracia verdadeira e sem explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1979, a banda musical The Clash lan\u00e7ava uma\u00a0faixa com esse nome e poucos anos depois (em 1981 e 1985) v\u00e1rios bairros londrinos como Brixton ou Tottenham ardiam em motins anti-pol\u00edcia. 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